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A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ) recebeu, hoje, a visita de uma delegação da Comissão do Desenvolvimento do Parlamento Europeu (DEVE), no quartel-general da Missão.

O Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, recebeu a delegação composta por Membros do Parlamento Europeu e liderada pela Presidente da Delegação da Assembleia Parlamentar África-União Europeia, Hilde Vautmans, bem como os eurodeputados Marit Maij e György Hölvényi, acompanhados pelo Embaixador Antonino Maggiore, Chefe de Missão da Delegação da União Europeia em Moçambique.

Durante a visita à EUMAM MOZ, os membros da delegação tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pela Missão no reforço das capacidades das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Foram igualmente apresentados os resultados alcançados desde o início da Missão e o seu contributo para o fortalecimento da segurança e estabilidade no país.

A visita permitiu ainda abordar os desafios de segurança que persistem em Cabo Delgado e a importância de uma abordagem integrada que combine segurança, desenvolvimento e assistência humanitária. Neste contexto, a delegação foi informada sobre a forma como a EUMAM MOZ contribui para a criação de condições favoráveis à proteção das populações e ao desenvolvimento sustentável das comunidades afetadas pela instabilidade na região.

A visita à EUMAM MOZ evidenciou o compromisso da União Europeia em apoiar Moçambique através de uma abordagem abrangente que promova a paz, a estabilidade e a eficácia operacional.

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O sector da agricultura vai aplicar 200 milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural na reconstrução dos regadios de Chókwè e Baixo Limpopo, na província de Gaza. A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante a primeira reunião nacional da Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA)  2025-2029, que decorre na província da Zambézia.

Segundo Albino, os fundos destinados à reabilitação dos dois regadios surgem no âmbito do processo de reconstrução pós-cheias e deverão impulsionar a produção de arroz no País. O governante falava ao “O País” à margem do encontro nacional da AQUA, que se iniciou ontem e termina nesta sexta-feira.

O ministro explicou que a recuperação das infra-estruturas agrícolas afectadas pelas cheias é considerada estratégica para o aumento da capacidade produtiva, sobretudo nas zonas de maior potencial agrícola da região Sul do País.

Entretanto, sobre os cerca de 95 por cento dos valores necessários para a reconstrução pós-cheias nos sectores da agricultura e pescas, Roberto Albino assegurou que o financiamento já está garantido. O dirigente afirmou, sem avançar os montantes, que os recursos estão a ser canalizados para o processo de aquisição de insumos agrícolas, contando com o apoio de parceiros internacionais.

“A nossa grande preocupação era repor insumos para os produtores. Fizemos o levantamento daqueles que sofreram os danos e, com base nisso, fizemos o plano de recuperação. Felizmente, conseguimos os recursos e já estamos a distribuir os insumos nas regiões afectadas”, disse o ministro, avançado um pequeno detalhe. Segundo disse, “o mercado nacional  não esteve à altura de poder fornecer todos os insumos de que nós precisamos. Tivemos de fazer a importação e, por exemplo, esta campanha de vacinação que está a ocorrer está a ser feita com recurso de parceiros. Nem Moçambique e muito menos a região tem vacinas suficientes, por isso estamos a trazer da Europa e da Ásia”, afirmou o ministro do pelouro, que diz que na Zambézia grande parte dos insumos já foram distribuídos.

A reunião nacional da AQUA junta diferentes intervenientes do sector agrário e pesqueiro para avaliar desafios e definir estratégias de desenvolvimento para os próximos cinco anos.

Cento e quarenta e três funcionários públicos estão implicados num processo judicial por suspeitas de desvio de mais de 1,8 milhões de meticais destinados ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, no distrito de Mecuburi, província de Nampula.

A acusação foi formalizada pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula no fim de Abril, após uma denúncia apresentada pelo director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Mecuburi.

Segundo as autoridades, os indiciados pertencem ao Serviço Distrital de Educação e a várias escolas tuteladas no distrito, sendo acusados de se terem apropriado indevidamente de fundos públicos entre 2023 e 2024.

Os recursos em causa destinavam-se ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, conhecido por ADE, um mecanismo usado para apoiar o funcionamento das instituições de ensino, sobretudo escolas primárias.

O director provincial de Educação em Nampula, Williamo Tuzine, afirmou que o sector pretende reforçar o combate aos desvios de fundos destinados às escolas.

“A maior parte das nossas escolas, principalmente as escolas primárias, têm funcionado com um único orçamento, que é o ADE. Queremos continuar implacáveis contra desvios de fundos”, declarou Tuzine.

O responsável acrescentou que o caso já foi encaminhado à justiça e que decorrem igualmente processos disciplinares internos contra os gestores envolvidos.

“Para o caso de Mecuburi, nós levámos o caso à justiça. Para além do processo disciplinar que está a decorrer no sector da educação, existe também um processo criminal”, afirmou.

Os 143 funcionários são acusados dos crimes de peculato, falsificação de documentos, uso de documento falso e abuso de cargo ou função.

Segundo o sector da Educação, dependendo da gravidade das infracções, os processos disciplinares poderão culminar com a expulsão dos implicados da Administração Pública.

O Fundo de Apoio Directo às Escolas é considerado essencial para o funcionamento básico das instituições de ensino, financiando despesas ligadas à gestão escolar, material didáctico, pequenas reparações e apoio administrativo.

Casos de desvio destes fundos têm sido apontados pelas autoridades como um dos factores que comprometem a qualidade do ensino e o funcionamento regular das escolas em algumas regiões do País.

A Assembleia da República (AR) promove, desde ontem até esta sexta-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, uma acção de indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-integrados e nomeados para o exercício de diferentes funções na magna Casa do Povo com o objectivo de reforçar a sua integração institucional e promover o alinhamento com os princípios que orientam a função pública.

Entretanto, o secretário-geral da Assembleia da República, António Mahumane, destacou que a integração dos novos quadros representa o início de uma nova etapa profissional marcada por elevadas responsabilidades públicas, exigindo compromisso, ética, dedicação e espírito de missão.

Falando na cerimónia solene de abertura da indução, Mahumane sublinhou que a Assembleia da República, enquanto órgão de representação do povo, de produção legislativa e de fiscalização da acção governativa, assenta o seu funcionamento no profissionalismo, na disciplina, no rigor técnico e na integridade dos seus recursos humanos.

“O exercício de funções públicas exige, acima de tudo, zelo, responsabilidade e sentido de Estado”, frisou Mahumane, sublinhando que “mais do que cumprir tarefas, importa compreender que servir a Assembleia da República é servir o cidadão e servir a Nação”.

O secretário-geral da Assembleia da República referiu ainda que a realização da indução se enquadra no compromisso da instituição em garantir serviços de apoio técnico-administrativo cada vez mais eficientes e alinhados com os desafios actuais da administração pública.

Dirigindo-se aos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados, Mahumane apelou ao cultivo permanente de valores como excelência, trabalho em equipa, humildade, honestidade, respeito mútuo, dinamismo, eficiência e eficácia no desempenho das suas funções.

A indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados para os cargos de confiança visa a sua inserção na Assembleia da República, garantindo o melhor funcionamento das bancadas parlamentares e dos órgãos do Parlamento moçambicano.

Os participantes vão debruçar-se, entre outros, sobre a informação geral da Assembleia da República enquanto órgão de soberania na República de Moçambique։ Evolução histórica da Assembleia da República; Organização e funcionamento da Assembleia da República; Órgãos da Assembleia da República; e Secretariado-Geral da Assembleia da República (organização, competências e atribuições).

O Presidente da República reiterou esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso do Governo com o fortalecimento das pequenas e médias empresas (PMEs), defendendo um maior envolvimento do sector privado no desenvolvimento económico e na melhoria do ambiente de negócios no país.

O posicionamento foi assumido durante uma audiência concedida à Associação de Pequenas e Médias Empresas (APME), num encontro dedicado à discussão dos principais desafios enfrentados pelas empresas nacionais, sobretudo as micro, pequenas e médias empresas.

Falando à imprensa no final da audiência, o presidente da APME, Pedro Silva, afirmou que a organização procurou auscultar as orientações do Chefe do Estado sobre mecanismos de apoio ao empresariado nacional.

“Hoje tivemos a honra de ser recebidos por Sua Excelência Presidente da República, Daniel Chapo. Viemos receber os seus aconselhamentos para que possamos melhor defender os interesses de Moçambique e principalmente das nossas PMEs”, declarou.

Segundo Pedro Silva, o Presidente da República demonstrou envolvimento directo na criação de condições favoráveis para o crescimento das pequenas e médias empresas, consideradas essenciais para a geração de emprego e dinamização da economia nacional.

“As PMEs são um motor de desenvolvimento da economia e Sua Excelência deixou bem frisado que está envolvido em apoiar o crescimento das PMEs”, afirmou.

Durante o encontro, Daniel Chapo terá lançado desafios à associação ligados ao fortalecimento do tecido empresarial, promoção do empreendedorismo e melhoria do ambiente de negócios.

Pedro Silva assegurou que a associação acolheu as recomendações com sentido de responsabilidade e compromisso institucional.

“Abraçamos esses desafios e prometemos, com todo o comprometimento, apoiar no desenvolvimento e na melhoria do ambiente de negócios para as PMEs”, sublinhou.

As pequenas e médias empresas representam uma parcela significativa do sector empresarial moçambicano e desempenham um papel importante na criação de postos de trabalho, inclusão económica e expansão da produção nacional.

Entretanto, o sector continua confrontado com desafios ligados ao acesso ao financiamento, carga fiscal, burocracia administrativa, limitações de infra-estruturas e dificuldades de acesso aos mercados.

O presidente da APME garantiu que a associação continuará empenhada na defesa dos interesses das empresas nacionais, visando contribuir para o crescimento económico sustentável do país.

O encontro decorreu numa altura em que o Executivo procura reforçar o diálogo com o sector privado, considerado estratégico para acelerar o investimento, aumentar a produção nacional e estimular a competitividade da economia moçambicana.

A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, desafiou esta quinta-feira os novos dirigentes nomeados pelo Conselho de Ministros a imprimirem maior eficiência, transparência e foco em resultados nas instituições públicas, numa altura em que o país enfrenta desafios económicos e sociais considerados complexos.

Falando durante a cerimónia de tomada de posse, a governante afirmou que os dirigentes assumem funções num contexto exigente, mas igualmente repleto de oportunidades para o desenvolvimento nacional.

“É fundamental a existência de instituições públicas fortes, eficientes e orientadas para resultados em benefício do cidadão”, declarou Maria Benvinda Levi, acrescentando que a nomeação dos novos quadros representa “o reconhecimento das vossas competências técnicas e percurso profissional”.

Foram empossados Jorge Vidigal Fole para o cargo de Director-Geral do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Armindo Tomás Mutimba como Director-Geral do Instituto Nacional de Exames, Certificação e Equivalências (INECE), Ângela Anifa Aly para Directora-Geral Adjunta do INECE, Telma Odete Comé para Directora-Geral Adjunta da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX) e Maria Teresa Martins para Directora-Geral Adjunta do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ).

Durante o discurso, a chefe do Governo destacou o papel estratégico do recém-criado Instituto de Amêndoas de Moçambique, apontando o sector do caju e de outras amêndoas como áreas prioritárias para a diversificação da economia nacional.

Segundo a Primeira-Ministra, o Executivo pretende revitalizar a indústria nacional de processamento do caju, expandir a investigação agrícola e melhorar os mecanismos de recolha de dados através da Plataforma Connect Caju.

“A implementação destas acções permitirá resgatar a posição que já foi ocupada pelo nosso país”, afirmou.

Moçambique figura entre os produtores africanos de castanha de caju, cultura que emprega milhares de famílias nas zonas rurais e constitui uma importante fonte de rendimento e exportação. Nos últimos anos, o Governo tem vindo a defender a industrialização local como forma de aumentar o valor acrescentado do produto.

No sector da educação, Maria Benvinda Levi sublinhou a necessidade de reforçar a credibilidade dos exames nacionais e dos processos de certificação académica, defendendo maior transparência e redução da burocracia no funcionamento do INECE.

“Quando um certificado é emitido com transparência, um exame é organizado com confiabilidade e uma equivalência é decidida com clareza, fortalece-se a justiça social”, frisou.

Relativamente à APIEX, a governante reiterou que a instituição deve assumir-se como facilitadora do investimento privado, defendendo maior celeridade administrativa e acompanhamento efectivo dos projectos aprovados.

“O investidor deve encontrar na APIEX uma instituição que acolhe, orienta, facilita e acompanha, e não uma entidade que complica ou retarda os processos”, advertiu.

Dados do Banco de Moçambique indicam que o país continua a apostar na captação de investimento estrangeiro nos sectores da agro-indústria, energia, infra-estruturas e recursos minerais, considerados estratégicos para o crescimento económico.

Já no domínio da normalização e qualidade, a Primeira-Ministra defendeu o reforço dos mecanismos de certificação e fiscalização, numa altura em que o acesso aos mercados internacionais exige maior observância de padrões de qualidade.

“Sem qualidade, não há competitividade; sem competitividade, não há acesso a mercados”, afirmou.

Na ocasião, Maria Benvinda Levi apelou ainda à coordenação entre os dirigentes empossados, defendendo uma cultura institucional baseada na ética, inovação, responsabilização e prestação de contas.

A governante aproveitou igualmente a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos quadros cessantes nas instituições abrangidas pelas nomeações.

O Presidente da República nomeou Mukhtar Mamade Abdulcarimo para o cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita, através de Despacho Presidencial.

A nomeação foi anunciada esta quinta-feira e, segundo a Presidência da República, enquadra-se na dinâmica de gestão e renovação da representação diplomática moçambicana no exterior, com vista ao reforço da cooperação bilateral e da acção diplomática do país.

No mesmo Despacho Presidencial, o Chefe do Estado exonerou Faizal Faquir Cassam do cargo de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República de Moçambique junto do Reino da Arábia Saudita.

Novo trabalho de Juliana de Sousa transforma Jangamo num palco de celebração cultural e resgata um dos cantos populares mais simbólicos da tradição Bitonga

Há músicas que se escutam. E há músicas que se sentem. “Gigadagada” pertence à segunda categoria.

O novo videoclipe da cantora moçambicana Juliana de Sousa, com estreia marcada para o dia 29 de Maio, transforma o distrito de Jangamo num território de encontro entre culturas, memórias e identidades, numa produção profundamente ligada às raízes da cultura Bitonga.

Mas “Gigadagada” não é apenas música. É um manifesto artístico sobre pertença, ancestralidade e liberdade. É uma obra que mistura poesia, tradição oral, dança e emoção para contar uma história construída entre duas mulheres, dois continentes e duas formas de olhar o mundo.

De um lado está a alma Bitonga de Moçambique. Do outro, a sensibilidade italiana de Anna Di Lorenzo, voluntária europeia que mergulha numa experiência marcada pelo contacto íntimo com os costumes, os ritmos e os símbolos culturais do sul de Moçambique.

O resultado é um videoclipe que vai muito além da estética visual. “Gigadagada” procura transformar um canto popular tradicional num património emocional contemporâneo, recriando memórias colectivas através da linguagem artística da música.

O título da obra, entretanto, carrega um simbolismo tão profundo quanto provocador.

Segundo Juliana de Sousa, “Gigadagada” possui um duplo sentido dentro da tradição oral dos Bitongas. Literalmente, refere-se à chapa onde se torra farinha. Mas o significado metafórico varia de região para região dentro da cultura Bitonga.

Em alguns contextos, explica a artista, “Gigadagada” representa o corpo feminino, particularmente associado à sexualidade da mulher. Noutras interpretações, o termo remete à figura de uma mulher que já não consegue regressar ao lar depois de determinadas experiências da vida.

A cantora sublinha que os cantos tradicionais dos Bitongas possuem forte carga erótica, simbólica e metafórica, sendo frequentemente interpretados de formas diferentes dependendo do contexto social e cerimonial em que são cantados.

“É um canto popular dos Bitongas. Cada contexto tem uma interpretação própria”, explica Juliana.

Longe de reduzir o tema à provocação, a artista usa exactamente essa riqueza interpretativa como matéria-prima criativa para construir uma obra que dialoga com identidade, feminilidade, memória e tradição.

A origem do projecto nasce também de um encontro improvável.

Segundo Juliana de Sousa, Anna Di Lorenzo aproximou-se inicialmente com o desejo de aprender a cantar “como africana” e ter aulas de música. A cantora admite que nunca se considerou professora musical, mas diz que entre as duas surgiu uma ligação imediata, quase como se já se conhecessem há muito tempo.

Foi a partir dessa conexão que nasceu a construção artística de “Gigadagada”.

Juliana conta que já trabalhava num poema dedicado à mãe quando decidiu incorporar o canto popular Bitonga e recriá-lo dentro da composição musical. Anna Di Lorenzo, por sua vez, também acabou por inserir na música uma dimensão pessoal e íntima.

Na sua estrofe, a italiana fala da relação com a própria mãe e do conflito emocional provocado pela sua paixão por viajar pelo mundo, conhecer culturas e explorar novos lugares, mesmo sabendo que isso frequentemente significa distância e saudade.

A música transforma-se assim numa ponte emocional entre duas mulheres de universos diferentes, mas ligadas por sentimentos universais como pertença, liberdade, memória e afecto materno.

Mais do que um simples exercício artístico, “Gigadagada” apresenta-se como um esforço consciente de preservação cultural.

Juliana de Sousa explica que decidiu recriar este canto popular como forma de “imortalizar traços identitários” da cultura Bitonga através da música. O objectivo, segundo a artista, é garantir que elementos culturais profundamente presentes no quotidiano das comunidades não desapareçam com o tempo.

O coro usado na música faz parte dos cantos tradicionais entoados em contextos de celebração, festas comunitárias, cerimónias e momentos pós-colheita, ambientes onde música, dança e oralidade sempre desempenharam papel central na preservação da memória colectiva.

É precisamente essa dimensão ancestral que o videoclipe tenta capturar.

Gravado em Jangamo, o trabalho mergulha em cenários naturais, expressões culturais e práticas tradicionais da região, transformando o território num personagem silencioso da narrativa visual.

A produção aposta numa estética emocional, intimista e identitária, onde cada imagem procura dialogar com os elementos centrais da cultura Bitonga. O mar, a dança, os tecidos, os gestos, os cânticos e os olhares não aparecem apenas como decoração visual, mas como fragmentos vivos de uma herança cultural que continua presente no quotidiano das comunidades.

Ao juntar uma artista moçambicana e uma voluntária italiana num mesmo universo simbólico, “Gigadagada” também desafia fronteiras culturais e propõe uma reflexão sobre a forma como povos diferentes podem encontrar-se através da arte sem apagar as respectivas identidades.

Num tempo em que grande parte da produção musical global tende à homogeneização cultural, Juliana de Sousa escolhe o caminho contrário: aprofundar as raízes locais para dialogar com o mundo.

E talvez seja exactamente aí que reside a força de “Gigadagada”.

O videoclip não tenta internacionalizar a cultura Bitonga tornando-a menos Bitonga. Pelo contrário. Assume os seus códigos culturais, os seus símbolos, os seus silêncios e as suas ambiguidades como parte da sua autenticidade artística.

Ao fazê-lo, transforma um canto tradicional numa experiência contemporânea capaz de atravessar geografias e tocar públicos muito diferentes.

A estreia oficial acontece no dia 29 de Maio em todas as plataformas digitais. Mas antes mesmo do lançamento, “Gigadagada” já começa a afirmar-se como muito mais do que um videoclip musical.

É um encontro entre passado e presente. Entre tradição e reinvenção. Entre Moçambique e Itália. Entre mães e filhas. Entre memória e liberdade.

E talvez seja precisamente por isso que “Gigadagada” não se limita a ser ouvido.

“Gigadagada” sente-se.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou um aumento da cota anual de refugiados admitidos no país, elevando o limite de 7.500 para 17.500 vagas. A decisão inclui a reserva de até 10.000 vagas para africânderes da África do Sul.

A decisão surge num contexto de forte endurecimento da política migratória norte-americana e de crescente tensão diplomática entre Washington e Pretória.

Desde 2025, o governo norte-americano já havia reduzido significativamente o limite de admissão de refugiados para 7.500, em contraste com os 125.000 registados no ano anterior, passando a priorizar a entrada de candidatos brancos sul-africanos. 

A comunidade tem uma reserva de 10 mil vagas para entrar no território norte-americano, numa altura em que o país abre espaço para receber 17.500 refugiados. 

Segundo os Estados Unidos da América, trata-se de uma “situação de emergência”, alimentada por uma suposta “incitação à violência com motivação racial” por parte de políticos sul-africanos.

A situação agrava as tensões entre os Estados Unidos e a África do Sul que se estendem ao plano económico e diplomático, com a imposição de tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos e o boicote da administração norte-americana à cúpula do G20 realizada em Joanesburgo. 

O Uganda fechou a sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), na quarta-feira, numa tentativa de conter o surto de Ébola, que atingiu o país vizinho. 

O país da África Oriental registou sete casos da cepa Bundibugyo do vírus Ébola desde que o surto foi identificado na República Democrática do Congo em 15 de Maio.

“Uganda está a fechar temporariamente a fronteira com a República Democrática do Congo com efeito imediato”, disse a secretária permanente do Ministério da Saúde, Diana Atwine, a repórteres.

“As únicas excepções são para equipas autorizadas de resposta ao Ébola, operações humanitárias, transporte de alimentos e cargas e segurança, sob rigorosos protocolos de triagem e monitoramento de saúde”, disse ela.

O Ministério da Saúde do Uganda também anunciou uma quarentena de 21 dias para qualquer pessoa que chegue da República Democrática do Congo, sob a supervisão do Ministério da Saúde e das equipas de vigilância distrital, além de verificações regulares para alunos em escolas próximas à fronteira.

Na República Democrática do Congo, foram registradas mais de 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados oficiais, situação que a Organização Mundial da Saúde declarou como emergência internacional.

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