Presidente norte-americano afirma que terá de escolher entre um acordo com Teerão e a destruição da República Islâmica, num discurso marcado pela retórica de força e dirigido também ao eleitorado dos Estados Unidos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira, que terá de decidir entre alcançar um acordo com o Irão ou “aniquilar” o país, durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
A declaração surgiu no contexto da guerra entre Washington e Teerão, que se prolonga há quase sete meses e que Trump justifica com a necessidade de impedir o Irão de desenvolver armas nucleares.
Perante uma sala repleta de líderes mundiais, o Presidente norte-americano apresentou a sua política externa como uma estratégia de confronto bem-sucedida com os adversários dos Estados Unidos e de reforço da influência norte-americana na ordem internacional.
“Enquanto outros falavam de paz, eu construí a paz. Enquanto outros ignoravam as ameaças, eu confrontei-as”, afirmou Trump.
Apesar de se apresentar como um pacificador, o Presidente fez uma ameaça directa ao regime iraniano ao defender que Washington poderá optar por uma solução militar definitiva.
“Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irão que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior?”, questionou.
“Ou devo aniquilar rapidamente a República Islâmica, sem nunca mais lhes dar a oportunidade de matar e destruir pessoas e países? Devo expulsá-los para o inferno, sem qualquer possibilidade de sobrevivência?”, acrescentou.
Trump voltou a afirmar que o Irão poderá aceitar um acordo depois das eleições intercalares norte-americanas, marcadas para Novembro. O Partido Republicano corre o risco de perder o controlo do Congresso, num contexto de descontentamento provocado, entre outros factores, pelo aumento dos preços dos combustíveis associado à guerra.
O discurso pareceu igualmente dirigido ao eleitorado norte-americano, numa altura em que cresce o cansaço em relação aos conflitos militares prolongados e às suas consequências económicas.
CRÍTICAS AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL
Durante a intervenção, Trump atacou também o Tribunal Penal Internacional, acusando a instituição de ultrapassar as suas competências e de visar injustamente os Estados Unidos e os seus aliados.
O Presidente norte-americano tem criticado repetidamente o TPI por investigar alegados crimes cometidos por responsáveis norte-americanos e israelitas. Washington não reconhece a jurisdição do tribunal e rejeita qualquer tentativa de responsabilizar os seus cidadãos perante aquela instância.
As declarações de Trump reforçam a posição da Administração norte-americana contra organismos internacionais que, segundo o Presidente, procuram limitar a soberania dos Estados Unidos ou interferir nas decisões militares e diplomáticas de Washington.
RETÓRICA DE FORÇA
O discurso na ONU foi marcado por uma sucessão de afirmações sobre a força militar e política dos Estados Unidos. Trump declarou que a sua Administração está a confrontar os adversários do país e a remodelar a ordem mundial em benefício dos interesses norte-americanos.
A ameaça dirigida ao Irão surge depois de meses de confrontos e de tentativas diplomáticas sem resultados duradouros. Embora Trump continue a admitir a possibilidade de um acordo, as suas declarações indicam que a opção militar permanece sobre a mesa.
A referência às eleições intercalares acrescenta uma dimensão política interna à crise. O Partido Republicano enfrenta dificuldades para manter o controlo do Congresso, enquanto os custos económicos da guerra alimentam o descontentamento entre os eleitores.
A Administração norte-americana sustenta que a pressão militar e económica poderá obrigar Teerão a aceitar um acordo. O Governo iraniano, contudo, tem rejeitado as exigências de Washington e acusado os Estados Unidos de ameaçarem a soberania do país.
Moçambique e Angola vão reforçar a cooperação no domínio da segurança interna, com destaque para o combate ao crime organizado e terrorismo. O compromisso foi assumido nesta terça-feira, em Maputo, durante a reunião ministerial entre os dois países, que prevê ainda o reforço da formação policial, do controlo de fronteiras e da proteção civil.
Delegados dos ministérios do Interior de Moçambique e Angola, incluindo gestores dos serviços de Migração e de Salvação Pública, partilharam nesta terça-feira a mesma sala, em Maputo, para reforçar a cooperação ministerial entre as duas nações.
Para Moçambique, o reforço da parceria vai permitir a partilha de conhecimento, técnicas e informações para o combate à criminalidade organizada e transnacional. O encontro foi orientado ao mais alto nível pelos ministros do Interior dos dois países.
Paulo Chachine, de Moçambique, defende a necessidade de os países cooperarem cada vez mais para fazer face a uma tipologia criminal que não respeita fronteiras.
“No domínio policial, validaremos a troca de informações operativas contra o crime e projectaremos a indicação mútua de adidos de polícia até ao final de 2027. Reforçaremos igualmente o intercâmbio no combate dos crimes cibernéticos e ambientais, na segurança rodoviária e no policiamento comunitário. Destacamos com orgulho a concessão mútua da bolsa de estudo para a formação contínua de quadros na nossa Academia de Ciências Policiais ACIPOL e nos Institutos e Escolas Policiais de Angola a partir de 2027”, avançou o ministro, diante de quadros das duas delegações.
Manuel Gomes reitera que a cooperação histórica entre as nações ganha uma nova etapa com esta reunião de quadros que já garantiu a existência de relatórios e diagnósticos precisos sobre os desafios e realidades de cada instituição.
“Enaltecemos o excelente trabalho realizado pelas equipas de peritos, onde foi possível tratar-se e consolidar toda uma actividade de grande relevância, para que pudéssemos identificar e alcançar entendimentos e definir programas e planos de actuação que certamente irão prevenir e combater várias tipicidades de crimes, promover a troca de experiências e a formação de quadros cujas realizações, com certeza, contribuirão para que efectivemos uma cooperação cada vez mais sólida”.
ACORDO DE COOPERAÇÃO MIGRATÓRIA
Durante a reunião ministerial, as delegações de Maputo e Luanda assinaram um acordo bilateral de Cooperação no domínio Migratório, com objectivos bem definidos: facilitar e tornar mais seguro e menos burocrática a circulação entre as duas nações irmãs.
“Constitui um marco histórico na nossa relação bilateral. Ao assinarmos este importante instrumento, respondemos diretamente aos anseios dos nossos povos e estabelecemos as bases para facilitar a mobilidade humana, promovendo uma circulação mais fluida, segura e digna para os cidadãos de ambos os países, fortalecendo os laços comerciais, culturais e acadêmicos que nos unem. Modernizar e desburocratizar, simplificando os procedimentos migratórios e os serviços de identificação, garantindo um atendimento mais célere, eficiente, humanizado e livre de entraves burocráticos. Garantir a segurança e o controle de fronteiras, combatendo com firmeza a migração ilegal, o tráfico de seres humanos e a falsificação de documentos, através de partilha de dados, de informação e de coordenação operacional entre os nossos serviços migratórios”, defendeu Chachine.
Facilitar a mobilidade segura e livre de burocracias é o que espera a contraparte de Angola, daqui para frente, sem pôr de lado o combate ao crime transnacional. Manuel Gomes diz que está convicto de que a cooperação trará resultados positivos para os dois países, no domínio da gestão de pessoas.
“A dinâmica do mundo actual e a crescente internacionalização dos fenômenos criminais impõe-nos a necessidade de agirmos em conjunto e de forma coordenada, com vista à protecção de interesses recíprocos no plano da segurança dos nossos países alinhados aos objectivos da frente da SADC e da União Africana, tendentes à garantia da estabilidade da África Austral. Para o efeito, é fundamental estabelecer e reforçar as relações de cooperação no âmbito da actividade policial, gestão migratória, protecção civil e bombeiros”.
Manuel Gomes efectuou um convite para o seu homólogo visitar oficialmente Angola, um convite imediatamente aceite, embora sem avançar datas.
O partido Rússia Unida, do Presidente Vladimir Putin, reforçou o seu controlo sobre o Parlamento russo, segundo os resultados preliminares das eleições legislativas, realizadas durante três dias e marcadas por fortes restrições à oposição.
Com mais de 95% dos votos contados, o partido do Kremlin deverá conquistar mais de três quartos dos 450 lugares da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo. Os resultados preliminares da Comissão Eleitoral Central apontam para 355 deputados eleitos pelo Rússia Unida.
A votação foi a primeira eleição parlamentar realizada na Rússia desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022. Foi também a primeira a incluir residentes de quatro regiões ucranianas ocupadas e posteriormente anexadas pela Rússia, numa decisão considerada ilegal por Kiev.
A votação decorreu igualmente na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. A Ucrânia classificou como ilegal a realização das eleições nos territórios ocupados.
Segundo os resultados preliminares, o Rússia Unida obteve pouco menos de 58 por cento dos votos na componente proporcional, responsável pela distribuição de 225 lugares. O partido venceu ainda 208 dos círculos eleitorais uninominais, garantindo assim a maioria dos restantes lugares da Duma.
Os restantes lugares deverão ser distribuídos sobretudo por partidos da chamada “oposição sistémica”, que, segundo o texto, mantêm posições alinhadas com o Kremlin em questões consideradas fundamentais. Uma parte reduzida dos lugares deverá caber a candidatos independentes.
A eleição decorreu de sexta-feira a domingo e registou uma participação superior a 59 por cento, a mais elevada numa eleição parlamentar russa em mais de uma década.
As autoridades disponibilizaram igualmente o voto electrónico em várias regiões do país e incentivaram a sua utilização. Críticos do processo eleitoral argumentaram que o sistema poderia facilitar o controlo dos resultados pelo Governo.
A eleição ocorreu num contexto de crescente repressão da dissidência. O Kremlin procurou apresentar o escrutínio como uma demonstração de apoio popular à sua intervenção militar na Ucrânia, ao mesmo tempo que procurou limitar os riscos políticos através de medidas contra manifestações de oposição.
A campanha eleitoral foi ainda marcada por uma forte presença dos meios de comunicação estatais, enquanto ataques de drones ucranianos contra refinarias de petróleo e armazéns de grandes empresas de comércio electrónico levaram os efeitos da guerra para várias regiões do território russo.
Os resultados definitivos das eleições deverão ser anunciados na sexta-feira.
Duas mulheres sul-africanas compareceram, esta segunda-feira, a um tribunal nos arredores de Joanesburgo, acusadas do homicídio de uma das nove mulheres encontradas mortas na zona de Kempton Park. Entretanto, a Polícia anunciou a descoberta de um décimo corpo.
Os nove cadáveres foram encontrados em Kempton Park ao longo de um período de dois meses, numa sequência de casos que provocou alarme e indignação entre a população.
As duas mulheres, ambas na casa dos trinta anos, estão entre as três pessoas detidas durante o fim-de-semana no âmbito das investigações ao homicídio de Jabulile Ntimba, cujo corpo foi encontrado no início deste mês. Segundo o Ministério Público, as suspeitas respondem por homicídio, obstrução à justiça e posse de arma perigosa.
O terceiro suspeito, irmão de uma das mulheres detidas, permanece sem acusação formal, devido à falta de provas suficientes para o seu envolvimento no crime.
As duas suspeitas deverão voltar a comparecer em tribunal no dia 1 de Outubro, para uma audiência destinada a decidir sobre o pedido de liberdade sob caução.
A Polícia investiga a possibilidade de o homicídio estar relacionado com questões sentimentais, incluindo um alegado triângulo amoroso.
A África do Sul enfrenta elevados índices de criminalidade violenta, registando, em média, cerca de 60 homicídios por dia, uma das taxas de homicídio mais elevadas do mundo.
A Frelimo condena os assassinatos de membros dos partidos da oposição e manifesta confiança nos órgãos da Justiça para o esclarecimento dos casos. O posicionamento foi apresentado nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, por Gonçalves Gemusse, membro da Brigada Central de Assistência à província de Sofala, que apelou à calma e contra a politização dos factos.
Gonçalves Gemusse afirmou que determinados acontecimentos registados nas comunidades não devem ser imputados automaticamente à Frelimo ou às autoridades governamentais, defendendo que os casos sejam tratados pelas instituições competentes.
O dirigente salientou ainda que os assassinatos não atingiram apenas membros dos partidos da oposição, apelando à serenidade na abordagem da situação e ao esclarecimento dos factos pelos órgãos da Justiça.
Em Sofala, Gonçalves Gemusse liderou a Brigada Central de Assistência à província, que trabalhou nos distritos na oficialização dos gabinetes de preparação do 13.º Congresso da Frelimo, previsto para Julho de 2027, na cidade de Nampula.
Em Tete, o chefe da Brigada Central de Assistência à província, Aires Ali, afirmou que a Frelimo está organizada para participar no congresso. O dirigente falava durante uma marcha organizada pelo partido, no âmbito da preparação do encontro.
Aires Ali apelou igualmente ao reforço da actividade das células da Frelimo na província, como parte do processo de organização para o congresso.
A preparação do 13.º Congresso inclui a criação de gabinetes provinciais e distritais, responsáveis por coordenar as actividades organizativas do partido com vista à realização do encontro.
A Estação de Tratamento de Águas Residuais do Vale do Infulene enfrenta dificuldades para assegurar a sua sustentabilidade financeira. A infraestrutura custa à Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo cerca de 2,5 milhões de meticais por mês, valor superior às receitas que gera.
Perante o défice, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo está a procurar parceiros para garantir a continuidade do funcionamento da estação, cujo financiamento é actualmente assegurado através de fundos próprios da empresa.
“É um desafio, porque estamos numa situação deficitária. Ou seja, o que nós gastamos mensalmente para manter a estação é superior aos recursos ou às receitas que nós recebemos. Portanto, estamos a retirar fundos de outras actividades para garantir a sustentabilidade da estação”, explicou o presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo, Borges Nogueira da Silva.
Segundo o responsável, a empresa está a desenvolver iniciativas para encontrar mecanismos que permitam tornar a infraestrutura financeiramente sustentável, incluindo através do envolvimento de parceiros de desenvolvimento.
“Não tenho aqui números, mas estamos a falar na ordem de 2,5 milhões de meticais”, disse Borges Nogueira da Silva, referindo-se aos custos mensais de funcionamento da estação.
Um dos potenciais parceiros é o Banco Africano de Desenvolvimento, que visitou a infraestrutura esta segunda-feira, num primeiro contacto tendo em vista uma possível cooperação.
Para o enviado residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Rômulo Corrêa, a estação apresenta potencial para a implementação de uma economia circular, através do reaproveitamento dos resíduos tratados.
“É interessante e chama a atenção do BAD o potencial de implementar uma economia circular, de aproveitar aqueles dejectos que talvez antes não teriam um uso muito específico, para se fazer um uso mais apropriado, no sentido de apoiar a agricultura com fertilizantes ou mesmo com biogás e apoiar a transformação energética de Moçambique”, afirmou.
A aproximação ao Banco Africano de Desenvolvimento faz parte de uma estratégia mais ampla da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo para mobilizar apoio técnico e financeiro junto de diferentes parceiros de desenvolvimento.
“Nós vamos continuar a conversar com o BAD e com as outras agências para ver se conseguimos mobilizar a assistência técnica para a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem e, a partir dessa assistência técnica, podemos, através dessas agências de desenvolvimento, elaborar projectos”, explicou Borges Nogueira da Silva.
O presidente do Conselho de Administração da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo considera que o desafio é maior num contexto marcado pelas alterações climáticas, defendendo a necessidade de encontrar soluções sustentáveis para o funcionamento da infraestrutura.
Para além da apresentação do projecto, a Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem de Maputo e os potenciais parceiros deverão discutir oportunidades de cooperação e financiamento nas áreas do saneamento e da drenagem.
O número de crianças, adolescentes e cuidadores que receberam apoio psicossocial do Unicef em Moçambique ultrapassou 154 mil até Julho, com a insegurança no norte a agravar-se, com mais de 28 mil deslocados neste ano.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alerta, no seu mais recente relatório humanitário sobre Moçambique citado pela Lusa, que a situação de segurança no norte do país permaneceu volátil em Julho, com novas deslocações de população, expansão dos movimentos de grupos armados para distritos do sul da província de Cabo Delgado e um aumento das necessidades humanitárias das crianças e respectivas famílias.
Aquela província do norte enfrenta uma insurgência armada que, desde 2017, já provocou mais de 6600 mortos.
Segundo o documento do Unicef, divulgado nesta segunda-feira, “a insegurança manteve-se volátil no norte de Moçambique em Julho”, tendo operações militares intensificadas em Macomia levado grupos armados não estatais a dispersarem-se para os distritos de Quissanga, Meluco, Ancuabe, Chiúre e Montepuez.
Acrescenta que os movimentos populacionais continuaram ao longo do mês de Julho, com a ferramenta de monitorização de emergências da Organização Internacional para as Migrações a registar 3729 pessoas em movimento nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, das quais 1575 crianças. A maioria destes movimentos ocorreu em Cabo Delgado, sendo a violência o principal factor de deslocação, seguida de regressos planeados e do receio de novos ataques.
De acordo com dados citados pelo Unicef, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) contabilizava, no final de Julho, 28 163 pessoas deslocadas pelo conflito desde o início de 2026, sendo mulheres e crianças responsáveis por 65% desse total.
Num contexto de agravamento das vulnerabilidades, o Unicef refere que, até julho, prestou serviços comunitários de saúde mental e apoio psicossocial a 154 659 crianças, adolescentes e cuidadores em Moçambique, dos quais 146 071 nas províncias do norte afectadas pelo conflito.
Só durante Julho, a agência apoiou 24 603 crianças, adolescentes e cuidadores através destes serviços, incluindo 18 645 crianças em Cabo Delgado através de atividades recreativas, culturais, desportivas e de apoio comunitário destinadas a reforçar a proteção e o bem-estar psicológico.
O relatório destaca ainda que 1440 crianças sobreviventes de violência receberam serviços de gestão de casos em Julho e que 46 crianças desacompanhadas ou separadas das famílias foram reunificadas com familiares ou encaminhadas para acolhimento alternativo.
Na educação, outro dos sectores fortemente afetados pela violência, o Unicef contabilizou 154 608 crianças com acesso a ensino formal ou não formal através dos programas apoiados pela organização, incluindo aprendizagem pré-escolar. Em Cabo Delgado, 208 professores do distrito de Palma receberam formação para ensinar em contextos de crise e identificar riscos de proteção infantil.
O Unicef alerta também para o impacto esperado do fenómeno El Niño durante a época chuvosa e ciclónica de 2026-2027. Segundo o relatório, as previsões mais recentes apontam para uma probabilidade de 100% de o fenómeno persistir até ao início de 2027, com possibilidade de agravamento da insegurança alimentar, sobretudo no Sul e Centro do País.
Apesar da continuidade das operações humanitárias, a agência das Nações Unidas assinala constrangimentos financeiros significativos. O apelo humanitário do Unicef para Moçambique em 2026 ascende a 58,8 milhões de dólares, mas o défice de financiamento permanece em 49%, afetando “a capacidade do Unicef de responder plenamente às necessidades das crianças e dos seus cuidadores”.
O relatório estima que um milhão de crianças necessitem atualmente de assistência humanitária em Moçambique, num universo de 1,8 milhões de pessoas em situação de necessidade, incluindo mais de 506 mil deslocados internos relacionados com o conflito e cerca de 715 mil regressados às zonas de origem.
A realização da marcha na província de Tete marca, segundo os promotores, o início de uma nova fase de mobilização e organização partidária, tendo em vista a preparação do 13.º Congresso.
Durante a iniciativa, os participantes defenderam o cumprimento das orientações internas e o reforço das estruturas partidárias já criadas e oficializadas na província, com destaque para as zonas mais distantes da cidade de Tete.
Os intervenientes apelaram ainda à transformação do partido numa organização mais estruturada, séria e próxima das populações, baseada na confiança, amizade e empatia com o povo.
Na ocasião, foi igualmente defendida a necessidade de os militantes assumirem uma postura exemplar, rejeitando comportamentos ilícitos ou práticas que possam manchar a imagem do partido.
“Queremos que esta mudança seja para melhor, a partir de cada um de nós”, sublinhou um dos intervenientes, apelando aos militantes para que sejam os primeiros a dar o exemplo.
A mobilização enquadra-se, segundo os participantes, nas actividades de preparação do 13.º Congresso, com a defesa de uma nova forma de organização e actuação partidária.
Sete grupos armados etíopes formaram uma aliança com o objectivo de derrubar o Governo federal e facilitar a criação de um Governo de transição, anunciou este domingo um representante da Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF).
Segundo o vice-presidente da TPLF, Amanuel Assefa, a aliança reúne as forças tigrínias, as milícias nacionalistas Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA), entre outros quatro grupos armados. A liderança da coligação ficará a cargo de Zemene Kasse, dirigente do Fano.
“Acabamos de formar uma aliança. Estamos a colaborar com vários grupos e os nossos objectivos são derrubar o regime e facilitar a formação de um Governo de transição”, declarou Amanuel Assefa à agência AFP.
A formação da aliança ocorre num contexto de crescente tensão militar no norte da Etiópia. De acordo com a União Africana, o Governo federal e a TPLF têm concentrado tropas ao longo da fronteira da região do Tigray nos últimos meses, aumentando os receios de um possível regresso ao conflito que devastou a região entre 2020 e 2022 e provocou cerca de 600 mil mortes.
Amanuel Assefa afirmou que os grupos envolvidos mantêm contactos há mais de um ano e manifestou confiança na capacidade da nova aliança para alcançar os seus objectivos.
As autoridades federais etíopes ainda não tinham reagido publicamente ao anúncio até à publicação da informação.
DÚVIDAS SOBRE CAPACIDADE MILITAR
O especialista em assuntos regionais Kjetil Tronvoll, da Oslo New University College, na Noruega, questiona, contudo, a capacidade da aliança para derrubar o Governo federal, que dispõe de meios militares, incluindo drones. Segundo Tronvoll, uma coordenação efectiva entre os diferentes grupos poderia criar dificuldades às forças governamentais, ao obrigá-las a enfrentar várias frentes de combate em simultâneo.
O especialista alerta, porém, para as divergências ideológicas e territoriais entre os grupos, que poderão dificultar a governação no caso de uma eventual mudança de poder.
GRUPOS JÁ ESTIVERAM EM LADOS OPOSTOS
A Etiópia enfrenta há vários anos conflitos armados nas regiões de Oromia e Amhara, duas das áreas mais populosas do país. O OLA combate as forças federais desde 2018, na região de Oromia. O Governo etíope classificou o grupo como organização terrorista.
Já as milícias Fano, tradicionalmente associadas à autodefesa da comunidade Amhara, pegaram em armas contra o Governo em Abril de 2023, depois de as autoridades federais terem iniciado medidas para desarmá-las. A anunciada aliança reúne, assim, grupos que já estiveram em lados opostos. Durante a guerra do Tigray, as forças Fano combateram ao lado do Exército federal etíope contra a TPLF.
Persistem igualmente disputas territoriais entre as comunidades envolvidas. Um dos principais pontos de tensão é o Tigray Ocidental, território reivindicado tanto por amharas como por tigrínios e actualmente administrado por nacionalistas amharas. Apesar das divergências, Amanuel Assefa afirmou que as questões territoriais e políticas entre os grupos poderão ser resolvidas através do diálogo.
“Vamos sentar-nos à mesa mais tarde para resolver os nossos problemas pacificamente”, afirmou.
Antigos participantes das manifestações de 2025 concorrem às eleições parlamentares, enquanto jovens reclamam melhorias na saúde, educação e emprego em Marrocos.
Os jovens marroquinos que estiveram na linha da frente dos protestos da Geração Z, no ano passado, voltam agora a assumir um papel de destaque na vida política do país, desta vez como eleitores e candidatos às eleições parlamentares marcadas para quarta-feira.
Trata-se das primeiras eleições parlamentares desde as manifestações que, no final de 2025, se espalharam por várias cidades de Marrocos, com os jovens a exigirem melhores serviços de saúde, educação, emprego e serviços públicos, além de denunciarem a corrupção.
Entre os candidatos estão antigos participantes dos protestos. No total, 7.288 candidatos, de 27 partidos políticos, disputam as 395 vagas da Câmara dos Representantes.
Younes Belaidi, de 29 anos, que participou nas manifestações, é candidato pelo Partido do Progresso e do Socialismo no distrito de Ain Chock, em Casablanca, onde trabalha para a Organização Marroquina para os Direitos Humanos.
Belaidi defende uma participação mais activa dos jovens no processo político, considerando que a resolução dos problemas que afectam esta camada da população passa também pelo seu envolvimento nas instituições.
Outro antigo participante nos protestos, Aymane Saissi, membro do Partido do Progresso e do Socialismo, afirma manter expectativas moderadas quanto às eleições, mas acredita que existe espaço para mudanças.
Entre as principais preocupações apontadas pelos jovens estão o acesso à saúde, educação, emprego e condições para uma vida digna.
DESEMPREGO PREOCUPA JUVENTUDE
O desemprego constitui uma das principais preocupações da população jovem marroquina. Dados oficiais indicam que a taxa de desemprego entre pessoas dos 15 aos 24 anos deverá atingir 37 por cento em 2025, contra 13 por cento da população em geral.
A insatisfação com as oportunidades disponíveis no país também tem levado jovens marroquinos a procurar alternativas fora das fronteiras nacionais.
Ayoub Belaidi, de 23 anos, é um dos jovens que viveu essa experiência. Durante a vaga migratória deste Verão, entrou em Ceuta, território espanhol no Norte de África, antes de regressar a Marrocos.
O jovem afirmou que a decisão de emigrar esteve relacionada com a procura de liberdade, novas experiências e oportunidades de desenvolvimento, mas relatou dificuldades durante a permanência em Ceuta, incluindo falta de alimentação e de alojamento nos primeiros dias.
BAIXA REPRESENTAÇÃO ELEITORAL
Apesar de constituírem cerca de 12 por cento da população marroquina, os jovens entre os 18 e os 24 anos representam apenas quatro por cento dos 15,8 milhões de eleitores registados.
O reduzido peso eleitoral desta faixa etária coloca o voto jovem no centro das atenções das eleições parlamentares, num momento em que uma parte da juventude procura transformar as reivindicações manifestadas nas ruas em participação política através das urnas.
As eleições serão, assim, um novo teste à capacidade dos partidos políticos de responder às preocupações de uma geração que, nos protestos de 2025, colocou no centro do debate nacional questões relacionadas com os serviços públicos, emprego, condições de vida e corrupção.