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Um funcionário do Conselho Municipal de Xai-Xai é acusado de liderar um esquema de burlas que terá lesado vários munícipes, envolvendo a venda de terrenos e licenças de actividades económicas, mediante cobranças de 20 a 25 mil meticais por processo. Após os pagamentos, as vítimas dizem ter recebido documentos alegadamente falsos e que o funcionário se colocou em fuga. O município confirma e anuncia medidas no caso.

Dezenas de munícipes denunciaram ao Município de Xai-Xai terem sido alvo de um esquema de burla de terrenos e licenças de actividades económicas, alegadamente liderado por um funcionário afecto à Vereação de Actividades Económicas.

Entre as vítimas está uma jovem de 30 anos de idade e as suas quatro irmãs, que dizem ter perdido mais de 60 mil meticais num esquema de aquisição de terrenos nas zonas da Praia e de Inhamissa, em Xai-Xai. Segundo as vítimas, o dinheiro foi entregue ao referido funcionário na expectativa de obter os respectivos terrenos. De acordo com a vítima, depois de receber o dinheiro, o funcionário deixou de aparecer, tendo-se colocado em fuga para parte incerta. As irmãs ficaram sem os terrenos e sem o valor entregue.

“Gastámos mais de 65 mil meticais para adquirir terrenos para cada uma de nós, mas, quando chegou a vez de nos apresentar os terrenos e a documentação, começou a dar voltas e nunca mais conseguimos recuperar o dinheiro”, denuncia.

O caso não será isolado. No Posto Administrativo da Praia, pelo menos oito pessoas terão apresentado queixas contra o mesmo funcionário, segundo o chefe daquela unidade administrativa.

“Confirmamos os casos. São, até aqui, oito casos, e estamos preocupados em saber como isto aconteceu”, avançou Jamaldine Matsinhe.

O Gabinete Jurídico do Município de Xai-Xai confirma a existência das denúncias e diz que já recebeu pelo menos oito casos, mas admite que o número de vítimas pode aumentar.

“Neste momento, temos cerca de oito casos que já recebemos no município, mas não descartamos também a possibilidade de existirem outros.”

Uma outra jovem afirma ter pagado 25 mil meticais pela aquisição de um terreno no Posto Administrativo de Inhamissa. Na sequência do pagamento, recebeu um Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, DUAT, que posteriormente descobriu ser falso.

As denúncias abrangem também a emissão de falsas licenças para o exercício de actividades económicas, aumentando a dimensão do caso, avançou o chefe do Gabinete Jurídico, Simão Simbine.

“Por enquanto, temos dois tipos, temos em maior número a falsificação de licenças ou títulos de uso e aproveitamento do solo ou da terra. Temos também o caso de falsificação de licença para o exercício de actividade económica.”

O responsável revela ainda que os documentos apresentados pelas vítimas ostentam assinaturas falsificadas.

“Os munícipes têm apresentado aqui um DUAT com uma assinatura falsificada, que não confere com a assinatura do presidente do Município de Xai-Xai. Tanto os DUAT, como também as próprias licenças que apresentaram os munícipes estão na mesma situação.”

Perante as acusações, o Município de Xai-Xai diz ter tomado medidas administrativas contra o funcionário e aberto uma investigação para apurar o eventual envolvimento de outros funcionários dos sectores de terra e actividades, incluindo líderes locais.

“Nós, como município, desencadeamos alguns procedimentos administrativos internamente, para apurar-se a responsabilidade deste nosso funcionário, e também participámos junto das autoridades para a investigação.”

O município admite ainda a possibilidade de envolvimento de outros funcionários no esquema.

“O processo está em instrução, que é para apurar quem está envolvido, quais são os mecanismos que usavam para poder chegar a estes intentos.”

Enquanto aguardam esclarecimento do caso, as vítimas pedem justiça e intervenção da polícia.

O caso surge num contexto de crescentes problemas na gestão de terras no município. Só nos últimos dois meses, a edilidade diz ter detectado 100 casos de DUAT duplicados, na sequência da introdução do sistema electrónico de actualização de dados.

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Centenas de burundeses residentes no Quénia compareceram à embaixada do país em Nairóbi na segunda-feira em busca de documentos de viagem para deixar o país, dias depois de o presidente William Ruto ter ordenado o fechamento de pequenas empresas administradas por estrangeiros.

O Quénia há muito tempo atrai migrantes de toda a Comunidade da África Oriental (EAC), cujos membros desfrutam de liberdade de movimento dentro do bloco regional.

Na semana passada, Ruto deu início aos pequenos negócios de propriedade estrangeira até segunda-feira para encerrarem suas actividades, afirmando que o país “não conquistou a confiança dos investidores nos vendedores ambulantes”.

A medida gerou medo entre muitos estrangeiros, particularmente burundeses que ganham a vida vendendo produtos nas ruas de Nairóbi, provocando uma corrida para obter documentos para retornar ao país.

Com grandes envelopes pardos nas mãos, multidões formaram filas durante horas em frente à embaixada do Burundi, enquanto malas e sacolas plásticas se acumulavam no complexo, com muitos se preparando para partir.

“Eles nos expulsaram como animais”, disse o pastor Jean-Baptiste Ndayizeye à AFP.

Ndayizeye afirmou que dois de seus vizinhos foram atacados e roubados, comparando a situação à violência xenófoba na África do Sul. A AFP não conseguiu verificar as alegações de forma independente.

“O que os sul-africanos fizeram aos estrangeiros e o que os quenianos estão fazendo é a mesma coisa”, disse ele, acrescentando que era injusto que eles não tivessem recebido nenhum aviso.

Outro burundês, Eric Bizimana, que veio para o Quénia em 2022 após anos de desemprego em seu país, disse que nunca solicitou uma autorização de trabalho devido ao alto custo.

“Eles estão muito tristes” por terem que deixar o Quénia, disse Philemon Jaika Adamba, um mototaxista queniano que levou dois burundianos até a embaixada. “Não é justo.”

‘MAL COMPREENDIDO’

O Burundi, um país com cerca de 15 milhões de habitantes e um dos mais pobres do mundo, faz parte da Comunidade da África Oriental (EAC), juntamente com o Quénia, a potência econômica da região.

O ministro das Relações Exteriores do Burundi, Edouard Bizimana, condenou a “violência contra estrangeiros, particularmente burundianos”.

“O governo do Quénia é responsável pelas vidas dos burundeses que vivem no Quênia”, ele publicou no X.

“Permitir que civis quenianos façam o trabalho da polícia dá a impressão de um Estado falido, porque abre rédea solta à violência, aos saques e à xenofobia”, acrescentou.

O secretário de Estado adjunto das Relações Exteriores do Quénia, Korir Sing’Oei, visitou a embaixada na segunda-feira, pediu desculpas aos burundianos e garantiu-lhes que a polícia protegeria as áreas onde foram relatados casos de violência.

Sing’Oei afirmou que as declarações do presidente foram “mal interpretadas”.

“Devido a essa falta de compreensão, muitos foram atacados por seus vizinhos e amigos”, disse ele.

“Nosso principal objectivo é saber como você está vivendo, onde você está, se você possui identificação e se seus empregos estão registados”, disse ele.

O porta-voz do governo, Charles Owino, disse que as autoridades abriram um “período formal para documentação e registo” e pediu aos cidadãos burundeses que apresentassem seus documentos na embaixada.

“O governo reconhece que, devido a circunstâncias históricas e dinâmicas regionais, vários cidadãos da África Oriental, incluindo diversos burundianos, residem e atuam no Quénia sem a documentação completa”, disse Owino.

A nova plataforma online da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP+TL representa “um marco” para Moçambique e para os países que integram a Rede, podendo contribuir para a afirmação do sector cinematográfico e para a definição de políticas públicas baseadas em dados, afirmou a Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha.

Para a governante, a plataforma é “mais um passo na afirmação do sector audiovisual e cinematográfico nacional”, disse Matilde Muocha, no último sábado, durante a apresentação da ferramenta, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), em Maputo.

A governante, que falou em representação do Ministério da Educação e Cultura, destacou a importância do mapeamento de profissionais e empresas do audiovisual, defendendo que a recolha de informação permitirá ao Governo conhecer melhor a realidade do sector e definir políticas ajustadas às suas necessidades.

“Vamos poder desenhar políticas que estão baseadas na realidade”, afirmou, acrescentando que os dados recolhidos deverão fornecer “pistas e directrizes” para o desenvolvimento do cinema moçambicano.

Matilde Muocha disse ainda que o Governo está empenhado na dinamização das indústrias culturais e criativas, com especial atenção para o cinema, e anunciou a reestruturação do Fundo de Apoio à Actividade Cultural (FUNDAC), bem como a revisão do código do imposto de consumo específico sobre bebidas alcoólicas e tabaco, com vista à canalização de receitas para o sector cultural.

“A cultura não é um sector de acção fraca. É um sector de investimento”, afirmou, defendendo a necessidade de reforçar o investimento público.

A plataforma prevê igualmente a criação de uma Agência de Curtas-Metragens e o desenvolvimento de um estudo sobre a implementação de Film Commissions nos países abrangidos pela Rede, explicou a coordenadora do projecto, Diana Manhiça. A agência deverá promover a distribuição internacional de curtas-metragens através da criação de pacotes de curadoria destinados a festivais, televisões e centros culturais, universidades e escolas, procurando também gerar receitas através dos direitos de exibição.

O estudo sobre Film Commissions vai analisar modelos internacionais e avaliar quais poderão ser adaptados aos países da Rede. Em Moçambique, será preparada uma proposta de estudo de caso para Inhambane.

A Secretária de Estado defendeu que estas estruturas podem contribuir para atrair investimento, fomentar o turismo e transformar o audiovisual num sector relevante para o desenvolvimento económico, revelando que o Governo trabalha com o Ministério da Economia e Turismo na definição de zonas francas de produção cinematográfica, com incentivos e menor burocracia.

A realizadora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz, membro fundadora da Rede de Cinema e Audiovisual PALOP-TL, sublinhou o impacto da plataforma para a circulação de obras na região. “Uma das coisas que constatámos foi que há muitos filmes feitos nos nossos países que acabam por não circular. Ficam na gaveta. Esta plataforma vai servir precisamente para difundir o que é feito na nossa região”, afirmou. “O futuro é cada vez mais coletivo, tanto em termos de financiamentos como de projetos”.

José Manuel Amaral Lopes, director do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, classificou a ferramenta como um “instrumento essencial” para facilitar as coproduções e a circulação internacional de obras. “Esta plataforma, ao coligir toda essa informação, vai ajudar os interessados a ter informação rápida e precisa”, afirmou, sublinhando que a iniciativa alinha-se com os objectivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da cooperação portuguesa, para quem “a cultura é o sector mais duradouro e mais sólido”.

Matthieu Gardon-Mollard, coordenador do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia, afirmou que o projecto acompanha “um movimento de profissionalização, regionalização e de abertura para novos mercados”. “Sabemos que é estruturando este sistema que haverá melhores parcerias e mais dinâmica para promover o cinema dos países PALOP”.

José-Maria Queirós, director do Centro Cultural Franco-Moçambicano, destacou a importância de o CCFM acolher o lançamento da plataforma, sublinhando o papel da instituição como espaço de encontro e promoção das artes e da cultura em Moçambique.

A plataforma resulta do mapeamento do sector audiovisual nos PALOP e Timor-Leste e, em Moçambique, já reúne mais de 400 profissionais e empresas registados, número que poderá aproximar-se dos 700 registos nos próximos meses.

O projecto conta com financiamento do Camões, I.P., através do PROCERIS, e apoio adicional do Cultiv’Arte, financiado pela União Europeia e implementado pela Expertise France, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC). 

O Governo moçambicano prestou assistência humanitária a mais de 810 mil pessoas afectadas por secas, ciclones e inundações no primeiro semestre, incluindo apoio alimentar a 20 664 famílias através de um seguro soberano contra a seca.

De acordo com dados do Governo citados pela Lusa, foram assistidas, no primeiro semestre deste ano, 810 026 pessoas afectadas por eventos climáticos extremos, das quais 780 319 por inundações, 20 667 pela seca e 9040 pela passagem de ciclones.

Segundo o documento, as intervenções incluíram distribuição de alimentos, provisão de abrigo temporário, acesso à água potável, cuidados de saúde e apoio à recuperação dos meios de subsistência das populações afectadas.

Ainda de acordo com a Lusa, no relatório, refere-se ainda que o seguro soberano contra a seca disponibilizou, neste período, 1,8 milhões de dólares, permitindo prestar assistência alimentar a 20 664 famílias em 19 distritos das províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Sofala e Zambézia.

Essa cobertura correspondeu a uma média de cerca de 1088 famílias por distrito, acrescenta-se no documento.

Paralelamente à resposta aos desastres naturais, o Governo, em coordenação com parceiros de cooperação, continuou a assegurar assistência humanitária a 762 510 deslocados internos, maioritariamente afectados pelos ataques de grupos insurgentes no Norte do País.

Deste universo, aproximadamente 720 160 deslocados encontravam-se em Cabo Delgado e 42 350 na província de Nampula. Segundo os mesmos dados, foram reforçadas acções de apoio que incluíram assistência alimentar, abrigo, acesso a serviços sociais básicos e iniciativas de reintegração socioeconómica.

Os dados surgem pouco mais de um mês depois de o Governo ter revisto em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 2,8% para 0,59%, atribuindo a decisão aos impactos das cheias registadas no início do ano.

Na altura, o Executivo aprovou um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais, destinado a promover uma recuperação “resiliente, inclusiva e sustentável” das áreas afectadas.

Segundo dados apresentados pelo Governo, as cheias de Janeiro afectaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, provocando impactos significativos sobre a pobreza, a segurança alimentar e os meios de subsistência.

As estimativas oficiais apontaram para danos físicos de cerca de 69,5 mil milhões de meticais e perdas económicas avaliadas em aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais, concentrando-se os danos no sector social, sobretudo na habitação, e as perdas no sector produtivo, com destaque para a agricultura.

O plano governamental assenta em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infra-estruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.

Dados anteriormente divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que a última época chuvosa (Outubro a Abril) matou 314 pessoas, afectou mais de um milhão de habitantes e atingiu quase 260 mil habitações em todo o País.

Nesse período, registaram-se ainda 19 desaparecidos e 361 feridos, tendo sido inundadas 211 655 casas, destruídas totalmente 15 616 e parcialmente outras 31 081.

Só as cheias de Janeiro provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando 715 716 pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani, na província de Inhambane, em Fevereiro, causou quatro mortos e afectou 9040 pessoas. A época chuvosa provocou igualmente danos em 9735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.

A XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares terminou, este domingo, em Inhambane, deixando uma responsabilidade que ultrapassa as medalhas conquistadas durante seis dias de competição: garantir que os talentos descobertos não desapareçam quando os estudantes regressarem às suas províncias. O Governo quer criar uma ligação mais efectiva entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais, melhorar infra-estruturas e formar treinadores. No encerramento, foi igualmente anunciado que a caravana dos Jogos Escolares seguirá para a Zambézia, que acolherá a próxima edição, em 2028.

Durante seis dias, Inhambane deixou de ser apenas uma das principais referências turísticas de Moçambique para se transformar num enorme palco do desporto escolar. Jovens provenientes de diferentes pontos do país entraram nos campos, pistas e outros espaços de competição carregando as cores das suas províncias, procurando medalhas, afirmação e, em muitos casos, uma oportunidade para mostrar um talento que até aqui era conhecido apenas na escola, no distrito ou na comunidade onde vivem.

Houve vencedores, derrotados, lágrimas, celebrações e novos campeões. Houve também jovens que não chegaram ao pódio, mas que podem ter feito, em Inhambane, a competição capaz de mudar o rumo das suas carreiras. É precisamente por isso que o encerramento da XVI edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares colocou uma questão que vai muito além da classificação final: o que acontecerá, a partir de agora, aos talentos descobertos durante a competição?

Para o Governo, o fim dos Jogos não pode significar o fim do acompanhamento dos atletas. A orientação deixada no encerramento é para que os estudantes que demonstraram talento ou capacidades excepcionais continuem a ser observados quando regressarem às respectivas províncias e encontrem mecanismos que lhes permitam desenvolver aquilo que revelaram em Inhambane.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, defendeu que o potencial identificado durante a competição deve ser acompanhado através de uma ligação mais forte entre escolas, clubes, federações e selecções nacionais. A intenção é construir um sistema capaz de identificar os talentos ainda na base e conduzi-los progressivamente para outros níveis da prática desportiva.

O desafio recupera uma das principais mensagens deixadas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, quando abriu a competição. Na altura, o Chefe do Estado defendeu que as escolas devem funcionar como um verdadeiro viveiro de talentos e como uma ponte para que clubes e federações consigam encontrar jovens com potencial nas diferentes modalidades.

Se na abertura a prioridade foi descobrir, no encerramento o discurso mudou para aquilo que talvez seja mais difícil: não perder aquilo que foi descoberto.

Caifadine Manasse, Ministro da Juventude e Desporto, considera que é precisamente nas escolas, comunidades e outros espaços onde crianças e jovens começam a praticar desporto que deve nascer o futuro da alta competição em Moçambique. É aí que, segundo o governante, podem ser identificadas vocações e criadas as primeiras condições para que aqueles que demonstram maior capacidade prossigam o percurso.

“Não devemos olhar para estes Jogos apenas como uma competição que termina hoje. Devemos encará-los como uma etapa de um processo mais amplo de desenvolvimento do desporto escolar e de construção do futuro do desporto moçambicano”, defendeu Caifadine Manasse.

A dimensão desta responsabilidade torna-se maior quando o próprio Governo admite que entre os estudantes que competiram em Inhambane podem estar futuros representantes de Moçambique nas grandes competições nacionais, regionais, continentais e internacionais. Mas chegar a esses palcos dependerá de muito mais do que o talento revelado durante os Jogos.

Caifadine Manasse defende que esse potencial terá de ser acompanhado por trabalho, disciplina, formação académica e apoio institucional. Para o ministro, uma medalha conquistada enquanto estudante não deve ser vista como ponto de chegada, mas como uma indicação de capacidades que precisam de continuar a ser trabalhadas.

É justamente neste ponto que o Festival deixa de ser apenas uma competição e coloca à prova o próprio sistema de desenvolvimento do desporto nacional.

Um estudante pode destacar-se numa pista em Inhambane e, poucos dias depois, regressar a uma escola onde não dispõe das mesmas condições de treino. Pode revelar enorme capacidade no futebol e voltar para um distrito onde não existe um clube capaz de o acompanhar. Pode conquistar uma medalha e, terminado o festival, deixar de ter acesso regular a um treinador. É para evitar que situações desta natureza interrompam a evolução dos jovens que o Governo coloca agora responsabilidade também sobre as estruturas locais.

Benvinda Levi chamou municípios e distritos a preservarem espaços destinados à prática desportiva nas comunidades. Defendeu igualmente que sejam planificados recursos para a reabilitação e manutenção das infra-estruturas e que se aposte na formação de treinadores e agentes desportivos em todo o território nacional.

A mensagem significa que o legado de Inhambane 2026 não será medido apenas pelo número de medalhas distribuídas ou pela capacidade demonstrada durante a organização. Uma das avaliações mais importantes deverá ser feita mais tarde, quando for possível perceber quantos dos estudantes identificados conseguiram continuar a treinar e quantos encontraram uma estrutura que os conduzisse para clubes, federações e eventualmente selecções nacionais.

Mas o Governo deixou também uma condição aos jovens que começam a olhar para o desporto como possível profissão: nenhuma carreira deve ser construída à custa do abandono da escola.

Caifadine Manasse advertiu que educação e desporto devem caminhar juntos. Mesmo os jovens que demonstrarem capacidade excepcional e perspectivas de chegar à alta competição devem manter a formação académica. Na visão apresentada pelo ministro, o país precisa de atletas que consigam transformar talento em competência, mas também de cidadãos preparados para servir a sociedade.

Benvinda Levi reforçou a mesma orientação. A Primeira-Ministra defendeu que Moçambique deve procurar campeões nas pistas e nos campos, mas também jovens capazes de pensar, inovar e participar no desenvolvimento do país. Para o Governo, a verdadeira excelência deverá resultar da combinação entre competência desportiva, conhecimento, disciplina e carácter.

A inclusão foi outro dos legados que o Executivo procurou colocar em evidência no balanço dos seis dias de competição.

A participação de estudantes com deficiência foi apontada pela Primeira-Ministra como demonstração de que o princípio de inclusão, que integra o lema desta edição, deve ultrapassar o discurso e materializar-se no acesso efectivo à prática desportiva. O XVI Festival decorreu sob o lema “Desporto Escolar inclusivo, promovendo o patriotismo, o talento e a solidariedade”.

Para Benvinda Levi, uma escola verdadeiramente inclusiva deve reconhecer o potencial dos estudantes independentemente do género, condição social, origem geográfica ou deficiência. Rapazes e raparigas devem igualmente encontrar oportunidades para competir e desenvolver as suas capacidades.

A concretização desta visão volta, porém, à mesma questão estrutural que atravessou parte importante do discurso de encerramento: condições.

Não basta identificar um jovem com talento se não existir onde treinar. Não basta abrir uma competição a estudantes com deficiência se, depois do festival, as condições para a prática desportiva desaparecerem. Não basta descobrir capacidades excepcionais se treinadores, escolas, clubes e federações não tiverem mecanismos para continuar a desenvolvê-las.

É por isso que o Governo reiterou o compromisso de melhorar infra-estruturas, valorizar professores de Educação Física, aperfeiçoar treinadores e desenvolver mecanismos mais eficazes de acompanhamento dos talentos. Benvinda Levi reconheceu, contudo, que essa responsabilidade não pertence exclusivamente ao Executivo e chamou escolas, famílias, clubes, federações, sector privado, parceiros e os próprios jovens a participarem no processo.

O encerramento dos Jogos serviu também para colocar sobre a mesa problemas que aparentemente estão distantes dos resultados desportivos, mas que afectam directamente a vida e o futuro dos estudantes.

A Primeira-Ministra defendeu que a escola deve ser um lugar seguro e de realização dos sonhos das crianças e jovens e chamou os diferentes intervenientes do sistema educativo a prevenir e combater formas de violência que atingem os alunos.

Benvinda Levi apontou especificamente o assédio e abuso sexual no meio escolar e familiar, os casamentos prematuros e o consumo de álcool e drogas como problemas que devem merecer atenção. Alertou igualmente para a necessidade de prevenir o vandalismo e a destruição das infra-estruturas.

Ao dirigir-se directamente aos estudantes, a governante deixou uma das mensagens mais incisivas da cerimónia.

“O talento é um bem precioso. Protejam-no com estudo, carácter e valores. Não troquem a vossa dignidade por promessas fáceis. O sucesso verdadeiro constrói-se com trabalho, nunca com atalhos”, afirmou Benvinda Levi, desafiando os jovens a continuarem a estudar e treinar.

A mensagem acrescenta outra dimensão ao conceito de campeão que o Governo procurou defender ao longo do festival. Ganhar continua importante, mas a formação do jovem não pode terminar na capacidade de superar adversários dentro do campo.

Caifadine Manasse lembrou aos medalhados que a vitória deve ser recebida com orgulho, mas também com humildade e responsabilidade. Aos estudantes que não conseguiram alcançar os resultados pretendidos, deixou a indicação de que uma derrota não define o seu valor nem determina o seu futuro.

É uma leitura que ajuda a compreender outro resultado dos Jogos que não aparece no quadro de medalhas.

Durante seis dias, jovens de diferentes províncias partilharam espaços, competiram, conviveram e conheceram realidades diferentes das suas. Para Benvinda Levi, esta aproximação constituiu uma das principais conquistas do Festival porque contribuiu para consolidar a unidade nacional.

Os estudantes entraram nos campos representando as respectivas províncias, mas, fora da competição, conviveram como integrantes da mesma nação. Professores e treinadores tiveram também a oportunidade de transmitir princípios de ética, moral e fair play, enquanto os jovens reforçaram o sentimento de pertença ao país.

Caifadine Manasse considera que essa capacidade de aproximar jovens separados pela distância geográfica é uma das grandes forças do desporto. Em Inhambane, estudantes de diferentes pontos do país competiram uns contra os outros e, simultaneamente, construíram amizades e partilharam experiências.

Para uma província que teve de receber milhares de participantes, o desafio foi igualmente logístico e organizacional. No balanço do evento, o Governo considerou que Inhambane demonstrou capacidade para acolher uma competição de dimensão nacional.

A Primeira-Ministra destacou a hospitalidade das autoridades, comunidades e população e considerou que o legado da competição não se resume aos vencedores e às medalhas. Inclui estudantes que descobriram novas capacidades, professores que encontraram outras formas de motivar os jovens, treinadores que identificaram talentos e comunidades que viveram o desporto como espaço de união.

A organização em Inhambane chega ao fim, mas a história dos Jogos Escolares não termina aqui.

No encerramento, Benvinda Levi anunciou oficialmente que a província da Zambézia vai acolher a próxima edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, em 2028. A província recebe, assim, o testemunho de Inhambane e o desafio de elevar os níveis de organização, participação, inclusão e valorização dos talentos da juventude.

Até lá, o maior desafio não estará na preparação da próxima cerimónia de abertura.

Estará nas escolas e comunidades para onde regressam os jovens que passaram por Inhambane. Estará na capacidade dos distritos e municípios de preservar espaços desportivos. Estará nos professores que terão de continuar a identificar capacidades, nos treinadores que precisarão de desenvolver os atletas, nos clubes e federações que deverão abrir portas e nas instituições que terão de garantir que um jovem não deixe de evoluir simplesmente porque nasceu longe dos grandes centros.

Os vencedores regressam com medalhas. Outros levam a experiência da derrota. Muitos carregam novas amizades e todos voltam às províncias depois de uma competição que lhes permitiu medir capacidades diante de estudantes de todo o país.

Alguns podem nunca voltar a disputar uma competição desta dimensão. Outros poderão estar apenas no início de um percurso que os levará aos principais palcos do desporto nacional e internacional.

É essa possibilidade que transforma o encerramento dos Jogos numa espécie de ponto de partida.

Inhambane descobriu talentos. Zambézia prepara-se para receber os próximos Jogos. Entre uma edição e outra, caberá agora ao país provar que consegue fazer algo ainda mais difícil do que encontrar jovens promissores: impedir que eles se percam pelo caminho.

As autoridades indonésias suspenderam hoje a operação em seis aeroportos, incluindo o aeroporto internacional de Jacarta, na sequência da erupção do vulcão Anak Krakatoa, a mais de 150 quilómetros da capital, anunciou o ministro dos Transportes.

Para além do aeroporto Soekarno-Hatta, em Jacarta, e de outros três também situados na capital, os aeroportos internacionais de Bandung e de Radin, situado perto de Bandar Kampung, em Sumatra, foram encerrados, indicou Dudy Purwagandhi durante uma conferência de imprensa.

Entretanto, o aeroporto internacional de Jacarta anunciou que iria prolongar a suspensão dos voos até às 12:30 de Mocambique, numa altura em que mais de 200 voos e 20.000 passageiros já tinham sido afectados.

O vulcão Anak Krakatoa entrou em erupção no sábado, com um fluxo de lava e explosões audíveis até 700 quilómetros de distância, indicou a agência de vulcanologia indonésia em comunicado. Foram registadas duas novas erupções este domingo, precisou a agência.

As cinzas espalharam-se pelo espaço aéreo do aeroporto internacional Soekarno-Hatta, levando as autoridades a suspender as operações nesta infraestrutura. O vulcão Anak Krakatoa, situado no estreito que separa as ilhas de Java e Sumatra, tem registado atividade esporádica desde que surgiu, no início do século passado, no seio da caldeira formada na sequência da erupção do Krakatoa em 1883. Esta catástrofe foi uma das mais mortíferas da história, com um balanço estimado em 35 mil mortos.

A Indonésia, um vasto arquipélago do Sudeste Asiático, situa-se no chamado Anel de Fogo do Pacífico, onde o encontro das placas tectónicas gera uma intensa atividade vulcânica e sísmica.

O número de mortos no acidente de viação que envolveu, no sábado, um autocarro na ilha do Fogo, Cabo Verde, subiu para 25, havendo ainda 18 feridos, quatro dos quais em estado grave, indicou hoje à Lusa fonte oficial.

Estão internadas 18 pessoas, com idades entre seis e 11 anos, quatro das quais em estado grave”, afirmou. Um balanço anterior apontava para 18 vítimas mortais. Segundo a Câmara Municipal de São Filipe, o “autocarro transportava alunos num passeio” quando saiu da estrada e caiu de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.

A Câmara Municipal de São Filipe adiantou ainda que mantém uma equipa no local, em articulação com a Delegacia de Saúde, a Polícia Nacional, os Bombeiros Municipais Voluntários e outras autoridades, para prestar assistência às vítimas e aos familiares.

O município declarou dois dias de luto municipal e anunciou uma reunião extraordinária para hoje, para deliberar sobre os apoios aos familiares das vítimas.

Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o Presidente da República, José Maria Neves, apresentou as condolências às famílias das vítimas e desejou uma “rápida recuperação aos feridos”.

O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, manifestou nas redes sociais o pesar

do Governo pela perda de vidas no acidente e apresentou as condolências às famílias das vítimas, estendendo a solidariedade aos feridos e à população do Fogo.

O chefe do Governo desejou ainda uma pronta recuperação aos feridos e reconheceu o trabalho dos profissionais de saúde, das equipas de socorro e de todos os que estão a prestar auxílio às vítimas.

Forças norte-americanas terão atingido um petroleiro iraniano na manhã deste sábado, nas proximidades da ilha de Kharg, junto ao Estreito de Ormuz. A informação, avançada por meios de comunicação iranianos, descreve a ocorrência de várias explosões na embarcação, que se encontra presentemente em processo de evacuação. Até ao momento, não há registo de vítimas humanas, nem qualquer reacção oficial por parte das autoridades de Washington ou de Teerão sobre o incidente.

O acontecimento surge num clima de extrema tensão regional, apenas um dia depois de Teerão ter alegadamente lançado mísseis antinavio contra embarcações naquela que é uma das vias marítimas mais estratégicas do globo. Até à presente hora, os meios iranianos não forneceram detalhes adicionais sobre os alvos ou eventuais danos colaterais resultantes dessa manobra.

O conflito entre os dois países, que se reacendeu no passado domingo, tem vindo a intensificar-se desde que as forças norte-americanas desencadearam ataques contra lançadores de foguetes iranianos no Estreito de Ormuz um ponto nevrálgico do transporte de energia, que tem sido o objecto central de intensas negociações diplomáticas.

O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) justificou as suas operações como acções limitadas e precisas, destinadas a neutralizar o que classificou como uma “ameaça iminente” representada pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC). Em resposta, o IRGC confirmou que os ataques atingiram a ilha de Larak e prometeu retaliar, tendo levado a cabo ofensivas contra bases norte-americanas em todo o Médio Oriente.

Na passada terça-feira, as forças do CENTCOM efectuaram uma nova vaga de ataques, tendo como alvo instalações de defesa aérea, sistemas de radar e infraestruturas de colocação de minas do IRGC. O comando militar norte-americano afirmou que a operação foi uma resposta directa às recentes tentativas de ataque contra navios mercantes na região, num conflito que, desde o final de Fevereiro, continua a ameaçar a estabilidade do abastecimento energético global.

A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.

O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar. 

O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.

Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos. 

O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.

A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária. 

Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país. 

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou este sábado uma suspensão das hostilidades com a Ucrânia, com a duração de três dias. A cessação dos ataques, que entra em vigor à meia-noite deste sábado, foi justificada pela necessidade de garantir a segurança para a realização de reuniões com uma delegação norte-americana, actualmente em visita à região para negociar o fim do conflito.

De acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a ordem de suspensão dos ataques a Kiev foi dada directamente pelo líder russo. Esta interrupção das operações militares destina-se a facilitar a acção diplomática de uma delegação enviada pelos Estados Unidos, composta por Steve Witkoff e Jared Kushner, que se encontra em Moscovo.

O facto é que a viagem dos representantes americanos, longamente preparada, tem como objectivo estabelecer um contacto directo com ambas as partes. Após os encontros em Moscovo, onde foram recebidos pelo enviado presidencial Kirill Dmitriev, Witkoff e Kushner seguirão para Kiev, a fim de prosseguir as negociações com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. 

O próprio Zelensky já havia sinalizado que a Ucrânia não realizaria ataques durante a presença da delegação, tendo apelado a que a Rússia adoptasse uma postura recíproca.

Na passada sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os seus enviados levam uma proposta “para acabar com a guerra”. Contudo, o governante norte-americano reconheceu a complexidade do cenário, sublinhando que Putin e Zelensky “se odeiam profundamente”, o que torna as negociações de paz um processo difícil.

A missão diplomática é vista com expectativa, embora subsistam incertezas. Segundo fontes citadas pelo jornal The New York Times, não é claro se Witkoff e Kushner apresentarão um novo projecto de paz ou se a sua intervenção se centrará em solucionar questões pendentes de negociações anteriores, como o controlo do Donbass, território no leste ucraniano que continua a ser um dos principais pontos de fricção entre as duas nações. 

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