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O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realiza, nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, a Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, um encontro de alto nível destinado a promover o diálogo e a definição de prioridades para transformar a dinâmica demográfica do país numa oportunidade de crescimento económico, criação de emprego e melhoria do bem-estar da população.

Subordinada ao tema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, a conferência reunirá representantes do Governo, instituições públicas, parceiros de cooperação, academia, sociedade civil, sector privado e organizações juvenis e de mulheres, entre outros actores relevantes para o desenvolvimento nacional.

A iniciativa decorre num contexto em que Moçambique apresenta uma população predominantemente jovem, com cerca de 66% dos cidadãos com menos de 25 anos. Esta realidade representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do País, mas exige investimentos coordenados em educação, saúde, formação profissional, emprego produtivo, igualdade de género e protecção social.

A conferência pretende reforçar a articulação entre as políticas de população e as estratégias de desenvolvimento económico e social, promovendo decisões fundamentadas em evidências e compromissos concretos para responder aos desafios demográficos do País.

Um dos principais objectivos do encontro será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional de População, assegurando a sua articulação com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025–2044) e o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029).

Os participantes irão analisar as tendências demográficas do País e as suas implicações para o mercado de trabalho, os serviços públicos, as finanças públicas e o desenvolvimento territorial, identificando reformas e investimentos prioritários para acelerar a transição demográfica e aproveitar o potencial da população jovem.

A agenda inclui igualmente a apresentação da Análise da Situação da População de 2025 e do estudo sobre o Dividendo Demográfico, documentos que deverão contribuir para fundamentar as discussões e orientar a formulação de políticas públicas.

SAÚDE E DIREITOS

Entre as principais áreas de debate destacam-se a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos, a prevenção e resposta ao HIV/SIDA, a qualidade da educação, o desenvolvimento de competências, o emprego juvenil, a produtividade, o empoderamento económico das mulheres, a inclusão das pessoas com deficiência, a protecção social, a urbanização resiliente e as mudanças climáticas.

A conferência abordará também a necessidade de reforçar os sistemas de produção e utilização de dados demográficos, melhorar a integração das variáveis populacionais nos instrumentos de planificação e orçamentação e promover mecanismos sustentáveis de financiamento do desenvolvimento.

Além da reflexão técnica, a conferência pretende produzir resultados concretos que contribuam para a implementação de políticas públicas mais coerentes, inclusivas e orientadas para resultados. O encontro deverá culminar na validação da Declaração de Maputo sobre População e Desenvolvimento, que estabelecerá uma visão partilhada e compromissos políticos e sectoriais para responder aos desafios e aproveitar as oportunidades demográficas de Moçambique.

Está igualmente prevista a consolidação de uma matriz de acções e de um roteiro de seguimento, com prioridades, instituições responsáveis, prazos, indicadores e opções de financiamento, de modo a reforçar a responsabilização e o acompanhamento dos compromissos assumidos.

A participação de jovens, mulheres, pessoas com deficiência, representantes das províncias, organizações da sociedade civil, investigadores e sector privado será fundamental para assegurar que as recomendações reflectem diferentes realidades territoriais e necessidades da população.

Com esta iniciativa, o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e os seus parceiros pretendem fortalecer o diálogo entre os diferentes sectores e promover uma abordagem integrada da relação entre população, transformação económica e bem-estar.

Mais detalhes sobre a conferência, incluindo informações sobre o programa e a participação, serão divulgados oportunamente.

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Pessoas com deficiência na cidade de Chimoio, província de Manica, denunciam dificuldades de circulação nos passeios, devido à ocupação dos espaços por vendedores informais. A situação obriga cidadãos que utilizam cadeiras de rodas, muletas e bengalas brancas a circular pela faixa de rodagem, expondo-se ao risco de atropelamento.

A denúncia é apresentada por membros de associações de pessoas com deficiência, que apontam como zonas mais críticas as principais artérias do centro da cidade, sobretudo nas imediações do Mercado Central e na Avenida 25 de Setembro. Nestes locais, os passeios encontram-se ocupados por bancas, caixas de tomate, roupas e outros produtos comercializados informalmente.

Maria Campira, membro da Associação das Mulheres com Deficiência, e Manuel Machava, também ligado ao movimento associativo, apontam as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência visual, que encontram obstáculos para circular em segurança.

Por sua vez, o delegado do Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD), em Manica, Boaventura Gabriel, considera que o problema ultrapassa os limites de Chimoio, constituindo um desafio que afecta várias cidades do país.

A legislação moçambicana determina que as instituições públicas, incluindo os conselhos municipais, devem assegurar condições de acessibilidade nos espaços e serviços públicos, de modo a garantir a participação e a mobilidade das pessoas com deficiência. Entretanto, persistem barreiras que dificultam tanto a circulação nas vias públicas como o acesso a edifícios e outros serviços.

As associações defendem, por isso, a necessidade de medidas que garantam a desocupação dos passeios e a criação de condições para que todos os cidadãos possam circular com segurança e autonomia.

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram a exclusão da África do Sul e do Ruanda da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), um acordo que concede aos países elegíveis da África Subsaariana acesso preferencial ao mercado norte-americano, sem tarifas aduaneiras sobre determinados produtos.

Segundo o African News, a decisão foi comunicada na segunda-feira pelo Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que justificou a medida com a existência de práticas consideradas incompatíveis com os critérios de elegibilidade do programa. As exclusões deverão entrar em vigor a partir de 1 de Janeiro.

Em comunicado, Greer afirmou que as práticas identificadas incluem barreiras que prejudicam o comércio e o investimento norte-americanos, bem como medidas que, segundo Washington, representam ameaças à segurança nacional e aos interesses da política externa dos Estados Unidos na região.

A decisão representa um revés para as duas economias, particularmente para a África do Sul, considerada a maior beneficiária da AGOA. A elegibilidade de Pretória tem sido alvo de crescente contestação por parte da administração norte-americana, num contexto de tensões diplomáticas entre os dois países.

Apesar das divergências, o ministro sul-africano do Comércio, Parks Tau, manifestou recentemente esperança numa decisão favorável de Washington, defendendo que a manutenção do acesso preferencial ao mercado norte-americano seria vantajosa para ambas as economias. Entretanto, o Presidente Cyril Ramaphosa já tinha apelado ao país para se preparar para um eventual desfecho desfavorável.

No caso do Ruanda, a decisão surge num momento de agravamento das tensões com Washington, devido às acusações de apoio ruandês ao movimento rebelde M23, que actua no leste da República Democrática do Congo (RDC). Na semana passada, os Estados Unidos impuseram sanções ao Ministério da Defesa ruandês, por alegadas ligações ao grupo armado, acusações rejeitadas pelo Governo de Kigali.

O M23 controla vastas áreas do leste congolês, uma região rica em recursos minerais, desde a retoma da sua ofensiva armada, em 2021. O conflito tem provocado instabilidade e agravado as tensões entre a RDC e o Ruanda.

A AGOA, criada para promover as relações comerciais entre os Estados Unidos e os países africanos, foi recentemente prorrogada até ao final de 2028, estando a elegibilidade dos países participantes sujeita a avaliações periódicas por parte de Washington.

 

O percurso das negociações que culminaram na assinatura do Acordo de Maputo para a Paz e Reconciliação Nacional, em Agosto de 2019, está, agora, retratado em livro. A obra, intitulada From Maputo to the Mountain (De Maputo à Montanha), foi lançada nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, pelo antigo diplomata suíço Mirko Manzoni, um dos protagonistas internacionais do processo de mediação entre o Governo e a Renamo. Com prefácio do antigo Presidente da República Filipe Nyusi, o livro recupera os principais momentos das conversações e os entendimentos que permitiram avançar para o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Mirko Manzoni esteve directamente envolvido no processo de paz, acompanhando as delegações moçambicanas durante um dos períodos mais delicados da história política recente do país. Agora, decidiu transformar essa experiência num registo escrito, trazendo à memória os avanços, os impasses e os momentos de incerteza que marcaram as negociações.

Entre as recordações mais difíceis está a morte de Afonso Dhlakama, então líder da Renamo, ocorrida a 3 de Maio de 2018, na Serra da Gorongosa. Manzoni considera que aquele acontecimento colocou em risco a continuidade de um processo que já estava em curso com o Presidente Filipe Nyusi.

“Nada disto foi linear. Houve momentos muito difíceis. O mais difícil para mim foi o dia 3 de Maio de 2018, quando Afonso Dhlakama morreu, em Gorongosa. Foi um choque súbito. Tinha falado com ele ao telefone poucos dias antes. Dhlakama tinha iniciado este caminho com o Presidente Filipe Nyusi, e havia o risco de que o processo pudesse terminar com a sua morte. Mas não foi isso que aconteceu”, recordou o antigo diplomata.

Segundo Manzoni, a vontade de dar continuidade ao entendimento prevaleceu, mesmo perante a mudança na liderança da Renamo. O processo prosseguiu com Ossufo Momade, que assumiu a liderança do partido após a morte de Dhlakama, permitindo que as negociações chegassem a um desfecho.

“Os dois lados encontraram motivação no trabalho que já tinham desenvolvido e naquilo que haviam construído até então. O Presidente Nyusi decidiu levar o processo adiante, em conjunto com o novo líder da Renamo, Ossufo Momade. A 6 de Agosto de 2019, foi assinado o Acordo de Maputo. Foi um momento de alívio, de profunda alegria e de reconhecimento de que, embora nada seja perfeito, era possível alcançar um entendimento”, afirmou.

Mais do que recuperar os acontecimentos que conduziram à assinatura do acordo, o autor explica que a obra pretende deixar uma reflexão sobre a importância da paz e a necessidade de preservar os entendimentos alcançados. Para Manzoni, a experiência moçambicana pode oferecer ensinamentos a outros países confrontados com conflitos.

“Escrevemos este livro para Moçambique e para o seu povo, que aprendi a admirar e respeitar, particularmente pela sua resiliência, determinação e vontade de seguir em frente. Escrevemo-lo também para que o mundo possa aprender com a experiência de Moçambique”, explicou.

O antigo enviado especial das Nações Unidas para Moçambique considera que a paz não deve ser entendida como um processo concluído com a assinatura de um acordo, mas como um compromisso que exige renovação permanente.

“À medida que o País avança, há uma verdade que permanece incontornável: a paz nunca está concluída. É uma construção permanente, uma luta contínua que nunca devemos deixar de travar. Pedra a pedra, construímos um novo dia. Acredito que foi precisamente assim que o Acordo de Paz de Maputo cumpriu o seu propósito. Uma paz assente na apropriação nacional não elimina as divergências, mas dá ao País a capacidade de conviver com as diferenças e de encontrar formas de divergir sem voltar à guerra”, sublinhou.

Olhando para os desafios que se colocam ao País, Manzoni defende que o diálogo, a capacidade de escuta e a liderança nacional continuam a ser fundamentais para evitar retrocessos. Neste contexto, aponta o Diálogo Nacional Inclusivo, promovido pelo actual Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, como mais uma demonstração da aposta na procura de consensos por via do entendimento.

“Os desafios que se avizinham são reais, tanto para Moçambique como para o mundo, e exigirão a mesma paciência, a mesma capacidade de escuta e o mesmo sentido de liderança nacional. O Diálogo Nacional Inclusivo, recentemente promovido por Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, em Moçambique, é mais um exemplo dessa determinação em colocar o diálogo no centro da construção de soluções. É uma experiência que pode servir de exemplo para o mundo inteiro”, considerou.

A obra tem prefácio do antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, que considera importante o registo escrito dos acontecimentos, por permitir que as gerações actuais e futuras conheçam os caminhos percorridos, identifiquem os erros e valorizem os progressos alcançados.

“Costuma dizer-se que o que fica escrito permanece. Isso significa que tudo aquilo que aconteceu, para o bem ou para o mal, ficará registado. O que estiver mal poderá ser identificado e corrigido, permitindo-nos fazer melhor no futuro. Por outro lado, aquilo que tiver sido bem conseguido poderá ser valorizado e servir de referência para outras iniciativas”, afirmou Filipe Nyusi.

O antigo Chefe do Estado felicitou ainda a iniciativa, reconhecendo que, apesar de a obra resultar de uma experiência conduzida por intervenientes estrangeiros, constitui uma contribuição relevante para a memória do processo de paz moçambicano.

O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), que acompanhou de perto o processo, também considera que o livro representa um contributo para a compreensão dos caminhos da reconciliação nacional. Na ocasião, um representante da instituição destacou a importância do envolvimento dos mediadores internacionais e da continuidade do compromisso com a paz, mesmo depois do fim das respectivas missões.

“Ainda hoje me pergunto que chá de moçambicanidade terá o Presidente Nyusi servido aos autores. Seja qual for, parece ter sido bastante eficaz, porque este lançamento é mais um sinal de que o seu compromisso com a paz em Moçambique não terminou com o fim da sua missão. Os autores, Mirko Manzoni e Nea, oferecem-nos um testemunho que revela os bastidores, muitas vezes invisíveis, do processo que conduziu à construção da paz moçambicana. Este livro é, por isso, não apenas um registo de factos, mas também um testemunho de perseverança, confiança e compromisso, valores que devem continuar a alimentar e a sustentar a nossa paz”, afirmou.

O lançamento da obra contou com a presença de diversas individualidades nacionais e estrangeiras, com destaque para a presidente da Assembleia da República, numa cerimónia que colocou novamente em debate a importância da preservação da memória histórica e da consolidação da paz em Moçambique.

O ministro da Saúde diz que os problemas do sector que dirige já não precisam de um consultor externo para ensinar as dificuldades existentes e desafia a investigação científica a encontrar soluções para os problemas de saúde pública. 

Ussene Isse, ministro da Saúde, falou nesta segunda-feira, num evento que juntou os sectores público e privado para o lançamento da Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde.

“Cada um de nós, que trabalha na área da saúde, já conhece os grandes problemas da saúde deste País. Alguns ainda precisam de consultores para virem aqui nos ensinar o que é que nós temos como dificuldades. Nós não precisamos disso”, disse o ministro, referindo haver “clareza” dos problemas que o País enfrenta na área da saúde.

“Agora é tempo de agir e trazer soluções para os problemas de saúde pública que nós temos no País. E a inovação, a investigação e a ciência são fundamentais.”

O interlocutor desafiou as instituições de pesquisa a produzir soluções ajustadas à realidade nacional. “Devemos desenvolver soluções ajustadas à nossa realidade. Isto é de extrema importância. Temos de olhar os desafios nacionais e trazer soluções apropriadas para orientar as políticas públicas e melhorar os serviços de saúde da nossa população.”

O antigo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, embaixador da fundação, desafia a direcção desta a ser transparente na gestão dos fundos.

“A qualidade da governação vai determinar o sucesso ou o fracasso. Mesmo a melhor ideia pode fracassar se não for acompanhada por elevados padrões de gestão”, referiu, apelando que se trabalhe na credibilidade da instituição.

“Sem credibilidade, não haverá confiança. E, sem confiança, não haverá recursos nem parceiros. Sem parceiros, não haverá financiamento.”

No dia de lançamento da Fundação de Apoio à Investigação e Inovação em Saúde, a direcção apresentou as primeiras bolsas para financiamento de pesquisas no sector da saúde.

Os pacientes com cancro que dependem dos serviços da Oncologia do Hospital Central de Maputo já têm um espaço provisório para continuar com os tratamentos, na sequência do incêndio que atingiu aquele sector. A unidade sanitária transferiu os serviços para o edifício da Dermatologia, mas reconhece que o atendimento vai decorrer com algumas limitações.

Apesar dos danos provocados pelo fogo e pela água, o hospital assegura que cerca de 95% dos processos clínicos dos pacientes não foram afectados, um dado considerado importante para garantir a continuidade dos tratamentos.

Segundo o director-clínico do HCM, Dércio Fernandes, só nesta segunda-feira, foram atendidos 60 pacientes em consultas, 12 casos de urgência e 20 pacientes para sessões de quimioterapia.

Entretanto, nem todos os tratamentos puderam ser realizados. Os pacientes cuja quimioterapia ambulatória estava agendada para esta segunda-feira foram afectados pela destruição de processos clínicos que já tinham sido retirados do arquivo e preparados para o atendimento.

“Estes pacientes que, em princípio, deveriam fazer a quimioterapia ambulatória, não estamos a atendê-los por hoje. Estamos a abrir novos processos clínicos, porque, infelizmente, os processos foram atingidos pelo fogo. Já estavam preparados, haviam sido retirados do arquivo para o edifício-mãe, para os doentes poderem fazer quimioterapia nesta segunda-feira”, explicou Dércio Fernandes.

O director-clínico apresentou o ponto da situação dos pacientes retirados durante o incêndio e assegurou que o hospital está a trabalhar para manter a assistência, apesar das dificuldades impostas pela transferência temporária dos serviços.

Para já, a direcção do HCM limita a comunicação pública aos aspectos clínicos, enquanto decorrem investigações para apurar as causas do incêndio e a dimensão dos danos. Ainda assim, Fernandes aproveitou a ocasião para alertar sobre a circulação de informações falsas associadas à angariação de donativos em nome do hospital.

O responsável afirmou que a instituição decidiu não receber apoios através de plataformas de dinheiro móvel, apelando aos cidadãos interessados em contribuir para que utilizem apenas os canais oficiais, devidamente comunicados e identificados pela direcção.

“Decidimos que não vamos aceitar nenhum apoio via plataformas móveis. As pessoas que queiram prestar apoio devem usar os canais oficiais comunicados com assinatura da Direcção do Hospital. As publicações com carteiras móveis não são do conhecimento do hospital”, esclareceu.

Em relação ao serviço de Radioterapia, Dércio Fernandes afirmou que a direcção voltou, nesta segunda-feira, ao sector e constatou que os equipamentos de emissão de radiações se encontram devidamente conservados, não representando, segundo a avaliação feita, qualquer risco de emissão de radiações.

Enquanto decorrem as investigações e se trabalha na recuperação dos serviços afectados, o desafio imediato do Hospital Central de Maputo é assegurar que os pacientes oncológicos não fiquem privados de cuidados essenciais, num contexto em que a continuidade dos tratamentos é determinante.

O governador da província de Inhambane, Francisco Pagula, defende que parte das receitas do turismo permaneça nas comunidades para financiar água, saneamento e estradas. A proposta surge enquanto Inhambane procura atrair investimentos no golfe, apesar das limitações nos transportes.

Francisco Pagula considera que o crescimento do turismo deve beneficiar as populações das zonas de maior procura. Para o governador, a construção de hotéis e estâncias não garante, por si só, benefícios para as comunidades.

“Nós, como província, entendemos que é urgente que se possa introduzir a taxa turística”, afirmou Pagula, defendendo que as receitas sejam aplicadas nas necessidades locais.

O governante pretende que a população identifique obras financiadas pelo turismo, como sistemas de água, unidades sanitárias e estradas pavimentadas.

“É importante que um dia, como governo da província, possamos fazer a entrega de um sistema de abastecimento de água, de uma unidade sanitária, de uma estrada pavimentada, a dizer que isto é fruto da taxa do turista”, explicou.

A proposta ainda não foi aprovada. Pagula não avançou o valor da eventual taxa nem o calendário para a sua introdução. Defende que as receitas tenham impacto nas comunidades e incentivem a preservação dos recursos naturais.

Outra aposta do Governo de Inhambane é o turismo de golfe, visto como oportunidade para atrair visitantes com maior capacidade financeira e diversificar a oferta, actualmente marcada pelas praias e áreas de conservação.

Pagula revelou que existem processos de investimento em curso, ainda numa fase reservada, para instalar infra-estruturas destinadas à modalidade.

“Acreditamos que o golfe, se calhar, é o que faltava para incrementar o nosso estatuto mundial quando se fala de turismo ao nível da nossa província”, declarou.

O governante entende que o segmento poderá estimular empreendimentos, serviços especializados e emprego. Defende a formação de jovens para responder às oportunidades e garantir a participação da mão-de-obra local.

Não foram divulgados os valores dos investimentos, a localização dos empreendimentos ou os prazos de execução.

A ambição de tornar Inhambane uma província mais competitiva enfrenta constrangimentos nos transportes, sobretudo nas ligações aéreas entre Maputo, Vilankulo e a cidade de Inhambane.

Pagula reconheceu que alterações de voos e falta de articulação entre ligações internacionais e domésticas causam transtornos. Turistas de Joanesburgo chegam a permanecer dois dias em Maputo antes de seguirem para Vilankulo. Outros passageiros não conseguem chegar à cidade de Inhambane no mesmo dia.

Para o governador, estas dificuldades prejudicam a competitividade da província. Decorrem contactos com o Governo central para encontrar soluções, incluindo a requalificação do Aeroporto de Inhambane e a ampliação do Aeroporto de Vilankulo.

Embora considere que os aeroportos ainda respondem a parte da procura, Pagula entende que precisam de melhorias.

O Executivo provincial trabalha com pequenas empresas na possibilidade de estabelecer voos charter entre Vilankulo, Inhambane e o Parque Nacional de Zinave. A iniciativa visa facilitar a circulação entre a costa e as áreas de conservação do interior, cujo acesso terrestre continua difícil.

Nas estradas, Pagula manifestou preocupação com as paragens sucessivas de viaturas turísticas. Indicou que cerca de 70% dos visitantes do Sul de Moçambique chegam por via terrestre, provenientes da África do Sul.

O governador considera que turistas que cumpriram os procedimentos fronteiriços não deveriam ser sujeitos a verificações repetidas, salvo em caso de infracção rodoviária.

Como alternativa, revelou que foi submetida ao Governo central uma proposta para identificar viaturas turísticas que tenham cumprido as formalidades fronteiriças. A ideia é colocar um elemento no vidro, permitindo às autoridades reconhecer que os procedimentos de entrada já foram realizados.

“Para nós, não faz sentido que um turista deva ser parado na fronteira e depois deva ser parado em outros lugares até chegar ao destino”, afirmou.

Pagula esclareceu que a proposta não pretende impedir a fiscalização de infracções como excesso de velocidade ou condução sob efeito de álcool, mas reduzir procedimentos repetitivos que prejudiquem a experiência dos visitantes.

Além das infra-estruturas, o Governo provincial pretende melhorar os serviços. Uma das medidas é formar agentes da Polícia de Trânsito em inglês, para facilitar a comunicação com turistas. Para Pagula, o domínio da língua é necessário para reforçar a presença da província no mercado internacional.

Na vertente económica, o Executivo aposta na capacitação de pequenos produtores agrícolas e pecuários, para melhorar a produção e fornecer os estabelecimentos turísticos. O objectivo é integrar produtores locais nas cadeias de abastecimento e alargar os benefícios do turismo.

O governador defendeu a sensibilização das comunidades para a importância do acolhimento, recorrendo à expressão “turistificar as mentes” para descrever a necessidade de desenvolver uma cultura de hospitalidade. A forma como os turistas são recebidos pode influenciar a decisão de regressar.

As propostas surgem quando Vilankulo se prepara para acolher o Mozambique Tourism Summit, encontro que deverá reunir Governo, investidores e operadores para discutir oportunidades de investimento e o turismo nacional.

 

Uma empresa mineira de capitais chineses, denominada HS Mining, terá encerrado a circulação numa estrada que dá acesso à região de Mavonde, no distrito e província de Manica, alegadamente para realizar trabalhos de pesquisa e exploração de ouro. A medida, em vigor há cerca de uma semana, está a gerar indignação entre os utentes da via, que receiam ficar isolados e enfrentam dificuldades na circulação de pessoas, viaturas e mercadorias.

A estrada em causa constitui a principal via de acesso a Mavonde, uma região considerada importante para a produção agrícola no distrito de Manica. Com a interrupção da circulação, produtores agrícolas e outros utentes enfrentam constrangimentos na deslocação e no transporte de produtos e outros bens.

Elias Djokonia manifesta preocupação com a situação e questiona como foi possível permitir que uma actividade de exploração mineira interferisse com uma estrada de utilização pública.

“Estamos mesmo espantados. Admiramos a empresa chinesa que fecha a estrada alegando que quer extrair ouro. E põe a estrada fora do contexto e onde, quando chove, não terá transitabilidade”, afirmou.

Por sua vez, Tendai Hanguire, que utiliza aquela estrada há mais de 30 anos, diz ter ficado surpreendido com a interrupção da circulação para dar lugar aos trabalhos de pesquisa e exploração de ouro.

“Isso aqui é triste porque fecharam a estrada que usamos desde 1992. Eu conduzi sempre aqui. Esse desvio está mal. Quando saí de Mavonde para a cidade, acompanhei que se abriu um caminho diferente”, relatou.

Perante os constrangimentos, foi indicada uma via alternativa para assegurar a circulação. No entanto, os moradores consideram que o desvio não reúne condições adequadas de segurança, alertando para o risco de acidentes de viação.

Os utentes apelam à intervenção das autoridades governamentais, para que a situação seja esclarecida e sejam encontradas soluções que garantam a continuidade da circulação, sem comprometer as actividades mineiras nem prejudicar as comunidades locais.

O O País tentou, sem sucesso, obter a versão da empresa HS Mining. Os seus responsáveis recusaram-se a prestar declarações.

Uma pessoa morreu por afogamento durante a 15.ª edição do Festival de Zalala, na província da Zambézia. O incidente ocorreu na noite de sábado, tendo a organização admitido a possibilidade de a vítima estar sob efeito do álcool.

“Temos a lamentar este facto. Não queríamos que assim fosse. A festa era para ser de alegria, mas fomos, infelizmente, surpreendidos com esta situação”, afirmou Ângela Assulai, directora provincial da Cultura e Turismo da Zambézia.

A tragédia ensombrou os três dias de festa, música e celebração cultural que juntaram milhares de pessoas na praia de Zalala. Ainda assim, segundo a organização, a edição deste ano superou as expectativas, tendo recebido mais de 40 mil participantes.

Apesar do incidente, o festival voltou a afirmar-se como uma das principais plataformas de promoção das artes, da cultura e das tradições da província da Zambézia. A programação incluiu espectáculos musicais, dança tradicional e contemporânea, num ambiente marcado pela confraternização e partilha.

Entre os participantes, o balanço foi maioritariamente positivo, com destaque para a oportunidade de estabelecer novas amizades e apreciar a diversidade de pratos típicos da gastronomia zambeziana.

Os expositores do sector gastronómico também manifestaram satisfação com os resultados alcançados, afirmando que conseguiram realizar bons negócios durante os três dias do evento.

A arte de rua teve igualmente espaço nesta edição. O cineasta e artista Jorge dos Santos apresentou uma estátua humana, numa performance marcada por cores que simbolizam a esperança, e considerou que o festival deste ano foi um sucesso.

Entretanto, a organização já prepara a realização da 16.ª edição do Festival de Zalala, prevista para o próximo ano.

Comandante da PRM admite que os números oficiais não reflectem a realidade vivida nos hospitais e alerta que muitos sinistrados ocultam os acidentes por receio da fiscalização.

A sinistralidade rodoviária envolvendo moto-táxis está a assumir proporções preocupantes na província de Sofala, com um número de vítimas que poderá ser muito superior ao registado oficialmente pela Polícia. Muitos acidentes não chegam ao conhecimento das autoridades, uma vez que os próprios sinistrados evitam reportar as ocorrências por receio de fiscalização.

O alerta foi lançado na cidade da Beira pela Comandante Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Beatriz Tichala, durante a abertura do XX Conselho Coordenador Provincial, ao apresentar o balanço da ordem e segurança públicas referente ao período de Janeiro a Setembro de 2026.

À primeira vista, os dados oficiais apontam para uma evolução positiva. A Polícia registou 30 acidentes de viação, contra 43 no período homólogo de 2025, o que representa uma redução de 30%. O número de óbitos baixou de 50 para 33, enquanto os feridos graves diminuíram de 26 para 11.

Contudo, segundo a Comandante Provincial, estes indicadores não traduzem a dimensão real do problema, uma vez que um número considerável de vítimas dá entrada directamente nas unidades sanitárias, sem que as ocorrências sejam comunicadas à Polícia.

“Registamos com enorme preocupação um fluxo considerável de sinistrados, sobretudo jovens motociclistas e moto-taxistas, que dão entrada directa nos hospitais sem que os casos cheguem ao conhecimento formal da Polícia”, afirmou.

De acordo com Beatriz Tichala, muitos destes condutores circulam sem documentação, carta de condução ou condições técnicas adequadas nas motorizadas, algumas das quais sem sistemas de iluminação. Quando se envolvem em acidentes, procuram evitar o contacto com as autoridades e, em determinados casos, abandonam as unidades sanitárias antes de receberem assistência médica.

“Muitas vezes motivados pelo receio de fiscalização decorrente da falta de documentação ou de condições técnicas das motorizadas, estes cidadãos alimentam uma cifra oculta de sinistralidade que superlota as enfermarias, provando que o perigo nas estradas é, na prática, sensivelmente superior ao que os papéis conseguem espelhar”, sublinhou.

Perante este cenário, a PRM promete intensificar as acções de fiscalização e sensibilização, em coordenação com as demais Forças de Defesa e Segurança, com particular incidência sobre os operadores de moto-táxis, visando reduzir os acidentes e travar a perda de vidas humanas nas estradas da província.

Criminalidade também aumenta

No domínio da criminalidade, Sofala registou 101 casos entre Janeiro e Setembro de 2026, contra 90 no período homólogo de 2025, representando um aumento de 12%. Entre os crimes registados destacam-se os homicídios e os roubos agravados.

Do total de ocorrências, 98 foram esclarecidas, correspondendo a uma taxa de operatividade de 97%.

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