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As cheias e inundações que afetaram a província de Gaza entre Janeiro e Março deste ano provocaram a morte e dispersão de centenas de animais no Parque Nacional de Banhine, agravando o conflito entre comunidades locais e fauna bravia nos distritos de Mabalane, Chigubo e Mapai.

O fenómeno climático teve impactos significativos sobre a área de conservação, com a destruição de infraestruturas, a fuga de espécies e o enfraquecimento dos esforços de repovoamento faunístico em curso no parque.

De acordo com residentes, a convivência com a fauna bravia tornou-se mais difícil nos últimos meses, com registo de ataques a pessoas e aumento da presença de animais em zonas habitacionais.

“O conflito com a fauna bravia é o pão de cada dia, para dizer que a população reclama dia após dia. Cerca de 60 mil hectares foram devastados”, relatou Salvador Machava, produtor da área do parque.

Já a Administradora de Mapai descreveu episódios recentes de ataques envolvendo búfalos, incluindo ferimentos a membros da comunidade.

“Temos búfalos que chegam até a menos de dois quilómetros da vila, aqui no Matadouro. Uma criança foi agredida por búfalos. Nos últimos dois meses podemos falar de seis pessoas que foram agredidas”, disse Maria Helena, Administradora de Mapai.

Além do impacto sobre a fauna, as cheias destruíram infraestruturas estratégicas do parque, incluindo um santuário de proteção e maneio da vida selvagem, com prejuízos estimados em mais de 30 mil dólares.

“Foi destruído. O santuário praticamente está destruído. Os danos podem rodar acima de 30 mil dólares”, referiu Abel Nhabanga, Administrador do Parque Nacional de Banhine.

Segundo a administração do parque, a situação foi agravada pela subida do nível das águas, que cobriu grande parte do perímetro da reserva e levou à dispersão de espécies e à perda de animais recentemente introduzidos.

“Este ano o conflito com a fauna bravia agudizou-se. Tivemos chuvas intensas e água espalhada quase em todo o perímetro do parque”, explicou o responsável, acrescentando que estão em curso medidas de mitigação.

Entre as acções em implementação estão a vedação eléctrica de machambas e a criação de equipas de fiscais especializados em mediação de conflitos entre comunidades e fauna.

As cheias comprometeram ainda o programa de repovoamento do parque, incluindo a dispersão de mais de 400 animais translocados em 2025, numa operação avaliada em cerca de 350 mil dólares.

“Perdemos muitos animais devido à cheia. Alguns ficaram entalados em lama, sobretudo impalas e cabritos-do-mato. Tivemos também uma migração de animais não comum”, indicou Abel Nhabanga.

Paralelamente aos impactos ecológicos, o parque registou a deslocação incomum de espécies como zebras e búfalos para zonas habitacionais, aumentando a tensão com as comunidades locais.

Apesar dos prejuízos, o Parque Nacional de Banhine avançou com a entrega de 20% das receitas da conservação às comunidades, como forma de reforçar o envolvimento local na protecção da área.

“As comunidades precisam sentir que o parque também lhes pertence”, referiu Claudino Soupada, beneficiário, sublinhando que os fundos estão a ser aplicados em apoio agrícola e distribuição de insumos.

As autoridades do parque estão neste momento a realizar o levantamento completo dos danos e a mobilizar recursos para reforçar a protecção da área de conservação, restaurar infra-estruturas destruídas e mitigar os impactos sobre a fauna e as comunidades circunvizinhas.

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Moçambique já definiu a sua delegação para os Jogos da Commonwealth de 2026, que terão lugar entre 23 de Julho e 2 de Agosto, em Glasgow, na Escócia. O País será representado por um contingente de 20 membros, incluindo 12 atletas que irão competir em quatro modalidades desportivas.

O boxe surge como a principal aposta nacional nesta edição dos Jogos, liderando a comitiva com cinco pugilistas convocados. Entre os nomes seleccionados destaca-se Tiago Muxanga, considerado uma das principais esperanças de medalha para Moçambique na competição.

A Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe) confirmou ainda a possibilidade de ajustes na lista, devido à eventual indisponibilidade do atleta, que tem um combate profissional agendado para 12 de Julho. Segundo o secretário-geral da federação, António Hélio, já existe uma solução de recurso em análise.

“Vamos, por precaução, inscrever Bernardo Marrime para o caso em que se confirmar a sua indisponibilidade”, explicou.

Além de Muxanga, integram ainda a selecção de boxe Armando Sigaúque, Manuel Banguine, Alcinda dos Santos e Rady Gramane.

O judo será representado por três atletas, nomeadamente a bolseira olímpica Jacira Ferreira, Cyntia Badru e Samuel Ribeiro. Já o atletismo e a natação contarão com dois representantes cada.

No atletismo, destaca-se Amélia Pinga, especialista em triplo salto e bolseira olímpica em preparação em Portugal. O velocista Steven Sabino, que treina nos Estados Unidos da América, estava igualmente entre as apostas para os Jogos, mas foi afastado devido a lesão, segundo indicação do relatório médico, sendo substituído por um atleta ainda por designar.

A delegação moçambicana será ainda composta por oito oficiais, incluindo equipas técnicas, pessoal médico, chefe e vice-chefe de missão, além do adido de imprensa, responsáveis por assegurar o apoio logístico e técnico aos atletas durante a competição.

As federações nacionais encontram-se, agora, na fase final de preparação, com o objectivo de garantir que os atletas cheguem a Glasgow nas melhores condições físicas e competitivas.

A participação nos Jogos da Commonwealth é considerada uma das mais importantes do calendário desportivo internacional, reunindo atletas de diversos países-membros da Commonwealth num evento multidesportivo de alto nível.

A segunda edição de um estudo sobre as preocupações dos cidadãos dos países lusófonos pretende cobrir também a Guiné Equatorial e a região chinesa de Macau, disse esta quarta-feira à Lusa o director executivo da iniciativa.

O Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas, com sede em São Paulo, no Brasil, divulgou o primeiro Barómetro da Lusofonia no final de Janeiro, em Lisboa, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O estudo bienal, coordenado pelo cientista político brasileiro Antonio Lavareda, reuniu as percepções dos cidadãos de oito dos nove Estados-membros da CPLP sobre 25 indicadores.

A Guiné Equatorial foi a excepção, explicou o director executivo do Barómetro da Lusofonia, Marcelo Pimentel, devido aos “problemas de democracia que existem lá” e a “um problema logístico”.

“A gente não conseguiu um instituto de pesquisas que pudesse abraçar o projecto”, lamentou o brasileiro, que é também professor da Universidade de Taubaté, no estado de São Paulo.

Pimentel recordou que questões políticas também obrigaram ao cancelamento da apresentação dos resultados do inquérito na Guiné-Bissau: “Logo em seguida houve o golpe de Estado e nós cancelámos a pedido da CPLP”.

A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP desde o golpe militar de 26 de Novembro de 2025, que interrompeu as eleições, depôs o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e levou à detenção do líder da oposição, Domingos Simões Pereira.

A recolha de inquéritos para a segunda edição do Barómetro da Lusofonia deve arrancar na segunda metade de 2027, para ser apresentada no ano seguinte, e Marcelo Pimentel disse que pretende incluir a Guiné Equatorial e Macau.

O académico falava à margem do último dos três dias do 35.º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que decorreu na região chinesa.

“Acredito que a pesquisa pode, inclusive, trazer alguns elementos importantes que possam servir de parâmetro, tanto para o Governo de Macau, como para a CPLP olhar para Macau com outros olhos”, disse Pimentel.

“Macau reveste-se de um elemento fundamental da integração da China com os países de língua portuguesa”, acrescentou o investigador.

A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Macau.

O organismo integra, além da China, os membros da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 2022, Guiné Equatorial.

A saúde, a educação e o desemprego foram considerados os principais problemas pelos cidadãos dos países de língua portuguesa, na primeira edição do Barómetro da Lusofonia.

“A saúde lidera as preocupações dos cidadãos da lusofonia, com 53% das respostas, seguida da educação, com 43%, e do desemprego, com 34%”, de acordo com os dados.

Chegou a hora da verdade para Portugal. A selecção portuguesa estreia-se nesta quarta-feira no Campeonato do Mundo 2026, enfrentando a República Democrática do Congo no Estádio de Houston, em partida referente à primeira jornada do Grupo K.

O encontro, agendado para as 19h00 de Moçambique, marca o início da caminhada da equipa orientada por Roberto Martínez na maior competição do futebol mundial, agora disputada num formato alargado e mais exigente.

Depois de várias semanas de preparação em solo norte-americano, marcadas por ajustes técnicos, trabalho físico intensivo e alguns constrangimentos provocados pelas condições meteorológicas, a equipa das quinas apresenta-se determinada a confirmar o estatuto de candidata ao apuramento para a fase seguinte.

Apesar do favoritismo atribuído aos portugueses, a mensagem transmitida internamente é de máxima concentração. A República Democrática do Congo regressa a um Campeonato do Mundo pela primeira vez desde 1974, quando competiu sob a designação de Zaire, e encara o desafio com a motivação de quem procura surpreender.

Na véspera do encontro, o capitão português, Cristiano Ronaldo, destacou a importância de uma entrada forte na competição e alertou para a necessidade de manter elevados níveis de exigência desde o primeiro minuto.

“Foi uma preparação intensa e exigente, mas estamos prontos. O verdadeiro Mundial começa agora e sabemos que não existe margem para facilitar. Temos de estar ao nosso melhor nível competitivo para alcançar os nossos objectivos”, afirmou o avançado, que poderá tornar-se o primeiro jogador da história a disputar seis fases finais de Campeonatos do Mundo.

O duelo desta quarta-feira será o primeiro encontro oficial entre Portugal e a República Democrática do Congo ao nível das selecções principais.

Embora nunca tenha enfrentado os congoleses, Portugal possui um longo histórico frente a selecções africanas. Este será o 26.º confronto da história da equipa nacional contra representantes da Confederação Africana de Futebol (CAF) e o sétimo realizado em fases finais de Campeonatos do Mundo.

A partida frente à República Democrática do Congo constitui apenas o primeiro passo de uma fase de grupos que se prevê competitiva.

A província de Inhambane intensifica os preparativos para acolher a fase nacional dos Jogos Desportivos Escolares 2026, um dos maiores eventos desportivos juvenis de Moçambique, que deverá reunir mais de 1600 estudantes provenientes de todas as províncias do País.

Com a competição agendada para os meses de Agosto e Setembro, as autoridades provinciais garantem que os trabalhos de preparação decorrem dentro dos prazos estabelecidos. 

Enquanto algumas infra-estruturas já estão prontas para receber as diferentes modalidades, outras continuam a beneficiar de intervenções destinadas a melhorar as condições técnicas, de segurança e funcionalidade.

Segundo o director provincial da Juventude e Desportos de Inhambane, Leonardo Bassanhane, a selecção dos recintos desportivos teve em conta o estado de conservação e a capacidade de resposta às exigências da competição.

“Na cidade da Maxixe, para o voleibol, foi escolhido o campo da Sagrada Família, que é uma infra-estrutura nova e não necessita de qualquer intervenção. Para o futebol masculino, a nossa previsão é utilizar o Estádio Municipal da Maxixe, um recinto que já acolhe jogos do Moçambola e que reúne as condições necessárias para o evento”, explicou.

No que respeita ao futebol feminino, a organização prevê utilizar o campo do Ferroviário de Inhambane. Contudo, Bassanhane reconhece que o recinto necessita de algumas melhorias antes da realização dos jogos.

“O piso não está nas melhores condições e há um trabalho que precisa de ser feito. Estamos a trabalhar em coordenação com os Caminhos de Ferro de Moçambique para garantir que as intervenções sejam realizadas atempadamente”, afirmou.

Entre os projectos considerados prioritários destaca-se a reabilitação da pista de atletismo 7 de Setembro, uma infra-estrutura fundamental para as provas da modalidade.

De acordo com o responsável provincial, a empreitada contempla a reconstrução de parte do muro, danificado ao longo dos anos, bem como a recuperação integral da pista.

“Nós beneficiamo-nos da reabilitação da pista 7 de Setembro, que inclui a reconstrução das áreas do muro que ruíram e a recuperação da pista propriamente dita. O empreiteiro comprometeu-se a entregar a infra-estrutura até ao dia 15 de Julho em condições técnicas adequadas para a prática do atletismo”, garantiu.

Uma das maiores preocupações da organização continua a ser o futuro do Campo Municipal de Muelé, considerado um dos espaços desportivos mais emblemáticos da província e tradicional palco de importantes competições nacionais.

O recinto não foi inicialmente incluído na lista de infra-estruturas seleccionadas, devido às incertezas em torno da sua reabilitação. No entanto, as autoridades locais mantêm esforços para viabilizar a sua recuperação.

“Quando realizámos o processo de selecção dos campos ainda não existiam garantias de que o município conseguiria avançar com a reabilitação. Neste momento, estamos numa corrida contra o tempo, para que as obras avancem. Ainda não temos um calendário definitivo por parte do empreiteiro, mas nos próximos dias voltaremos a reunir-nos com o município para avaliar a situação”, explicou Bassanhane.

O dirigente destacou ainda o valor histórico do recinto para o desporto provincial.

“O Campo de Muelé é extremamente importante. Pela sua história, acolheu vários eventos desta dimensão e continua a ser uma referência para o desporto em Inhambane”, acrescentou.

Além das infra-estruturas desportivas, a organização trabalha igualmente na componente logística, considerada determinante para o sucesso do evento.

As autoridades asseguram que existem condições para acolher os mais de 1600 atletas, treinadores e oficiais previstos para a competição, estando a ser ultimados os planos de alojamento, alimentação, transporte e assistência aos participantes.

A fase nacional dos Jogos Desportivos Escolares constitui o ponto mais alto do calendário desportivo escolar moçambicano, promovendo a descoberta de talentos, a integração entre estudantes de diferentes regiões e a valorização do desporto como ferramenta de educação e desenvolvimento juvenil.

Com os preparativos a decorrerem em ritmo acelerado, Inhambane procura garantir que a edição de 2026 decorra em condições exemplares, reforçando a sua tradição como uma das principais referências nacionais na organização de grandes eventos desportivos.

Os troféus conquistados pela selecção nacional de hóquei em patins nos Jogos Africanos realizados recentemente em Luanda, Angola, foram apresentados nesta segunda-feira ao ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, num encontro que serviu igualmente para traçar perspectivas para o futuro da modalidade no País.

A delegação da Federação Moçambicana de Patinagem foi recebida no gabinete do ministro, onde exibiu os prémios obtidos pelas equipas nacionais que alcançaram o segundo lugar na categoria de seniores e o terceiro lugar em Sub-19, resultados que reforçam a posição de Moçambique entre as principais potências africanas da modalidade.

Os desempenhos alcançados em Luanda representam mais um marco para o hóquei em patins moçambicano, modalidade que tem vindo a consolidar a sua competitividade a nível continental.

Além dos resultados desportivos, a federação aproveitou a ocasião para anunciar que o País garantiu a qualificação para o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, marcado para Setembro deste ano, uma participação que abre novas expectativas para atletas, técnicos e adeptos.

Durante a audiência, os responsáveis federativos destacaram a necessidade de expandir a prática da patinagem em todo o território nacional, tornando-a mais inclusiva e acessível às novas gerações.

Entre os principais constrangimentos identificados figuram a insuficiência de infra-estruturas adequadas para a prática da modalidade e a escassez de equipamentos especializados, factores que continuam a limitar o crescimento da patinagem em várias províncias do País.

Ao reconhecer o mérito dos atletas e dirigentes, o ministro da Juventude e Desporto sublinhou que os resultados alcançados são fruto do empenho colectivo e da dedicação dos intervenientes da modalidade. 

Segundo Caifadine Manasse, a consolidação destes sucessos exige uma abordagem estratégica assente numa planificação antecipada, coordenação institucional e investimentos consistentes.

A qualificação para o Mundial surge num momento particularmente positivo para o hóquei em patins nacional, que procura transformar os recentes êxitos competitivos numa oportunidade para alargar a base de praticantes e fortalecer as estruturas de formação.

Já são oito os países africanos que se estrearam no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, já a darem ar da sua graça, intrometendo-se no caminho dos potenciais candidatos. Egipto e Cabo Verde são dos mais recentes a fazerem África sonhar com alguma glória nesta competição. Argélia e Senegal estrearam-se na transição de terça para quarta-feira.

A madrugada desta terça-feira entrou para a história do futebol africano como uma demonstração inequívoca de que organização, disciplina táctica e espírito de sacrifício podem desafiar o favoritismo das grandes potências mundiais.

Em partidas marcadas pela intensidade e pela emoção, Cabo Verde e Egipto conquistaram resultados de enorme relevância diante de duas das selecções mais fortes da Europa, Espanha e Bélgica, respectivamente.

Na cidade de Seattle, o Egipto confirmou a capacidade competitiva das selecções africanas ao empatar 1-1 com a Bélgica, num duelo equilibrado e disputado até ao apito final.

A equipa belga procurou assumir as despesas do encontro desde os primeiros minutos, apoiada na criatividade do capitão Kevin De Bruyne. No entanto, os “Faraós” responderam com uma organização colectiva sólida e uma notável eficácia nos momentos de transição ofensiva.

As estatísticas revelam o equilíbrio do confronto: 15 remates para a Bélgica contra 14 do Egipto. 

Sob a liderança técnica e emocional de Mohamed Salah, os egípcios conseguiram controlar diversos momentos do jogo e saíram de campo com um resultado que fortalece as suas aspirações de qualificação.

O empate foi celebrado efusivamente pelos jogadores e adeptos, simbolizando a capacidade do futebol africano de competir em igualdade com algumas das selecções mais prestigiadas do panorama internacional.

Já no Estádio de Atlanta, os “Tubarões Azuis” escreveram uma das páginas mais memoráveis da sua história ao empatarem sem golos diante da Espanha (0-0), actual campeã europeia e uma das favoritas à conquista do Mundial.

A selecção cabo-verdiana, orientada por Bubista, apresentou uma organização defensiva exemplar, suportando longos períodos de pressão espanhola. Os números ilustram a dimensão do desafio: a Espanha controlou 74 por cento da posse de bola e realizou 23 remates ao longo da partida.

Mas a noite tinha um protagonista indiscutível. Aos 40 anos, o experiente guarda-redes Vozinha protagonizou uma exibição memorável, efectuando oito defesas decisivas que frustraram repetidamente os ataques espanhóis. 

Perante as investidas de Pedri, Ferran Torres e do jovem talento Lamine Yamal, lançado na segunda parte, o guardião cabo-verdiano mostrou segurança, liderança e reflexos notáveis.

O prémio de “Homem do Jogo” surgiu como reconhecimento natural de uma actuação que permitiu a Cabo Verde conquistar o primeiro ponto da sua história em fases finais do Campeonato do Mundo.

Os resultados de Cabo Verde e Egipto reforçam uma tendência crescente no futebol africano: a redução das distâncias competitivas em relação às selecções tradicionalmente dominantes do futebol mundial.

A jornada ficou ainda marcada por outras surpresas. A Arábia Saudita conquistou um empate por 1-1 diante do Uruguai, enquanto Irão e Nova Zelândia protagonizaram um dos jogos mais emocionantes da ronda, terminando empatados em 2-2.

Mais do que simples resultados, a madrugada desta terça-feira demonstrou que, no Mundial de 2026, o estatuto e a tradição já não garantem vitórias. África mostrou personalidade, maturidade competitiva e capacidade para sonhar mais alto.

A competição continua, mas a madrugada de 16 de Junho já garantiu o seu lugar entre os momentos mais marcantes da presença africana em Campeonatos do Mundo.

 

RESULTADOS DOS JOGOS JÁ DISPUTADOS

Terça-feira, 16 de Junho

Irão 2-2 Nova Zelândia

França vs Senegal

Iraque vs Noruega

 

JOGOS POR DISPUTAR

Quarta-feira, 17 de Junho

Argentina vs Argélia 03:00

Áustria vs Jordânia 06:00

Portugal vs RD Congo 19:00

Inglaterra vs Croácia 21:00

 

Quinta-feira, 18 de Junho

Gana vs Panamá 01:00

Uzbequistão vs Colômbia 04:00

Rep. Checa vs África do Sul 18:00

Suíça vs Bósnia 21:00

Canadá vs Qatar 00:00

A Autoridade Reguladora das Comunicações (INCM) aprovou a Resolução n.º 2_BR/CA/INCM/2026, de 13 de Março, que estabelece novas regras para o envio de mensagens SMS do tipo Application-to-Person (A2P), abrangendo mensagens promocionais, informativas e de autenticação.

O diploma foi publicado na I Série do Boletim da República n.º 103, a 3 de Junho, e produzirá efeitos jurídicos 60 dias após a sua publicação.

A medida surge em resposta ao aumento do envio massivo e automatizado de mensagens publicitárias por números e entidades não autorizadas, incluindo conteúdos relacionados com apostas, promoções e, em alguns casos, esquemas fraudulentos.

A Resolução tem como principal objectivo reforçar a protecção da privacidade dos utilizadores e garantir maior controlo sobre as mensagens comerciais recebidas.

Entre as novas disposições destacam-se os mecanismos de consentimento “opt-in” e “opt-out”. O primeiro determina que as mensagens promocionais apenas podem ser enviadas a utilizadores que tenham dado autorização prévia para as receber. O segundo permite aos utilizadores bloquear, de forma simples e gratuita, a recepção de mensagens promocionais, independentemente da sua origem.

O diploma obriga ainda os operadores de telecomunicações a bloquear envios massivos e automatizados efectuados de forma irregular e a suspender números curtos utilizados em violação das regras estabelecidas.

As entidades que incumprirem as disposições da Resolução ficam sujeitas a sanções administrativas, incluindo o bloqueio de serviços e outros procedimentos previstos na legislação aplicável.

Segundo o INCM, a medida deverá contribuir para a redução do “spam” e das mensagens fraudulentas, reforçando a segurança, a confiança dos utilizadores e a rastreabilidade das comunicações electrónicas.

Duas pessoas perderam a vida e uma outra ficou ferida na sequência de confrontos violentos registados esta terça-feira entre agentes da polícia e manifestantes na cidade de Tete. Os incidentes ocorreram durante protestos protagonizados por mototaxistas.

De acordo com a directora do Hospital Provincial de Tete, Neide Duarte, citada pela Lusa, deram entrada na unidade sanitária três vítimas de baleamento. Duas delas chegaram já sem vida, enquanto a terceira foi encaminhada para o bloco operatório devido a um ferimento numa perna, não correndo, contudo, perigo de vida.

As manifestações tiveram origem numa operação de fiscalização multissectorial conduzida pela Polícia da República de Moçambique, em coordenação com a polícia municipal de Tete, dirigida a condutores de veículos.

Imagens divulgadas por órgãos de comunicação social locais mostram momentos de grande tensão, com populares em fuga, barricadas e focos de incêndio ao longo da via, além de densas colunas de fumo. Nas imagens é ainda visível a presença de agentes da polícia, efectivos da polícia municipal e bombeiros destacados para vários pontos da cidade.

Os tumultos provocaram a interrupção temporária da circulação na Estrada Nacional n.º 7, considerada o principal foco dos protestos. 

 

Quase 22 mil pessoas, entre as quais 10.560 crianças, foram deslocadas nas últimas seis semanas na sequência de ataques de grupos armados no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, segundo um relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com a OIM, citada pela Lusa, entre 1 de Maio e 10 de Junho, os ataques provocaram a deslocação de 21.658 pessoas para várias aldeias e centros de acolhimento em Ancuabe e nos distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre. O número de deslocados tem vindo a aumentar, depois de ter sido contabilizado em 13.409 pessoas até 12 de Maio e em 19.325 até 3 de Junho.

Os deslocados correspondem a cerca de 7.115 famílias, concentrando-se sobretudo nas zonas de Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede. Entre eles encontram-se 6.423 mulheres, incluindo 196 grávidas, 10.560 crianças, 109 pessoas com deficiência e 492 idosos com mais de 60 anos.

A OIM manifesta preocupação com os riscos de separação familiar, violência baseada no género, perda de documentos e sofrimento psicossocial entre a população afectada.

Segundo a Lusa, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017. Em Maio, elementos associados ao Estado Islâmico reivindicaram ataques no distrito de Ancuabe, alegando a destruição de uma igreja, lojas e cerca de 220 habitações na aldeia de Nacoja.

Ataques registados em Nacoja e Minheuene provocaram igualmente destruição de infra-estruturas e raptos de residentes, contribuindo para o agravamento da situação humanitária na região.

Dados da organização ACLED indicam que, nas duas últimas semanas de Maio, foram registados oito incidentes violentos em Cabo Delgado, dos quais seis atribuídos a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico. Desde o início da insurgência, em 2017, o conflito terá provocado 6.624 mortos.

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