Organizações da sociedade civil do Zimbabwe consideram que “Robert Mugabe tem sido um problema” para o país
e admitiram que o Presidente nunca vai sair do poder. “Há pessoas difíceis na ZANU-PF (partido de Mugabe) mas Mugabe é o mais difícil. De facto Mugabe é o problema. A sua principal preocupação é ele mesmo, depois a família e depois o partido, tudo o resto parece não ter importância”, disse Okay Machisa, director da Associação Zimbabueana de Direitos Humanos.
Okay Machisa falava numa conferência de imprensa dada hoje em Maputo por uma dezena de organizações da sociedade civil do Zimbabué, na mesma altura em que se realiza na capital moçambicana uma cimeira da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) para debater a crise no governo de unidade.
Os membros do MDC (Movimento para a Mudança Democrática), do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai, não assistem há cerca de três semanas às reuniões do governo com os responsáveis da União Nacional Africana do Zimbabué-Frente Patriótica (ZANU-PF), do Presidente Robert Mugabe.
Os responsáveis na conferência disseram que nas últimas três semanas aumentaram os casos de violência no país, prisões indiscriminadas, raptos e perseguições.
“Nas últimas três semanas houve mais activistas da sociedade civil e de membros do MDC (oposição) que foram detidos com base em acusações com pouco valor jurídico”, disse Jonah Gokova, da Coligação para a Crise no Zimbabué, acrescentando que a situação que se vive actualmente no país é idêntica à que se viveu antes das eleições de 2008 e que “a repressão aumentou consideravelmente”.
Rita Nyamupinga, da Coligação de Mulheres, disse que “o regresso dos ataques e da violência vai afectar sobretudo as mulheres” e Brilliant Dube, da União Nacional de Estudantes do Zimbabué, contou também que “há muitos estudantes suspensos, presos e sequestrados” e “professores espancados e torturados, especialmente os simpatizantes do MDC e da oposição em geral”.
Os participantes na conferência de imprensa disseram também que a violência alastrou a todo o país, que há uma militarização das empresas do Estado, incluindo as de comunicação social e consideraram que “na situação actual é pouco provável que o processo de reforma constitucional seja democrático”.
Apesar de a SADC defender o fim das sanções económicas ao Zimbabué, Jonah Gokova disse que na actual situação, em que “o Zimbabué não respeita princípios e práticas, é difícil advogar que sanções e bloqueios sejam retirados, porque não há condições no terreno que o justifiquem”.
“Retirar agora não tem fundamento, enquanto o país não respeitar as leis internacionais”, disse.
Jonah Gokova considerou também que a saída do MDC do governo de coligação foi estratégica, porque sem ela o encontro de Maputo de hoje não se realizaria. “E também renovou a atenção da comunidade internacional em relação ao Zimbabué”, disse.




Comentrios
Se quiser perceber a história do Zimabawe reveja o acordo de Laucaster House e não só, a forma como o Zimbabwe funcionava, era como se fosse um prolongamento territorial do Reino-Unido que também conheço bem. Ora a não aceitar este tipo de comportamento - neocolonização - Mugabe não fez senão inverter a situação, o que lhe tem valido o apodamento de ditador. A Europa vive uma monarquia que ninguém reclama.
Repare meu amigo Agastado, se Mugabe decidir chamar os farmeiros que se retiraram sozinhos do país, no mesmo dia o MDC, um partido moleque do Ocidente, que é financiado apenas para combater a ZANU-PF. O Ocidente depois de fazer estragos, por exemplo, no Iraque agora vê como alvo o Zimbabwe, pois engana-se. Mugabe é o forte e determinado. Citao
Força Citao