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10 vozes, mil e uma emoções…

Mais um espectáculo… e este, com a boca cheia de oxigénio, pode se assumir como O Espectáculo. E, desta vez, era para homenagear as mulheres. Claro, a música moçambicana é abundantemente enriquecida por vozes femininas. Foi pensando nisso que a Stv, com um “olho clínico”, seleccionou as 10 cantoras para o segundo concerto à caminho dos 15 anos.
Já se antecipava uma noite de glórias. É que o espectáculo, na verdade, começou ainda fora do auditório do Centro Cultural da Universidade Eduardo Mondlane. As estrelas cintilaram na noite que as emoções eram de cortar o fôlego. As vestes ousadas, outras nem tanto, em que reinava a capulana, anunciavam a chegada das rainhas. Os flashes, afinal, já estavam preparados para registar o momento. Numa plataforma bem desenhada, à altura das divas, o tapete vermelho e as câmaras aguardavam ansiosamente.
E as estrelas chegaram… algumas acompanhadas e outras não. Mas todas as artistas tinham algo em comum: o sorriso no rosto e o bom gosto no quesito vestir. As fãs aproveitaram esse momento para grudarem-se aos seus ídolos e registarem o momento nas lentes dos telemóveis.
Não são todos os dias que se tem 10 mulheres num único palco. Principalmente, quando se trata de mulheres talentosas e inspiradoras. São, por isso, “As melhores vozes de Moçambique”. Cientes desse facto, os espectadores esgotaram os bilhetes muito antes das portas do Centro Cultural abrirem. E devido à pontualidade no primeiro espectáculo da Stv, a fila começou muito cedo. Ainda bem!
Quando eram exactamente 21h30, sem sobressaltos de nenhum tipo, o microfone soou. Era, assim, a entrada da primeira artista no palco. A platéia devidamente composta assistiu a primeira actuação. Não era ainda a vez da música, mas foi uma prestação formidável. Ludmila Jeque guardou os seus dotes de cantora e tirou os de apresentadora. Esta voz que é uma das provas dos bons 15 anos da Stv, foi crucial para animar as mulheres que dispensaram outros afazeres para se aconchegarem naqueles acentos.
E não se arrependeram. Os gritos, assobios e “kulungwanas” confirmaram.
A primeira mulher que subiu ao palco para cantar, desceu dos ombros de um homem. Sempre a surpreender, Matilde Conjo dispensou os bastidores e entrou de uma das portas que dá acesso aos espectadores. Uma acção que, ao mesmo tempo, pretende mostrar que a mulher deve ser acarinhada. E ela merece, pelo menos a sua música diz que é uma boa mulher.
Com um vestido para lá de requintado, a rastejar pelo chão, a artista arrancou os primeiros aplausos da noite. Quando chegou a hora de interpretar o seu maior trunfo – “Meu gajo” – não o fez sozinha. Euridse Jeque não só imitou a forma “repada” de cantar da Matilde, mas também tentou mexer. Os seus movimentos não se comparam à ousadia da “rainha do pandza”, mas provou que no capítulo da dança não é fraca.
Não mais saiu do palco, pelo menos não antes de cantar “Falso”, entre outros dois temas. Este era o primeiro toque de kizomba que se ouvia na noite. Não tanto como a primeira, mas a cantora que representou as mulheres do centro do país, não deixou os seus créditos de melhor voz feminina do Ngoma Moçambique na edição 2013 em mãos alheias.
Depois de Quelimane, os sons voltaram ao sul do país. Mais do que uma província diferente, Isabel Novela trouxe uma nova proposta. Primeiramente, levou o auditório viajar com o seu jazz soul, mas depois, preferiu fechar com um jazz “amarrabentado”, ou melhor, uma marrabenta “jazzisada”. E ninguém se opôs ao convite à dança que aquela cadência propiciava.
A pura marrabenta não tardou chegar. Anita Macuácua foi quem inaugurou esse momento e, consequentemente, fez levantar todos os espectadores. A azáfama tinha-se instalado. Até os poucos homens que estavam na sala agradeceram à mãe.
Zav foi a única artista que entrou no palco sem fazer dueto. Por isso, talvez, não teve grande recepção. Mesmo assim, não se intimidou. O público, como que a curvar-se para grandes músicas, voltou a levantar-se, também, quando a “mana da noite”, cada vez mais jovem, fê-los recordar o “xikongolotana”. Não há quem não se arrepiou com tamanho talento do Mingas.
E porque um filho é a maior herança das mães, Marllen juntou-se às mulheres e fizeram a festa. Nos primeiros instantes da sua actuação, sentou com a guitarra no colo, um claro sinal de que os seus filhos não são apenas humanos. Depois a “Preta Negra”. A cantora, com as suas bailarinas, recordou aos seus seguidores a sua primeira música: “Ximati”. E não é que as pessoas não se tinham esquecido?
Quando Lizha James subiu ao palco já era dia 7 de Abril. Coube a Marllen essa transição (boa transição, diga-se. Como se fosse final de ano. Faltaram apenas fogos de artifício). Lizha também optou por vasculhar o seu baú. “Maxaka” foi uma das músicas tocadas (e dançadas). E não foi uma simples actuação, entre dançarinos que se espalharam pelos corredores, fez-se a festa.
Neyma, com o seu jeito inconfundível, entrou na luta contra as “mulohis”. Juntas, num claro sinal de basta, fizeram o público cantar, aliás, orar.
Já com o palco só para si, a “diva da marrabenta” não dispensou as suas melhores criações. Mais uma actuação que oscilou entre a modernidade e a tradição. Não foi muito aplaudida, mas teve uma prestação significante. Aplausos, esses, voltaram quando a décima mulher com o seu vasto colectivo enfrentou o público ainda sedento de espectáculo. Lourena Nhate fechou com chave de ouro, mas era como se estivesse a abrir. Os gritos e assobios ainda tinham força. Contrariamente, a Anita Macuácua, ela agradeceu ao pai e declarou-se ao seu amado.

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