O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Familiares de um dos jovens baleados na sequência do tiroteio ocorrido na última quinta-feira, no bairro Zona Verde, na Matola, desmentem que o seu ente querido era integrante de um grupo de raptores. Dizem que o SERNIC matou um inocente.

Na sequência da troca de tiros entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal e supostos raptores, na última quinta-feira, no bairro Zona Verde, Município da Matola, a corporação chamou a imprensa, no mesmo dia, para dar detalhes sobre o ocorrido. 

“Da troca dos tiros, foram alvejados ou foram atingidos dois dos suspeitos que se faziam  transportar naquela viatura, que posteriormente teriam perdido a vida”, disse Hilário Lole, Porta-voz do SERNIC.

Um dos jovens mortos pela polícia tido como um dos membros do grupo de raptores chama-se Casemiro Laís, de 35 anos de idade. A família diz que Laís nunca se envolveu em actos criminais, muito menos em raptos.

Na fatídica quinta-feira, conta a irmã do finado, Laísse seguiu para mais um trabalho, numa minibus. Quando iniciou o tiroteio todos fugiram, menos o em alusão, conforme conta Constância Bila, irmã do finado.

“Meu irmão rendeu-se quando saiu do chapa. Levantou as mãos, meu irmão quando estava a abrir a boca para dizer que eu estou saindo desse carro aqui, não estou com aqueles bandidos, os agentes não quiseram ouvir. Só disseram <cala boca, está aqui outro ladrão, está aqui outro raptor>. Meu irmão disse, me deixem falar. Não lhe deixaram, meu irmão, a falar. Daí deram três tiros nele”.

A família do malogrado conta que o jovem Laísse era biscateiro. Vivia um dia de cada vez, mas a irmã garante que era tudo fruto do seu suor. 

“Assim que eles disseram que é rapto, é bandido, assim que levantou as mãos, porque que não algemaram a ele? Nao exigiram que ele mostrasse os outros integrantes da quadrilha,  ou uma coisa parecida, não fizeram.  Deram três tiros no meu irmão, mataram o meu irmão, parece que é um cão. Nesse país ser pobre é problema. Se quiser, o Ministério do Interior, que venha aqui investigar, que venham investigar tudo.  Eu tenho o número dos amigos dos meus irmãos,  que viajavam com meu irmão daqui para o norte e voltavam. Aqui nunca comemos nada de roubo, mas hoje estamos aqui. Meu irmão anda a sair nas televisões, dizer que é ladrão, é traficante”.

Indignados, igual aos familiares das outras vítimas deste tiroteio, os familiares de Laísse questionam a actuação do SERNIC. 

“Fiquei indignada, e até neste momento estou muito indignada. Eu me pergunto se a casa de um sequestrador é igual a isto? Um sequestrador, claro que é, quero acreditar que ganha um bom dinheiro. Se fizer um presente, até o quarto, a cama onde ele dorme, é de lamentar. Aquele jovem para a esposa ter uma alimentação tinham que esperar o jovem sair para batalhar.  E mandava alguma coisa, uns 50, uns 100 meticais, para poder preparar alguma refeição. Era um jovem batalhador, fazia qualquer tipo de trabalho: Pedreiro,  cobrador de chapa, tudo que lhe aparecia à frente, ele fazia em prol da família.  Essa polícia nunca é punida, por quê?  Nunca são encontrados, por quê? Nós, o povo aqui, temos que estar a todo momento a sermos amados e feitos galinhas, por quê? O Ministério do Interior, até neste momento, não nos diz algo, por quê? Então, o Ministério não tem polícias, tem assassino. É uma quadrilha de assassino”, desabafou um familiar, em anonimato.

As estruturas do bairro Ndlavela, tambem atestam a idoneidade do finado. 

Laisse vivia nesta casa com sua mãe, esposa e quatro filhos menores. 

Enquanto aguardam explicações do SERNIC, a família marcou o velório e funeral do jovem Laíse para a próxima segunda-feira, às 10 horas, no cemitério de Michafutene.

Vídeos

NOTÍCIAS

O arranque da Liga Jogabets foi adiado por uma semana depois que os clubes da capital do país alegaram pouco tempo de treinos, remetendo dessa forma um pedido para que a prova não arrancasse nas datas inicialmente agendadas. Assim, a prova inicia no dia 21 de Fevereiro corrente.

O que era para ser o arranque da festa do futebol na Cidade de Maputo acabou por “bater no muro”, depois que a Associação de Futebol da Cidade de Maputo adiou os jogos da primeira jornada a pedido dos clubes.

Em causa estão três motivos avançados pela imprensa moçambicana, nomeadamente o pouco tempo de preparação dos clubes, as dúvidas em relação as datas do arranque do Moçambola e a falta de inscrição dos clubes junto da AFCM.

No que ao primeiro motivo diz respeito, aliado ao segundo motivo, os clubes já tinham questionado, no dia do sorteio da prova, as datas do início do Moçambola-2026, como forma de melhor organizar a Liga Jogabets, em relação ao início e seu final, tendo em conta que a Federação Moçambicana de Futebol marcou o jogo da Supertaça para os dias 7 ou 8 de Março e o arranque do Moçambola para os dias 14 ou 15 do mesmo mês.

Sucede que muitos clubes ainda não tinham iniciado com os trabalhos de preparação para a nova época, mesmo porque não sabiam quando a prova máxima do futebol moçambicano iria começar, para não encarecer as suas finanças com pagamentos de honorários aos jogadores e equipas técnicas.

Ou seja, sem datas para o arranque do Moçambola, alguns clubes atrasaram o arranque dos trabalhos de preparação para a nova temporada, iniciando mais tarde. Com a marcação da Liga Jogabets, as equipas tiveram pouco tempo para a sua preparação, facto que deixaram claro no dia do sorteio, pedindo o adiamento do início do Campeonato da Cidade.

Mas também há o facto de, tendo iniciado tardiamente com os treinos, os clubes não terem se preocupado com a questão das inscrições de filiação junto da Associação de Futebol da Cidade de Maputo, facto que também terá motivado o adiamento do arranque da prova, até porque até a passada sexta-feira somente três clubes tinham feito a sua inscrição.

Segundo escreve o Plantel OC, apenas a Liga Desportiva de Maputo, o Ferroviário de Maputo e a Black Bulls tinham feito a inscrição junto à AFCM, dos 12 que farão parte da prova.

Por conta destes argumentos, a Associação de Futebol da Cidade de Maputo foi obrigado a adiar o arranque da prova para o próximo fim-de-semana, com a disputa da primeira jornada da competição.

Recorde-se que o sorteio foi realizado para 12 clubes, divididos em duas séries de seis cada, que vão jogar no sistema de todos contra todos em uma volta, com os dois primeiros colocados a se qualificarem às meias-finais.

Pelos menos 26 agentes económicos  estão suspensos por tempo indeterminado  por alegado envolvimento  em esquemas de comercialização de produtos alimentícios que ficaram submersos durante as cheias, em Chókwè e Xai-Xai, na província de Gaza.  Consumidores denunciam a anarquia no comércio e ausência de uma fiscalização séria.

Eleva-se o risco de comprar e consumir produtos que ficaram “engolidos” pelas cheias em Gaza. Quantidades até aqui não especificadas de Produtos alimentares  contaminados, retirados em mais 450 estabelecimentos comerciais nas principais cidades, em particular Chókwè e Xai-Xai,  podem estar à venda em vários mercados da província de Gaza.

E, no rol de produtos sob denúncia destacam-se refrigerantes, óleo alimentar, sal,  açúcar, enlatados diversos, que após lavagem e secagem  são distribuídos em pequenas quantidades e que chegam às casas a preços irrisórios

A Associação dos empresários  veio a terreiro exigir que os envolvidos sejam multados e processados criminalmente por ter atentado à saúde pública. 

As populações deverão redobrar esforços para evitar levar à cozinha  alimentos contaminados nas cheias, que inundaram 700 empreendimentos comerciais em Gaza.

A República de Angola passou oficialmente, neste sábado, a presidência rotativa da União Africana (UA) à República do Burundi, no âmbito da 39.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Addis Abeba, capital da Etiópia.

O presidente angolano, João Lourenço, que liderou a organização continental ao longo dos últimos 12 meses, encerra um mandato marcado por diplomacia ativa e diálogo sobre paz, segurança e integração regional. A sua presidência destacou iniciativas em áreas como infraestruturas e cooperação económica, alinhadas com as agendas africanas de desenvolvimento de longo prazo.

O novo presidente em exercício da União Africana é o chefe de Estado do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que assume o cargo num momento em que a organização enfrenta desafios continentais significativos, incluindo conflitos regionais, segurança alimentar, mudanças climáticas e pressões por reformas institucionais.

A cimeira deste ano, realizada sob o lema de garantir recursos hídricos sustentáveis e sistemas de saneamento eficazes para alcançar os objetivos da Agenda 2063, reúne líderes africanos para debater prioridades políticas, económicas e sociais, bem como estratégias de cooperação para o futuro do continente.

Moçambique também marcou presença nas sessões da cimeira, aproveitando o encontro de chefes de Estado para procurar apoio internacional à reconstrução após as recentes inundações e desastres naturais, reforçando a importância da solidariedade continental.

A República Democrática do Congo (RDC) afirma que aceitou a proposta de cessar-fogo da parte de Angola, que tem sido um mediador-chave neste conflito entre o governo e o grupo rebelde 23 de Março (M23). 

Angola propôs que o cessar-fogo entrasse em efeito a partir do dia 18 de Fevereiro, sendo esta data dependente de uma declaração pública de aceitação vinda de ambas as partes deste conflito. 

O Presidente da RDC, Felix Tshisekedi, afirmou, num comunicado, que aceitou esta proposta com o objectivo de encontrar uma solução pacífica para o conflito, reiterando a sua fidelidade à estabilidade regional.

O grupo rebelde M23 afirma que ainda não foi informado acerca desta proposta e reitera que se mantém fiel à estrutura de monitorização de cessar-fogo da parte do Qatar, outro mediador do diálogo entre o governo da RDC e o M23. 

O grupo também afirmou que não foi convidado para a mesa de diálogo em Luanda e que não conhece os detalhes da proposta angolana. 

 

Um homem foi morto na cidade da Beira, com golpes violentos na cabeça. Segundo a Polícia, os autores do crime usaram os dentes para extrair os órgãos genitais da vítima, para posterior venda a um estrangeiro ao preço de 600 mil Meticais. 

Os autores do crime foram detidos confessaram o mesmo e afirmaram que esta não é a primeira vez que se envolvem em crimes desta natureza. A vítima respondia pelo nome de Samuel e tinha 65 anos de idade. 

O seu corpo foi encontrado na manhã da passada quarta-feira neuma machamba de arroz, que pertence a um vizinho.

Quando o encontraram, o corpo apresentava sinais claros de violência extrema, mostrando total ausência de amor ao próximo por parte dos autores do crime, que culminou com a retirada dos órgãos genitais da vítima. 

A colaboração dos elementos da comunidade na investigação do assassinato culminou com a detenção destes três jovens. Um deles confessou o crime. Os indiciados alegaram que os órgãos da vítima seriam vendidos a um comerciante estrangeiro.

A Polícia indicou que estes jovens indicaram durante a investigação que já estiveram envolvidos em outros casos de assassinatos com o mesmo o objectivo, nas províncias de Manica e Tete e todos os casos estão a ser investigados para posterior responsabilização criminal.

O porta-voz da Frelimo, Pedro Guiliche, apelou à população de Manica para se organizar, de modo a superar os problemas que enfrentaram durante a primeira campanha agrária, causados pelo período de cheias.

Pedro Guiliche está em Manica para fazer a monitorização das condições locais após as chuvas, visto que algumas localidades de Manica foram afectadas, mesmo a província não sendo uma zona de risco. 

Falando à imprensa, o porta-voz reiterou que apesar da província não ser uma zona de risco, necessita atenção e apoio, colocando ênfase na segunda campanha agrária, que acontecerá brevemente. Guiliche apelou à melhor organização. 

 

O Ciclone Gezane já fez pelo menos 35 vítimas mortais, centenas de feridos e seis desaparecidos em Madagascar e causou devastação na segunda maior cidade. Devido a gravidade do fenômeno, o presidente Michael Randrianirina pediu solidariedade internacional.

Subiu para 35 o número de  vítimas mortais devido ao ciclone Gezani que atravessou a costa do Madagascar nesta terça-feira devastando a cidade costeira de Toamasin, tendo  provocado igualmente 374 feridos e seis desaparecidos, de acordo com  o balanço apresentado pela autoridade de gestão de desastres da ilha do Oceano Índico. 

Ainda de acordo com os dados das autoridades, mais  de 8.800 pessoas foram deslocadas,  mais de 18 mil casas foram destruídas, e 50 mil estão inundadas.

Devido a gravidade do cenário, o presidente malgaxe Coronel Michael Randrianirina pediu solidariedade internacional.

Os serviços meteorológicos consideram que a chegada do ciclone Gezani à costa foi provavelmente uma das mais intensas já registradas na região, rivalizando com Geralda, em fevereiro de 1994, que causou pelo menos 200 mortos e afectou mais de meio milhão de pessoas.

Moçambique já está em alerta devido à previsão da passagem do ciclone Gezani entre esta  e sexta-feira  sábado

Geny Catamo renovou contrato com o Sporting por mais um ano. A ligação do internacional moçambicano com o bicampeão português vai até 2029 e a cláusula de rescisão é de 60 milhões de euros. 

Segundo escreve o jornal “Record”, o novo contrato inclui ainda uma melhoria salarial. Nesse sentido, o valioso jogador moçambicano passará a ganhar cerca de 700 mil euros anuais, quase o dobro dos 400 mil que recebia anteriormente.

Geny Catamo assinou contrato profissional com o Sporting pela primeira vez em Setembro de 2020, proveniente do Amora, após ter cumprido a temporada 2019/2020 na Academia Cristiano Ronaldo, em regime de empréstimo. 

No seu percurso o internacional moçambicano teve passagens pelo Vitória de Guimarães e pelo Marítimo, a título de empréstimo dos “leões”. Geny Catamo passou a integrar a equipa principal do Sporting em 2023, ao merecer a aposta do então treinador, Ruben Amorim. 

O esquerdino, que actualmente é um dos jogadores mais valiosos do Sporting, teve a primeira renovação em Dezembro de 2023. 

Alguns economistas saúdam a prorrogação da Lei de Crescimento e Oportunidade para África (AGOA), dos EUA, mas consideram que o impacto directo sobre a economia nacional continua limitado. Alertam, igualmente, que o País deve posicionar-se de forma estratégica face aos condicionalismos associados aos programas norte-americanos, apostando na redução da dependência externa e no reforço da base produtiva interna.

A extensão da Lei de Crescimento e Oportunidade para África (AGOA) volta a colocar Moçambique no radar do comércio preferencial com os Estados Unidos da América (EUA). Ainda assim, economistas nacionais consideram que o impacto real para a economia do País deverá continuar modesto. O consenso entre os economistas moçambicanos é claro: sem base industrial sólida e sem melhorias estruturais, o acesso privilegiado ao mercado norte-americano não se traduz automaticamente em crescimento.

Os Estados Unidos reactivaram a AGOA por mais um ano, fixando o novo prazo até 31 de Dezembro de 2026. A decisão, com efeitos retroactivos a 30 de Setembro de 2025, data em que o mecanismo havia expirado, devolve alguma estabilidade às relações comerciais com cerca de 30 países da África Subsaariana, entre os quais Moçambique.

A renovação foi formalizada através de legislação promulgada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, recentemente, no âmbito de um pacote mais amplo ligado ao financiamento do governo federal. O representante comercial da Presidência dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a extensão deverá servir de ponto de partida para uma revisão do programa, alinhada com a política “America First”.

“A AGOA, no século XXI, deve exigir mais dos nossos parceiros comerciais e proporcionar maior acesso ao mercado para as empresas, agricultores e pecuaristas dos Estados Unidos”, declarou Greer, sinalizando que Washington pretende maior reciprocidade e benefícios concretos para a economia americana.

Criada em 2000, durante a administração de Bill Clinton, a AGOA permite a exportação de mais de sete mil produtos africanos para os Estados Unidos com isenção de taxas aduaneiras, desde que os países cumpram requisitos ligados à governação democrática, direitos humanos e combate à corrupção.

Apesar do potencial, os números mostram que os ganhos estão concentrados em poucas economias. O volume total de exportações ao abrigo da AGOA, em 2024, situou-se em 8,23 mil milhões de dólares, dos quais metade teve origem na África do Sul e cerca de 20% na Nigéria. Moçambique figura entre os países que pouco tiram proveito do mecanismo, segundo os economistas nacionais.

De acordo com o economista, Constantino Marrengula, as vendas para o mercado americano representam apenas cerca de 2% do total das exportações nacionais. “É um valor muito marginal”, sublinhou.

Para Marrengula, não se deve esperar mudanças substanciais apenas por causa da prorrogação. “Não podemos esperar grandes mudanças em relação ao padrão anterior das exportações. A capacidade produtiva não se transforma de um dia para o outro”, afirmou.

O académico reconhece que poderão surgir pequenas oportunidades adicionais, mas considera que os ganhos continuarão reduzidos. Moçambique exporta para os Estados Unidos sobretudo vestuário, açúcar, tabaco e alguns minerais, produtos que não representam uma alteração estrutural na balança comercial.

Entre os principais entraves apontados estão a fraca industrialização, a limitada transformação de matérias-primas e os custos logísticos elevados. “O nosso sector industrial não estava preparado para responder ao mercado. Houve tempo suficiente para melhor aproveitamento da AGOA, mas faltou organização e estratégia para maximizar as oportunidades”, referiu Marrengula.

A própria posição oficial norte-americana já reconheceu publicamente o baixo nível de utilização do programa por parte de Moçambique. Em intervenções anteriores, diplomatas dos EUA admitiram que apenas aproximadamente 3% das exportações nacionais beneficiavam efectivamente das preferências tarifárias disponíveis, até 2016.

Dados apresentados no âmbito da Estratégia Nacional de Utilização da AGOA indicavam que cerca de um milhão de dólares das exportações moçambicanas usufruíam directamente das isenções, num universo muito mais amplo de trocas comerciais. Na ocasião, representantes americanos chegaram a afirmar que existem “muito mais oportunidades que Moçambique não está a aproveitar”.

Refira-se que este reconhecimento serviu de base para iniciativas de assistência técnica e apoio ao sector privado, com o objectivo de melhorar padrões de qualidade, certificação e capacidade de inserção nas cadeias de valor orientadas para o mercado norte-americano.

Apesar disso, os constrangimentos persistem. Segundo Marrengula, “a logística continua a ser um dos maiores obstáculos. Custos portuários, transporte interno dispendioso e burocracia elevam o preço final dos produtos, comprometendo a competitividade. A questão logística e os custos adicionais de exportação limitaram fortemente o melhor aproveitamento da AGOA”.

No curto prazo, o economista defende que o Governo deve concentrar-se em identificar empresas já exportadoras ou com potencial imediato e criar condições para reduzir entraves administrativos. “É importante apoiar quem já está no mercado americano, sobretudo ajudando a baixar custos logísticos e de exportação. É aí que o Estado pode ter maior impacto”, sugeriu.

Ainda assim, alerta que uma transformação profunda exige tempo. “O processo de mudança estrutural da economia é de médio e longo prazo. Não produzirá efeitos imediatos suficientes para aproveitar plenamente uma prorrogação de apenas um ano.”

Para o economista Firmino Chirrime, a renovação do acordo representa uma oportunidade, mas também reflecte interesses estratégicos dos Estados Unidos. “É uma porta que se abre para o desenvolvimento dos países africanos, mas também responde aos interesses norte-americanos”, afirmou.

Segundo Chirrime, a política comercial americana não abdica da sua posição de vantagem. “Há um significado particular nesta administração marcada pelo princípio ‘America First’, que não pretende abdicar da sua hegemonia nem dos seus ganhos nas relações com África.”

O economista entende que a AGOA pode contribuir para sectores prioritários como educação, reforço institucional, agro-indústria e resiliência climática. Contudo, defende uma visão estratégica orientada para a auto-suficiência. “Mais do que abrir uma janela, é preciso que essa janela nos conduza à independência económica. Não podemos depender eternamente de programas externos para crescer.”

Num contexto internacional cada vez mais competitivo e condicionado por interesses geopolíticos, os analistas defendem uma revisão crítica dos acordos anteriores, identificando falhas e corrigindo fragilidades, sobretudo com os  crescentes cortes de programas norte-americanos, nos últimos tempos.

A meta, afirmam os economistas, deve ser fortalecer a capacidade produtiva nacional e melhorar o posicionamento negocial do País.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria