O líder do principal partido da oposição na Tanzânia, Tundu Lissu, foi condenado, esta sexta-feira, a quatro anos de prisão, por incitação à violência, depois de ter sido absolvido da acusação de traição, que poderia resultar na aplicação da pena de morte. A decisão está a gerar fortes críticas da comunidade internacional, que considera o processo judicial politicamente motivado.
Tundu Lissu, de 58 anos, líder do partido Chadema, foi detido antes das eleições presidenciais de Outubro de 2025, tendo permanecido 19 meses na prisão. O tribunal considerou-o inocente da acusação de traição, mas condenou-o por incitação, apesar de este crime não constar formalmente do processo. Durante a leitura da sentença, o juiz afirmou que as declarações do político tinham como objectivo perturbar o processo eleitoral e instigar actos de violência.
Em reacção, Lissu classificou o julgamento como uma perseguição política e acusou os magistrados de actuarem sob ordens do Governo da Presidente Samia Suluhu Hassan.
A condenação surge num contexto de crescente tensão política na Tanzânia, onde o Governo tem sido acusado de reprimir opositores e críticos. Antes das eleições de Outubro de 2025, foram registadas detenções e raptos de membros da oposição, seguidos de manifestações de grande dimensão.
Samia Suluhu Hassan venceu as eleições com 98 por cento dos votos. Segundo a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas terão sido mortas pelas forças de segurança durante a repressão dos protestos. O Governo, por sua vez, reconhece oficialmente 518 mortos.
A decisão judicial provocou reacções de condenação no estrangeiro. Parlamentares britânicos e a União Europeia consideram o processo politicamente motivado e exigem a libertação imediata de Tundu Lissu. O embaixador dos Estados Unidos da América na Tanzânia, William Trachman, também manifestou preocupação com as implicações do julgamento para o Estado de Direito no país.
Na Tanzânia, as medidas de segurança foram reforçadas na capital comercial, Dar es Salaam, e nas imediações do tribunal, antes da leitura da sentença.
Este é o terceiro julgamento por traição de grande repercussão na história da Tanzânia continental. Os dois anteriores ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, envolvendo acusações de conspiração para derrubar e assassinar o primeiro Presidente do país, Julius Nyerere.
Em 2017, Tundu Lissu sobreviveu a uma tentativa de assassinato, durante a qual foi atingido por 16 tiros. O político, que acredita que o ataque teve motivações políticas, foi submetido a cerca de 20 intervenções cirúrgicas na sequência dos ferimentos.
Os filhos de Tobias Joaquim Dai enalteceram, este sábado, o percurso militar e humano do antigo ministro da Defesa Nacional, destacando o seu contributo para a independência de Moçambique, a defesa da soberania nacional e a construção da paz. Na cerimónia fúnebre, realizada no Quartel-General das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, em Maputo, a família recordou também o pai como um homem disciplinado, humilde, íntegro e profundamente dedicado aos seus.
Na mensagem de despedida, apresentada em representação dos filhos, Tobias Dai Júnior afirmou que a família perde o seu porto seguro, exemplo e referência, enquanto o país se despede de um General, veterano da Luta de Libertação Nacional, antigo ministro da Defesa Nacional e antigo deputado da Assembleia da República.
«Para Moçambique, parte um General, um veterano da luta de libertação nacional, um antigo Ministro da Defesa Nacional, um antigo Deputado da Assembleia da República e um homem que dedicou a sua vida ao serviço da pátria», afirmou.
O filho recordou que, apesar da carreira militar e das elevadas responsabilidades que assumiu, Tobias Joaquim Dai nunca perdeu a humildade nem a sensibilidade humana. Destacou ainda o rigor profissional que manteve mesmo depois de passar à reserva, observando que continuava a cumprir o horário de trabalho da função pública, das 07h30 às 15h30, exigindo dos seus colaboradores o mesmo compromisso.
A família destacou igualmente os valores transmitidos pelo antigo governante, nomeadamente o respeito, a honestidade, a disciplina, a coragem e a empatia pelo próximo, considerando que o seu maior legado não é material, mas assenta nos princípios e valores que deixou aos filhos e netos.
Durante a homenagem, Tobias Dai Júnior recordou os últimos dois anos de vida do pai, marcados por uma doença que exigiu uma longa batalha familiar. Segundo contou, apesar do agravamento do estado de saúde, a família manteve a esperança de recuperação, seguindo os ensinamentos do antigo General de nunca desistir perante as dificuldades.
O filho revelou que Tobias Joaquim Dai morreu às 23h45 de 2 de Novembro, na presença da família, num ambiente de orações e cânticos religiosos.
A mensagem reservou também um momento de reconhecimento à mãe, companheira do antigo ministro durante 46 anos, destacando a dedicação e a força demonstradas durante o período da doença.
«Se o nosso pai nos ensinou a lutar, tu ensinaste-nos que o amor também é uma das mais extraordinárias formas de coragem», afirmou Tobias Dai Júnior, dirigindo-se à mãe.
No encerramento da mensagem, os filhos comprometeram-se a preservar os ensinamentos do pai, manter a união familiar e continuar a cuidar da mãe, sublinhando que a dor da perda não apagará a memória da vida e do exemplo deixados por Tobias Joaquim Dai.
«Combateste o bom combate. A ti, pai, hoje, a última continência», declarou, em jeito de despedida.
Ministra das Finanças assegura que existe cabimento orçamental para liquidar a dívida acumulada até 2023. Governante falava à margem do lançamento do primeiro leilão de gestão de activos apreendidos.
O Governo garante que dispõe de recursos orçamentais para pagar a dívida das horas extraordinárias dos professores, acumulada até 2023. A garantia foi dada esta sexta-feira, em Maputo, pela ministra das Finanças, Carla Louveira, que assegurou que o processo de liquidação da dívida está em curso desde 2023.
Questionada pela STV sobre o compromisso recentemente assumido pelo Executivo de regularizar os pagamentos em atraso, a governante afirmou que existem verbas disponíveis para o efeito, sem, contudo, avançar detalhes sobre o montante em dívida ou o calendário para a conclusão dos pagamentos.
Carla Louveira falava à margem do lançamento do primeiro leilão de gestão de activos apreendidos, cuja receita será canalizada para os cofres do Estado.
A recuperação dos bens resulta da coordenação entre as autoridades moçambicanas, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Embaixada da Suécia.
No âmbito desta iniciativa, foram recuperadas 14 viaturas na cidade de Maputo, que serão disponibilizadas aos interessados através de leilão, devendo as receitas provenientes da sua venda reverter a favor do Estado.
João Matlombe diz que a proposta da Lei da Marinha Mercante e Actividades Conexas prevê a criação de novos órgãos de fiscalização e coordenação, numa altura em que aumenta o tráfego marítimo e persistem casos de registo fraudulento de embarcações com bandeira moçambicana.
O Governo pretende reforçar o controlo técnico, administrativo e jurisdicional sobre as embarcações nacionais e estrangeiras que operam em águas moçambicanas, através da criação de novos mecanismos de fiscalização e coordenação do sector marítimo. A medida consta da proposta de Lei da Marinha Mercante e Actividades Conexas, apresentada pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, na Assembleia da República.
Na sua intervenção, o governante apontou o registo fraudulento de navios e o uso indevido da bandeira moçambicana como alguns dos desafios que justificam a revisão do quadro legal do sector. Matlombe recordou que, desde 2025, casos envolvendo embarcações que ostentavam indevidamente a bandeira nacional têm afectado a reputação do país no sistema internacional.
Entre os episódios mencionados, destacou a apreensão de um navio pela Marinha francesa, no mar Mediterrâneo, e o ataque a outra embarcação no Estreito de Ormuz, no Médio Oriente. Segundo o ministro, tratava-se de navios cujo registo e utilização da bandeira moçambicana eram fraudulentos e que estavam associados a frotas sujeitas a sanções internacionais, tendo sido afastados da ligação com o país pelas autoridades competentes.
A proposta legislativa prevê, entre outras medidas, a criação do Comité Nacional de Protecção e Segurança Marítima, do Serviço Nacional de Controlo do Tráfego Marítimo e da Comissão Nacional de Busca e Salvamento Marítimo. Estas estruturas deverão contribuir para a identificação de ameaças, prevenção de acidentes, fiscalização da navegação e prestação de assistência a pessoas em perigo no mar.
O governante defendeu igualmente a transformação do Instituto de Transporte Marítimo em Autoridade Reguladora do Transporte Marítimo, com competências reforçadas para inspeccionar, fiscalizar e sancionar embarcações, bem como emitir certificações em nome do Estado moçambicano.
João Matlombe justificou a revisão da legislação com a necessidade de actualizar um quadro jurídico que, segundo explicou, continua assente em instrumentos herdados do período colonial, incluindo regulamentos de 1919, 1953 e 1964, além do Código Comercial de 1988.
O ministro apontou ainda o crescimento do tráfego marítimo como um dos factores que exigem maior capacidade de regulação. De acordo com os dados apresentados, o número de navios que passaram pelas águas sob jurisdição nacional aumentou de 2.233, em 2023, para 2.965, em 2024, e 3.696, em 2025.
Com uma costa de aproximadamente 2.700 quilómetros, três portos principais, rios, lagos e mais de 150 travessias e rotas marítimas, Moçambique apresenta um potencial significativo para o desenvolvimento do transporte marítimo. O sector assegura, segundo Matlombe, o transporte de cerca de seis milhões de pessoas e respectivas mercadorias, além da movimentação de aproximadamente 55 milhões de toneladas métricas de carga.
O governante alertou também para os riscos associados à pirataria marítima, aos assaltos armados contra navios, à poluição marinha e à circulação de embarcações que não cumprem os padrões internacionais de segurança.
A proposta de lei surge igualmente na sequência de recomendações da Organização Marítima Internacional, após uma auditoria realizada em Moçambique entre 9 e 16 de Março de 2026.
Segundo João Matlombe, a revisão pretende criar um instrumento jurídico actualizado e adequado aos desafios actuais da navegação, reforçando a capacidade do Estado de regular a actividade marítima, proteger os recursos nacionais e aumentar a arrecadação de receitas, particularmente nos sectores do petróleo e gás e da cabotagem marítima.
O ministro considera que a segurança do transporte marítimo e dos profissionais do sector deve constituir uma prioridade, tendo em conta a importância do mar para a economia nacional e para as ligações comerciais com os países do interior da região.
Nota editorial: Esta notícia centra-se na apresentação da proposta da Lei da Marinha Mercante e Actividades Conexas. O excerto inicial sobre a revisão do Código da Estrada foi deixado de fora por constituir uma intervenção distinta.
A Hollard Moçambique concluiu o processo de fusão das seguradoras Hollard Seguros, Hollard Vida e Global Alliance, passando a operar como uma única empresa e sob uma única marca. A operação pretende reforçar a presença da seguradora no mercado nacional e alargar o acesso aos serviços de seguros a particulares e empresas.
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a empresa refere que, com a consolidação da licença de seguros, passa a disponibilizar, sob uma única estrutura, todos os ramos de seguros de vida e não vida, bem como serviços de gestão de fundos de pensões.
A fusão permitirá igualmente reforçar a oferta de produtos destinados a sectores com acesso limitado à protecção financeira, com destaque para seguros agrícolas, planos de seguro de educação, assistência hospitalar, microseguros e o seguro digital de responsabilidade civil automóvel, denominado Paga Leve.
Segundo o presidente executivo da Hollard Moçambique, Henri Mittermayer, a integração das três seguradoras coloca a empresa numa posição mais forte para expandir a sua cobertura e estender a protecção dos seguros a mais moçambicanos.
A estratégia da empresa contempla ainda o investimento em tecnologia e inovação digital, com vista a melhorar a experiência dos clientes, simplificar os serviços e reforçar os processos de gestão de sinistros.
Com um quadro de 160 trabalhadores, a Hollard Moçambique prevê igualmente transferir os seus escritórios para a Baixa da cidade de Maputo, decisão que, segundo a empresa, está associada ao compromisso de contribuir para a revitalização das comunidades onde desenvolve as suas actividades.
A operação moçambicana continuará integrada no Grupo Hollard, beneficiando de uma rede internacional de parceiros de seguros e resseguros, bem como do apoio da seguradora japonesa Tokio Marine.
O processo de aquisição, integração e fusão foi conduzido pela Axis Advisory, sob liderança de Marcelo Tertuliano.
Fonte: Comunicado da Hollard Moçambique, de 5 de Novembro de 2026.
O Governo pretende elevar para 75% a extensão da Estrada Nacional Número 1 em boas condições de transitabilidade até ao fim do actual mandato, num projecto cuja dimensão financeira evidencia os desafios que o País enfrenta para recuperar uma das principais infra-estruturas de suporte à actividade económica. A reabilitação integral dos cerca de 2620 quilómetros da estrada está estimada em 3,5 mil milhões de dólares, dos quais 1,1 mil milhões tinham sido assegurados pelo Executivo em Maio de 2025, permanecendo por mobilizar aproximadamente 2,4 mil milhões de dólares.
O compromisso de melhoria das condições da EN1 foi apresentado nesta quarta-feira, na Assembleia da República, pelo ministro dos Transportes e Logística, que revelou que foram identificados aproximadamente 814 quilómetros completamente degradados e que necessitam de intervenção estrutural ou reconstrução. A situação representa um constrangimento à circulação de mercadorias, ao escoamento da produção e ao abastecimento dos mercados, com consequências directas sobre os custos logísticos e a competitividade da economia nacional.
“A degradação da EN1 tem implicações directas nos custos de transporte, nos custos da produção, no abastecimento dos mercados e na mobilidade das nossas populações”, afirmou o governante, defendendo que a recuperação daquela infra-estrutura constitui uma prioridade, não apenas para o sector dos transportes, mas para toda a estratégia de desenvolvimento económico e social do País.
A dimensão dos trabalhos necessários ultrapassa as intervenções convencionais de manutenção. Segundo o ministro, os 814 quilómetros identificados exigem reconstrução do pavimento, incluindo a base, reabilitação das estruturas hidráulicas e aplicação de soluções de engenharia capazes de conferir maior resistência e durabilidade à estrada.
“Estamos a falar de troços cuja recuperação exige muito mais do que operações de manutenção. Exige reconstrução do pavimento, incluindo a base, a reabilitação das estruturas hidráulicas e intervenções que garantam maior durabilidade e resistência aos eventos climáticos extremos”, explicou.
Para financiar o programa, o Governo está a mobilizar recursos junto dos parceiros de cooperação e instituições financeiras internacionais, complementados por fundos internos do Estado e participação do sector privado. A necessidade de encontrar financiamento adicional ganha particular relevância tendo em conta que, dos 3,5 mil milhões de dólares estimados para a reabilitação integral da EN1, o montante anunciado como assegurado em Maio de 2025 representava aproximadamente um terço das necessidades financeiras então identificadas.
No que respeita à execução das obras, o ministro destacou a adjudicação dos trabalhos de aproximadamente 200 quilómetros no troço Gorongosa–Caia, cujos empreiteiros e respectivas equipas de fiscalização estão envolvidos na preparação da implementação dos trabalhos no terreno. Foram igualmente lançados concursos para a reabilitação de outros 200 quilómetros entre Chimuara e Nicoadala.
O Executivo pretende dar continuidade aos processos de contratação e adjudicação dos restantes lotes durante 2027, de modo que os 814 quilómetros identificados estejam integralmente abrangidos por contratos e obras em execução até ao fim daquele ano. O governante esclareceu, entretanto, que o prazo não corresponde à conclusão da reconstrução da estrada, mas à meta de colocar todos os troços abrangidos pelo programa em processo de intervenção.
“É importante que fique claro que o Governo não está a prometer concluir as obras em 2027, mas sim assegurar que durante este ano todos os troços abrangidos pelo programa estejam progressivamente em obras, prosseguindo a sua execução até ao final do mandato”, sublinhou.
Uma das componentes da estratégia governamental passa pelo envolvimento de empresas privadas na gestão e conservação de determinados troços rodoviários. Para o efeito, está em curso o concurso para a selecção do concessionário do segmento Maracuene–Xai-Xai, cujo encerramento está previsto para o primeiro trimestre de 2027.
O Governo está igualmente a avaliar modelos de concessão para outros segmentos, nomeadamente Xai-Xai–Pambara e Nicoadala–Nampula. A intenção é alargar progressivamente esta abordagem a outros troços, desde que os estudos técnicos, económicos e financeiros demonstrem a sua viabilidade e as vantagens para o interesse público.
“Estamos a desenvolver um programa integrado que combina recursos internos, financiamento externo e participação do sector privado, através de parcerias público-privadas, incluindo concessões a determinados troços ao longo da EN1”, referiu o ministro.
Na zona Sul, o programa contempla ainda a preparação dos documentos de concurso para a reabilitação e ampliação do troço Missão Roque–Zimpeto, com 6,7 quilómetros, e a intervenção no segmento 3 de Fevereiro–Coluane, com 17 quilómetros. Na região Centro, estão previstas intervenções em Gorongosa–Caia, Chimuara–Nicoadala e Inchope–Gorongosa, enquanto, no Norte, o Governo prepara a reabilitação de Pemba–Metoro, numa extensão de 94 quilómetros.
Além da reconstrução dos segmentos degradados, o Executivo pretende reforçar a manutenção dos troços que ainda apresentam condições boas ou razoáveis de transitabilidade, procurando evitar que a deterioração se estenda a outras secções da estrada.
O ministro recordou que, desde 2015, foram realizadas intervenções de manutenção e melhoramento localizado em aproximadamente 342 quilómetros da EN1, representando um investimento de cerca de 90 milhões de dólares, provenientes de recursos internos do Estado. Ressalvou, contudo, que estes trabalhos tinham como objectivo melhorar a circulação em secções críticas e não correspondiam à reconstrução integral da estrada.
A estratégia prevê igualmente a incorporação de soluções de engenharia para reduzir a vulnerabilidade da EN1 às cheias e aos ciclones, através da melhoria dos sistemas de drenagem, reforço das estruturas hidráulicas e protecção de pontes. O sector está também a desenvolver o mapeamento dos troços mais vulneráveis a inundações e cortes de circulação, para definir prioridades de intervenção.
A concretização da meta de colocar 75% da EN1 em boas condições dependerá da capacidade de mobilização dos recursos financeiros, da execução dos contratos e da manutenção dos troços recuperados. Mais do que reconstruir o principal eixo rodoviário do País, o desafio será garantir que os investimentos se traduzam numa redução efectiva dos custos logísticos, numa maior facilidade de circulação de mercadorias e no reforço da integração dos mercados nacionais.
A subida dos preços e os custos da energia continuam a preocupar as principais autoridades monetárias. A Reserva Federal dos Estados Unidos manteve os juros, mas o Banco de Inglaterra voltou a aumentá-los, e o Banco Central Europeu já tinha tomado uma decisão semelhante em Setembro.
Os principais bancos centrais continuam atentos à inflação, num cenário marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelo aumento dos custos da energia. O controlo dos preços continua a ser uma prioridade.
Nos Estados Unidos, a Reserva Federal decidiu, a 28 de Outubro, manter a taxa de referência entre 3,75% e 4%. A instituição considera que a inflação permanece elevada e que precisa de acompanhar os indicadores económicos.
Na zona euro, o Banco Central Europeu aumentou, em Setembro, as suas três principais taxas de juro em 0,25 pontos percentuais. A taxa aplicada aos depósitos passou para 2,50%, enquanto a taxa das operações principais de refinanciamento subiu para 2,65%. A instituição apontou a pressão inflacionista associada ao conflito no Médio Oriente como uma das razões para a decisão.
No Reino Unido, o Banco de Inglaterra anunciou, nesta quinta-feira, a subida da taxa de referência de 3,75% para 4%. Foi o primeiro aumento em mais de três anos. A decisão surge depois de a inflação britânica ter atingido 3,5% em Setembro, acima da meta de 2%. O aumento dos preços dos combustíveis, associado à guerra no Irão e às dificuldades no transporte de energia, está entre os factores que pressionam os preços.
Quando os bancos centrais aumentam os juros, os empréstimos ficam mais caros. Famílias e empresas tendem a recorrer menos ao crédito, reduzindo despesas e procura. Assim, a pressão sobre os preços pode diminuir.
Mas esta estratégia também tem custos. Juros elevados podem dificultar o financiamento das empresas, reduzir o consumo e adiar investimentos, afectando o crescimento económico e a criação de emprego.
A evolução dos preços da energia será determinante para as próximas decisões. Se o petróleo e o gás continuarem caros, os custos de produção e transporte poderão manter a inflação elevada. Uma descida sustentada poderá aliviar a pressão sobre os preços e reduzir a necessidade de novos aumentos das taxas.
Para Moçambique, que importa combustíveis, a evolução dos preços internacionais da energia influencia a factura de importação e os custos de transporte e produção. Juros elevados nas principais economias podem também encarecer o financiamento nos mercados internacionais.
A economia moçambicana poderá registar um crescimento de aproximadamente 21% a 22% até 2042, caso avance o projecto de gás natural da ExxonMobil, na Área 4 da Bacia do Rovuma, juntando-se ao empreendimento da TotalEnergies, na Área 1. A perspectiva foi apresentada pelo presidente da Câmara de Petróleo e Gás de Moçambique, Florival Mucave, que considera que a concretização dos dois investimentos poderá abrir um novo ciclo de expansão económica, embora coloque desafios importantes ao empresariado nacional.
Florival Mucave baseia a projecção num estudo do Standard Bank, realizado há cerca de dois anos, que apontava para um crescimento de 11% até 2030 com o desenvolvimento do projecto da Área 1, liderado pela TotalEnergies. O empreendimento já tomou a Decisão Final de Investimento (FID) e está na fase de mobilização e preparação da construção da planta.
A projecção mais elevada depende do avanço do projecto da ExxonMobil, na Área 4, cujo FID a empresa se comprometeu a anunciar neste ano. “Se eles anunciarem o FID da Exxon, nós perspectivamos um crescimento, pelo menos até 2042, de aproximadamente 21%, 22% para Moçambique”, afirmou.
Mucave alerta que o País precisa de preparar as empresas para integrarem a cadeia de fornecimento.
As oportunidades deverão abranger construção civil, transporte, logística, fornecimento de alimentos, manutenção, carpintaria e outros serviços de apoio à operação dos projectos.
O fornecimento de alimentos é uma das áreas com potencial para fornecedores nacionais. Actualmente, parte dos produtos destinados aos projectos é adquirida na África do Sul, devido à limitada capacidade de resposta do mercado moçambicano.
“Ainda não temos capacidade suficiente para alimentar estes projectos”, reconheceu. A expectativa é que, nos próximos 18 meses a dois anos, empresas moçambicanas assumam parte do fornecimento. Há também espaço na logística, construção de estradas e manutenção.
A robustez empresarial será determinante num sector exigente.
Mucave explica que as empresas interessadas em fornecer bens e serviços terão de cumprir requisitos que incluem certificação, apresentação das contas dos últimos três anos, contabilidade organizada e demonstração da capacidade técnica para executar os trabalhos a que se candidatam.
“Não chega ser empresário para ter um contrato. A empresa vai ter de se certificar, apresentar as suas contas dos últimos três anos e mostrar a sua capacidade técnica para participar na área específica em que pretende entrar”, afirmou.
Considera-os condições normais de participação na indústria. Por isso, as pequenas e médias empresas devem organizar a gestão e procurar parcerias com companhias estrangeiras experientes.
As parcerias poderão facilitar a transferência de conhecimento, o reforço técnico e o acesso a capital, permitindo que as empresas nacionais ganhem experiência e autonomia.
FINANCIAMENTO E FUNDO DE MANEIO ENTRE OS PRINCIPAIS ENTRAVES
O financiamento continua entre os principais constrangimentos. Muitas pequenas e médias empresas não dispõem de garantias suficientes para obter crédito, mesmo depois de conquistarem contratos.
Mucave revelou que a Câmara assinou um memorando de entendimento com o Standard Bank para promover a participação das empresas nacionais. A incubadora do banco deverá apoiar as PME na compreensão dos requisitos financeiros e na organização da gestão.
A Câmara pretende que a banca aceite contratos como garantia, uma vez que muitas empresas não dispõem de colaterais. A empresa nacional continuará responsável pela execução do serviço e pelo reembolso do crédito.
O responsável considera que a existência de um contrato com uma empresa reconhecida na indústria poderá ajudar a demonstrar aos bancos que existe uma oportunidade comercial concreta. Contudo, adverte que as empresas nacionais também devem demonstrar capacidade para cumprir as obrigações assumidas.
Outro problema é a falta de fundo de maneio. Em determinados contratos, o fornecedor nacional tem de adquirir materiais ou matérias-primas e executar o trabalho antes de receber o pagamento, que pode ocorrer entre 20 e 90 dias depois. Sem recursos para suportar esse intervalo, a empresa pode não conseguir executar um contrato que já conquistou.
“A empresa pode ter um contrato, mas precisa de fundo de maneio para comprar materiais, executar o trabalho e esperar 20, 30 ou até 90 dias para receber”, explicou.
A Câmara defende adiantamentos bancários ou prazos de pagamento mais curtos. Mucave espera também que o Fundo de Garantia Mutuária, o Banco Nacional de Investimento e o Fundo Soberano contribuam para criar mecanismos específicos de apoio às empresas do sector.
CONSTRUÇÃO PODERÁ MOBILIZAR DEZENAS DE MILHARES DE TRABALHADORES
Os efeitos dos projectos também poderão fazer-se sentir no mercado de trabalho. Mucave revelou que, numa visita ao projecto da TotalEnergies, em Afungi, a empresa informou que já tinha cerca de 10 mil pessoas nos trabalhos preparatórios. Na construção da planta de liquefacção, o número poderá subir para 20 mil ou mais.
Considerando os dois projectos, Mucave estima que a construção das respectivas infra-estruturas poderá envolver cerca de 50 mil trabalhadores numa primeira fase. O número é uma estimativa do entrevistado.
“Quando juntamos os dois projectos, estamos a falar de cerca de 50 mil trabalhadores numa primeira fase da construção”, afirmou. Para que os moçambicanos beneficiem dessa procura, defende a formação profissional e a transferência de conhecimento, de modo a permitir o acesso a funções especializadas.
CONTEÚDO LOCAL E GÁS DOMÉSTICO COMO PRIORIDADES
Mucave considera que a implementação da Lei de Conteúdo Local será decisiva para ampliar a participação das empresas moçambicanas. A legislação deverá ser acompanhada por formação dos trabalhadores, transferência de conhecimento e condições para que os operadores nacionais consigam responder às exigências dos grandes projectos.
“Não basta termos uma lei. Nós temos, agora, de fazer a formação dos moçambicanos e trabalhar na transferência de conhecimento”, defendeu.
Além do conteúdo local, Mucave aponta o uso do gás doméstico como estratégico. Moçambique deve definir como usar o gás para desenvolver indústrias e reduzir importações.
“Se queremos projectar Moçambique no futuro como um país industrializado, com base no nosso gás, temos de pensar em como vamos utilizar o gás doméstico”, afirmou, defendendo a identificação das indústrias prioritárias e o reforço da capacidade das instituições do Estado que deverão conduzir esse processo.
A Câmara prevê feiras de parcerias para aproximar empresas nacionais de operadores estrangeiros experientes no sector.
Mucave deixa um apelo aos jovens empresários e às pequenas e médias empresas para que não aguardem o anúncio dos investimentos para começarem a preparar-se. “É muito importante começarmos a formação das nossas empresas, termos uma contabilidade em dia, processos administrativos organizados e, sobretudo, procurarmos parceiros estratégicos”, concluiu.
O Governo prevê que o fenómeno El Niño tenha efeitos severos na campanha agrária 2026-2027, podendo colocar em risco a produção agrícola e a segurança alimentar de 1.277.000 produtores moçambicanos. Para responder à situação, foi elaborado um programa de mitigação orçado em 94,7 milhões de dólares norte-americanos, destinados a apoiar os produtores das zonas consideradas de maior risco.
A informação foi avançada pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante uma sessão da Assembleia da República, na qual apresentou o Programa de Mitigação dos Efeitos do Fenómeno El Niño na Agricultura, para a campanha agrária 2026-2027.
Segundo o governante, as previsões climáticas sazonais apontam para uma elevada probabilidade de ocorrência do fenómeno, historicamente associado, em Moçambique, à redução da precipitação, à distribuição irregular das chuvas e a períodos prolongados de seca e estiagem.
Salim Valá alertou que este cenário poderá comprometer a disponibilidade de água para as culturas e pastagens, afectar a sementeira e a produção agrícola, bem como o efectivo pecuário e a aquacultura, agravando a insegurança alimentar, sobretudo entre as famílias mais vulneráveis.
As províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, no Sul, e Tete, Manica, Sofala e Zambézia, no Centro do país, são apontadas como as regiões que poderão sofrer com maior severidade os efeitos do fenómeno, devido à exposição aos défices de precipitação e às fragilidades estruturais da produção agrária.
O ministro recordou que a experiência do El Niño de 2015-2016 demonstrou que a ausência de respostas atempadas pode resultar em perdas significativas de produção e no agravamento das necessidades humanitárias nos meses seguintes à colheita.
No âmbito do programa, o Governo prevê apoiar directamente 203.850 produtores agrícolas, através da distribuição de insumos e kits agrícolas, enquanto 90.524 criadores de gado deverão beneficiar de assistência, abrangendo cerca de 1,5 milhão de animais.
Na componente agrícola, está prevista a distribuição de 185.500 kits, destinados a uma área estimada de 93.750 hectares. O programa contempla ainda a aquisição de sementes de milho, arroz e feijão, material de plantação de batata-doce e mandioca, fertilizantes e sacos herméticos para a conservação da produção.
Para reduzir a dependência das chuvas, serão igualmente adquiridos cerca de 740 kits de irrigação, destinados a 74 distritos afectados pela seca. A medida deverá permitir a continuidade da produção durante a época seca e contribuir para a recuperação das áreas afectadas pela estiagem.
Na área da pecuária, está prevista a distribuição de feno e a realização de campanhas de suplementação alimentar e assistência veterinária, com o objectivo de reduzir entre 30 e 35 por cento a taxa de mortalidade dos animais.
Salim Valá explicou que o programa será implementado durante a campanha agrária 2026-2027, devendo os insumos chegar aos beneficiários antes do início das sementeiras. A execução deverá envolver instituições nacionais e organizações internacionais, sob coordenação do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas.
O governante referiu ainda que o programa de mitigação agrícola integra o Plano Anual de Contingência 2026-2027, aprovado pelo Governo a 3 de Novembro, orçado em 39,8 mil milhões de meticais, equivalente a cerca de 623 milhões de dólares, e que prevê apoiar 2,2 milhões de pessoas afectadas por diferentes riscos.
O Presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou, esta quarta-feira, que a vitória dos democratas nas eleições intercalares nos Estados Unidos da América renova a esperança de um reforço do apoio de Washington a Kyiv.
Numa entrevista transmitida, na noite desta quarta-feira, pela emissora pública alemã, Volodimir Zelensky afirmou que a vitória dos democratas nas eleições intercalares norte-americanas representa uma oportunidade para reforçar o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia, tendo em conta o novo equilíbrio de forças políticas no país.
Zelensky acrescentou que um maior apoio militar e financeiro do Congresso norte-americano poderá exercer pressão sobre a Rússia e abrir caminho a negociações com vista à paz.
A vitória democrata nas eleições intercalares deverá permitir ao partido assumir o controlo do Congresso, limitando a margem de actuação do Presidente Donald Trump nos últimos dois anos do seu mandato.
Apesar disso, Trump continuará a dispor de importantes instrumentos de poder, entre os quais o direito de veto e as competências próprias do poder executivo.
Paralelamente, Volodimir Zelensky anunciou ter mantido contactos com emissários norte-americanos, na sequência do resultado desfavorável a Donald Trump nas eleições intercalares e antes de uma série de encontros relacionados com o conflito na Ucrânia.
Recorde-se que a Rússia anexou a Península da Crimeia, em 2014, e lançou, em Fevereiro de 2022, uma ofensiva militar em larga escala contra o território ucraniano.