O sociólogo e professor universitário Hélder Jauana foi nesta terça-feira nomeado para o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico, (ANDITUR) Fundo Público.
O sociólogo e comentador do programa “Pontos de Vista”, na Stv, é Doutorado em Estudos Africanos. Tem especialização em Estado, Política e Relações Internacionais em África.
Além da docência, Hélder Jauana é consultor, entre outras funções.
Refira-se que na sessão do Conselho de Ministros em que Jauana foi indicado PCA do ANDITUR, aprovou-se a resolução que ratifica o Acordo de Cooperação entre a República de Moçambique e a República Portuguesa, no domínio do Turismo, assinado no Porto, República Portuguesa, no dia 09 de Dezembro de 2025.
Moçambique e Tanzânia iniciaram esta segunda-feira um intercâmbio técnico destinado ao reforço dos mecanismos conjuntos de prevenção e resposta a desastres naturais, numa altura em que os efeitos das mudanças climáticas continuam a afectar a região da África Austral.
O encontro reúne representantes dos dois países e parceiros humanitários para debater estratégias de acção antecipada diante de eventos extremos, incluindo ciclones, cheias, secas e insegurança alimentar.
A iniciativa é promovida pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, em coordenação com instituições tanzanianas e o Programa Mundial de Alimentação.
Segundo o vice-presidente do INGD, Gabriel Monteiro, o intercâmbio visa ampliar a capacidade de resposta antecipada perante fenómenos climáticos extremos que têm afectado com frequência os dois países.
O responsável reconheceu que Moçambique continua a enfrentar limitações financeiras e estruturais nos processos de assistência e recuperação pós-desastres, mas garantiu que o Governo prossegue os esforços de mobilização de apoio internacional.
“Estamos focados na expansão das acções antecipadas perante eventos extremos”, afirmou Gabriel Monteiro durante a abertura do encontro técnico.
Por sua vez, o secretário permanente do Gabinete do Primeiro-Ministro da Tanzânia, Jim James Yonazi, destacou o apoio prestado por Moçambique em iniciativas de preparação logística e assistência humanitária.
“Moçambique ajudou-nos a desenvolver o Plano de Acção de Preparação Logística, que estamos agora em condições de implementar”, afirmou.
O dirigente tanzaniano sublinhou ainda o apoio recebido na distribuição de assistência alimentar às comunidades afectadas por crises climáticas e no desenvolvimento de estratégias de protecção social adaptativa para famílias vulneráveis.
Segundo os organizadores, o intercâmbio técnico inclui sessões de trabalho, partilha de experiências e visitas de campo a instituições moçambicanas ligadas à gestão e redução do risco de desastres.
Nos últimos anos, Moçambique e Tanzânia têm enfrentado impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, incluindo ciclones tropicais, chuvas intensas, secas prolongadas e deslocamentos populacionais, factores que têm pressionado os sistemas nacionais de resposta humanitária.
Especialistas consideram que a cooperação regional e os mecanismos de resposta antecipada são fundamentais para reduzir perdas humanas e económicas associadas aos desastres naturais na África Austral.
Foi analisado e aprovado, nesta terça-feira, o reajuste das tarifas dos transportes rodoviários de passageiros inter-distritais de Sofala, durante a III sessão extraordinária da Assembleia Provincial. As novas tarifas entram em vigor a partir de amanhã.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu com “profunda dor e consternação” a notícia do falecimento do Engenheiro Rui Jorge Gomes Lousã, ocorrido no domingo, 24 de Maio, em Coimbra, Portugal, vítima de doença.
Em sua mensagem de pesar, o Chefe do Estado presta homenagem à memória de “uma personalidade de elevado mérito”, considerando que o desaparecimento físico do Engenheiro Rui Lousã representa uma perda significativa para o Estado moçambicano, em virtude do seu contributo determinante no processo de construção institucional do País, particularmente nos sectores da Electricidade, Comunicações, Telecomunicações e Aviação Civil.
Rui Jorge Gomes Lousã desempenhou funções de direcção na Electricidade de Moçambique e exerceu funções de grande relevo no Estado moçambicano, com destaque para o de Ministro dos Correios, Telecomunicações e Aviação Civil e de Vice-Ministro dos Transportes e Comunicações, num período marcado por grandes desafios de reconstrução nacional e de afirmação das infra-estruturas estratégicas do Estado.
O Chefe do Estado reconhece o papel relevante que desempenhou na modernização e reorganização de sectores estruturantes, contribuindo para a integração do território nacional, o fortalecimento da unidade nacional e a consolidação da soberania do Estado moçambicano.
Neste momento de dor e luto, o Presidente da República, em nome do Governo e do povo moçambicano e em seu próprio nome, endereça à família enlutada, aos amigos, antigos colegas e colaboradores as mais sentidas condolências, associando-se à sua dor e formulando votos de coragem, união e conforto.
A província de Gaza registou um agravamento significativo da segurança alimentar e nutricional durante o primeiro trimestre de 2026, em consequência dos eventos climáticos extremos que afectaram aquele ponto do País, com destaque para as inundações, cheias e a passagem do ciclone Gezani.
A informação foi tornada pública pela governadora provincial, Margarida Mapandzene, durante uma reunião de trabalho com um grupo de deputados da Comissão da Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) da Assembleia da República que se encontra desde domingo na cidade de Xai-Xai, no âmbito da fiscalização parlamentar da acção governativa.
Segundo Mapandzene, os fenómenos climáticos comprometeram seriamente os meios de subsistência das famílias e causaram impactos negativos em todas as dimensões da segurança alimentar, nomeadamente a disponibilidade, o acesso, a utilização adequada e a estabilidade do abastecimento alimentar.
De acordo com a governadora de Gaza, as cheias e inundações provocaram perdas de culturas agrícolas, destruição de infra-estruturas e dificuldades de circulação, factores que limitaram o acesso das comunidades aos alimentos e aos serviços básicos.
“Actualmente, não existe informação quantitativa pós-choque nem dados actualizados suficientes para determinar o número exacto de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda e proceder à respectiva classificação segundo a Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC)”, explicou Mapandzene.
A governante acrescentou que as autoridades províncias e os seus parceiros humanitários se encontram a implementar diversas acções de resposta à emergência, visando reduzir os impactos da crise sobre as populações afectadas, destacando-se a distribuição de bens alimentares e materiais de recuperação, a distribuição de insumos agrícolas para apoiar a produção da 2ª época da Campanha Agrícola 2025/2026, reforço da vigilância nutricional nas Unidades Sanitárias.
Na ocasião, a governadora de Gaza apelou à continuidade do apoio multissectorial e à mobilização de recursos para reforçar a assistência às famílias afectadas e acelerar os esforços de recuperação nas zonas mais vulneráveis.
Por seu turno, a relatora da CAEA, Leonor Neves Mondlane, afirmou que as cheias, inundações e ciclones, aliados aos problemas de desembolso reportados durante o encontro, afectaram severamente a província, destacando a elevada capacidade de recuperação e resiliência demonstrada pela população e pelas instituições locais.
“Queremos também sublinhar que, quando percorremos parte da província, vimos uma realidade diferente daquela que esperávamos após tamanha destruição. Não parece que esta zona tenha sofrido uma cheia tão severa”, disse a deputada, destacando que o cenário de Gaza evidencia o forte esforço de reconstrução levado a cabo pelas autoridades, tendo em conta a dimensão dos danos causados por estes fenómenos.
A relatora da CAEA considerou, igualmente, satisfatórios os avanços registados na alocação de insumos agrícolas para o reforço do apoio à produção agrícola, recordando que os deputados da Assembleia da República se mobilizaram, num espírito de solidariedade, contribuindo com um dia de salário em apoio às pessoas afectadas.
O Mamelodi Sundowns sagrou-se campeão africano ao empatar por 1-1 diante do FAR Rabat, na segunda mão da final da Liga dos Campeões africana, resultado suficiente para assegurar o título graças à vitória por 1-0 conquistada no primeiro duelo.
No centro da conquista esteve Miguel Cardoso, que alcançou o maior feito da sua carreira e entrou para a história como o segundo treinador português a vencer a principal competição de clubes do continente africano, depois do lendário Manuel José.
Aos 53 anos, Miguel Cardoso quebra um ciclo de frustrações em finais continentais. Nas duas temporadas anteriores, o técnico português havia perdido decisões consecutivas: primeiro ao serviço do Espérance de Tunis, derrotado pelo Al Ahly na edição 2023/24, e depois já no comando do Mamelodi Sundowns, superado pelo Pyramids FC na final de 2024/25.
Desta vez, porém, o desfecho foi diferente. Num ambiente intenso em Rabat, os anfitriões ainda se colocaram em vantagem através de um penálti convertido por Mohamed Hrimat, aos 40 minutos. Contudo, já nos descontos da primeira parte, Teboho Mokoena restabeleceu a igualdade com um remate de longa distância sem hipóteses para o guarda-redes adversário.
Na segunda parte, o FAR Rabat desperdiçou nova grande oportunidade, novamente da marca dos onze metros, com Hrimat a falhar o segundo penálti da noite. O empate persistiu até ao apito final e confirmou a festa sul-africana.
Do lado do Mamelodi, o português Nuno Santos foi titular, enquanto Miguel Reisinho não saiu do banco. Ambos tornam-se os primeiros jogadores portugueses a conquistar a Liga dos Campeões africana. Já no FAR Rabat, o também português Ricardo Coutinho não foi utilizado.
Após o encontro, Miguel Cardoso destacou a resiliência da equipa numa época marcada por dúvidas e pressão.
“Este troféu não muda o amor que os adeptos sentem por mim. Aqueles que acreditam em mim e nos incentivaram continuarão a amar-me. Dedico-lhes este troféu”, afirmou o treinador português.
O técnico elogiou ainda o empenho do plantel ao longo da temporada: “Trabalharam de forma muito dura e incrível. Todo o mérito é deles. Os elogios vão para eles pela crença, pelo compromisso e pela energia que demonstraram. Foi uma temporada difícil para nós e para mim, mas reerguemo-nos quando muitos pensavam que estávamos acabados. Não há cinzas para o Mamelodi.”
Com esta conquista, o Mamelodi Sundowns garante presença na próxima edição da Taça Intercontinental, marcada para Dezembro, além de assegurar qualificação automática para o Mundial de Clubes de 2029.
A vitória reforça igualmente a crescente influência de treinadores portugueses no futebol africano, numa lista onde Manuel José continua como referência maior, com quatro títulos conquistados ao serviço do Al Ahly — recorde absoluto da competição.
O veterano da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, diz que a reconciliação no país não está feita e considera que as oposições étnicas são tratadas como partidos. Monteiro, que esta segunda-feira foi orador da aula magna sobre a vida e obra de Samora Machel, desafia a nova geração a resolver o problema.
Monteiro foi a figura escolhida para falar da vida e obra de Samora Machel como um intelectual revolucionário, no contexto do Dia de África. Passados 40 anos após a morte do primeiro presidente de Moçambique, Monteiro tocou em aspectos sensíveis que na sua opinião dominaram a visão de Samora, sobretudo a reconciliação.
O veterano da Luta Armada de Libertação Nacional adverte que o país recorre aos mecanismos nacionais e internacionais para tratar oposições que existem entre os grupos étnicos no país como oposição, o que segundo ele não faz sentido.
Segundo ele, a cor dos partidos fez o país ganhar tempo, mas as razões da guerra não estavam resolvidas. Nesse sentido, Monteiro aponta os possíveis caminhos para a resolução desses problemas, que segundo ele exigem muita delicadeza, sob risco de se abrir espaço para novas divisões no país.
“Fica a glória de Samora por ter pensado em todos esses problemas. Fica a necessidade de a nova geração resolver todos esses problemas não resolvidos”, desafia Óscar Monteiro, que explica que esses problemas não podem ser resolvidos com pressa.
“Não são problemas que devem ser tratados em praça pública. Se calhar nem em uma década ou duas se podem resolver, mas devem ser resolvidos, pois do contrário as novas riquezas vão ser fontes de novas divisões”, alerta.
Óscar Monteiro partilhou ainda da postura de Samora Machel sobre aquilo que chama de perigos do poder, defendendo que o Estado não se deve demitir do papel de reduzir as desigualdades no país.
Falando em nome da família, o filho de Samora, Samora Machel Jr. destacou as qualidades de liderança do primeiro presidente de Moçambique, que na sua opinião até aos dias de hoje servem como lição para as várias gerações.
O Evento, organizado pela Fundação Samora Machel, contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, familiares e figuras ligadas à política do país.
Um grupo de deputados da Comissão dos Assuntos Sociais, do Género Tecnologias e Comunicação Social (3ª Comissão) da Assembleia da República (AR) manifestou a sua preocupação com o elevado número de casos de malária na província de Nampula, tendo instado o executivo local a redobrar esforços com vista a fazer face a esta doença que tem sido responsável por ceifar vidas, não só localmente, mas no País, em geral.
Dados apresentados pelo Conselho de Serviços de Representação do Estado na Província de Nampula indicam que a malária continua a ser a maior causa da procura dos serviços de saúde, com um peso de 96,3 por cento dos casos de doenças de notificação obrigatória, não obstante a redução em 32,3 por cento registados no I trimestre do corrente ano de 2026.
A informação foi partilhada ao grupo de deputados da 3ª Comissão pelo secretário do Estado na província de Nampula, Plácido Nerino Pereira, tendo, contudo, sublinhado que se registou uma evolução de óbitos em 16,7 por cento comparativamente a igual período de 2025, com destaque para os distritos de Nampula, Monapo, Ribáuè e Nacala.
As autoridades provinciais reportam que, no período em análise, não houve pulverização intradomiciliária por exiguidade de fundos. No entanto, foram distribuídas 3 434 602 redes mosquiteiras para beneficiar 7 736 890 pessoas, bem como 61 736 redes para mulheres grávidas.
Um dos factores para o aumento de casos de malária é a falta de responsabilização sobre saneamento do meio na comunidade, aliado ao uso incorrecto das redes mosquiteiras, corroborou, na ocasião, a directora do Serviço Provincial de Saúde, Munira Abdul, sublinhado que, para fazer face a esta realidade, está a ser realizado um trabalho de sensibilização encabeçado pelo sector com o envolvimento dos líderes comunitários, através de palestras e programas difundidos pelas rádios comunitárias.
Ainda na área da saúde, os deputados ficaram a saber que há aumento de casos de cólera em 59,6 por cento e sem registo de óbito, sobretudo nos distritos de Nacala, Monapo e Memba.
No concernente à diarreia, a província reporta uma redução de 12,5 por cento e um aumento significativo de óbitos (acima de 100%), com enfoque nos distritos de Angoche e Nacala.
No entanto, a província de Nampula enfrenta vários desafios, com destaque para a falta de dotações para investimentos; a necessidade de aumento de funcionários em diversas áreas para corresponder à demanda; a necessidade de construção de mais unidades sanitárias para reduzir as longas distâncias que a população percorre para alcançar uma unidade sanitária; o combate à desnutrição crónica, que ao nível da província atinge 46,7 por cento; e o combate à malária e doenças diarreicas, em especial a cólera, cujos surtos ocorrem frequentemente nos distritos, bem como o combate a produção e consumo de drogas, à desinformação e à proliferação de informação manipulada nas redes sociais.
Chefiado pela respectiva presidente, Lucília José Manuel Nota Hama, o grupo encontra-se na província de Nampula para realizar uma acção de fiscalização da implementação e cumprimento do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) referente ao primeiro semestre de 2026, nas áreas de sua actuação e fazer uma auscultação pública sobre a Proposta de Revisão da Lei de Liberdade Religiosa e de Culto, para colher subsídios para o seu enriquecimento.
Sem apoio financeiro do Estado, Federação Moçambicana de Futebol acumula dívidas superiores a 6 milhões de meticais para garantir participação e regresso da selecção que qualificou Moçambique pela primeira vez ao Mundial Sub-17.
A histórica qualificação da selecção moçambicana de futebol Sub-17 para o Campeonato do Mundo do Qatar ficou marcada não apenas pelo brilhantismo dentro das quatro linhas, mas também por uma grave crise financeira enfrentada pela Federação Moçambicana de Futebol (FMF).
Sem fundos suficientes para assegurar o regresso da delegação ao País, a FMF foi obrigada a contrair uma nova dívida junto de uma agência de viagens para retirar os Mambinhas de Rabat, em Marrocos.
O regresso da comitiva está agora previsto para quarta-feira, 27 de Maio, às 15h05, no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo.
Em entrevista concedida a partir de Marrocos ao programa “Das 6 às 9”, da TV Sucesso, o presidente da FMF, Feizal Sidat, revelou que a selecção ficou retida devido aos elevados custos exigidos para alterar as passagens aéreas inicialmente emitidas para 2 de Junho, data correspondente ao encerramento da competição.
Segundo Sidat, a equipa terminou a sua participação no Campeonato Africano das Nações (CAN) sub-17 no sábado, 23 de Maio, mas as regras da organização obrigavam a saída da delegação até ao dia 25. A tentativa de antecipar o voo esbarrou, contudo, em custos considerados incomportáveis para os cofres da federação.
“A companhia aérea exigia o pagamento de 100 mil meticais pela alteração de cada uma das 32 passagens aéreas. Precisávamos de 3,2 milhões de meticais que a FMF não possuía”, explicou o dirigente.
Perante o impasse, uma agência de viagens parceira aceitou emitir novos bilhetes a crédito, permitindo o regresso da selecção ao País. O montante soma-se a outra dívida de igual valor já contraída anteriormente para financiar a deslocação da equipa a Marrocos.
No total, a FMF acumula agora encargos superiores a 6,4 milhões de meticais relacionados exclusivamente com a participação dos Mambinhas no torneio continental.
Fundo de Promoção Desportiva admite falta de verbas
A polémica em torno da ausência de apoio estatal ganhou novos contornos após a divulgação de uma carta enviada pelo Fundo de Promoção Desportiva à FMF, datada de 12 de Maio de 2026.
No documento, o FPD reconhece ter recebido um pedido formal de apoio logístico para a participação da selecção no CAN Sub-17, mas admite não possuir disponibilidade financeira para responder de imediato à solicitação.
“Face à actual conjuntura nacional, o FPD encontra-se numa situação de exiguidade de fundos, acrescendo ao facto da actividade em referência não ter sido previamente planificada”, refere a carta.
Ainda assim, a instituição afirma ter iniciado contactos com o Ministério das Finanças e parceiros estratégicos para tentar assegurar parte do apoio necessário, sobretudo ao nível do transporte da delegação.
A mesma carta felicita a FMF e os jogadores pela qualificação ao torneio continental e destaca a verba de 20 mil dólares disponibilizada pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para apoiar a participação da selecção.
A divulgação do documento contraria especulações de que a FMF não teria formalizado qualquer pedido de apoio junto das instituições do Estado.
Empresários salvaram campanha dos Mambinhas
Sem financiamento público, a campanha da selecção acabou por depender fortemente do apoio privado. Empresários e figuras ligadas ao desporto nacional mobilizaram-se para garantir a presença da equipa em Marrocos.
Entre os principais apoiantes destacados pela FMF estão Junaid Lalgy e Bruno Morgado, aos quais a federação dirigiu agradecimentos públicos pelo apoio financeiro prestado.
Apesar das dificuldades financeiras e logísticas, os Mambinhas conseguiram escrever uma das páginas mais importantes da história recente do futebol moçambicano ao assegurar, pela primeira vez, a qualificação para um Campeonato do Mundo sub-17.
O torneio mundial decorrerá entre 19 de Novembro e 13 de Dezembro deste ano, no Qatar. Moçambique integra o Grupo B, juntamente com as selecções da Coreia do Sul, Nova Caledónia e Equador.
A qualificação histórica dos Mambinhas surge, assim, envolta num paradoxo: enquanto o País celebra um dos maiores feitos do futebol juvenil nacional, a federação enfrenta uma crise financeira que expõe as fragilidades estruturais no financiamento do desporto moçambicano.
O presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, levantou questionamentos sobre a continuidade do financiamento ao Ruanda para apoiar a segurança em Cabo Delgado, defendendo uma análise mais profunda sobre os resultados dos investimentos feitos na capacitação das forças nacionais.
As declarações surgem num contexto em que o Ruanda continua a desempenhar um papel nas operações de combate ao terrorismo em Cabo Delgado, através do destacamento das suas forças militares para apoiar Moçambique na contenção dos ataques armados que, desde 2017, afectam aquela província do norte do país. Paralelamente, Moçambique também tem beneficiado de assistência internacional, incluindo apoio da União Europeia e dos Estados Unidos da América para programas de formação, capacitação técnica e reforço das Forças de Defesa e Segurança.
Foi precisamente sobre a eficácia destes investimentos que, Albino Forquilha manifestou reservas, defendendo a necessidade de se perceber se os recursos e os acordos de cooperação estabelecidos até ao momento produziram resultados suficientemente sólidos para permitir ao país reduzir a dependência externa na componente de segurança.
“Até que ponto esta capacitação do acordo havido com a União Europeia, até com os americanos, produziu capacidade no nosso país? Se tiver produzido capacidade, então, não há condições, ou não se percebe pelo menos, que se financie a Ruanda para garantir a segurança ainda de Moçambique em Cabo Delgado. Já seria possível financiar a nossa força, não é verdade? Portanto, esta é a base”, afirmou.
Com este posicionamento, o líder do PODEMOS coloca no centro do debate a questão da sustentabilidade da estratégia de segurança nacional, levantando dúvidas sobre o equilíbrio entre o recurso ao apoio militar externo e o investimento nas capacidades internas do país.
Ainda assim, Forquilha reconheceu que existem elementos que continuam pouco claros em torno do processo de financiamento e dos mecanismos ligados à permanência das forças ruandesas no território nacional.
“Como digo, ainda não temos informações muito claras no Estado moçambicano de que, sim, afirma que vai financiar a permanência aqui dos ruandeses”, acrescentou.
As preocupações relacionadas com a segurança nacional acabaram por enquadrar-se num debate mais amplo sobre o futuro do continente africano, tema central das celebrações do Dia de África. Na sua mensagem política, o PODEMOS reiterou a necessidade de aprofundar a integração africana, defendendo mecanismos mais sólidos de cooperação entre os países do continente.
Na visão do partido, a unidade africana não deve limitar-se a discursos políticos ou celebrações históricas, mas precisa de traduzir-se em políticas concretas que tenham impacto real na vida dos cidadãos.
Na nota pública apresentada durante as celebrações, o PODEMOS sustenta que o continente deve construir uma integração baseada em quatro pilares fundamentais: diversidade cultural, integração económica, paz e segurança, e cidadania africana.
Segundo a formação política, a diversidade dos povos africanos não deve ser encarada como obstáculo, mas sim como um recurso estratégico para fortalecer a identidade continental.
“A verdadeira força da África reside na sua pluralidade histórica, cultural, linguística e social. O desafio do nosso tempo consiste em transformar essa pluralidade numa base de confiança, de cooperação e responsabilidade partilhada entre os povos e Estados do continente”, refere a nota.
O partido considera igualmente que a integração económica deve deixar de permanecer apenas no plano das intenções diplomáticas e transformar-se numa agenda prática de desenvolvimento.
“A cooperação económica africana deve deixar de ser apenas uma aspiração diplomática e tornar-se um projecto concreto de criação de oportunidades, de valorização das capacidades locais e fortalecimento da autonomia económica do continente”, defende o documento.
Durante a sua intervenção, Albino Forquilha reagiu ainda aos episódios de violência e ataques dirigidos a estrangeiros na África do Sul, defendendo o resgate do espírito de solidariedade e cooperação que historicamente marcou a relação entre os países da região.
O presidente do PODEMOS considerou que muitos jovens sul-africanos cresceram sem conhecer a história da cooperação regional e o contributo prestado por diversos países africanos durante as lutas políticas e sociais que marcaram a região.
“O país que tanto amam como a África do Sul não sabem que foi construído por muitas mãos, e essas mãos vinham desses países da região, incluindo Moçambique. E se nós não formos colocando isso na cabeça dos nossos filhos, nunca saberão”, afirmou.
Para Forquilha, a ausência de uma educação cívica e histórica mais aprofundada pode contribuir para o surgimento de discursos de exclusão e comportamentos hostis contra cidadãos estrangeiros.
O líder político explicou ainda que o PODEMOS tem vindo a reforçar contactos e relações com diferentes formações políticas sul-africanas, numa tentativa de contribuir para uma maior sensibilização sobre a importância da convivência entre os povos da região. “Os cidadãos africanos devem poder circular, trabalhar, empreender e contribuir para o desenvolvimento do continente com maior liberdade e previsibilidade”, defende o partido.

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