Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.
A investigação concluiu que 24,5% das 1.546 mulheres inquiridas afirmaram não se ter sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.
O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.
Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.
Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).
O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).
Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.
Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.
Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.
“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.
A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.
Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.
O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.
Mais de 300 pessoas sequestradas em diferentes ataques no norte da Nigéria foram resgatadas numa operação que o Presidente Bola Tinubu considera a maior acção de libertação de reféns realizada num único dia no país.
Entre os libertados estão 163 pessoas da comunidade de Woro, na área de Kaiama, no Estado de Kwara, sequestradas em Fevereiro, e outras 145, na sua maioria raptadas no vizinho Estado do Níger. As autoridades não revelaram detalhes sobre a operação, limitando-se a informar que os reféns foram encontrados numa floresta, depois de vários meses em cativeiro.
Uma das vítimas, Amira Saliu, relatou à imprensa, em Ilorin, no Estado de Kwara, as difíceis condições enfrentadas durante o período de cativeiro. Segundo contou, os sequestradores mantinham os reféns junto a um rio e ordenavam que apagassem as fogueiras e permanecessem em silêncio sempre que detectavam aeronaves a sobrevoar a zona.
A alimentação era irregular e havia pessoas doentes entre os sequestrados. Saliu, que é enfermeira, contou ainda que ajudou cerca de dez mulheres grávidas a dar à luz durante o cativeiro, sem luvas ou material médico adequado.
O Governador de Kwara, AbdulRahman AbdulRazaq, classificou o resgate como um momento de sentimentos contraditórios, lamentando o sofrimento das vítimas, mas manifestando satisfação pelo facto de todos terem sido encontrados com vida.
O Presidente Bola Tinubu atribuiu o sucesso da operação ao trabalho de inteligência e à melhoria da coordenação entre as diferentes agências de segurança do país.
Os sequestros em massa e os raptos para obtenção de resgates continuam a constituir um dos principais desafios de segurança na Nigéria, sobretudo nas regiões Noroeste e Centro-Norte. Grupos criminosos armados, conhecidos localmente como bandidos, atacam aldeias, estradas e escolas, sequestrando pessoas para exigir dinheiro em troca da sua libertação.
As autoridades nigerianas associam parte destes grupos a antigos conflitos entre pastores nómadas e agricultores pela disputa de terras e recursos hídricos. Com o passar dos anos, alguns desses grupos terão evoluído para redes de criminalidade organizada.
Paralelamente, o Nordeste da Nigéria continua a enfrentar uma insurgência que dura há mais de uma década, marcada por ataques de grupos extremistas contra civis e forças de segurança.
A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende reforçar a produção de conhecimento científico, a investigação e a formação de quadros altamente qualificados para responder aos desafios do desenvolvimento sustentável.
Para a Universidade Licungo, o lançamento do programa de doutoramento representa um passo estratégico na afirmação da instituição como espaço de investigação, inovação e produção de conhecimento ao serviço do desenvolvimento de Moçambique.
A cerimónia contou com a participação de Rogério Uthui, antigo Reitor da Universidade Pedagógica como orador principal.
Sob o lema “Transformação Global: O Papel da Ciência, da Inovação e da Formação Doutoral na Construção de Sociedades Resilientes”, o evento juntou académicos nacionais e internacionais para reflectir sobre o papel da ciência e da inovação na construção de soluções para os desafios actuais.
Três candidatos disputam a liderança da Frelimo em Gaza. A eleição acontece este sábado, depois da escolha de 100 membros do Comité Provincial, órgão que irá eleger o novo primeiro-secretário do partido. O processo decorre cerca de um mês após a profunda reestruturação da FRELIMO na província e poderá terminar nas primeiras horas deste domingo.
Decorre, desde as 12 horas deste sábado, a Conferência Provincial da Frelimo em Gaza, que tem como um dos principais pontos da agenda a eleição dos membros do Comité Provincial do partido.
Ao todo, serão eleitos 100 membros para integrar o órgão provincial. Concluída esta etapa, segue-se a eleição do primeiro-secretário da Frelimo em Gaza, num processo que poderá prolongar-se até à madrugada deste domingo.
Três candidatos disputam a liderança do partido na província: Almeida Guelume, administrador do distrito de Chigubo; Sérgio Moiane, administrador de Mabalane; e Maria Helena, administradora de Mapai.
A Conferência Provincial acontece cerca de um mês depois de uma profunda reestruturação da Frelimo em Gaza, que culminou com o afastamento de Daniel Matavele e a substituição das estruturas provinciais e distritais do partido.
O actual processo eleitoral marca, assim, uma nova etapa na reorganização da Frelimo em Gaza. Primeiro serão eleitos os 100 membros do Comité Provincial e, posteriormente, será escolhido o novo primeiro-secretário.
É ao Comité Provincial eleito que caberá a responsabilidade de escolher o dirigente que vai assumir a liderança da Frelimo em Gaza.
A expectativa está agora concentrada na composição do novo Comité Provincial e no desfecho da disputa entre os três candidatos. O processo poderá estender-se até às primeiras horas deste domingo, quando deverá ser conhecido o novo líder provincial da Frelimo em Gaza.
As autoridades repatriaram, no primeiro semestre deste ano, 59 cidadãos estrangeiros que se encontravam em situação ilegal na província de Tete, no centro do país.
Dos cidadãos repatriados, 57 são de nacionalidade etíope e dois são malawianos. Segundo o porta-voz da Direcção Provincial do Serviço Nacional de Migração (SENAMI) em Tete, os estrangeiros entraram ilegalmente em Moçambique através de distritos fronteiriços com o Malawi, a Zâmbia e o Zimbabwe.
José Xavier explicou que os cidadãos foram localizados durante operações de fiscalização realizadas nos distritos próximos das fronteiras com aqueles países. Depois de concluídos os procedimentos com as demais entidades competentes, os estrangeiros foram repatriados.
O responsável apelou às comunidades para colaborarem com as autoridades, denunciando casos de estrangeiros que se encontrem em situação irregular na província, como forma de contribuir para o combate à imigração ilegal.
José Xavier apelou igualmente aos cidadãos estrangeiros para que regularizem a sua situação migratória em Moçambique.
A repatriação ocorre numa altura em que as autoridades moçambicanas procuram reforçar o controlo migratório. No dia 30 de Julho, o Presidente da República, Daniel Chapo, orientou o Serviço Nacional de Migração a intensificar o controlo migratório e o combate à imigração ilegal nos postos fronteiriços, através do recurso a tecnologias modernas e da formação permanente dos membros da força paramilitar.
Moçambique partilha extensas fronteiras com seis países da África Austral, nomeadamente Malawi, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia, África do Sul e Essuatíni, enfrentando desafios no controlo das entradas não autorizadas no território nacional.
Geny Catamo pode juntar-se a Reinildo Mandava no Sunderland, clube que milita na primeira liga inglesa. O emblema inglês está disposto a pagar 40 milhões de euros pelo passe do internacional moçambicano, mas o Sporting continua a não facilitar.
Uma nova página pode-se abrir na carreira do internacional moçambicano. Segundo escreve o Jornal “O Jogo”, que cita o portal inglês Team Talk, o Sunderland poderá avançar nos próximos dias com uma proposta pelo passe de Geny Catamo.
Ainda de acordo com o mesmo portal, o emblema inglês terá sido informado por intermediários de que a fasquia mínima para o Sporting libertar o extremo é de 40 milhões de euros, um valor que não assusta o clube da Premier League.
O Sporting, porém, não está interessado em facilitar a saída do internacional moçambicano neste defeso, uma vez que o jogador de 25 anos é considerado indispensável por Rui Borges, treinador dos verdes e brancos.
Geny Catamo tem contrato com o Sporting até 2029, e está protegido por uma cláusula de 60 milhões de euros. Ainda assim, escreve o portal, que o Sunderland não está disposto a desistir. Caso a transferência se concretize, Geny poderá juntar-se ao outro internacional moçambicano no emblema inglês, Reinildo Mandava.
No primeiro semestre deste ano, 2077 trabalhadores moçambicanos conseguiram colocação profissional no estrangeiro, em Portugal, que surge como o segundo principal destino dos moçambicanos, atrás da África do Sul, confirmou recentemente o secretário permanente do Ministério do Trabalho e Acção Social, Paulo Beirão.
Entretanto, a tendência não é linear, havendo vários moçambicanos, com destaque para jovens, que não têm tido a mesma sorte quando chegam às terras lusas, segundo alerta o presidente da Casa de Moçambique em Portugal, Enoque João, que chama atenção para a instrumentalização dos jovens em nome do emprego.
A Casa de Moçambique em Portugal alerta que muitos moçambicanos continuam a emigrar sem informação suficiente, acabando vítimas de exploração laboral, contratos fraudulentos e dificuldades de legalização. A instituição defende maior articulação entre os governos de Moçambique e Portugal para proteger os trabalhadores e garantir processos migratórios mais seguros.
De acordo com Enoque João, cerca de 20 jovens já concluíram a formação na área da enfermagem e encontram-se actualmente integrados em hospitais, lares da terceira idade e outras instituições de saúde em Portugal.
“Estamos também a conceder bolsas intensivas em áreas como enfermagem, turismo e indústria hoteleira. Se tudo correr bem, vamos iniciar agora novos cursos de enfermagem. Até ao momento, a Casa de Moçambique já formou cerca de 20 jovens, que hoje trabalham em lares da terceira idade, hospitais e outras instituições da área da saúde”, defendeu o dirigente.
Apesar destes resultados, o responsável lamenta que muitos cidadãos continuem a viajar sem preparação adequada. Segundo refere, alguns acabam em situação de mendicidade, enquanto outros são aliciados por redes criminosas, explorados laboralmente ou envolvidos em esquemas de prostituição e tráfico de pessoas.
“Não basta ir para Portugal; é preciso conhecer a realidade do país e as instituições que podem prestar apoio”, advertiu, apelando aos moçambicanos para procurarem a Casa de Moçambique antes de emigrar, de forma a receberem aconselhamento sobre os procedimentos legais e os riscos associados à migração irregular.
Enoque João manifesta igualmente preocupação com o endurecimento das políticas migratórias em Portugal, referindo que há cidadãos moçambicanos a enfrentar processos de expulsão por incumprimento das regras de permanência.
“Lamento igualmente que Moçambique ainda não consiga criar mais oportunidades para os seus jovens. O País precisa de construir mais pontes para evitar que tantos moçambicanos sejam obrigados a emigrar. Os países europeus estão a restringir cada vez mais a imigração, como demonstra a nova legislação portuguesa. Recentemente, recebemos um jovem que entrou com o objectivo de estudar, mas pretendia também fixar-se legalmente no país. Conseguimos intervir para evitar que fosse expulso da escola e ajudá-lo a regularizar a sua situação”, explicou.
Para o economista Moisés Nhanombe, a procura de melhores condições de vida continuará a impulsionar a migração, mas as expectativas nem sempre correspondem à realidade. Apesar de os salários em Portugal serem superiores quando convertidos em meticais, o elevado custo de vida reduz significativamente o rendimento disponível dos trabalhadores.
Na visão do economista, “embora os salários em Portugal sejam superiores quando convertidos em meticais, o elevado custo de vida faz com que muitos trabalhadores não consigam alcançar o padrão de vida que imaginavam. Há também o risco de perda de mão-de-obra qualificada. Muitos médicos, professores, enfermeiros, engenheiros e outros especialistas acabam por trabalhar na construção civil, hotelaria, restauração, trabalho doméstico ou em lares de idosos”.
Na sua análise, a solução passa pela criação de mais oportunidades económicas em Moçambique, através do aumento do investimento privado, da geração de emprego e do alinhamento da formação técnico-profissional com as necessidades do mercado. Defende ainda a modernização da agricultura, considerando que o sector continua a ser fundamental para o desenvolvimento económico, mas permanece maioritariamente assente na agricultura de subsistência.
“O Governo deve adoptar políticas económicas que promovam mais investimento privado, criem emprego e alinhem a formação técnico-profissional com as necessidades do mercado de trabalho. A agricultura continua a ser considerada a base do desenvolvimento nacional, mas permanece maioritariamente de subsistência. É necessário investir no sector para o tornar moderno, competitivo e atractivo para os jovens.”
Entretanto, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, reconhece a gravidade das denúncias e afirma que o Governo está a trabalhar em coordenação com as autoridades portuguesas para reforçar a protecção dos trabalhadores moçambicanos.
Segundo explicou, o Executivo pretende implementar mecanismos que permitam formar os candidatos antes da partida e assegurar que todos viajem com contratos previamente verificados pelas entidades competentes.
“O Governo está a trabalhar para criar mecanismos que permitam formar os trabalhadores antes da sua partida e garantir que viajem com contratos devidamente verificados. Continuamos a apelar aos cidadãos para que, sempre que recebam promessas de emprego, procurem as autoridades competentes antes de viajar”, disse Inocêncio Impissa.
O Governo apela igualmente aos cidadãos para que confirmem a autenticidade de qualquer proposta de emprego antes de deixarem o País e recomenda aos moçambicanos residentes em Portugal que se registem junto da embaixada ou dos consulados de Moçambique.
“Quem já estiver em Portugal deve contactar a embaixada ou os consulados de Moçambique, para registar a sua presença e facilitar a intervenção das autoridades sempre que necessário. Desta forma, será possível reduzir situações de exploração e proteger melhor os direitos dos cidadãos moçambicanos no exterior”, advertiu.
O processo movido pela República Democrática do Congo (RDC) contra o Ruanda no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) entra numa nova fase, depois de o principal órgão judicial das Nações Unidas ter definido o calendário para a apresentação das alegações escritas das partes.
De acordo com o cronograma estabelecido pelo tribunal, a RDC deverá apresentar a sua petição até 4 de Outubro de 2027, enquanto o Ruanda terá até 4 de Dezembro de 2028 para responder às acusações apresentadas por Kinshasa.
A queixa foi submetida pela RDC a 26 de Junho, com Kinshasa a acusar Kigali de violar quatro convenções internacionais relacionadas com o genocídio, a discriminação racial, a discriminação contra as mulheres e a tortura.
Na sua petição, o Governo congolês sustenta que as alegadas violações remontam a 1996 e se prolongaram por quase três décadas, provocando milhões de mortes, feridos e casos de violência sexual.
Kinshasa acusa ainda o Ruanda de actuar no território congolês através de grupos armados que considera ligados a Kigali, entre os quais o movimento rebelde M23. A RDC acusa igualmente o país vizinho de promover a perseguição de comunidades Hutu e Nyindu, bem como de participar na exploração ilegal de recursos naturais no leste do Congo.
Kigali, por seu turno, tem defendido que as suas operações militares no leste da RDC são justificadas por razões de autodefesa e segurança nacional.
O Governo congolês esclarece que o processo apresentado no TIJ não põe em causa o genocídio de 1994 contra os Tutsis, nem o acordo de paz alcançado entre os dois países em Junho de 2025.
Se o calendário definido pelo tribunal não sofrer alterações, as audiências orais deverão ter início no princípio de 2029. A decisão poderá ser conhecida cerca de seis meses depois.
Em caso de decisão favorável, a RDC afirma que pretende exigir um pedido oficial de desculpas por parte do Ruanda, a responsabilização dos alegados autores dos crimes e uma indemnização pelos danos que diz ter sofrido ao longo de décadas de conflito no leste do país.
O Estado moçambicano está a ficar cada vez mais endividado. Nos primeiros três meses do ano de 2026, o Governo contraiu uma dívida de cerca de 9,2 mil milhões de meticais, valor que representa um aumento de 1% em relação aos últimos três meses do ano passado.
De Janeiro a Março do presente ano, a dívida do País atingiu 1 099 788,31 milhões de meticais (17 208,39 milhões de dólares), devido, essencialmente, ao aumento da dívida interna de 474 508,83 milhões de meticais para 529 837,81 milhões, ou seja, uma subida de 12%.
O aumento é justificado pelas novas emissões da dívida no âmbito da Facilidade de Crédito junto ao banco central. O dado central do período é a alteração na composição da carteira de endividamento, com o aumento da dívida pública interna e a redução da dívida externa.
Segundo o Boletim da Dívida Pública do Primeiro Trimestre, a dívida externa registou uma redução de 7,5%, fixando-se em 8 918,02 milhões de dólares, enquanto a dívida interna seguia um outro rumo, ao aumentar 12%, tendo atingido 529 837,81 milhões de meticais.
Trata-se de uma oscilação explicada pela operação de adiantamento do Banco de Moçambique do pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo compromisso do Governo em priorizar a contratação de dívida a condições altamente concessionais.
Enquanto isso, a dívida directa do Sector Empresarial do Estado apresentou uma redução de 2,98% comparativamente ao quarto trimestre de 2025 explicada pelo pagamento parcial.
Os principais credores bilaterais mantiveram os seus pesos no stock da dívida externa, com destaque para China, Portugal e Japão, que tiveram os maiores pesos, com stocks da dívida a representarem 14,5%, 4,6% e 4,5%, respectivamente, do total da dívida bilateral.
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, defendeu hoje, em Maputo, que a promoção do aleitamento materno deve constituir uma responsabilidade colectiva, apelando ao reforço das acções que já produzem resultados e ao envolvimento do Governo, profissionais de saúde, famílias, comunidades e empregadores para garantir um início de vida mais saudável, sustentável e seguro para todas as crianças moçambicanas.
Gueta Chapo falava durante a comemoração da Semana Mundial do Aleitamento Materno, cujo acto central teve lugar no Hospital Central de Maputo (HCM), sob o lema “Amamentação para um Começo de Vida Sustentável: Fortalecer o que Funciona”, que, segundo Gueta Chapo, representa um apelo para valorizar e consolidar as iniciativas que já demonstram resultados positivos na protecção da saúde materno-infantil.
Na ocasião, afirmou que o leite materno é um alimento completo e essencial para o recém-nascido, considerando-o um dom que contribui para a saúde da criança e da mãe, para a segurança alimentar, a educação e o futuro de Moçambique.
Gueta Chapo sublinhou que a sobrevivência da primeira infância constitui uma prioridade nacional, recordando que o Governo aprovou o Plano de Acção para a Sobrevivência Infantil 2026-2030 e destacando que a mortalidade infantil reduziu de 64 para 39 óbitos por mil nados-vivos entre 2011 e 2023, graças à expansão da vacinação, à melhoria dos cuidados pré e pós-parto e ao combate à malária e à diarreia.
A Primeira-Dama destacou igualmente os avanços alcançados na promoção do aleitamento materno exclusivo, referindo que o país atingiu 56 por cento de crianças alimentadas exclusivamente com leite materno nos primeiros seis meses de vida, superando a meta de 50 por cento estabelecida para 2025. Considerou que estes resultados demonstram a confiança das famílias moçambicanas na amamentação e reflectem o empenho dos profissionais de saúde e das comunidades.
Apesar dos progressos, advertiu que o país deve intensificar os esforços para alcançar os objectivos definidos pela Assembleia Mundial da Saúde até 2030, elevando a taxa de aleitamento materno exclusivo para mais de 60 por cento. Defendeu ainda a continuidade da amamentação até aos dois anos de idade, acompanhada por uma alimentação complementar adequada, como forma de reduzir a desnutrição crónica para menos de 20 por cento e diminuir os índices de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos. Dirigindo-se aos participantes, Gueta Chapo enfatizou que o sucesso da amamentação depende do envolvimento de toda a sociedade.
“A decisão de amamentar depende da mãe. Mas o sucesso é de todos nós”, disse, acrescentando que o país precisa de serviços de saúde com profissionais capacitados, famílias informadas com base em evidências, comunidades solidárias e locais de trabalho dotados de espaços apropriados para permitir que as mães possam amamentar os seus filhos durante o horário laboral. A esposa do Presidente da República apelou igualmente ao combate à desinformação relacionada com os substitutos do leite materno e exortou a todos os envolvidos a assumirem um compromisso permanente com a protecção da maternidade.
“Por isso, faço um apelo a todos profissionais de saúde, parceiros, líderes comunitários, empregadores e família, que façamos da proteção e promoção do aleitamento materno uma responsabilidade colectiva. Que nenhuma mulher enfrente este percurso sozinha”.
Na ocasião, anunciou que as celebrações da Semana Mundial do Aleitamento Materno prosseguirão durante todo o mês de agosto em diferentes comunidades e unidades sanitárias do país, com acções de sensibilização destinadas a promover o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses e a sua continuidade até aos dois anos de idade.
No encerramento da cerimónia, Gueta Chapo reafirmou o compromisso do seu Gabinete com a promoção do aleitamento materno seguro e entregou cestas básicas às mães e aos líderes comunitários, com vista a apoiar a nutrição das lactantes e reforçar o trabalho de sensibilização desenvolvido nas comunidades.
A Semana Mundial do Aleitamento Materno constitui uma oportunidade para reforçar a sensibilização sobre a importância desta prática, que contribui para a redução da mortalidade infantil, promove o crescimento e desenvolvimento saudável da criança e fortalece o vínculo entre a mãe e o bebé.