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08.fev 2010
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Home Sociedade Sociedade Polícia balea trabalhadores em greve no Estádio

Polícia balea trabalhadores em greve no Estádio

Os cerca de 700 trabalhadores afectos na construção do Estádio Nacional, em Maputo, paralisaram as obras esta quinta-feira em protesto contra os baixos salários que dizem auferir.

O pior aconteceu por volta das 14 horas quando um dos agentes da polícia que se encontravam no local para repor a ordem alvejou a tiro dois dos grevistas.

Até ao momento não se sabe se os alvejados perderam a vida. Entretanto, António Fernando, um dos grevistas, disse ao nosso jornal que um foi atingido na perna e o outro nos órgãos genitais. Fernando não sabe ao certo se os seus colegas terão perdido a vida, mas sublinhou que o agente da polícia disparou com intenção de matar.

“Ele recuou e escreveu um risco no chão e disse que caso alguém atravessasse aquele risco ele o matava. Entretanto, eles pegaram um dos nossos colegas, dizendo que é para ir à Esquadra. Nós seguimos e logo aquele polícia disparou contra dois dos nosso colegas”, descreveu António Fernando.

Em contacto telefónico com a nossa equipa de reportagem, por volta das 18 horas de hoje, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique a nível da cidade de Maputo, Arnaldo Chefo, disse que ainda não tinha informação sobre o acontecimento, tendo prometido um pronunciamento esta sexta-feira.

 

O móbil da greve

A principal causa da greve é o salário, mas adiciona-se os alegados maus tratos por parte dos chineses responsável pela construção. No que tange ao salário, os grevistas dizem auferir cerca de 1890 meticais, que corresponde a um salário diário de 63 meticais, contra os 93 meticais que o patronato comprometeu-se a pagar. Acrescentam ainda que não são pagos as horas extraordinárias.

Até porque esta greve pode ter a sua razão de acontecer porque com base no salário mínimo anteontem aprovado, o sector de construção civil passa a pagar um salário mínimo de 1925 meticais. Ademais, os novos salários deverão ser pagos com retroactivos a partir de 1 de Abril que termina.

Refira-se que esta é a segunda greve em menos de três meses naquelas obras, que até certo ponto refuta o letreiro grafado na entrada da construção, que diz “Amizade entre a China e Moçambique irá prevalecer como o céu e a terra”.

 

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