As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) contam, a partir de agora, com novos militares habilitados para integrar as forças de comandos, na sequência do encerramento do 31.º Curso de Comandos, realizado na cidade de Nacala, província de Nampula.
O curso teve como objectivo dotar os militares de conhecimentos e técnicas específicas para o cumprimento de missões que exigem elevado nível de preparação física, táctica e psicológica.
Durante a cerimónia, que contou com a presença de altas patentes militares e outras entidades, os formandos participaram em actos protocolares e demonstraram parte das competências desenvolvidas durante a formação.
A cerimónia de encerramento foi marcada por demonstrações de disciplina e preparação militar, com os novos comandos a exibirem as capacidades adquiridas ao longo do processo de formação.
A conclusão do 31.º Curso de Comandos representa mais uma etapa no processo de preparação das FADM para responder aos desafios de defesa e segurança do país, particularmente em contextos que exigem unidades com capacidade de actuação especializada.
O distrito de Nipepe, na província do Niassa, passou a contar com novas infraestruturas de abastecimento de água, numa intervenção que beneficia comunidades locais, estabelecimentos de ensino, uma unidade sanitária e serviços do Governo do Distrito.
As obras abrangeram a vila-sede de Nipepe e a comunidade de Muichi, onde foram realizadas intervenções de captação e canalização de água, além da instalação de um ponto de abastecimento comunitário para uso público.
Na vila-sede, os trabalhos incluíram a perfuração e canalização de água, enquanto em Muichi foi instalado um ponto de abastecimento destinado às comunidades. As intervenções foram concebidas para responder às necessidades de acesso à água nos dois locais.
A intervenção incluiu ainda a instalação de um sistema automático de abastecimento e a colocação de cerca de 2,5 quilómetros de tubagem para levar água às instalações do Governo do Distrito, estabelecimentos de ensino e uma unidade sanitária local.
As novas infraestruturas deverão contribuir para melhorar o acesso à água e as condições de higiene e funcionamento dos serviços públicos abrangidos pela intervenção.
As obras foram realizadas pela DH Mining Development Company, Lda., empresa do Grupo Jinan Yuxiao, no âmbito das suas acções de responsabilidade social no distrito de Nipepe.
O legado e a obra da poetisa moçambicana Noémia de Sousa estiveram em destaque numa sessão de conversa realizada, esta quinta-feira, em Maputo, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.
O encontro reuniu artistas, escritores e outras personalidades ligadas às artes e à cultura, que revisitaram a trajectória e a contribuição da autora de Sangue Negro para a literatura moçambicana.
Convidada para o encontro, a actriz Ana Magalhães destacou a importância de preservar e divulgar o legado de Noémia de Sousa, que considera uma mulher de luta e uma referência na formação de jovens através da arte e da poesia.
Para a actriz, uma das melhores formas de Moçambique continuar a homenagear a poetisa é promover iniciativas que mantenham viva a sua obra, levando os seus escritos às novas gerações e divulgando também a sua luta.
Ana Magalhães defendeu igualmente a necessidade de aproximar os jovens da obra da poetisa e incentivá-los à leitura e à escrita, sublinhando que o desenvolvimento de qualquer talento exige dedicação, aprendizagem e estímulo.
“Os jovens devem ler, devem tentar escrever e devem tentar perceber o que os rodeia. Ninguém nasce a saber”, afirmou a actriz.
A artista lembrou ainda que nenhuma profissão ou vocação surge de forma espontânea, sendo necessário tempo, dedicação e apoio para desenvolver capacidades.
Nascida em Catembe, em 1926, Noémia de Sousa destacou-se como poetisa, jornalista e tradutora. A sua obra, marcada por uma forte dimensão social e de afirmação da identidade moçambicana, tornou-a numa das principais referências da literatura nacional.
A autora de Sangue Negro morreu em 2002, deixando uma obra que continua a influenciar novas gerações de escritores e artistas moçambicanos.
Um dos membros fundadores do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e actual chefe nacional-adjunto do Poder Local acusa a direcção do partido de reduzir significativamente a realização de reuniões dos órgãos internos, situação que, segundo defende, está a enfraquecer o debate e a dinâmica da organização.
Falando esta sexta-feira, na cidade da Beira, o dirigente afirmou que, desde que o actual presidente do MDM, Lutero Simão, assumiu funções, há cerca de cinco anos, foram realizadas apenas duas reuniões do Conselho Nacional, contra as dez previstas.
O último encontro, segundo o membro fundador, teve lugar em 2024, não tendo sido realizado, desde então, qualquer outro fórum alargado para o debate de questões de natureza orgânica do partido.
O dirigente considera que a situação está a ter um impacto negativo no funcionamento do MDM, defendendo que o partido está a perder algumas das características que marcaram a sua actuação no passado, nomeadamente a realização regular de reuniões internas.
Para o quadro sénior, a ausência de espaços de diálogo pode comprometer a capacidade do partido de discutir os seus problemas e encontrar soluções para os desafios que enfrenta.
CONGRESSO EM FALTA
A preocupação surge também numa altura em que se aproxima o fim do mandato do actual presidente do MDM, previsto para Dezembro deste ano. De acordo com os estatutos do partido, o Congresso deve coincidir com o término do mandato da liderança.
O membro fundador afirma que, até ao momento, o Congresso ainda não foi convocado, nem foi realizada a reunião do Conselho Nacional que deverá deliberar sobre a sua convocação.
Segundo revelou, um grupo de quadros já enviou uma carta à direcção do partido a solicitar a convocação do Congresso, mas ainda não recebeu uma resposta oficial.
O dirigente apela, por isso, à liderança do MDM para que convoque o Congresso com a maior brevidade, de modo a garantir o cumprimento das normas estabelecidas pelos estatutos da organização.
Esta não é, segundo o membro fundador, a primeira vez que quadros do partido manifestam preocupação com a falta de fóruns internos de debate. Em 2024, um grupo de dirigentes e membros do MDM, incluindo o próprio, terá enviado uma carta ao presidente do partido, alertando para a situação interna e apelando à retoma dos mecanismos de diálogo.
Na altura, segundo o dirigente, Lutero Simão comprometeu-se a criar e dinamizar fóruns internos de debate. Contudo, afirma que, até ao momento, essas promessas não terão sido concretizadas.
A direcção nacional do MDM ainda não se pronunciou sobre as acusações.
O Conselho Político do partido Podemos está reunido, na cidade de Maputo, numa sessão alargada ao Gabinete de Reflexão Estratégica, para analisar e aprovar o plano das reuniões provinciais de planificação e formação dos membros da organização.
A iniciativa pretende reforçar o alinhamento da orientação política do partido, desde a direcção até às bases, preparando os seus membros para uma intervenção mais activa no cenário político nacional.
Segundo a direcção do Podemos, as reuniões de formação e planificação terão início em Setembro, com a primeira sessão a decorrer na cidade e província de Maputo. O objectivo é galvanizar as estruturas do partido e dotar os membros de conhecimentos para melhor compreenderem e enfrentarem os desafios do sistema político nacional.
A iniciativa surge na sequência da primeira reunião de formação e planificação, realizada em 2025, na cidade da Beira, província de Sofala.
Durante a sessão do Conselho Político, o Podemos deverá igualmente analisar a situação política e económica do país, com particular enfoque no impacto da corrupção na prestação de serviços essenciais à população.
A direcção do partido defende ainda que os órgãos políticos devem assumir um papel mais interventivo na definição das estratégias da organização, procurando transformar as suas reuniões em espaços de debate sobre questões relevantes para o partido e para a sociedade moçambicana.
As Nações Unidas apelam às autoridades haitianas para reforçarem a protecção da população civil, na sequência de um ataque de grupos armados que provocou pelo menos 47 mortos e deixou mais de 50 pessoas sequestradas.
O ataque ocorreu no início desta semana, na comunidade agrícola de Kenscoff, nas colinas próximas de Porto Príncipe, uma zona que até recentemente era considerada relativamente pacífica. Na sexta-feira, a Polícia Nacional do Haiti reforçou o patrulhamento das ruas, numa altura em que aumentam as críticas à actuação das autoridades perante a ofensiva dos grupos armados.
Segundo a porta-voz do Gabinete de Direitos Humanos das Nações Unidas, Marta Hurtado, cerca de 150 homens fortemente armados invadiram a localidade e abriram fogo contra a população.
De acordo com a responsável, os atacantes perseguiram cerca de 50 moradores que procuraram refúgio numa igreja protestante. Depois de os retirarem do local, os homens armados terão executado 22 pessoas no pátio da igreja e outras 12 nas traseiras do edifício.
As Nações Unidas exigem às autoridades haitianas medidas concretas para garantir a segurança da população e apelam aos Estados-membros para reforçarem o apoio à força multinacional criada para combater os grupos armados no país.
Os dados apresentados pelo Gabinete de Direitos Humanos da ONU revelam a dimensão da crise. Entre 1 de Abril e 30 de Junho deste ano, foram registadas cerca de 1.480 mortes relacionadas com a violência das gangues. No primeiro semestre, mais de 3.050 pessoas terão sido mortas em consequência da violência, enquanto quase 1,5 milhões foram obrigadas a abandonar as suas zonas de residência.
Os grupos armados controlam actualmente cerca de 70 por cento de Porto Príncipe, bem como extensas áreas do centro do país e de outras regiões. A persistência da violência tem agravado igualmente a pobreza e a insegurança alimentar.
Durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, na sexta-feira, os Estados-membros defenderam o reforço do embargo de armas ao Haiti e apelaram ao pleno destacamento da força multinacional destinada a combater os grupos armados e a restabelecer a segurança no país.
O Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, Alvaro Massingue, defende uma maior participação das empresas moçambicanas nos grandes projectos públicos adjudicados a empresas estrangeiras.
Alvaro Massingue entende que estes projectos devem assegurar espaço para a subcontratação de empresas nacionais, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e capitalização do empresariado moçambicano.
Para o Presidente da CTA, a participação das empresas nacionais não deve ser encarada como uma simples preferência, mas como um investimento na capacidade produtiva do país. Defende, por isso, que cada grande obra realizada em Moçambique deve contribuir para deixar empresas nacionais mais fortes, quadros mais qualificados e maior capacidade tecnológica.
Outra preocupação levantada por Alvaro Massingue está relacionada com os atrasos nos pagamentos das obras públicas, que, segundo afirma, continuam a afectar a tesouraria, a capacidade operacional e a sustentabilidade financeira das empresas.
O Presidente da CTA explica que a execução de obras exige investimentos avultados em matérias-primas, equipamentos, mão-de-obra e financiamento. Quando os pagamentos são excessivamente atrasados, os empreiteiros ficam obrigados a suportar custos financeiros adicionais, comprometendo a execução dos contratos e a sobrevivência das próprias empresas.
No sector da habitação, Massingue defende ainda uma maior intervenção do sector privado para responder à crescente procura por habitação acessível, sobretudo entre os jovens.
O Presidente da CTA reconhece a iniciativa presidencial Terra Infraestruturada, mas considera fundamental a participação dos privados na massificação da construção de habitação. Defende que a disponibilização de terra, água, energia e outros serviços básicos pelo Estado pode criar condições para atrair investidores privados.
Massingue apela igualmente ao empresariado para prestar maior atenção ao sector dos recursos hídricos, considerando que as mudanças climáticas estão a transformar a água num desafio social, económico e de segurança.
O Presidente da CTA conclui que Moçambique não precisa apenas de construir mais infraestruturas, mas de garantir que esses projectos contribuam para o fortalecimento das empresas nacionais, através do reforço do conteúdo local e da criação de oportunidades para que pequenas e médias empresas possam crescer e acumular experiência.
Um indivíduo de 38 anos está detido e outros três encontram-se em fuga, na sequência do abate de um rinoceronte no Parque Nacional do Kruger, ocorrido no passado dia 20.
A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Gaza, diz ter esclarecido o caso após uma operação que culminou com a apreensão de quatro armas de fogo, um machado e duas viaturas, no distrito de Massingir.
O chefe do Departamento de Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, revelou, esta sexta-feira, que as buscas pelos suspeitos começaram depois do abate do rinoceronte, tendo a Polícia trabalhado em coordenação com os fiscais da reserva.
“Feita a diligência, chegámos a estes senhores. Chegados à residência de um dos indiciados, eles puseram-se em debandada. A Polícia perseguiu-os, tendo neutralizado este”, explicou Macuácua.
Durante a operação, as autoridades apreenderam quatro armas de fogo, um machado e duas viaturas que estariam na posse dos suspeitos.
Os três indiciados que conseguiram escapar estão na condição de procurados. A PRM garante que prosseguem as diligências com vista à sua localização e posterior encaminhamento à Justiça.
“A qualquer momento, a Polícia vai localizar e entregar-lhes à Justiça”, afirmou o responsável.
Este é o segundo caso de caça furtiva registado este ano na província de Gaza e esclarecido pelas autoridades. Segundo a PRM, o primeiro caso também foi esclarecido.
A tensão em Ceuta, enclave espanhol no Norte de África, agravou-se na quinta-feira, com confrontos entre a Polícia e manifestantes contrários à presença de migrantes, um mês depois da chegada em massa de pessoas provenientes de Marrocos.
Os confrontos ocorreram numa praia onde centenas de migrantes permanecem instalados em condições precárias. Segundo imagens divulgadas pela televisão pública espanhola, um grupo de manifestantes entrou na zona onde os migrantes dormiam, tendo alguns dos seus pertences sido incendiados durante os distúrbios.
Horas antes, dezenas de pessoas tinham participado numa manifestação pacífica para impedir temporariamente a entrada de viaturas da Cruz Vermelha na praia, onde seriam distribuídos alimentos aos migrantes. Munidos de bandeiras espanholas, os manifestantes gritavam palavras de ordem como «Eles deveriam ir embora» e “Fora com a Cruz Vermelha”, antes de serem dispersados pela Polícia.
Na noite de quarta-feira, as autoridades já tinham recorrido a gás lacrimogéneo para evitar confrontos entre manifestantes e migrantes acampados na mesma zona.
A situação agravou-se ainda mais na madrugada de quinta-feira, quando um veículo militar que transportava quatro soldados foi atacado por cerca de 70 migrantes. De acordo com um porta-voz da Polícia, o grupo lançou pedras e outros objectos contra a viatura, obrigando os militares a abandonar o local e a pedir auxílio policial.
Doze migrantes, todos de nacionalidade marroquina, foram detidos. Um dos soldados sofreu ferimentos ligeiros depois de ser atingido por uma pedra. As autoridades ainda não esclareceram as razões que terão estado na origem do ataque.
Os habitantes de Ceuta, território com apenas 18 quilómetros quadrados, têm realizado manifestações regulares, alegando problemas de segurança e higiene associados à permanência de milhares de migrantes nas ruas.
“A tensão na cidade de Ceuta está muito alta”, afirmou à rádio SER Kissy Chandiramani, conselheira de Finanças da cidade autónoma. A responsável considerou que existe uma sensação de abandono por parte das autoridades centrais, mas apelou à calma, advertindo que o aumento da hostilidade não contribuirá para resolver a crise.
GOVERNO PROMETE REFORÇAR RESPOSTA
Mais de 70 mil migrantes chegaram a Ceuta no final de Julho, atravessando a fronteira com Marrocos a nado ou a pé. O fluxo migratório provocou dezenas de mortes e reacendeu o debate sobre a política migratória da União Europeia.
Embora a maioria tenha regressado a Marrocos poucas horas depois da chegada, milhares continuam em Ceuta, muitos deles a viver nas ruas e em condições precárias.
O Governo espanhol estima que permaneçam no território entre 3.500 e 7.000 migrantes, enquanto as autoridades locais, lideradas pela direita, apontam para pelo menos 10 mil pessoas.
O ministro da Justiça, Félix Bolaños, apelou à serenidade e garantiu, perante os deputados em Madrid, que as autoridades estão a trabalhar “sem descanso” para restabelecer a normalidade em Ceuta.
Nos últimos dias, o Governo espanhol anunciou medidas para aumentar a capacidade dos centros de acolhimento e acelerar os procedimentos destinados a determinar quais os migrantes que podem ser devolvidos a Marrocos.
O Ministério do Interior anunciou igualmente o envio de efectivos adicionais para apoiar a identificação dos migrantes. O Conselho de Ministros aprovou ainda um financiamento extraordinário de 25 milhões de euros para reforçar o apoio a menores não acompanhados, abrangidos por protecção legal especial.
Na terça-feira, o Governo criou também um «comando único» para coordenar a resposta à crise em Ceuta, sob liderança do ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres.
CRISE AGRAVA DIVISÃO POLÍTICA
A situação em Ceuta está igualmente a aprofundar as divisões políticas em Espanha, numa altura em que o país se prepara para eleições gerais previstas para o próximo ano.
Os partidos conservadores e de extrema-direita exigem o regresso de todos os migrantes a Marrocos. O Governo, contudo, defende que cada pessoa deve ser identificada individualmente para determinar se reúne condições para pedir asilo ou se pode ser deportada.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem sido alvo de críticas por parte das autoridades locais e dos moradores de Ceuta, que consideram que Madrid demorou a reagir à chegada em massa de migrantes.
Sánchez também foi criticado por ter mantido as suas férias de Verão enquanto a crise se agravava e por ter convocado o Conselho de Segurança Nacional apenas depois do seu regresso a Madrid.
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, acusou o Governo de abandonar os habitantes de Ceuta.
“Os habitantes de Ceuta estão a suportar isto sozinhos há um mês”, escreveu Feijóo na rede social X, acrescentando que «nada foi feito para impedir a invasão» nem para travar a crise de ordem pública, que, segundo afirmou, «piora a cada dia».
A administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) vai realizar uma reunião extraordinária em Setembro para analisar um pedido de autorização do director da agência para reduzir 120 postos de trabalho, devido à ausência de contribuições financeiras dos Estados Unidos da América (EUA).
De acordo com o Jornal de Negócios português, este é o único tema previsto para a reunião agendada para 7 de Setembro, segundo o documento com a ordem de trabalhos do encontro da agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal como outros organismos da ONU, as finanças da OIT estão a ressentir-se dos cortes no financiamento dos EUA.
A agência liderada por Gilbert Houngbo precisa de poupar cerca de 22 milhões de dólares, tendo indicado que já não tem outra forma de reduzir despesa além da relacionada com o pessoal, escreve o Jornal de Negócios.
Os Estados-membros têm de contribuir para o orçamento da OIT, mas os EUA encontram-se com pagamentos em atraso, devendo 173,5 milhões de francos suíços (185 milhões de euros), correspondentes a contribuições relativas a 2024 e 2025.
A contribuição deste ano, de 83,2 milhões de francos suíços (88,7 milhões de euros), ainda não se encontra em incumprimento. No entanto, se for considerada em conjunto com as anteriores, o valor total dos pagamentos pendentes dos EUA totaliza 257,5 milhões de francos (275 milhões de euros).
As contribuições obrigatórias dos Estados Unidos correspondem a 22% do orçamento da OIT. Seguem-se a China (20%), Japão (7%), Alemanha (5,6%) e França (3,8%), enquanto Espanha representa 1,9%, de acordo com o orçamento de receitas para 2026-2027.
A crise no financiamento da OIT acontece nas vésperas da abertura do concurso para o cargo de director-geral. O actual director, Gilbert Houngbo, antigo primeiro-ministro do Togo e responsável máximo da OIT desde 2022, espera ser reeleito em Novembro, tendo como concorrente a vice-presidente e ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha, Yolanda Díaz.
O Conselho de Administração da OIT confirmou, na reunião de Junho, que Houngbo deveria proceder à aplicação de “medidas de contingência”, o que implicava levar a cabo um “processo justo e transparente para identificar os cargos suscetíveis de serem suprimidos”, segundo o Jornal de Negócios.