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140 guerrilheiras da Renamo desmobilizadas em Gorongosa

O Presidente da República, Filipe Nyusi, o líder da Renamo, Ossufo Momade, e o representante do Secretário-Geral da ONU, Mirko Manzoni, testemunharam, hoje, a desmobilização de 140 mulheres que faziam parte da força residual da Renamo.

A cerimónia decorreu na base de Mapangapanga em Vunduzi, no distrito de Gorongosa que era a base Central da Renamo. No local há 434 guerrilheiros, dos quais 140 são mulheres que este sábado voltaram há vida civil, maior parte delas são militares da Renamo há 30 anos ou mais. Tiveram filhos, viram-nos crescer no meio das bases e hoje alguns de 30 ou mais anos de idade.

A equipa de reportagem do “O País” conversou com Maria de Fátima Oliveira  de 48 anos de idade, raptada em 1988  em Chibuto, na provincia de Gaza, num ataque protagonizado pela Renamo. Foi à então base central de Gaza e depois foi transferida para Marínguè, onde permaneceu até 1992 quando foi desmobilizada e regressou à sua terra.

Mas passado algum tempo, ela sentiu que a sua situação não tinha melhorado, por isso  decidiu retornar às bases e se juntar à força residual da Renamo. Conta que teve os seus três filhos na base, agora têm idades compreendidas entre 21 e 30 anos de idade. Viveram sempre com ela no meio do campo de guerra e só foram se juntar aos seus familiares em Chibuto, no ano passado após, a assinatura do Acordo de Cessação de Hostilidades.

A mulher diz ainda que as crianças passaram a sua infância entre a base militar e as escolas das comunidades circunvizinhas. O mais velho, de 30 anos, só este ano está a frequentar a 12a classe porque durante muito tempo estiveram em locais onde não tinham escolas com classes acima do ensino primário.

Maria de Fátima acredita que desta vez regressa à casa em melhores condições e espera dedicar-se à agricultura ou à pecuária, bem como construir uma casa para si e seus filhos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, diriigiu a cerimónia, enalteceu o papel das guerrilheiras no processo de pacificação e recordou um dos encontros com o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama, em que pediu que ele falasse com as militares e elas pediram que acelerassem o processo de paz porque queriam retornar às suas zonas de origem.

E aquele acto mostrava igualmente a importância da participação da mulher nos processos de desenvolvimento de um país. E prometeu para aquelas mulheres que o seu Governo está a fazer de tudo para que sejam bem recebidas nas suas zonas de origem e sejam reintegradas como moçambicanas que devem contribuir para o desenvolvimento do país.

Já Ossudo Momade, líder da Renamo, disse que aquelas guerrilheiras eram o exemplo de que a Renamo sempre priorizou a igualdade do género em todas as frentes em que está envolvida e que elas eram heroínas que merecem ser muito bem tratadas e acarinhadas por todos porque a democracia que se vive hoje em Moçambique é fruto do sacrifício delas, bem como o processo de descentralização em curso.

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