O Banco Africano de Desenvolvimento projecta um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9% para Moçambique em 2026-2027. Embora positivo, este crescimento está abaixo de 7%, nível considerado necessário para uma transformação económica acelerada e redução significativa da pobreza.
O relatório do Banco Africano de Desenvolvimento sobre o Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas em África perpectiva é mais optimista do que o próprio Governo, ao prever um crescimento médio real do Produto Interno Bruto de 3,9%, acima dos 2,8% inscritos no PESOE 2026.
A projecção do BAD é baseada essencialmente pelo aumento da produção.
“Em vários países, o crescimento foi apoiado por uma produção agrícola mais forte, reflectindo não apenas condições climáticas favoráveis, mas também a adopção gradual
de práticas agrícolas inteligentes em termos climáticos, juntamente com o aumento do investimento em infraestruturas e a confiança renovada do sector privado”.
Embora o crescimento económico mostre positivo, o relatório mostra que está muito abaixo do ritmo necessário para reduzir a pobreza. É que o BAD determina o mínimo de 7% de crescimento para atingir este objectivo.
“É necessário um crescimento médio anual sustentado de pelo menos 7% durante uma década para que África concretize a transformação estrutural, acelere a redução da pobreza e construa resiliência contra choques globais e internos”.
Dos desafios enfrentados pelas nações africanas, o documento destaca:
Face a estes desafios, o relatório recomenda melhorias na gestão dos recursos públicos.
“Os países africanos têm de implementar reformas complementares para melhorar a mobilização de recursos internos, nomeadamente através da digitalização dos sistemas fiscais e do alargamento da base tributária, bem como da melhoria da administração fiscal e
da redução da evasão ao fisco, o que diminuirá a dependência do financiamento da
dívida e reforçará as reservas orçamental”.
O BAD defende investimentos em infraestruturas produtivas e maior diversificação económica, ao mesmo tempo que identifica o fraco investimento em capital humano e os défices de competências como obstáculos ao crescimento.
Na cidade de Inhambane, as autoridades intensificaram a fiscalização aos transportadores semi-colectivos de passageiros, numa operação que visa promover maior segurança rodoviária e garantir o cumprimento das regras na actividade.
Logo nas primeiras horas da manhã, agentes reguladores de trânsito estiveram posicionados nas principais vias da cidade, com o objectivo de verificar as condições de segurança das viaturas e a legalidade da actividade de transporte.
A acção também teve como foco o combate ao agravamento ilegal de tarifas e ao encurtamento irregular de rotas, práticas que têm motivado reclamações por parte dos passageiros.
Segundo o Conselho Municipal de Inhambane, mais de 80 viaturas foram fiscalizadas no âmbito da operação, tendo sido aplicadas 15 multas por diferentes tipos de infracções, no quadro do reforço da disciplina e da regularização do sector.
Uma jovem de 26 anos de idade e sua filha de oito meses morrem atropeladas e arrastadas na Estrada Nacional Número Um (EN1), em Xai-Xai, na província de Gaza. Além de embriagado, o indivíduo de 24 anos de idade, que conduzia a viatura envolvida no sinistro não tem carta de condução. A Polícia garante duras medidas contra o implicado.
A EN1 voltou a ser palco de sangue e luto na cidade de Xai-Xai, na província de Gaza.
“Foi um acidente muito violento, que é muito triste, é muito triste, porque a moça que morreu perdeu a vida logo no local e com a criança”, relatou uma testemunha.
O acidente que ocorreu por volta das 17 horas desta quinta-feira resultou em amputações traumáticas às vítimas e em face disto perderam a vida no local, a escassos metros da EN1 e a 12 metros da sua residência.
“Não passou, em um minuto isso aconteceu, porque eu só deixei ela brincar na sua motinha, só fui lá dentro deixar uma coisa e tudo o que houve foi um barulho. Houve desassociação de membros no seu corpo e ali, onde eu verei, tem uma parte de cérebro ou um órgão que foi esmagado e a polícia não fez a recolha. Então, por isso, eu protegi-me aquele local ali” revelou outra testemunha.
De acordo com munícipes que testemunharam o trágico acidente, o indivíduo na condução do automóvel envolvido no sinistro estava embriagado, e antes do despiste da viatura que seguia no sentido Xiquelene-Baixa de Xai-Xai, com cinco passageiros à bordo, seguia em alta velocidade.
“Todos estavam bêbados, tinha bebida no carro (…) também estava em contra-mão, então esquivou aquele caminhão, daí saltou, entrou o carro em casa, bateu aquela miúda ali”, relatam.
E mais, “E ele nem tinha consciência do que fez, tanto que estava preocupado em querer ir, achava que fosse uma piada, tudo o que chamavam de dizer e o motorista estava bêbado. Um carro que consegue derrubar um coqueiro, tirar de um lugar para outro, já pode imaginar a velocidade que ele vai ter, então eu estimo acima de 140, 150, por assim dizer.” frisaram.
As autoridades policiais recolheram os membros amputados em plásticos para a morgue do Hospital Provincial de Xai-Xai, avançaram líderes do bairro 4 de Inhamissa, que destacaram ainda, que um coqueiro foi deitado abaixo e assim escaparam à tragédia outras duas crianças que se encontravam no pátio desta residência.
A polícia da República de Moçambique em Gaza, fala das causas do acidente.
“A velocidade excessiva que o condutor praticava aliado ao consumo de álcool, onde colheu a mãe e filha, e posteriormente parou quando encontrou um obstáculo físico” , explicou o porta-voz da Polícia em Gaza.
Júlio Nhamussua garantiu que o jovem de 24 anos de idade será responsabilizado por condução ilegal.
“Trata-se de um condutor ilegal que vai ter as suas responsabilizações criminais, assim como por ter cometido este acidente, porque não é uma pessoa habilitada, não teremos 3 como lhe responsabilizar de acordo com o Código de Estrada”, esclareceu.
O governador de Nampula, Eduardo Abdula, garante continuar a combater de forma cerrada a venda e consumo de drogas nesta parcela do país.
O governante apela à população para que aconselhe os seus filhos que estão a consumir drogas a não se deixarem aproveitar por aqueles que considera de “malandros e bandidos”.
Eduardo Salimo avisou os vendedores de drogas que, segundo ele, têm enviado mensagens ameaçadoras às equipas que trabalham no combate, que não irá dar tréguas.
O governante assegurou também não ter medo de ser morto, ao mesmo tempo que promete acabar com esse mal e com os respectivos fomentadores.
“Sou protegido por Deus. Não ando armado nem com coletes de balas e estou sempre livre. Nas próximas reuniões vou dar-vos os cafés onde costumo sentar, podem vir atirar para mim”, disse o governante.
Salimo sublinhou que, caso os vendedores não parem com as suas actividades ilícitas, ele vai ser um verdadeiro pesadelo ou “diabo” em pessoa.
“Não vos irei largar até ao meu último suspiro”, anotou o governante.
A província de Nampula tem, nos últimos anos, registado um crescente número de venda e consumo de drogas, facto que levou as autoridades a intensificarem as acções de combate através de várias iniciativas, sobretudo focadas nos jovens.
A economia deverá registar uma recuperação gradual nos próximos dois anos, impulsionada sobretudo pela retoma do sector extractivo, pelo aumento do investimento e pela expansão do consumo privado. A previsão é do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
De acordo com a instituição, o crescimento económico poderá atingir 2,1% em 2026 e 3,5% em 2027, segundo o relatório Perspectivas Económicas Africanas 2026, apresentado nesta quarta-feira, durante as reuniões anuais da instituição, em Brazzaville, República do Congo.
Os dados divulgados pelo BAD mostram ainda uma trajectória de recuperação moderada da actividade económica nacional, depois de anos marcados por choques climáticos, pressão inflacionária, instabilidade política e insegurança armada em Cabo Delgado.
O relatório refere que a previsão para 2026 representa um aumento de 0,2 pontos percentuais em relação ao crescimento estimado para o ano de 2025, reflectindo uma melhoria gradual do ambiente macroeconómico.
Segundo o documento, a economia deverá beneficiar da “recuperação do sector extractivo”, do “forte consumo privado impulsionado pelo aumento dos rendimentos” e ainda do crescimento do investimento público e privado.
O BAD considera que os grandes projectos ligados ao gás natural liquefeito e à exploração mineira continuam a representar um dos principais motores da economia moçambicana, numa altura em que o País procura consolidar a estabilidade económica e recuperar a confiança dos investidores internacionais.
A instituição financeira africana destaca que a recuperação do sector extractivo poderá contribuir para o aumento das exportações e para a dinamização de outros sectores da economia nacional, incluindo transportes, serviços, construção civil e comércio.
Nos últimos anos, Moçambique tem apostado fortemente na exploração de recursos naturais, sobretudo gás natural, grafite e minerais pesados, considerados estratégicos para o crescimento económico de médio e longo prazo.
O Banco Africano de Desenvolvimento prevê, também, uma desaceleração da inflação para uma média de 5,7% entre 2026 e 2027.
Segundo o relatório, esta tendência deverá resultar do “alívio das pressões temporárias do lado da oferta”, em linha com os esforços do Banco de Moçambique para manter a inflação em níveis de um só dígito. A redução da inflação poderá aliviar o custo de vida das famílias e criar melhores condições para o consumo privado e para o investimento empresarial.
No entanto, o banco alerta para o agravamento das contas públicas moçambicanas. O défice orçamental deverá atingir 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e aumentar para 7% em 2027. De acordo com o BAD, esta pressão fiscal será provocada pelo “aumento dos pagamentos de juros e pela redução dos donativos para financiamento de projectos”.
As contas externas também deverão enfrentar desafios significativos nos próximos anos. O BAD estima que o défice da conta corrente aumente para 28,8% do PIB em 2026 e para 32,7% em 2027, impulsionado sobretudo pelo crescimento das importações relacionadas com os megaprojectos energéticos e mineiros.
Segundo a instituição, o aumento das importações será “impulsionado pela maior produção de gás natural liquefeito e minerais”, situação que poderá exercer pressão sobre as reservas internacionais e sobre o equilíbrio externo da economia.
Entre os principais riscos para a economia moçambicana, o BAD destaca os choques climáticos, a instabilidade política, as tensões no comércio global e o conflito armado em Cabo Delgado. Ainda assim, o relatório sublinha que estes desafios “podem ser mitigados através do reforço da governação e do investimento na resiliência climática”.
O banco considera que a melhoria da governação económica, o reforço da transparência fiscal e o investimento em infra-estruturas resilientes poderão desempenhar um papel decisivo na consolidação do crescimento económico de Moçambique. A instituição tem defendido uma maior mobilização de financiamento para acelerar o desenvolvimento africano, numa altura em que vários países enfrentam dificuldades de acesso ao crédito internacional.
No plano continental, o relatório Perspectivas Económicas Africanas 2026 prevê que o crescimento económico africano abrande para 4,2% neste ano, podendo descer para 4% caso persistam as tensões geopolíticas e os conflitos no Médio Oriente.
Ainda assim, o Banco Africano de Desenvolvimento considera que África continua a demonstrar resiliência económica, apesar das perturbações nas cadeias globais de abastecimento e das restrições financeiras internacionais.
O encontro anual do Banco Africano de Desenvolvimento decorre até esta sexta-feira, em Brazzaville, sob o lema “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.
O evento reúne representantes dos 81 países-membros da instituição, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, numa altura em que o continente procura acelerar o crescimento económico e reforçar a capacidade de financiamento para o desenvolvimento.
O sistema bancário em Moçambique continua a enfrentar um problema crescente relacionado com o não pagamento de créditos por parte de clientes, quer particulares quer empresas.
O relatório do Banco de Moçambique (BdM) sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros, publicado nesta terça-feira, referente ao primeiro trimestre do ano, revela que “quase 15% do crédito concedido pelo banco BCI, liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), estava em incumprimento em 31 de Março, mas outros bancos mantinham igualmente rácios acima dos 5% recomendados pelo regulador”.
Este tipo de indicador, conhecido como crédito malparado, representa o dinheiro que os clientes deixaram de pagar ao banco dentro do prazo previsto. Quando a percentagem aumenta, significa maior pressão sobre os bancos e maior dificuldade na concessão de novos empréstimos à população e às empresas.
O Banco Comercial e de Investimentos (BCI) surge como uma das instituições mais expostas a esta realidade, com um rácio de crédito em atraso de 14,47%, ligeiramente acima do trimestre anterior. Apesar disso, o banco reforçou as suas reservas internas para cobrir possíveis perdas, atingindo um rácio de cobertura de 21,03%, numa tentativa de reduzir o impacto desses incumprimentos.
O Millennium BIM apresentou um desempenho mais positivo, ao reduzir o seu nível de incumprimento para 2,37%, abaixo dos 2,69% registados anteriormente. Este banco também aumentou a sua capacidade de cobertura para 86,57%, o que indica uma posição mais segura para lidar com eventuais atrasos.
No caso do Moza Banco, a situação continua preocupante, embora com sinais de melhoria. O banco reduziu o rácio de incumprimento de 29,21% para 27,58%, o que ainda representa um nível elevado de créditos por recuperar. Já o Access Bank Moçambique manteve a mesma percentagem do período anterior, fixado em 6,96%, ainda acima do limite recomendado pelo regulador.
Entretanto, algumas instituições mostram maior estabilidade. O FNB Moçambique registou 4,66%, o Standard Bank Moçambique apenas 0,64%, o First Capital Bank Moçambique 1,66% e o Absa Bank Moçambique 4,15%, todos dentro dos limites considerados seguros pelo Banco de Moçambique.
No relatório de estabilidade financeira, o BdM alertou que “o rácio de crédito malparado se fixou em 2024 em 9,32% do total, contra 8,23% no ano anterior, continuando acima do limite máximo de 5,0%, convencionalmente aceite”.
O mesmo relatório acrescenta ainda que o crédito em incumprimento totalizou mais de 30 mil milhões de meticais, o equivalente a cerca de 412 milhões de euros, o que representa um aumento significativo face ao ano anterior.
O aumento destes créditos em atraso está muitas vezes ligado a factores como dificuldades económicas das famílias, redução do rendimento das empresas, aumento do custo de vida e instabilidade de alguns sectores produtivos.
O sector da agricultura vai aplicar 200 milhões de meticais provenientes das receitas do gás natural na reconstrução dos regadios de Chókwè e Baixo Limpopo, na província de Gaza. A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, durante a primeira reunião nacional da Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA) 2025-2029, que decorre na província da Zambézia.
Segundo Albino, os fundos destinados à reabilitação dos dois regadios surgem no âmbito do processo de reconstrução pós-cheias e deverão impulsionar a produção de arroz no País. O governante falava ao “O País” à margem do encontro nacional da AQUA, que se iniciou ontem e termina nesta sexta-feira.
O ministro explicou que a recuperação das infra-estruturas agrícolas afectadas pelas cheias é considerada estratégica para o aumento da capacidade produtiva, sobretudo nas zonas de maior potencial agrícola da região Sul do País.
Entretanto, sobre os cerca de 95 por cento dos valores necessários para a reconstrução pós-cheias nos sectores da agricultura e pescas, Roberto Albino assegurou que o financiamento já está garantido. O dirigente afirmou, sem avançar os montantes, que os recursos estão a ser canalizados para o processo de aquisição de insumos agrícolas, contando com o apoio de parceiros internacionais.
“A nossa grande preocupação era repor insumos para os produtores. Fizemos o levantamento daqueles que sofreram os danos e, com base nisso, fizemos o plano de recuperação. Felizmente, conseguimos os recursos e já estamos a distribuir os insumos nas regiões afectadas”, disse o ministro, avançado um pequeno detalhe. Segundo disse, “o mercado nacional não esteve à altura de poder fornecer todos os insumos de que nós precisamos. Tivemos de fazer a importação e, por exemplo, esta campanha de vacinação que está a ocorrer está a ser feita com recurso de parceiros. Nem Moçambique e muito menos a região tem vacinas suficientes, por isso estamos a trazer da Europa e da Ásia”, afirmou o ministro do pelouro, que diz que na Zambézia grande parte dos insumos já foram distribuídos.
A reunião nacional da AQUA junta diferentes intervenientes do sector agrário e pesqueiro para avaliar desafios e definir estratégias de desenvolvimento para os próximos cinco anos.
Cento e quarenta e três funcionários públicos estão implicados num processo judicial por suspeitas de desvio de mais de 1,8 milhões de meticais destinados ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, no distrito de Mecuburi, província de Nampula.
A acusação foi formalizada pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção de Nampula no fim de Abril, após uma denúncia apresentada pelo director do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Mecuburi.
Segundo as autoridades, os indiciados pertencem ao Serviço Distrital de Educação e a várias escolas tuteladas no distrito, sendo acusados de se terem apropriado indevidamente de fundos públicos entre 2023 e 2024.
Os recursos em causa destinavam-se ao Fundo de Apoio Directo às Escolas, conhecido por ADE, um mecanismo usado para apoiar o funcionamento das instituições de ensino, sobretudo escolas primárias.
O director provincial de Educação em Nampula, Williamo Tuzine, afirmou que o sector pretende reforçar o combate aos desvios de fundos destinados às escolas.
“A maior parte das nossas escolas, principalmente as escolas primárias, têm funcionado com um único orçamento, que é o ADE. Queremos continuar implacáveis contra desvios de fundos”, declarou Tuzine.
O responsável acrescentou que o caso já foi encaminhado à justiça e que decorrem igualmente processos disciplinares internos contra os gestores envolvidos.
“Para o caso de Mecuburi, nós levámos o caso à justiça. Para além do processo disciplinar que está a decorrer no sector da educação, existe também um processo criminal”, afirmou.
Os 143 funcionários são acusados dos crimes de peculato, falsificação de documentos, uso de documento falso e abuso de cargo ou função.
Segundo o sector da Educação, dependendo da gravidade das infracções, os processos disciplinares poderão culminar com a expulsão dos implicados da Administração Pública.
O Fundo de Apoio Directo às Escolas é considerado essencial para o funcionamento básico das instituições de ensino, financiando despesas ligadas à gestão escolar, material didáctico, pequenas reparações e apoio administrativo.
Casos de desvio destes fundos têm sido apontados pelas autoridades como um dos factores que comprometem a qualidade do ensino e o funcionamento regular das escolas em algumas regiões do País.
A Assembleia da República (AR) promove, desde ontem até esta sexta-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, uma acção de indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-integrados e nomeados para o exercício de diferentes funções na magna Casa do Povo com o objectivo de reforçar a sua integração institucional e promover o alinhamento com os princípios que orientam a função pública.
Entretanto, o secretário-geral da Assembleia da República, António Mahumane, destacou que a integração dos novos quadros representa o início de uma nova etapa profissional marcada por elevadas responsabilidades públicas, exigindo compromisso, ética, dedicação e espírito de missão.
Falando na cerimónia solene de abertura da indução, Mahumane sublinhou que a Assembleia da República, enquanto órgão de representação do povo, de produção legislativa e de fiscalização da acção governativa, assenta o seu funcionamento no profissionalismo, na disciplina, no rigor técnico e na integridade dos seus recursos humanos.
“O exercício de funções públicas exige, acima de tudo, zelo, responsabilidade e sentido de Estado”, frisou Mahumane, sublinhando que “mais do que cumprir tarefas, importa compreender que servir a Assembleia da República é servir o cidadão e servir a Nação”.
O secretário-geral da Assembleia da República referiu ainda que a realização da indução se enquadra no compromisso da instituição em garantir serviços de apoio técnico-administrativo cada vez mais eficientes e alinhados com os desafios actuais da administração pública.
Dirigindo-se aos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados, Mahumane apelou ao cultivo permanente de valores como excelência, trabalho em equipa, humildade, honestidade, respeito mútuo, dinamismo, eficiência e eficácia no desempenho das suas funções.
A indução dos funcionários e agentes parlamentares recém-nomeados para os cargos de confiança visa a sua inserção na Assembleia da República, garantindo o melhor funcionamento das bancadas parlamentares e dos órgãos do Parlamento moçambicano.
Os participantes vão debruçar-se, entre outros, sobre a informação geral da Assembleia da República enquanto órgão de soberania na República de Moçambique։ Evolução histórica da Assembleia da República; Organização e funcionamento da Assembleia da República; Órgãos da Assembleia da República; e Secretariado-Geral da Assembleia da República (organização, competências e atribuições).
A Eurodeputada Hilde Vaut Mens defende que para combater o terrorismo é necessário combater a pobreza, sobretudo juvenil, através da educacao e criacao de postos de emprego. A informação foi dada na tarde desta quinta-feira, após o encontro mantido entre a delegação de eurodeputados e a ministra dos negócios estrangeiros e cooperação.
A ministra dos negócios estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, concedeu uma audiência à delegação de quatro eurodeputados, com a missão de avaliar e reforçar as relações entre Moçambique.
A equipa era chefiada por esta eurodeputada belga chamada Hilde Vaut Mens. A Saída do encontro, diante das duas delegações, Vaut Mens destacou a importância do emprego juvenil no combate ao terrorismo.
“Nós visitamos um maravilhoso projeto em que nós damos educação aos jovens e meninas e ajudamos-os a iniciar suas próprias empresas, seus próprios negócios. Porque eu acho que se você quiser combater o terrorismo, é uma questão de segurança, mas também está deve olhar para as raízes da pobreza, é preciso tira-los da pobreza.
Dê esperança e optimismo aos jovens, para que eles possam ganhar dinheiro, para que eles possam iniciar seus negócios. E é isso que vimos, jovens iniciando seus próprios negócios, de automóveis, eletricidade. Foi maravilhoso ver no campo o que esse projecto Europeu significa para esses jovens, porque realmente está quebrando o círculo, o círculo vicioso da pobreza. E isso significa que esperamos mantê-los fora das mãos dos terroristas”, Hilde Vaut Mens.
Com a ministra Lucas, os deputados abordaram questões económicas e de integração regional.
“Eu realmente espero que esse Fórum Global Gateway possa significar uma coisa importante na energia, mas também na luta contra as mudanças climáticas, e também no sector agrícola, porque isso também é algo que nós ouvimos que é realmente necessário. Então eu realmente espero que as empresas europeias possam encontrar um jeito de investir aqui como parcerias equitativas, e que as empresas moçambicanas possam trabalhar juntos no campo. Porque essa é a única maneira que uma parceria pode funcionar”, acrescenta.
O programa Global Gateaway visa acelerar o desenvolvimento económico através de sectores como conectividade e corredores de desenvolvimento, transformação digital, transição energética e agronegócio.
O próximo Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Global Gateway 2026) vai acontecer na cidade de Maputo nos dias 9 e 10 de junho, reunindo decisores políticos, instituições financeiras e o sector privado para desbloquear investimentos nos sectores estratégicos acima referido.
Assembleia da República recebe delegação da União Europeia
O 1º vice-presidente da Assembleia da República, Hélder Injojo, destacou os avanços registados na participação da mulher e dos jovens nos órgãos de decisão política do País. Injojo falava nesta quinta-feira em representação da presidente da Assembleia da República, durante um encontro que manteve com uma delegação da União Europeia, onde explicou que actualmente 39,3% dos deputados são mulheres, enquanto 60,8% são homens.
Numa audiência que serviu para reforçar os laços de cooperação entre Moçambique e a União Europeia, o deputado destacou que a Assembleia da República possui gabinetes especializados dedicados à promoção dos direitos da mulher e da juventude parlamentares, estruturas que trabalham para assegurar maior participação destes grupos na actividade legislativa.
Na sua intervenção, o dirigente parlamentar falou também das nove comissões especializadas existentes na Assembleia da República que são responsáveis pela apreciação de matérias legislativas, económicas, sociais e políticas.
Referindo-se às relações entre Moçambique e a União Europeia, o 1º vice-presidente da Assembleia da República reconheceu o apoio prestado pela organização europeia ao País em diversas áreas, incluindo acções de mitigação dos impactos sociais e económicos enfrentados pela população moçambicana.
O 1º vice-presidente da Assembleia da República enalteceu, igualmente, o apoio da União Europeia ao processo de Diálogo Nacional Inclusivo em curso no País, envolvendo forças políticas e diferentes sectores da sociedade moçambicana.
Durante o encontro, as partes abordaram ainda a cooperação parlamentar entre a Assembleia da República de Moçambique e o Parlamento Europeu, no âmbito de acordos de parceria actualmente em implementação.
No fim, Injojo considerou a visita da delegação europeia uma oportunidade importante para discutir questões prioritárias para o desenvolvimento do País e reforçar os mecanismos de cooperação institucional entre as duas partes.
“As relações entre Moçambique e a União Europeia devem continuar a fortalecer-se, assim como a cooperação entre os respectivos parlamentos, com vista a alcançar resultados positivos para os nossos povos”, afirmou o 1º vice-presidente da Assembleia da República.
O dirigente aproveitou ainda a ocasião para agradecer o apoio que a União Europeia tem prestado a Moçambique e desejou uma agradável estadia à delegação visitante no País.
A delegação da União Europeia recebida pelo 1º vice-presidente da Assembleia da República era chefiada pela vice-presidente do Parlamento Europeu e presidente da delegação da Assembleia Parlamentar África, Caraíbas e União Europeia, Hilde Vautmans.

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