Onze mortos e 11 feridos, nove dos quais em estado grave, é o balanço de um acidente de viação ocorrido na manhã deste sábado, na Estrada Nacional Número 7 (EN7), no povoado de Mazoe, distrito de Changara, província de Tete.
O sinistro, registado por volta das 6 horas, envolveu um autocarro da marca Yutong e uma viatura Toyota Hiace, que colidiram frontalmente.
Segundo informações do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), o acidente ocorreu quando o condutor do autocarro, que seguia no sentido Tete–Changara, tentou efectuar uma ultrapassagem, mas acabou por embater contra a viatura que circulava em sentido contrário.
Na sequência da colisão, 11 pessoas perderam a vida e outras 11 ficaram feridas, nove das quais com gravidade.
O motorista do autocarro foi detido para averiguações, enquanto as autoridades prosseguem com as investigações para apurar as circunstâncias do acidente e determinar eventuais responsabilidades.
O Comité Central da FRELIMO elegeu, por aclamação, Daniel Francisco Chapo como candidato do partido às eleições presidenciais de 2029. A decisão foi tomada durante a quarta sessão extraordinária do órgão, realizada na cidade de Chimoio, província de Manica.
Segundo um dos dirigentes do partido, a escolha de Chapo resulta da avaliação do desempenho do Presidente da República desde o início do seu mandato, num contexto marcado por manifestações violentas, desconfiança entre os moçambicanos e descontentamento na função pública.
O dirigente apontou ainda os constrangimentos relacionados com o pagamento de horas extraordinárias, turnos e a implementação da Tabela Salarial Única, bem como a inclusão de Moçambique na lista cinzenta, factores que, segundo afirmou, afectaram a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
Na avaliação da FRELIMO, em menos de dois anos de governação, Daniel Chapo conseguiu contribuir para a estabilização do país, promover o diálogo nacional com vista à consolidação da paz e recuperar a confiança interna e externa.
O partido considera igualmente que as medidas económicas e legislativas adoptadas pelo Governo, incluindo a aprovação de novos instrumentos legais para o sector mineiro e outras áreas, bem como a criação de mecanismos de financiamento destinados a dinamizar as economias locais e apoiar as mulheres, reforçam a confiança dos seus membros na liderança de Chapo.
A escolha por aclamação confirma, assim, a intenção da FRELIMO de voltar a apostar em Daniel Chapo para a Presidência da República nas eleições de 2029.
Paralelamente, a direcção do partido anunciou a intenção de avaliar o desempenho dos municípios, numa altura em que se aproxima a metade do actual mandato autárquico. A avaliação deverá incidir sobre o cumprimento dos manifestos eleitorais, a interacção dos dirigentes municipais com a população e a concretização das promessas feitas durante a campanha eleitoral.
Atanásio Luciano, conhecido como Professor Jaleia, leciona no ensino primário no distrito de Luabo, província da Zambézia, e desenvolve ações de apoio a comunidades vulneráveis, com atenção especial às crianças, aos idosos e às famílias de baixa renda.
Além da atividade docente, Jaleia participa em iniciativas comunitárias voltadas para a promoção da educação e a prevenção dos casamentos prematuros. O professor defende a permanência das crianças na escola e a proteção das raparigas contra práticas que limitam o seu desenvolvimento e as suas oportunidades de formação.
Em Luabo, muitas famílias dependem da pesca e da agricultura. As dificuldades económicas dificultam a compra de uniformes e material escolar, contribuindo para o abandono ou a interrupção dos estudos.
“Uma das grandes necessidades das nossas crianças em Luabo, é mesmo a falta de roupa, calçados para o seu quotidiano. Muitas vezes estas crianças têm apenas um calção roto e não têm chinelos. Para sair de casa para escola, enfrentam grandes distâncias descalças. Neste tempo que está sol, uma criança com roupa rota e outras necessidades, torna suas vidas muito mais complicadas” disse Jaleia para quem precisa-se de apoio urgente para minimizar o sofrimento das crianças.
Perante esta realidade, Jaleia procura mobilizar apoios para crianças carenciadas e sensibilizar as comunidades sobre a importância da educação. A sua intervenção inclui também o acompanhamento de idosos e de outras famílias em situação de vulnerabilidade.
A Vivo Energy disponibilizou 400 kits escolares para crianças carentes de Luabo. O apoio pretende reduzir os encargos das famílias e contribuir para a permanência dos alunos no sistema de ensino.
Por meio do trabalho comunitário, o Professor Jaleia procura reforçar a responsabilidade colectiva na protecção da infância, na prevenção dos casamentos prematuros e no apoio às famílias mais necessitadas.
As Forças Armadas dos Estados Unidos elaboraram planos de ataque contra o Irão e que poderão usar a bomba conhecida como “mãe de todas as bombas”. A informação foi divulgada pela CNN Internacional nesta quinta-feira.
Oito meses depois dos Estados Unidos da América e Israel lançarem um ataque conjunto contra vários locais no Irão, desencadeando o actual conflito entre estes países, os Estados Unidos cogitam agora usar uma bomba conhecida como mãe de todas as bombas contra o Irão, que é a bomba GBU-43/B .
Os alvos poderão ser instalações nucleares e a infra-estrutura energética do país. Os ataques deverão ocorrer caso o presidente Donald Trump ordene a retomada das operações militares.
O uso da maior bomba não nuclear do arsenal americano poderá representar uma escalada significativa do conflito.
O Irão, por sua vez, reitera que não quer uma guerra interminável, mas garante que continuará a lutar até que Washington aceite as exigências iranianas.
Esta quinta-feira, houve um ataque a mais dois navios no Estreito de Ormuz, canal marítimo partilhado por vários países do médio oriente, incluindo o Irão, e por onde passam combustíveis que abastecem vários países. E é mesmo por estes ataques no contexto da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão que disparam preços dos combustíveis em vários países.
O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta sexta-feira, no distrito de Caia, província de Sofala, que a paz deve começar dentro da família, através do diálogo, do respeito e da compreensão mútua. O Chefe do Estado afirmou que não há desenvolvimento sem paz, sublinhando que esta vai além do silêncio das armas e exige também o fim da violência nas famílias e nas comunidades.
Durante um comício popular, Chapo considerou que a ausência de confrontos armados não é suficiente para garantir a paz, enquanto persistirem situações de violência no seio familiar e na sociedade.
“A paz não significa apenas o silêncio das armas. As armas podem calar-se, mas isso, por si só, não significa que haja paz. A paz significa também ausência de violência nas nossas casas, nas nossas famílias e nas nossas comunidades. Onde há violência, não há paz”, afirmou.
Para o Chefe do Estado, é no ambiente familiar que devem ser cultivados os valores necessários à convivência pacífica, nomeadamente o diálogo, o respeito e a capacidade de resolver divergências sem recurso à violência.
“A paz tem de começar na família, em casa, entre o pai, a mãe e os filhos. É dentro das nossas famílias que devemos cultivar o diálogo, o respeito e a compreensão mútua. É aí onde temos de aprender a resolver as nossas diferenças sem recorrer à violência”, defendeu.
O Presidente da República apontou igualmente o respeito pela diferença como uma condição essencial para a harmonia social, apelando aos moçambicanos para que aprendam a conviver, independentemente das suas convicções e escolhas.
Segundo Daniel Chapo, a diversidade faz parte da natureza humana e deve ser encarada como uma oportunidade para a convivência pacífica, e não como motivo de conflito.
“Temos de aprender a viver em paz, mesmo quando somos diferentes. A diferença é uma criação de Deus e, por isso, devemos respeitá-la. Aqui onde estamos, não existem duas pessoas completamente iguais. Mesmo os gémeos, por mais parecidos que sejam, têm as suas próprias formas de pensar”, afirmou.
Chapo destacou que, no mesmo distrito, existem pessoas com diferentes preferências desportivas, filiações políticas e crenças religiosas, defendendo que essas diferenças não devem constituir motivo de inimizade.
“Cada um de nós deve compreender que ser diferente não significa ser inimigo do outro. Ninguém pode ser obrigado a escolher aquilo que não quer, a acreditar naquilo em que não acredita ou a vestir aquilo que não deseja vestir”, frisou.
Para ilustrar a importância da diversidade, o Chefe do Estado recorreu ao exemplo dos dedos da mão, que, apesar das diferenças, coexistem sem se prejudicarem.
“Olhem para os dedos da minha mão. São diferentes uns dos outros. Não há dois dedos exactamente iguais. No entanto, nenhum dedo corta o outro só porque é diferente! Da mesma forma, aqui onde estamos, somos todos diferentes. Uns são mais magros, outros têm uma constituição física mais forte; uns têm a pele mais clara, outros mais escura. Mas essas diferenças não nos impedem de viver juntos”, declarou.
Na abordagem à segurança, Daniel Chapo defendeu que não há paz sem segurança e considerou que a população tem um papel fundamental no apoio à Polícia, através da vigilância e da denúncia de indivíduos que promovem o ódio e a divisão.
O Presidente condenou igualmente os actos de vandalismo contra bens públicos registados no contexto pós-eleitoral, sobretudo a destruição de escolas e hospitais, alegadamente em protesto contra os resultados eleitorais.
“E eu pergunto: que culpa tem uma escola? A escola não vota. A escola não tem cartão de eleitor. A escola não foi recenseada e não escolhe nenhum partido político. A escola existe para servir as nossas crianças, os nossos jovens e as gerações futuras. Quando destruímos uma escola, prejudicamos as nossas crianças. Quando destruímos um hospital, prejudicamos os nossos doentes”, criticou.
Para o Chefe do Estado, os procedimentos eleitorais devem ser respeitados, tal como acontece nas competições desportivas, em que o resultado só pode ser considerado definitivo após o fim da partida.
Chapo comparou a situação a um jogo de futebol, afirmando que ninguém pode declarar-se vencedor antes de o árbitro apitar o fim do encontro.
No final do comício, o Presidente da República alertou para a circulação de informações falsas em algumas comunidades, considerando que estas contribuem para gerar pânico, insegurança e instabilidade social.
Segundo Daniel Chapo, a disseminação de boatos constitui uma estratégia de indivíduos que, na sua perspectiva, pretendem impedir a consolidação da paz e do desenvolvimento no país.
“Boateiros inventam mentiras. Quando viram que esta mentira não pegou, inventam outra, só para o povo não estar em paz, só para o povo não estar em segurança. Este é o objectivo deles. Não gostam de paz, gostam de violência, gostam de ódio, gostam de ver o povo a sofrer”, acusou.
O Chefe do Estado referiu-se, concretamente, a um boato segundo o qual o simples contacto físico ou cumprimento entre pessoas poderia provocar a atrofia ou o desaparecimento dos órgãos sexuais.
“Disseram que há pessoas que, quando encosta outro ou cumprimenta outro, o sexo se atrofia ou desaparece. É mentira, é boato. São inimigos da paz e do desenvolvimento”, afirmou, apelando à população para que não partilhe informações falsas e denuncie os seus disseminadores.
Daniel Chapo concluiu reiterando que a construção da paz exige mais do que o fim dos confrontos armados, defendendo a rejeição do ódio e da violência e a promoção do diálogo e do respeito pelas diferenças como bases para a convivência entre os moçambicanos.
O surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC) alastrou-se à província do Ubangi do Norte, situada junto à fronteira com a República Centro-Africana, elevando para oito o número de províncias congolesas afectadas pelo vírus. A informação foi avançada por dois responsáveis da saúde à agência Reuters, embora ainda não tenha sido oficialmente anunciada pelas autoridades do país.
Segundo as fontes, foram registados dois casos na nova província, depois de uma série de mortes suspeitas na zona sanitária de Wapinda, próximo da fronteira com Bas-Uele, ter levado à realização de testes para detectar a presença do vírus.
O actual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existe, até ao momento, vacina ou tratamento específico aprovado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), está previsto o início de um primeiro ensaio clínico de uma vacina na RDC até ao final de Outubro.
O surto foi declarado a 15 de Maio e, segundo dados divulgados na quarta-feira, já provocou mais de nove mil casos e 4.441 mortes.
A epidemia também afecta outros países da região. No Uganda, foram igualmente registados casos, apesar de o país ter anunciado estar livre do Ébola em Agosto. Já o Quénia confirmou, na quarta-feira, o segundo caso da doença, envolvendo um familiar do primeiro paciente, que morreu a 5 de Outubro.
A propagação do vírus para novas áreas reforça as preocupações das autoridades sanitárias quanto à contenção do surto e ao risco de transmissão transfronteiriça na região.
Moçambique poderá enfrentar crises recorrentes no abastecimento de combustíveis devido aos desequilíbrios do mercado e à dependência das importações, alerta Júlio Saramala. O economista defende que o Governo identifique as causas e adopte medidas preventivas para reduzir os impactos sobre transportadores, empresas e consumidores.
Em entrevista ao País Económico, Saramala considera que as dificuldades resultam da combinação de factores externos e internos, entre os quais a subida dos preços internacionais do petróleo, as condições de financiamento das importações, a disponibilidade de divisas e os constrangimentos logísticos na distribuição.
“Eu não diria que é uma crise provocada ou uma crise real. Eu diria que é uma crise que tem tido consequências e acções muito mais reactivas, olha-se muito mais para aquilo que são as consequências, mas não para as possíveis causas”, afirmou, defendendo uma mudança na forma como as autoridades enfrentam as perturbações no abastecimento.
Na sua análise, a guerra no Médio Oriente e a subida das cotações pressionam o mercado, mas não explicam, isoladamente, todas as dificuldades. A forma de importação, os encargos financeiros e a distribuição também condicionam a disponibilidade e o preço dos combustíveis.
A vulnerabilidade do país é agravada pela dependência do combustível importado. Segundo os dados apresentados na entrevista, o barril de petróleo Brent passou de cerca de 63 dólares em Janeiro para aproximadamente 104 dólares em Outubro deste ano.
“Temos uma forte dependência das próprias importações, isto quer dizer que qualquer oscilação no mercado internacional o país pode sofrer alguma oscilação no seu preço. Depois, há uma grande necessidade dos operadores desta indústria recorrerem à banca para poder ter certos financiamentos ou até importação, seja cartas de crédito, que geralmente é um crédito, moeda estrangeira e, por fim, acaba caindo para o consumidor final”, explicou.
Os custos de aquisição e distribuição repercutem-se no transporte de passageiros, na circulação de mercadorias e nos preços de bens e serviços. Como o impacto varia entre operadores, as medidas devem considerar as diferenças do sector.
SUBSÍDIOS DEVEM CHEGAR A QUEM MAIS PRECISA
Perante as reivindicações dos transportadores e a discussão sobre possíveis aumentos das tarifas, Saramala defende que o debate não deve ficar circunscrito à diferença entre os valores propostos pelos operadores e os considerados pelo Governo. É necessário avaliar as causas, os custos e o impacto sobre cada actividade.
“A questão não é de cinco ou de 20 meticais, é de perceber, primeiro, quais são as causas, qual é o impacto que se espera e se amanhã a situação reverter-se, é pouco provável, porque os preços têm uma tipologia sempre progressiva e não muito regressiva”, afirmou.
Para o economista, subsídios generalizados podem beneficiar agentes que não enfrentam as mesmas dificuldades dos transportadores públicos. Defende, por isso, apoios diferenciados, dirigidos aos segmentos que mais precisam.
“Esses subsídios não devem ser de uma forma genérica, devem ser de acordo com a tipologia de trabalho, com o impacto da crise, assumindo todo o custo de transporte”, sustentou.
Saramala sublinha que o combustível representa apenas uma parte das despesas das empresas de transporte e logística. Outros custos operacionais também podem aumentar, pelo que um subsídio ao combustível não garante, necessariamente, a sustentabilidade financeira dos operadores. Transportes urbanos, serviços interprovinciais e empresas de mercadorias devem ser avaliados de forma diferenciada, tendo em conta a dimensão das operações e o peso dos combustíveis nos custos.
DESEQUILÍBRIOS PODEM MANTER AS CRISES
A aproximação da época festiva e da estação chuvosa acrescenta incertezas, num contexto de dependência externa e pressão sobre os custos de transporte. Para Saramala, as perturbações podem manifestar-se tanto através da falta física de combustível como de interrupções nos diferentes pontos da cadeia de abastecimento.
“Agora, a crise, infelizmente, pode ser uma realidade e pode tender a acontecer, porque, assim como também manter o preço cria essa crise de falta de abastecimento. Ou seja, as crises irão acontecer porque o mercado está desnivelado”, alertou.
A curto prazo, algumas dificuldades poderão ser difíceis de evitar, dada a exposição às oscilações internacionais e ausência de produção interna que reduza a dependência. Uma gestão eficiente e maior capacidade de antecipação podem, contudo, minimizar os impactos.
“São crises que, a curto prazo, serão inevitáveis, seja por aumento ou pela estagnação do preço, como podemos estar a ver agora, que tem acontecido quase periodicamente”, afirmou.
Saramala defende uma estratégia que combine acompanhamento dos preços internacionais, financiamento das importações, distribuição eficiente e apoios direccionados. Sem prevenção, Moçambique continuará exposto a perturbações que comprometem o transporte e agravam o custo de vida.
O Banco Letshego pretende alcançar mais de 500 mil clientes nos próximos cinco anos. A ambição passa pelo reforço da inclusão financeira, pela modernização dos serviços e pela disponibilização de soluções acessíveis às famílias, aos empreendedores e às pequenas e médias empresas. A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração desta instituição, David Seie, esta quinta-feira, na Matola, província de Maputo, durante a inauguração de um novo balcão do banco.
David Seie afirma que a abertura da agência representa um compromisso de maior proximidade com a população e os agentes económicos, numa cidade que considera estratégica para o desenvolvimento do país. O responsável defende que a expansão da rede deve traduzir-se em respostas concretas às necessidades dos clientes, através de serviços financeiros adequados às suas condições e aspirações.
“Este momento representa muito mais do que a abertura de um espaço físico. Representa para nós proximidade, confiança e um compromisso renovado com as famílias, com os empreendedores e com as instituições que constroem diariamente o futuro desta cidade e da província de Maputo”, declarou o presidente do Conselho de Administração do Letshego.
O responsável sublinha que a inclusão financeira não deve ser entendida apenas como a abertura de contas bancárias ou a concessão de empréstimos. Na sua perspectiva, o acesso aos serviços financeiros deve permitir que mais cidadãos participem na economia, invistam em actividades produtivas e melhorem as condições de vida das famílias.
“Para o Banco Letshego, a inclusão financeira não se resume à abertura de contas ou à concessão de créditos. Significa permitir que mais cidadãos participem plenamente na economia nacional; que uma família possa investir na educação dos seus filhos; que um jovem transforme uma ideia num negócio; que uma mulher empreendedora amplie a sua actividade; e que uma pequena empresa adquira meios para crescer, criar emprego e gerar rendimentos”, explicou.
O banco iniciou as operações na Matola em Janeiro de 2012 e serve actualmente mais de cinco mil clientes na região, com uma carteira superior a 650 milhões de meticais. Segundo David Seie, estes números reflectem a confiança conquistada junto das famílias, dos empreendedores e das instituições locais.
Para ultrapassar 500 mil clientes nos próximos cinco anos, a instituição pretende melhorar os serviços e introduzir ferramentas que tornem as operações mais rápidas e acessíveis. A transformação digital assume um papel central nesta estratégia, sem afastar a componente humana do atendimento bancário.
“Para concretizar esta ambição, continuaremos a implementar serviços melhores, mais simples, mais rápidos e acessíveis, concebidos para responder às necessidades dos matolenses e de todos os moçambicanos. A transformação digital será central neste percurso”, declarou.
No domínio do crédito, David Seie defende que o financiamento deve ser concedido de forma responsável e acompanhado de informação clara sobre as condições e obrigações assumidas pelos clientes. Através das soluções de poupança, pagamentos e financiamento, o banco pretende apoiar iniciativas produtivas e necessidades concretas das famílias e dos negócios.
“Quando o financiamento é concebido com responsabilidade e acompanhado de informação clara, deixa de ser apenas uma transacção financeira e torna-se uma ferramenta de transformação. Ajuda a melhorar uma habitação, a reforçar um negócio, a enfrentar uma emergência, a adquirir equipamento e a construir maior segurança financeira”, declarou.
BANCO DE MOÇAMBIQUE PEDE ACESSO RESPONSÁVEL
Na mesma ocasião, o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola, Bento Baloi, considerou que a expansão da rede de instituições financeiras é importante para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos aos produtos e serviços formais. Alertou, contudo, que a abertura de balcões deve ser acompanhada por medidas que garantam a adequação, a transparência e a utilização responsável desses serviços.
“A expansão da rede de instituições financeiras constitui um importante instrumento para a promoção da inclusão financeira, na medida em que contribui para facilitar o acesso da população e dos agentes económicos a produtos e serviços financeiros formais”, afirmou Bento Baloi.
O representante do banco central explicou que a abertura de novos balcões pode favorecer a poupança, dinamizar as actividades produtivas e contribuir para a geração de rendimentos e para o desenvolvimento económico e social. Considera, no entanto, que a inclusão financeira não se mede apenas pelo número de agências ou pela quantidade de produtos disponibilizados.
“A inclusão financeira não se resume apenas à abertura de balcões ou à disponibilização de produtos financeiros. Pressupõe, igualmente, que os serviços sejam acessíveis, adequados às necessidades dos cidadãos, transparentes, seguros e utilizados de forma responsável”, frisou.
Bento Baloi defendeu o reforço da educação financeira, para que os clientes compreendam as características dos produtos, conheçam os seus direitos e deveres e estejam informados sobre os riscos das decisões financeiras. A literacia financeira e a protecção do consumidor, acrescentou, são essenciais para consolidar a confiança da população no sistema bancário.
“É fundamental que a expansão das actividades financeiras seja acompanhada por iniciativas de educação financeira, que permitam aos cidadãos compreender os produtos e serviços disponíveis, os seus direitos e deveres, bem como os riscos associados às decisões financeiras”, declarou.
“Importa reforçar a necessidade de uma concessão responsável de crédito, assente na adequada avaliação da capacidade de reembolso dos clientes, na comunicação clara das condições contratuais e na prevenção do sobreendividamento”, afirmou.
Para Bento Baloi, o crescimento do sector financeiro deve ser avaliado também pelos resultados que produz na vida dos cidadãos, pela melhoria do acesso aos serviços e pela criação de oportunidades para uma participação mais activa na economia formal. A Matola, devido ao crescimento populacional e à diversidade das suas actividades comerciais e industriais, apresenta condições para aprofundar esse processo.
“Esperamos que este novo balcão contribua para facilitar o acesso aos serviços financeiros, apoiando as iniciativas empreendedoras e fortalecendo a relação de confiança entre a instituição e os seus clientes”, declarou o director da Filial do Banco de Moçambique na Matola.
Baloi concluiu que o crescimento sustentável do sector depende do compromisso das instituições financeiras, das autoridades públicas e dos cidadãos, num ambiente de responsabilidade, integridade e respeito pelas normas que regulam a actividade. A inauguração do balcão do Letshego coloca, assim, em evidência o desafio de ampliar o acesso aos serviços bancários sem perder de vista a protecção do consumidor e a sustentabilidade do crédito. A instituição espera, desta forma, consolidar a sua presença local e ampliar o acesso a serviços financeiros formais.
Entre as vítimas mortais estão três crianças. Sete pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades hospitalares.
Pelo menos seis pessoas morreram, incluindo três crianças, na sequência do desabamento de um edifício residencial de cinco andares no Cairo, capital do Egipto. As equipas de emergência recuperaram os corpos das vítimas nos escombros, enquanto prosseguiam as operações de busca por eventuais sobreviventes.
Segundo informações divulgadas pela imprensa local, sete pessoas ficaram feridas e foram transportadas para o hospital para receber assistência médica.
As operações de resgate prosseguiram na quarta-feira, com as equipas de emergência a removerem os destroços na tentativa de localizar pessoas que possam ter ficado soterradas.
Por precaução, as autoridades ordenaram a evacuação dos edifícios vizinhos e instalaram estruturas provisórias de aço para reforçar a sua estabilidade e proteger os moradores.
O Governo egípcio anunciou a abertura de procedimentos legais e o início de uma investigação para apurar as causas do desabamento e eventuais responsabilidades.
Os desabamentos de edifícios são recorrentes no Egipto, onde a construção de baixa qualidade, a falta de manutenção e as deficiências na fiscalização das normas de construção contribuem para a insegurança de vários imóveis residenciais.
Perante este cenário, as autoridades têm procurado intensificar o combate às construções ilegais e retirar moradores de edifícios considerados em risco de desabamento.
Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando o objectivo de erradicar a fome até 2030, indica uma ONG. A presidente da Welthungerhilfe alerta que guerras são um dos factores que contribuem para a crise alimentar global.
Após quase duas décadas de progressos, a fome no mundo aumentou face a 2018, afastando cada vez mais o objectivo internacional de a erradicar até 2030, indica hoje uma organização não-governamental internacional.
Para a presidente da Welthungerhilfe (Ajuda Mundial contra a Fome), Marlehn Thieme, a situação é alarmante, uma vez que as guerras são um dos fatores que contribuem para esta situação, salientando que os conflitos, apesar de terem um alcance regional, ameaçam a segurança alimentar à escala global.
Thieme falava na apresentação do relatório anual desta organização não-governamental alemã, elaborado em conjunto com o Instituto de Direito para a Manutenção da Paz e Direito Internacional Humanitário (IFHV) da Universidade de Bochum e a organização suíça Helvetas, em que é analisada a relação entre a fome e a segurança.
“As 645 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo são um sinal de alarme. Com demasiada frequência, a segurança é entendida apenas em termos militares. No entanto, a segurança alimentar é uma condição prévia para a paz e a estabilidade”, salientou.
“As guerras provocam frequentemente fome, e a fome pode agravar ainda mais os conflitos. Ao mesmo tempo, os conflitos actuais ameaçam empurrar ainda mais pessoas para a fome, incluindo em regiões distantes das frentes de batalha”, referiu.
A interrupção das rotas comerciais, a subida dos preços da energia e dos fertilizantes e a paralisação das cadeias de abastecimento põem em risco a alimentação de milhões de pessoas, mesmo longe das regiões diretamente afectadas pelos conflitos, acrescentou.
Thieme apontou como exemplo a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, uma vez que os dois países representam um quarto do comércio mundial de trigo.
Devido aos bloqueios às exportações no mar Negro e à redução das sementeiras nos dois países, o trigo escasseia cada vez mais em todo o mundo. Consequentemente, especialistas das Nações Unidas preveem aumentos de preços com consequências de grande alcance para muitos países do Sul Global.
Esta tendência é agravada pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e pelas perturbações no tráfego marítimo no estreito de Ormuz e no estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho.
Segundo Thieme, estas situações estão a provocar a subida dos preços dos fertilizantes e do gasóleo e, consequentemente, dos custos energéticos para a economia e a agricultura, não só na Alemanha, mas sobretudo na Ásia e em África.
Por esse motivo, Thieme defendeu um alargamento do conceito de segurança, sublinhando que tal “significa mais do que força militar, proteção das fronteiras e capacidade de defesa” e que “começa onde as pessoas conseguem satisfazer as suas necessidades básicas”.
“Quem combate a fome reforça também os alicerces da coesão social, da estabilidade e de uma paz duradoura. Sem segurança alimentar, não pode haver, em qualquer caso, segurança duradoura”, afirmou.
Thieme assinalou que o Índice Global da Fome (GHI), que em 2018 se situava nos 17,6 pontos, subiu para os atuais 18,1 pontos. Acrescentou que é particularmente alarmante o facto de a situação da fome se ter agravado em 32 países desde então, enquanto noutros 20 os progressos estagnaram.
“Todos estes números mostram que nós estamos a afastar cada vez mais do objetivo internacional de acabar com a fome até 2030. É particularmente preocupante que, em 57 países, seja muito provável que, se a tendência se mantiver, nem sequer seja possível alcançar um nível baixo de fome até 2030”, alertou Thieme.