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Antigos combatentes e desmobilizados de guerra dizem que os valores das suas pensões são insignificantes e estão longe de satisfazer as necessidades básicas para a sua sobrevivência. A preocupação foi apresentada à Assembleia da República, que prometeu remeter ao Governo.

O Fórum de Ex-combatentes, uma organização que congrega antigos combatentes e desmobilizados de guerra, está desavindo com o Governo por causa dos subsídios, e, nesta terça-feira, foi pedir mediação da Presidente da Assembleia da República.

Ao fim da audiência, Benedito Infula, vice-presidente do Fórum Moçambicano de Ex-Combatentes (FOMEC), informou que o grupo recebe uma pensão irrisória, independentemente da patente que os desmobilizados ostentam

“Ali não há diferença de patência, até major está tem 2,7 mil […] É difícil gerir esse dinheiro. Como é que a criança vai à escola com 2,7 mil? Então, a preocupação aqui maior é de salário para o combatente”, questiona.

Os combatentes dizem ter recebido garantias de Margarida Talapa, que vai questionar o Governo sobre o assunto.

“Disse que não vai falar com o Presidente da República e questionou por que a ministra não atende esta camada social.”

No mesmo dia, a presidente do Parlamento recebeu a nova direcção da Cruz Vermelha em Moçambique e reafirmou a sua prontidão para ajudar o País no evento climático El Niño, “sobretudo para criar condições favoráveis para as populações que estão afectadas”, garantiu Alexandre Formisano.

O Parlamento pediu a colaboração da instituição para apoiar a casa do povo para melhor fiscalizar o cumprimento do Direito Internacional Humanitário.

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Pessoas com deficiência na cidade de Chimoio, província de Manica, denunciam dificuldades de circulação nos passeios, devido à ocupação dos espaços por vendedores informais. A situação obriga cidadãos que utilizam cadeiras de rodas, muletas e bengalas brancas a circular pela faixa de rodagem, expondo-se ao risco de atropelamento.

A denúncia é apresentada por membros de associações de pessoas com deficiência, que apontam como zonas mais críticas as principais artérias do centro da cidade, sobretudo nas imediações do Mercado Central e na Avenida 25 de Setembro. Nestes locais, os passeios encontram-se ocupados por bancas, caixas de tomate, roupas e outros produtos comercializados informalmente.

Maria Campira, membro da Associação das Mulheres com Deficiência, e Manuel Machava, também ligado ao movimento associativo, apontam as dificuldades enfrentadas diariamente por pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência visual, que encontram obstáculos para circular em segurança.

Por sua vez, o delegado do Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD), em Manica, Boaventura Gabriel, considera que o problema ultrapassa os limites de Chimoio, constituindo um desafio que afecta várias cidades do país.

A legislação moçambicana determina que as instituições públicas, incluindo os conselhos municipais, devem assegurar condições de acessibilidade nos espaços e serviços públicos, de modo a garantir a participação e a mobilidade das pessoas com deficiência. Entretanto, persistem barreiras que dificultam tanto a circulação nas vias públicas como o acesso a edifícios e outros serviços.

As associações defendem, por isso, a necessidade de medidas que garantam a desocupação dos passeios e a criação de condições para que todos os cidadãos possam circular com segurança e autonomia.

O percurso das negociações que culminaram na assinatura do Acordo de Maputo para a Paz e Reconciliação Nacional, em Agosto de 2019, está, agora, retratado em livro. A obra, intitulada From Maputo to the Mountain (De Maputo à Montanha), foi lançada nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, pelo antigo diplomata suíço Mirko Manzoni, um dos protagonistas internacionais do processo de mediação entre o Governo e a Renamo. Com prefácio do antigo Presidente da República Filipe Nyusi, o livro recupera os principais momentos das conversações e os entendimentos que permitiram avançar para o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Mirko Manzoni esteve directamente envolvido no processo de paz, acompanhando as delegações moçambicanas durante um dos períodos mais delicados da história política recente do país. Agora, decidiu transformar essa experiência num registo escrito, trazendo à memória os avanços, os impasses e os momentos de incerteza que marcaram as negociações.

Entre as recordações mais difíceis está a morte de Afonso Dhlakama, então líder da Renamo, ocorrida a 3 de Maio de 2018, na Serra da Gorongosa. Manzoni considera que aquele acontecimento colocou em risco a continuidade de um processo que já estava em curso com o Presidente Filipe Nyusi.

“Nada disto foi linear. Houve momentos muito difíceis. O mais difícil para mim foi o dia 3 de Maio de 2018, quando Afonso Dhlakama morreu, em Gorongosa. Foi um choque súbito. Tinha falado com ele ao telefone poucos dias antes. Dhlakama tinha iniciado este caminho com o Presidente Filipe Nyusi, e havia o risco de que o processo pudesse terminar com a sua morte. Mas não foi isso que aconteceu”, recordou o antigo diplomata.

Segundo Manzoni, a vontade de dar continuidade ao entendimento prevaleceu, mesmo perante a mudança na liderança da Renamo. O processo prosseguiu com Ossufo Momade, que assumiu a liderança do partido após a morte de Dhlakama, permitindo que as negociações chegassem a um desfecho.

“Os dois lados encontraram motivação no trabalho que já tinham desenvolvido e naquilo que haviam construído até então. O Presidente Nyusi decidiu levar o processo adiante, em conjunto com o novo líder da Renamo, Ossufo Momade. A 6 de Agosto de 2019, foi assinado o Acordo de Maputo. Foi um momento de alívio, de profunda alegria e de reconhecimento de que, embora nada seja perfeito, era possível alcançar um entendimento”, afirmou.

Mais do que recuperar os acontecimentos que conduziram à assinatura do acordo, o autor explica que a obra pretende deixar uma reflexão sobre a importância da paz e a necessidade de preservar os entendimentos alcançados. Para Manzoni, a experiência moçambicana pode oferecer ensinamentos a outros países confrontados com conflitos.

“Escrevemos este livro para Moçambique e para o seu povo, que aprendi a admirar e respeitar, particularmente pela sua resiliência, determinação e vontade de seguir em frente. Escrevemo-lo também para que o mundo possa aprender com a experiência de Moçambique”, explicou.

O antigo enviado especial das Nações Unidas para Moçambique considera que a paz não deve ser entendida como um processo concluído com a assinatura de um acordo, mas como um compromisso que exige renovação permanente.

“À medida que o País avança, há uma verdade que permanece incontornável: a paz nunca está concluída. É uma construção permanente, uma luta contínua que nunca devemos deixar de travar. Pedra a pedra, construímos um novo dia. Acredito que foi precisamente assim que o Acordo de Paz de Maputo cumpriu o seu propósito. Uma paz assente na apropriação nacional não elimina as divergências, mas dá ao País a capacidade de conviver com as diferenças e de encontrar formas de divergir sem voltar à guerra”, sublinhou.

Olhando para os desafios que se colocam ao País, Manzoni defende que o diálogo, a capacidade de escuta e a liderança nacional continuam a ser fundamentais para evitar retrocessos. Neste contexto, aponta o Diálogo Nacional Inclusivo, promovido pelo actual Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, como mais uma demonstração da aposta na procura de consensos por via do entendimento.

“Os desafios que se avizinham são reais, tanto para Moçambique como para o mundo, e exigirão a mesma paciência, a mesma capacidade de escuta e o mesmo sentido de liderança nacional. O Diálogo Nacional Inclusivo, recentemente promovido por Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, em Moçambique, é mais um exemplo dessa determinação em colocar o diálogo no centro da construção de soluções. É uma experiência que pode servir de exemplo para o mundo inteiro”, considerou.

A obra tem prefácio do antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, que considera importante o registo escrito dos acontecimentos, por permitir que as gerações actuais e futuras conheçam os caminhos percorridos, identifiquem os erros e valorizem os progressos alcançados.

“Costuma dizer-se que o que fica escrito permanece. Isso significa que tudo aquilo que aconteceu, para o bem ou para o mal, ficará registado. O que estiver mal poderá ser identificado e corrigido, permitindo-nos fazer melhor no futuro. Por outro lado, aquilo que tiver sido bem conseguido poderá ser valorizado e servir de referência para outras iniciativas”, afirmou Filipe Nyusi.

O antigo Chefe do Estado felicitou ainda a iniciativa, reconhecendo que, apesar de a obra resultar de uma experiência conduzida por intervenientes estrangeiros, constitui uma contribuição relevante para a memória do processo de paz moçambicano.

O Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), que acompanhou de perto o processo, também considera que o livro representa um contributo para a compreensão dos caminhos da reconciliação nacional. Na ocasião, um representante da instituição destacou a importância do envolvimento dos mediadores internacionais e da continuidade do compromisso com a paz, mesmo depois do fim das respectivas missões.

“Ainda hoje me pergunto que chá de moçambicanidade terá o Presidente Nyusi servido aos autores. Seja qual for, parece ter sido bastante eficaz, porque este lançamento é mais um sinal de que o seu compromisso com a paz em Moçambique não terminou com o fim da sua missão. Os autores, Mirko Manzoni e Nea, oferecem-nos um testemunho que revela os bastidores, muitas vezes invisíveis, do processo que conduziu à construção da paz moçambicana. Este livro é, por isso, não apenas um registo de factos, mas também um testemunho de perseverança, confiança e compromisso, valores que devem continuar a alimentar e a sustentar a nossa paz”, afirmou.

O lançamento da obra contou com a presença de diversas individualidades nacionais e estrangeiras, com destaque para a presidente da Assembleia da República, numa cerimónia que colocou novamente em debate a importância da preservação da memória histórica e da consolidação da paz em Moçambique.

Uma empresa mineira de capitais chineses, denominada HS Mining, terá encerrado a circulação numa estrada que dá acesso à região de Mavonde, no distrito e província de Manica, alegadamente para realizar trabalhos de pesquisa e exploração de ouro. A medida, em vigor há cerca de uma semana, está a gerar indignação entre os utentes da via, que receiam ficar isolados e enfrentam dificuldades na circulação de pessoas, viaturas e mercadorias.

A estrada em causa constitui a principal via de acesso a Mavonde, uma região considerada importante para a produção agrícola no distrito de Manica. Com a interrupção da circulação, produtores agrícolas e outros utentes enfrentam constrangimentos na deslocação e no transporte de produtos e outros bens.

Elias Djokonia manifesta preocupação com a situação e questiona como foi possível permitir que uma actividade de exploração mineira interferisse com uma estrada de utilização pública.

“Estamos mesmo espantados. Admiramos a empresa chinesa que fecha a estrada alegando que quer extrair ouro. E põe a estrada fora do contexto e onde, quando chove, não terá transitabilidade”, afirmou.

Por sua vez, Tendai Hanguire, que utiliza aquela estrada há mais de 30 anos, diz ter ficado surpreendido com a interrupção da circulação para dar lugar aos trabalhos de pesquisa e exploração de ouro.

“Isso aqui é triste porque fecharam a estrada que usamos desde 1992. Eu conduzi sempre aqui. Esse desvio está mal. Quando saí de Mavonde para a cidade, acompanhei que se abriu um caminho diferente”, relatou.

Perante os constrangimentos, foi indicada uma via alternativa para assegurar a circulação. No entanto, os moradores consideram que o desvio não reúne condições adequadas de segurança, alertando para o risco de acidentes de viação.

Os utentes apelam à intervenção das autoridades governamentais, para que a situação seja esclarecida e sejam encontradas soluções que garantam a continuidade da circulação, sem comprometer as actividades mineiras nem prejudicar as comunidades locais.

O O País tentou, sem sucesso, obter a versão da empresa HS Mining. Os seus responsáveis recusaram-se a prestar declarações.

Uma pessoa morreu por afogamento durante a 15.ª edição do Festival de Zalala, na província da Zambézia. O incidente ocorreu na noite de sábado, tendo a organização admitido a possibilidade de a vítima estar sob efeito do álcool.

“Temos a lamentar este facto. Não queríamos que assim fosse. A festa era para ser de alegria, mas fomos, infelizmente, surpreendidos com esta situação”, afirmou Ângela Assulai, directora provincial da Cultura e Turismo da Zambézia.

A tragédia ensombrou os três dias de festa, música e celebração cultural que juntaram milhares de pessoas na praia de Zalala. Ainda assim, segundo a organização, a edição deste ano superou as expectativas, tendo recebido mais de 40 mil participantes.

Apesar do incidente, o festival voltou a afirmar-se como uma das principais plataformas de promoção das artes, da cultura e das tradições da província da Zambézia. A programação incluiu espectáculos musicais, dança tradicional e contemporânea, num ambiente marcado pela confraternização e partilha.

Entre os participantes, o balanço foi maioritariamente positivo, com destaque para a oportunidade de estabelecer novas amizades e apreciar a diversidade de pratos típicos da gastronomia zambeziana.

Os expositores do sector gastronómico também manifestaram satisfação com os resultados alcançados, afirmando que conseguiram realizar bons negócios durante os três dias do evento.

A arte de rua teve igualmente espaço nesta edição. O cineasta e artista Jorge dos Santos apresentou uma estátua humana, numa performance marcada por cores que simbolizam a esperança, e considerou que o festival deste ano foi um sucesso.

Entretanto, a organização já prepara a realização da 16.ª edição do Festival de Zalala, prevista para o próximo ano.

Comandante da PRM admite que os números oficiais não reflectem a realidade vivida nos hospitais e alerta que muitos sinistrados ocultam os acidentes por receio da fiscalização.

A sinistralidade rodoviária envolvendo moto-táxis está a assumir proporções preocupantes na província de Sofala, com um número de vítimas que poderá ser muito superior ao registado oficialmente pela Polícia. Muitos acidentes não chegam ao conhecimento das autoridades, uma vez que os próprios sinistrados evitam reportar as ocorrências por receio de fiscalização.

O alerta foi lançado na cidade da Beira pela Comandante Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Beatriz Tichala, durante a abertura do XX Conselho Coordenador Provincial, ao apresentar o balanço da ordem e segurança públicas referente ao período de Janeiro a Setembro de 2026.

À primeira vista, os dados oficiais apontam para uma evolução positiva. A Polícia registou 30 acidentes de viação, contra 43 no período homólogo de 2025, o que representa uma redução de 30%. O número de óbitos baixou de 50 para 33, enquanto os feridos graves diminuíram de 26 para 11.

Contudo, segundo a Comandante Provincial, estes indicadores não traduzem a dimensão real do problema, uma vez que um número considerável de vítimas dá entrada directamente nas unidades sanitárias, sem que as ocorrências sejam comunicadas à Polícia.

“Registamos com enorme preocupação um fluxo considerável de sinistrados, sobretudo jovens motociclistas e moto-taxistas, que dão entrada directa nos hospitais sem que os casos cheguem ao conhecimento formal da Polícia”, afirmou.

De acordo com Beatriz Tichala, muitos destes condutores circulam sem documentação, carta de condução ou condições técnicas adequadas nas motorizadas, algumas das quais sem sistemas de iluminação. Quando se envolvem em acidentes, procuram evitar o contacto com as autoridades e, em determinados casos, abandonam as unidades sanitárias antes de receberem assistência médica.

“Muitas vezes motivados pelo receio de fiscalização decorrente da falta de documentação ou de condições técnicas das motorizadas, estes cidadãos alimentam uma cifra oculta de sinistralidade que superlota as enfermarias, provando que o perigo nas estradas é, na prática, sensivelmente superior ao que os papéis conseguem espelhar”, sublinhou.

Perante este cenário, a PRM promete intensificar as acções de fiscalização e sensibilização, em coordenação com as demais Forças de Defesa e Segurança, com particular incidência sobre os operadores de moto-táxis, visando reduzir os acidentes e travar a perda de vidas humanas nas estradas da província.

Criminalidade também aumenta

No domínio da criminalidade, Sofala registou 101 casos entre Janeiro e Setembro de 2026, contra 90 no período homólogo de 2025, representando um aumento de 12%. Entre os crimes registados destacam-se os homicídios e os roubos agravados.

Do total de ocorrências, 98 foram esclarecidas, correspondendo a uma taxa de operatividade de 97%.

Um avião privado do tipo Learjet 60 despenhou-se, domingo, numa zona residencial do Estado norte-americano da Flórida, provocando a morte das nove pessoas que seguiam a bordo. O impacto abriu uma cratera junto a uma estrada movimentada e desencadeou uma explosão que deixou destroços em chamas nas proximidades de habitações e estabelecimentos comerciais.

O aparelho tinha partido de Austin, no Estado do Texas, com destino ao aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas. O acidente ocorreu por volta das 12h50 locais (19h50 em Moçambique), no condado de Palm Beach.

A violência do impacto obrigou as autoridades a retirar cerca de 600 moradores de uma comunidade residencial próxima, devido aos danos provocados no acesso ao local. Os afectados foram encaminhados para dois abrigos temporários, enquanto decorriam os trabalhos de emergência e avaliação dos estragos.

Imagens captadas por uma câmara instalada num veículo mostram o avião a precipitar-se sobre o solo, antes de embater e explodir numa grande bola de fogo. O acidente deixou uma cratera de grandes dimensões junto à estrada e espalhou destroços pela zona.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a tripulação comunicou problemas relacionados com a formação de gelo na aeronave e turbulência moderada, tendo solicitado melhores condições de voo. Pouco depois, foi declarada uma emergência, com o avião a entrar numa descida acentuada.

A Administração Federal de Aviação (FAA) e o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) dos Estados Unidos anunciaram a abertura de uma investigação para apurar as causas do acidente. Até ao momento, não foram divulgadas informações sobre a identidade das vítimas.

A ministra dos Combatentes, Nyeleti Brooke Mondlane, destacou a coragem de Deolinda Guezimane na luta contra a discriminação racial e as barreiras sociais impostas às mulheres, recordando episódios da sua juventude que contribuíram para despertar a consciência sobre a necessidade de lutar pela liberdade e igualdade.

Falando durante as cerimónias fúnebres da veterana da luta de libertação nacional, a governante recordou que, em 1960, quando frequentava uma escola de corte, costura e bordados, em Lourenço Marques, Deolinda foi confrontada com uma atitude discriminatória por parte de um visitante que questionou a professora sobre a razão de ensinar uma mulher negra a executar um trabalho considerado delicado.

Segundo Nyeleti Mondlane, o episódio marcou profundamente a antiga combatente, que recordava o sucedido com dor, por ter sido colocada em causa a sua capacidade em razão da cor da pele.

A discriminação racial não era, entretanto, o único obstáculo que enfrentava. De acordo com a ministra, a tradição também limitava as oportunidades das mulheres, esperando-se que as jovens se casassem cedo, em vez de prosseguirem os estudos.

Perante esta realidade, Deolinda Guezimane compreendeu que a mulher moçambicana enfrentava uma dupla opressão: a do colonialismo e a dos costumes que restringiam a sua liberdade. Foi esta consciência que, segundo a governante, contribuiu para a sua decisão de participar na luta de libertação nacional.

A 7 de Março de 1965, um dia depois de completar 22 anos, Deolinda deixou a família e juntou-se à FRELIMO, iniciando uma caminhada que a levaria à Tanzânia e, posteriormente, à formação político-militar em Nachingwea.

Para Nyeleti Mondlane, a história de Deolinda Guezimane demonstra que a emancipação da mulher não foi uma concessão, mas resultado de uma luta protagonizada por mulheres que desafiaram as limitações do seu tempo.

A ministra considerou que as oportunidades hoje conquistadas pelas mulheres moçambicanas na escola, no Parlamento e no Governo também resultam do esforço de combatentes que abriram caminho para as gerações seguintes.

“Há vidas que se contam pelos caminhos que abriram para os outros”, afirmou Nyeleti Mondlane, ao recordar o legado da antiga combatente.

 

A Organização da Mulher Moçambicana (OMM) destacou o contributo de Deolinda Guezimane para a luta de libertação nacional e a emancipação da mulher, considerando-a uma figura de referência na história do País e na construção do Estado moçambicano.

Falando durante as cerimónias fúnebres da antiga dirigente, a Secretária-Geral da OMM, Cidália Chaúque, recordou o percurso de coragem de Deolinda Guezimane, que, ainda jovem, percorreu durante três meses caminhos difíceis até à Tanzânia.

Segundo a dirigente, a decisão de integrar a luta demonstrou que a libertação nacional não era uma tarefa exclusiva dos homens, mas também uma responsabilidade das mulheres, que deviam participar na conquista da independência e na sua própria emancipação.

Durante a luta, Deolinda Guezimane participou nas frentes de combate e mobilizou homens e mulheres a aderirem à causa da libertação. A sua intervenção foi igualmente determinante na mobilização feminina, num processo que contribuiu para a criação da Organização da Mulher Moçambicana, a 16 de Março de 1973.

Com a fundação da OMM, Deolinda Guezimane foi eleita a primeira Secretária-Geral da organização, assumindo a responsabilidade de dirigir uma estrutura que tinha como um dos principais objectivos promover a participação e a emancipação da mulher moçambicana.

A Secretária-Geral da OMM considerou que aceitar essa missão foi um acto de coragem, que contribuiu para a afirmação da mulher nos processos de transformação política, económica e social do País.

Cidália Chaúque recordou ainda que o compromisso de Deolinda Guezimane com Moçambique não terminou com a proclamação da independência, tendo continuado a participar em diferentes momentos da vida nacional, através de várias responsabilidades políticas e sociais.

Entre as funções desempenhadas, destacou-se como membro do Comité Central da Frelimo, integrante da Comissão Política, deputada da Assembleia Popular e da Assembleia da República, membro do Conselho de Estado, secretária-geral da Associação Moçambicana de Amizade e Solidariedade com os Povos (MASP) e coronel na reserva. Foi também membro de honra da OMM.

Para a organização, o seu percurso demonstra que servir a Pátria significa assumir compromissos e colocar as capacidades individuais ao serviço de causas colectivas.

Na ocasião, a Secretária-Geral apelou à continuidade do legado da antiga dirigente, defendendo que a OMM deve investir na formação de quadros e criar condições para mobilizar mais mulheres jovens, de modo a manter a organização forte e actuante.

“A OMM deve continuar a ser estrela que ilumina os moçambicanos”, recordou, citando uma das orientações deixadas por Deolinda Guezimane.

A dirigente terminou a homenagem reafirmando que as lições de vida, coragem e dedicação à Pátria da antiga Secretária-Geral permanecerão na memória das mulheres moçambicanas.

A Bancada Parlamentar da Frelimo destacou o contributo de Deolinda Guezimane para a história parlamentar moçambicana, enaltecendo o seu percurso de militância, coragem e compromisso com a representação do povo e a construção das instituições do Estado.

Na mensagem de homenagem apresentada durante as cerimónias fúnebres, esta segunda-feira, a bancada recordou que a antiga dirigente teve a particularidade de exercer funções de deputada em dois períodos distintos da história parlamentar do país: na Assembleia Popular, antes da introdução do multipartidarismo, e, posteriormente, na Assembleia da República, na sequência das primeiras eleições gerais multipartidárias.

Segundo a mensagem, a sua passagem pelos dois órgãos legislativos demonstrou a continuidade do seu compromisso com a representação dos cidadãos e com a construção do Estado moçambicano.

Durante o período da Assembleia Popular, Deolinda Guezimane desenvolveu actividades na área da defesa e ordem pública, tendo posteriormente integrado também a Comissão de Defesa, Segurança e Ordem Pública da Assembleia da República, contribuindo em matérias consideradas fundamentais para a soberania, estabilidade e segurança do país.

A bancada salientou ainda a capacidade da antiga parlamentar de construir consensos e colocar os interesses nacionais no centro das decisões, considerando que a sua participação no Parlamento ultrapassou o exercício formal do mandato, representando também a afirmação da mulher moçambicana nos espaços de decisão política.

A homenagem fez igualmente referência à participação de Deolinda Guezimane em importantes processos políticos além-fronteiras, na qualidade de representante do povo moçambicano.

Para a Bancada Parlamentar da Frelimo, o legado da antiga deputada deverá continuar a inspirar as actuais e futuras gerações, particularmente na luta pela participação plena da mulher na vida política e parlamentar.

No final da mensagem, a bancada apresentou condolências aos filhos, netos, familiares, amigos e antigos companheiros de luta, sublinhando que, embora a missão de Deolinda Guezimane tenha terminado, o seu exemplo permanecerá na memória colectiva do país.

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