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Os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América realizaram, esta quinta-feira, em Maputo, uma formação em inteligência artificial e computação em nuvem, em parceria com a empresa tecnológica Google, dirigida a funcionários públicos moçambicanos.

A formação, denominada “Google Super Intelligence (SI) & Cloud Computing”, teve a duração de um dia e abordou as possibilidades de aplicação da inteligência artificial na Administração Pública, a gestão de dados e a utilização de infra-estruturas de computação em nuvem.

A iniciativa contou com a participação de funcionários de vários sectores do Estado, incluindo os Ministérios da Justiça; da Agricultura, Ambiente e Pescas; e das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.

Orientada por Joylynn Kirui, especialista em inteligência artificial da UpSkill Universe, a formação incidiu sobre quatro áreas: oportunidades da inteligência artificial em África, infra-estruturas de computação em nuvem, políticas de dados e de inteligência artificial, e aplicação destas tecnologias nos serviços públicos.

Durante as sessões, os participantes analisaram possíveis aplicações destas ferramentas nas respectivas instituições, através de estudos de caso, debates e exercícios práticos. O programa incluiu ainda questões relacionadas com a protecção de dados, a privacidade e as medidas necessárias para garantir uma utilização segura e responsável das novas tecnologias.

A iniciativa foi promovida no âmbito da cooperação entre os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos, com a participação da Google. Segundo a informação divulgada, a actividade dá continuidade a uma formação virtual destinada a 100 empreendedores moçambicanos e constitui a segunda acção formativa da empresa no país durante o mês de Outubro.

A formação enquadra-se nos esforços de transformação digital da Administração Pública moçambicana e na cooperação económica e comercial entre Moçambique e os Estados Unidos, com envolvimento do sector privado norte-americano.

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O ministro da Educação e Cultura, Edson Macuácua, alerta que a Educação não é uma despesa, é um investimento e é um factor crítico na agenda nacional de desenvolvimento.  O Ministro da Educação, que esteve reunido na quarta-feira com antigos titulares do sector, considerou ainda que é a partir de uma Educação de qualidade e relevante que se pode catapultar o crescimento e o desenvolvimento do país rumo à independência económica.   

O encontro serviu para um diálogo institucional destinado à partilha de experiências e recolha de contributos para o desenvolvimento do sector. Na ocasião, Macuácua disse que a Educação é um investimento e um factor crítico na agenda do país. 

“A educação é um factor crítico na agenda nacional do desenvolvimento, pois é a partir de uma educação de qualidade e relevante que se pode formar quadros com habilidades, competências para catapultar o crescimento e desenvolvimento do país rumo à independência económica”, disse Edson Macuácua. 

No encontro, o ministro da Educação e Cultura  falou também da necessidade de criação de uma plataforma que garanta a manutenção do diálogo, o que deverá ser feito através de um comité de consulta de dirigentes do Ministério. 

“E adiantar que vamos avançar na criação de uma plataforma que vai nos permitir continuar com o diálogo, manter a interacção e manter o espaço de consulta de forma regular e permanente e gostaríamos de adoptar este fórum dos dirigentes do sector da educação, cultura, ciência, ensino superior e técnico-profissional como um comité de conselheiros para o ministério”, anota.

No momento que serviu para a troca de experiências com já esteve na direcção do sector houve espaço para fazer a ponte entre a educação de ontem e a de hoje no que toca ao financiamento e à qualidade.

“Nós todos estamos a ver quais são os desafios que existem na educação, mas uma condição importante também é vermos qual é o nível de financiamento. A primeira pergunta que cada um de nós deveria fazer é quantas salas seriam necessárias hoje, quantos professores seriam necessários hoje. Não é possível recrutar 30 mil professores, daí a discussão em relação a esse assunto. Os resultados dos alunos não estão a acompanhar esta subida em termos da qualificação académica dos professores. O resultado dos alunos, pelo contrário, tem estado a baixar. O que quer dizer que alguma coisa não está bem”, alertam os antigos dirigentes do ministério da Educação e Cultura. 

A acção enquadra-se na iniciativa presidencial de uma governação inclusiva, participativa e orientada para resultados, valorizando a experiência institucional na construção de soluções para os desafios nacionais.

O Governo angolano admitiu a existência de mais de 31 mil funcionários públicos “fictícios ou fantasmas” na base de dados da função pública, segundo a ministra da Administração Pública, Teresa Rodrigues Dias.

A informação foi transmitida ontem pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social de Angola, Teresa Rodrigues Dias, referindo que o pessoal em causa custa aos cofres do Estado recursos financeiros avultados, que poderiam ser poupados “se o controlo fosse mais efectivo”.

Em declarações na abertura da cerimónia de lançamento oficial do Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos da Função Pública (SINGERH), a governante referiu que o processo de inserção de funcionários nesta plataforma revelou “realidades preocupantes”.

Mais de 31 mil funcionários públicos constam da base de dados como estando no activo.

Segundo Teresa Rodrigues Dias, muitos funcionários estão com paradeiro desconhecido, falta de documentos de identificação pessoal, falta de comprovativo físico de vínculo com a administração pública, duplo número de agente e ainda há “permanência na base de dados de pessoas já reformadas e até já falecidas”.

“Estamos perante casos de prováveis efectivos fictícios ou fantasmas, e a estas situações estamos a dar o tratamento jurídico-administrativo adequado e proporcional a cada caso”, assegurou, realçando que esta avaliação decorre em coordenação com o Ministério das Finanças e os respectivos órgãos a que pertencem os funcionários.

Garantiu que estes órgãos foram notificados e beneficiaram de sucessivos prazos para justificar cada situação, realçando que, “onde a justificação não chegar, são aplicadas medidas cautelares até à classificação de cada caso”.

“Quem estiver em situação regular, nada tem a temer. Basta comprovar a sua situação junto do respectivo serviço de recursos humanos”, frisou.

Teresa Dias assinalou, na sua intervenção, que o SINGERH é uma “plataforma estratégica de governação administrativa”, concebida para integrar, harmonizar e modernização a gestão de recursos humanos a administração pública, abrangendo todo o ciclo da relação jurídica do emprego, desde o planeamento, recrutamento até à extinção do vínculo.

Ao destacar a importância do SINGERH, a governante deu a conhecer que, dos mais de 426 mil registos na base do SIGFE, no início de 2026, apenas cerca de 30 mil, ou seja, 7% tinham dos dados actualizados, o que justificou a elaboração e execução de um plano acelerado de atualização cadastral.

A governante realçou que, fruto de acções realizadas entre 26 de Janeiro e 30 de Setembro, que envolveu os órgãos centrais e locais do Estado em todo o território, hoje mais de 388 mil funcionários e agentes administrativos estão com os dados devidamente actualizados, um aumento de 7% para mais de 91% neste período.

Aos 13 anos, o jovem piloto terminou entre os seis melhores da categoria Junior ROK, na competição internacional realizada no dia 17 de Outubro, em Lonato, Itália, e reforça a ambição de avançar para os monolugares.

O piloto moçambicano Kayo Cêra terminou ontem  a ROK Cup Super Final 2026, disputada em Lonato, Itália, na 6.ª posição da categoria Junior ROK, alcançando a melhor classificação entre todos os pilotos africanos presentes na competição.

Kayo Cêra arrancou  na corrida final na 15.ª posição da grelha de partida e protagonizou uma excelente recuperação, subindo seis lugares até terminar em 6.º lugar.

A categoria ROK  Júnior contou com 58 pilotos de vários países. Apenas 36 conquistaram um lugar na final, onde o jovem piloto  moçambicano garantiu um lugar entre os seis melhores do mundo.

A ROK Cup Super Final é considerada uma das mais importantes competições internacionais de karting. Na edição de 2026 participaram cerca de 400 pilotos, provenientes de 35 países, distribuídos por várias categorias.

Este resultado representa um marco para o desporto motorizado moçambicano e confirma o potencial de Kayo Cêra como uma das principais promessas africanas do automobilismo.

Antes da sua partida para Itália, Kayo Cêra foi recebido pelo Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Rasaque Manhique, que destacou a dedicação e o compromisso do piloto com a promoção do desporto motorizado nacional e a projecção internacional de Moçambique.

Com 13 anos de idade e oito anos de carreira no karting, Kayo  Cêra soma já importantes conquistas nacionais e internacionais, reforçando a sua trajectória rumo às categorias superiores do automobilismo, incluindo uma futura transição para a Fórmula 4.

Após a sua vitória a ATCM – o ATCM – Automóvel & Touring Clube de Moçambique emitiu uma comunicação enaltecendo o piloto e o país, referindo que: 

“Mais uma vez ficou comprovada para o mundo a qualidade e o potencial dos pilotos africanos e do ATCM, membro da FIA, no desporto motorizado, em particular no karting. Em mais um desafio, desta vez a contar para o Campeonato do Mundo da Rok, o piloto internacional moçambicano Kayo Cêra mostrou novamente ao mundo o seu talento e potencial na Rok Super Final disputada no sábado, em Lonato, na Itália.” 

O próximo desafio internacional do piloto está agendado para Novembro de 2026, com a sua participação no ROK Cup Festival, em Franciacorta, Itália.

Neste contexto, contamos com o apoio do vosso prestigiado órgão de informação para a divulgação deste marco histórico. Mais informamos que o piloto estará disponível para entrevistas e declarações à sua chegada ao aeroporto. 

A Escola de Culinária Assma, uma das mais antigas instituições vocacionadas à formação em culinária e serviços de catering no país, pretende transformar-se em instituto e apela ao Governo para desburocratizar os processos de licenciamento.

Há 25 anos, começava uma história feita de sabores, técnicas e formação profissional. A Escola de Culinária Assma, assinala em Novembro, duas décadas e meia de existência.

“São 25 anos de muito trabalho, de muita insistência, de muita fé, persistência, e hoje estamos a fechar uma página para abrir outra”, referiu Tassnim Mussane, directora-geral da instituição, lembrando tragédias que a escola já passou, com ênfase para o incêndio nos primeiros anos.

“Tínhamos tudo para desistir”, disse, numa conferência de imprensa, para assinalar o lançamento das celebrações.

A direcção-geral recordou os desafios enfrentados desde a criação da instituição.

“Foi muito difícil conseguir o Alvará. Tive de passar por certas situações, mas graças a Deus consegui.”

Hoje, a Assma quer dar um novo passo, transformar o centro de formação profissional num instituto, e ampliar a formação para todo o País. Ao longo de 25 anos, passaram pela instituição alunos que encontraram na culinária uma profissão e uma oportunidade de construir o próprio futuro, e hoje dizem que Assma é mais do que uma escola. Teresa dos Santos e Lídia Camila vieram da Beira para se formar em

Maputo como chefes de cozinha. Dizem que Assma é mais do que uma escola.

“Na nossa cidade, o mercado de catering está razoavelmente bem, e há muita procura, mas com poucos chefes, por isso viemos para formação para melhor responder às exigências do mercado”, explicou Teresa dos Santos.

“Estou realmente a gostar do curso, tem muita coisa boa, diferente, que eu não sabia, e que agora já posso dizer que sou uma verdadeira chefe”, disse Lídia Camila.

Para marcar os 25 anos, estão previstas várias actividades, entre elas um passeio com trabalhadores e antigos estudantes e uma gala de celebração do que chamam transformação da gastronomia moçambicana.

A defesa da soberania económica e da transformação dos recursos naturais em valor acrescentado para o desenvolvimento dos países africanos marcou a abertura, ontem, do Fórum Económico e Humanitário Rússia–África, em Moscovo, uma abordagem que converge com a agenda defendida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, em diferentes fóruns internacionais.

O Chefe do Estado participa no encontro que reúne líderes africanos e representantes do sector empresarial, numa altura em que Moçambique procura aprofundar parcerias capazes de contribuir para a industrialização, valorização dos seus recursos e criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento.

Na sessão de abertura, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, destacou o crescente peso de África na economia e na política mundial, considerando que o continente possui recursos naturais, potencial demográfico e uma posição estratégica nas principais rotas comerciais internacionais.

Putin defendeu que os países africanos devem ter maior capacidade para gerir os seus próprios recursos e destiná-los às suas prioridades de desenvolvimento, particularmente nos sectores da energia, indústria, transportes e logística. “Isso significa que a soberania tecnológica e a jurisdição são criticamente importantes”, afirmou, ao abordar também os desafios colocados pelas novas tecnologias.

O Presidente russo apontou igualmente a necessidade de aprofundar a cooperação económica com África, destacando sectores como energia, agricultura, indústria, mineração, transportes e tecnologias digitais. Segundo Putin, o volume do comércio entre a Rússia e África ultrapassou 27 mil milhões de dólares no último ano, contra 18 mil milhões em 2022.

Putin considerou ainda que a cooperação entre a Rússia e os países africanos deve abranger projectos de infra-estruturas energéticas e de transporte, agricultura, indústria e tecnologias modernas, incluindo as áreas digital e de telecomunicações. A Rússia, disse, está igualmente disposta a partilhar competências e conhecimentos tecnológicos com os países africanos.

A intervenção do Presidente em exercício da União Africana e do Burundi, Évariste Ndayishimiye, reforçou a necessidade de uma nova abordagem na utilização dos recursos do continente, defendendo que África deve deixar de ser apenas fornecedora de matérias-primas e passar a participar nas diferentes etapas da sua transformação.

“Nós não queremos ser simplesmente a fonte de recursos, nós gostaríamos de nos tornar actores activos e participar nos projectos de transformação e inovação”, afirmou Ndayishimiye, defendendo maior investimento no agronegócio, energia, infra-estruturas, transportes, ciência e tecnologia.

O Presidente em exercício da União Africana apelou igualmente à criação de condições para que os recursos sejam transformados nos próprios países africanos, permitindo gerar competências, empregos e valor acrescentado. “Nós não queremos exportar simplesmente os recursos naturais para depois importar os produtos feitos”, sublinhou.

Para Moçambique, estas prioridades encontram espaço na agenda do Presidente Daniel Chapo, que tem defendido a necessidade de transformar o potencial dos recursos naturais em benefícios concretos para os moçambicanos, através do aumento da capacidade produtiva, industrialização, transferência de tecnologia e criação de emprego. A participação do Chefe do Estado no Fórum Rússia–África insere-se, assim, nos esforços de identificação de novas parcerias para acelerar o desenvolvimento económico do país.

Neste contexto, a participação de Moçambique no fórum constitui também uma oportunidade para acompanhar propostas de cooperação em sectores estratégicos para o país, tendo em conta o potencial nacional nas áreas de energia, mineração, agricultura e infra-estruturas. 

O debate sobre a valorização local dos recursos coloca em evidência a importância de parcerias que contribuam para aumentar a capacidade produtiva e gerar benefícios económicos mais amplos.

A cooperação económica e humanitária Rússia–África surge, deste modo, como uma das plataformas para o aprofundamento das relações entre o continente e parceiros internacionais, com enfoque na concretização de projectos, transferência de competências e criação de condições para que os recursos africanos contribuam directamente para o desenvolvimento e o bem-estar das populações.

Moçambique contabilizou 363 606 deslocados internos em Outubro, um aumento de 4% face à avaliação anterior, com mais de metade da população afectada composta por crianças, segundo um relatório da OIM.

Os dados constam do relatório da 17.ª ronda da Avaliação Multissectorial de Localizações da OIM citado pela Lusa, realizada entre 14 e 28 de Setembro, que identificou 363 606 deslocados internos, correspondentes a 87 201 agregados familiares, distribuídos por 213 centros e locais de acolhimento em todo o País.

Segundo o relatório, que compara dados com a 16.ª ronda de avaliação realizada em Dezembro de 2025, o total representa um aumento de 4% face em menos de um ano, evolução atribuída à expansão das operações de monitorização para novas áreas das províncias de Gaza e Inhambane e à continuação dos deslocamentos associados à insegurança no norte do país.

As crianças representam 55% da população deslocada, seguindo-se as mulheres, com 26%, e os homens, com 19%. A organização estima ainda que cerca de 58 177 deslocados vivem com algum tipo de deficiência.

A província de Cabo Delgado, rica em gás e que enfrenta, desde 2017, uma insurgência armada, continua a concentrar a maior parte da população deslocada, acolhendo 205 921 pessoas em 84 locais de deslocação.

No relatório, a OIM alerta que, em 46% destes locais, a maioria dos agregados familiares não dispõe de acesso a instalações sanitárias funcionais, enquanto em 88% dos locais os deslocados não conseguem adquirir alimentos suficientes, devido à falta de recursos financeiros.

A organização acrescenta que 74% dos locais avaliados em Cabo Delgado não dispõem de espaços seguros destinados a mulheres e raparigas.

Sofala surge como a segunda província com mais deslocados, totalizando 95 385 pessoas distribuídas por 34 locais de acolhimento.

Já a província de Manica acolhe 28 646 deslocados em 37 locais, sobretudo no distrito de Sussundenga. Entre as principais dificuldades reportadas destacam-se o acesso ao ensino secundário, documentação civil, serviços de saúde e energia para iluminação.

Segundo o relatório, em todos os locais avaliados em Manica, a maioria dos agregados familiares tinha pelo menos um membro sem documentação civil.

Na Cidade de Maputo, foram identificados 1567 deslocados em nove locais de acolhimento, enquanto a Província de Maputo acolhe 4300 pessoas deslocadas, também distribuídas por nove locais.

Em ambas as circunscrições, as necessidades mais frequentemente apontadas são o apoio financeiro, oportunidades de geração de rendimento e acesso a alimentos.

O relatório destaca ainda a situação da província de Niassa, no Norte, onde o número de deslocados aumentou de 1158 para 2946 pessoas, crescimento associado sobretudo aos impactos das chuvas intensas e inundações registadas durante a época chuvosa 2025/26, que também afectaram, da mesma forma, as províncias de Gaza e Maputo, no Sul.

A nível nacional, a OIM conclui que as necessidades mais urgentes da população deslocada continuam a ser assistência financeira, meios de subsistência e alimentação.

A organização defende o reforço do acesso à água potável, saneamento, saúde, nutrição e educação, bem como da protecção de mulheres, crianças e pessoas com deficiência, numa altura em que Moçambique continua a enfrentar os efeitos combinados dos conflitos armados, fenómenos climáticos extremos e deslocações prolongadas de populações.

O ministro da Saúde, Ussene Isse, defende que Moçambique deve reforçar a capacidade interna de diagnóstico e tratamento de doenças, de modo a reduzir a transferência de doentes para o estrangeiro. Para o governante, o país precisa de encontrar soluções internas para responder a um conjunto de patologias que continuam a obrigar os pacientes a procurar assistência médica fora das fronteiras nacionais, sobretudo na África do Sul e noutros destinos.

Ussene Isse lançou o desafio nesta quarta-feira, em Maputo, durante uma exposição do sector da Saúde, que reuniu gestores hospitalares, laboratoriais e farmacêuticos, bem como outros intervenientes do sector. Na ocasião, apelou à colaboração entre o Governo, o sector privado e os parceiros para melhorar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde.

“Será que não temos capacidade interna de nos organizarmos para resolver este problema? Temos ou não temos? Este é um desafio que quero lançar aqui para trabalharmos em conjunto”, questionou o ministro, defendendo que o país deve concentrar esforços na criação de condições para tratar internamente os doentes que actualmente necessitam de assistência especializada no estrangeiro.

Segundo Ussene Isse, são apenas quatro ou cinco doenças que levam à transferência de pacientes para fora de Moçambique, razão pela qual considera necessário mobilizar recursos e conhecimentos para encontrar soluções nacionais. O governante entende que a dependência de outros países para determinados tratamentos deve ser encarada como um desafio colectivo, que exige o envolvimento de diferentes actores do sector da Saúde.

Entre as principais preocupações apresentadas pelo ministro está a paralisação do equipamento de radioterapia existente no país. Isse afirmou que o aparelho está inoperacional e que o Governo tentou, durante o actual ciclo de governação, reabilitá-lo, mas deparou-se com dificuldades relacionadas com a indisponibilidade de peças no mercado, uma vez que o equipamento foi descontinuado.

A situação constitui um obstáculo à assistência a doentes oncológicos que necessitam deste tipo de tratamento, sobretudo tendo em conta a importância da radioterapia no combate a determinados cancros.

“Temos aqui no país o único equipamento de radioterapia que está parado. Tentámos, neste ciclo de governação, reabilitar este equipamento, mas as peças já não se encontram no mercado. Está descontinuado”, explicou Ussene Isse, reconhecendo as dificuldades de recuperar uma infra-estrutura considerada essencial para o tratamento de doenças oncológicas.

Perante este cenário, o ministro lançou um apelo à conjugação de esforços para a aquisição de um novo aparelho, defendendo que o investimento deve ser assumido como uma prioridade nacional, devido ao seu impacto na sobrevivência e na qualidade de vida dos doentes.

“Temos que acelerar. O segundo desafio que quero lançar é trabalharmos de forma conjunta para trazermos para Moçambique um novo aparelho de radioterapia. Não podemos perder moçambicanos. Temos que mandar para fora as pessoas que precisam de fazer radioterapia”, afirmou.

O governante revelou ainda que o Executivo está a trabalhar para acelerar o processo de aquisição do equipamento, mas considera que a participação do sector privado e de outros parceiros será determinante para alcançar o objectivo. A intenção, segundo explicou, é mobilizar investimentos para a disponibilização de medicamentos, equipamentos e outras condições necessárias à melhoria da assistência médica no país.

APOSTA LOCAL NA PRODUÇÃO DE MEDICAMENTOS

Outra prioridade apresentada por Ussene Isse está relacionada com a produção nacional de medicamentos e de material médico-cirúrgico. O ministro defende que Moçambique deve criar condições para produzir localmente parte dos produtos de que necessita, reduzindo a dependência das importações e tornando o abastecimento do sistema de saúde mais rápido e sustentável.

Para justificar a necessidade desta aposta, o governante recordou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia da Covid-19, quando o país teve constrangimentos no acesso a insumos e consumíveis hospitalares. Na sua perspectiva, a experiência demonstrou os riscos de depender de mercados externos para garantir o funcionamento dos serviços de saúde, sobretudo em períodos de crise.

“A Covid-19 deixou uma grande lição para todos nós. Lembram-se da dificuldade que o nosso país teve para trazer insumos e consumíveis hospitalares para tratarmos os moçambicanos aqui? O terceiro desafio que quero lançar é a agenda nacional de produção local de insumos”, declarou.

O ministro apelou, por isso, ao investimento na instalação de unidades de produção de medicamentos e de material médico-cirúrgico, considerando que a capacidade produtiva nacional poderá contribuir para diminuir a vulnerabilidade do sistema de saúde perante perturbações nas cadeias internacionais de abastecimento.

A necessidade de reforçar a produção interna ganha particular relevância num contexto em que, segundo o governante, os processos de aquisição de medicamentos e de material médico-cirúrgico no mercado internacional podem demorar entre 18 e 24 meses.

Isse recordou que, no início do actual ciclo de governação, o país enfrentou um incêndio que atingiu as instalações da central de medicamentos, situação que agravou os desafios de abastecimento. Explicou que, apesar de terem sido iniciados processos de aquisição, a complexidade dos procedimentos e os prazos de fornecimento dificultaram uma resposta imediata às necessidades das unidades sanitárias.

“Esta cadeia logística é muito morosa. Comprámos medicamentos em Fevereiro de 2025 e só no mês de Agosto começaram a chegar ao país. Se tivéssemos capacidade local de produzir aquilo de que precisamos, teríamos mais facilidade para resolver os problemas do nosso país”, afirmou.

Na avaliação do governante, a existência de capacidade produtiva nacional permitiria responder com maior rapidez às necessidades dos hospitais, reduzir a exposição às limitações do mercado internacional e melhorar a disponibilidade de produtos essenciais para o atendimento dos pacientes.

Ao apresentar os desafios, Ussene Isse reconheceu que o Governo não conseguirá alcançar os objectivos pretendidos sem o envolvimento de outros actores. Por isso, apelou à participação do sector privado, dos parceiros e dos profissionais que actuam nas diferentes áreas da saúde, defendendo uma abordagem colectiva para a resolução dos problemas do sistema.

“Estamos com vontade de fazer as coisas, mas sabemos que, sozinhos, vamos muito lentamente. Com a presença de todos vocês e com a colaboração de cada um, vamos chegar muito longe”, afirmou.

O ministro considera que a redução das transferências de doentes para o estrangeiro, a instalação de um novo equipamento de radioterapia e a produção local de medicamentos e material médico-cirúrgico são medidas que podem contribuir para melhorar a assistência à população e reforçar a autonomia do país na área da saúde.

Segundo Isse, o objectivo final é garantir melhores condições de tratamento aos moçambicanos e avançar para a cobertura universal de saúde, através de investimentos que respondam às necessidades concretas da população.

Planificadores distritais da Zambézia, Nampula, Cabo Delgado e Niassa estão reunidos na Zambézia para avaliar os resultados do projecto PRO-CÍVICO, uma iniciativa que visa reforçar a participação dos cidadãos na governação e a promoção dos direitos humanos. O projecto, implementado entre 2023 e 2026, é promovido pelo consórcio constituído pela Fundação MASC, IMD, CESC e CDD.

Os planificadores trabalham directamente com as comunidades, recolhendo as suas preocupações e encaminhando-as aos governos distritais, com vista à identificação de soluções para os problemas que afectam as populações. O encontro pretende avaliar as actividades realizadas, os resultados alcançados e os desafios enfrentados durante a implementação do projecto, que abrange uma província do Centro e três do Norte do país.

“Ainda que o programa pro-cívico termine, é preciso que se garanta que as ferramentas, fiquem e ajudem no processo de planificação distrital. Lembrando que as comunidade também devem encontrar soluções locais para resolver problemas locais” disse Matilde de Melo, coordenadora da fundação Masc-Nampula para quem a participação na vida governativa do pais é fundamental e que cada preocupação da p população seja planificada para possível solução.

Com a aproximação do fim do programa, os participantes defendem a necessidade de garantir a continuidade das ferramentas e dos conhecimentos adquiridos, para que as preocupações das comunidades continuem a ser consideradas nos processos de planificação e tomada de decisões ao nível dos governos distritais.

O director regional da IFC para a África Ocidental e Sahel disse que a organização aposta no agronegócio, turismo e logística como sectores capazes de impulsionar emprego e crescimento económico na África lusófona.

“O agronegócio e o turismo são sectores focais no BM [Banco Mundial] porque têm capacidade de criar empregos para muitas pessoas”, com agregação de pequenos produtores e efeitos multiplicadores, referiu em Sameh Wahba, responsável regional do IFC – braço do BM para o sector privado.

“Para cada emprego directo que é criado pelo turismo, surgem dois ou três empregos indirectos”, exemplificou.

Os dois sectores “são um grande foco do BM e a logística é muito importante para o movimento de cargas e pessoas, é um pilar principal para o crescimento económico”, assinalou, à margem do 2.º Fórum Empresarial da África Lusófona, que terminou ontem, em Cabo Verde, e dedicado àquelas áreas.

“É por isso que esses sectores foram priorizados” a par das infraestruturas, incluindo a energia, que classificou como essenciais para o crescimento.

O número de inscrições no fórum cresceu de 250 para 420 desde a edição de 2025, referiu, entre investidores e representantes de vários governos, permitindo que, na mesma sala, se conheçam exemplos do que está a avançar num mercado fragmentado, de Cabo Verde a Moçambique.

“No espaço africano fala-se bastante, por exemplo, do espaço francófono, que é um mercado que está estabelecido e tem os seus apoios. A lusofonia, se calhar pelo distanciamento dos mercados, nunca esteve constituída como um mercado, sempre foi mais fragmentada”, acrescentou por seu turno a diretora regional da IFC para a África Austral, Cláudia da Conceição.

O fórum permite “olhar de forma mais consolidada” para o bloco que fala português, defendeu.

 

“Do ponto de vista de novos negócios [entre as duas edições], houve vários a acontecer no sector do agronegócio”, em especial em Moçambique e Angola, a par de novas iniciativas no sector da energia “onde a IFC está envolvida”.

A carteira de projectos ativos nos PALOP tem crescido, referiu, ascendendo a 750 milhões de dólares, com novas parcerias em empresas agrícolas que trabalham com produtores locais a serem anunciadas em breve.

Apesar de grande parte do volume financeiro estar dedicado à área das infraestruturas, “a área do agronegócio, incluindo processamento, está de facto a aumentar bastante”, indicou Cláudia da Conceição.

Em termos acumulados, nos últimos cinco anos, a instituição mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares em 10 projectos nos seis países: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.

A IFC é uma instituição multilateral de financiamento do desenvolvimento, vocacionada para o sector privado dos países em desenvolvimento, que concede empréstimos, participa no capital de empresas, mobiliza investimento e presta assistência técnica, mas não é a única.

“As necessidades são enormes, mas há uma coordenação entre instituições de financiamento que nunca existiu”, referiu Sameh Wahba, apontando exemplos de parcerias com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) ou Banco Europeu de Investimento (BEI).

 

Questionado sobre o efeito das disrupções geopolíticas globais, aquele responsável considera que as respostas variam entre sectores, “mas estão a criar oportunidades, não [representam] só insegurança”.

O aumento do preço dos combustíveis “está a criar muitas oportunidades para os países introduzirem projectos de energia renovável ou criar projectos da conversão do gás para a electricidade” de forma a compensar “a dinâmica geopolítica”.

“Também no setor da agricultura, com a insegurança alimentar que aumentou com a guerra na Ucrânia, há mais oportunidades” para “investir em agronegócios”, com a disrupção dos sistemas mundiais de comércio a incentivar a produção local, disse.

Cláudia da Conceição defendeu que os projectos em África apresentam menor probabilidade de incumprimento e retornos superiores aos de outras geografias.

“Temos dois objectivos: aumentar a presença da IFC”, seja através de empréstimos como participação no capital, “e acrescentar apoio para micro, pequenas e médias empresas. Mas onde vai acontecer, vamos ver”, conclui Sameh Wahba.

A IFC vai acompanhar os contactos resultantes do fórum focado na África lusófona, como um mercado com uma população a rondar 80 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 174 mil milhões de dólares.

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