“A população deve discernir o que quer das manifestações”
Dra Alice Mabote, LDH
O governo que saiu das eleições tem o dever de quando tiver informação de qualquer situação tomar as devidas precauções para que as pessoas possam se posicionar. O governo devia ter negociado com os empresários para ver de que modo podiam aumentar os preços com vista a fazer face a esta crise económica para podermos encontrar uma solução. Aquando das eleições tomaram medidas para não subirem os preços para alcançar os seus intentos.
Nos outros países, assim como aqui noutro período, as coisas básicas eram eleitas para fazer face à vida difícil dos cidadãos, nomeadamente o pão, sabão, água, luz e os trabalhadores e estudantes tinham cartões e isso aliviava as pessoas. Hoje, o rico, o corrupto, o pobre, e quem ganha honestamente compram ao mesmo preço. Mas não quero com isto incitar as pessoas às manifestações, antes pelo contrário, apelo à população para que tenha calma e saiba discernir o que quer das manifestações.
“Os trabalhadores perderam a confiança nos sindicatos”
Daviz Simango MDM
As pessoas de direito que deviam ter ido ao público promover o diálogo não o fizeram e fica manifesto que não há diálogo e há muita arrogância, o que leva à criação deste tipo de violência. O factor de partidarização, que não permite a criação ou o surgimento de sindicatos mais dedicados aos interesses dos trabalhadores cria esta inexistência de um interlocutor claro do povo para dialogar com o governo. Os sindicatos não funcionam e os mesmos estão sob ordens. Com quem vai dialogar o governo? Isto dificulta qualquer tipo de diálogo e complica o processo neste tipo de greves. O governo deve apostar no diálogo e conversar com pessoas de direito e estas pessoas que deviam estar nos sindicatos não existem, o que existe são pessoas que são braços-direitos do partido no poder, pessoas que vivem à custa do comando do partido no poder, portanto, o diálogo deixa de existir. Os trabalhadores perderam a confiança nos sindicatos e não espaço para o diálogo. Se existissem os sindicatos e os mesmos estivessem organizados haveriam procedimentos criados de diálogo com o governo e eventualmente evitar-se-ia esta situação.
“Neste momento é importante que o governo saiba ouvir”
Raul Domingos, PDD
Queria manifestar a minha solidariedade para com os manifestantes, mas ao mesmo tempo manifestar a minha preocupação com atitudes de vandalismo que estão a caracterizar esta manifestação. A manifestação é um direito constitucional mas a mesma deve ser ordeira para fazer sentir a quem de direito aquelas que são as reivindicações. A minha solidariedade para com a população que reivindica o alto custo de vida porque os aumentos que foram anunciados não estão dentro das possibilidades de custo do cidadão comum. Neste momento é importante que o governo saiba ouvir. Estamos num momento de crise em que a população sai a rua. É importante que o governo se pronuncie. Quanto às medidas nós sabemos que o nosso país é cheio de recursos que não estão a ser devidamente distribuídos e por isso esses desequilíbrios originam a carestia de vida. Gostaria de apelar ao governo a aparecer em público e dizer algo que possa tranquilizar a população de modo a que tudo quanto é a preocupação do cidadão seja tratado através do diálogo.
“A elite de hoje é pior que a do tempo colonial”
Fernando Mazanga, Porta-voz da Renamo
Em reacção as manifestações que paralisaram a cidade e província de Maputo, Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo, diz que as manifestações resultam de uma dor social dos moçambicanos, devido a subida do custo de vida. Existe uma desgovernação que vai dando azo para que haja aumento do fosso entre os cidadãos pacatos e uma elite que está a surgir, e que é pior da era colonial. Esta elite domina tudo e todos. Os meios de produção estão confinados a uma minoria que é esta que manipula a opinião politica, económica e social. O que aconteceu ontem é o calcamento daquilo que são as vontades da população, sobretudo daquilo que lhe vem a alma. Esta é uma replica de 5 de Fevereiro de 2008, é uma pressão para fazer com que o governo do dia, defina acções claras de governação que tem como base o bem estar da população. Tem que haver uma nova ordem social que passa necessariamente pelo respeito da vontade popular.
“Trata-se de uma situação com tendências para se agravar”
Carlos Serra, Socioólogo
Estou extremamente preocupado devido a esta situação grave. Verifica-se uma ordem de ordem emocional e uma situação grave que pode ser vista de várias maneiras. Em primeiro lugar como um tributo de um cansaço social de muito tempo que se expressa de forma anárquica e com tendência para aumentar. Este tipo de problemas sociais que se geram de qualquer maneira pode ser a reflexão o que está a acontecer na África do Sul há bastantes dias. O que é necessário notar é que estão a se fazer disparos com balas reais, e assim a situação é triste e ter muito cuidado com o que se está a passar porque podem se tornar bem mais graves e complexas.
Por outro lado é preciso encarar o papel da polícia, uma vez que estes estão muitas vezes isolados e tentam fugir enquanto a multidão avança. Isto significa também que é preciso ver o lado social da polícia que tem família e quando chega a casa também encontra o arroz e o pão mais caros assim como a água e a luz. Portanto, trata-se de uma situação extremamente complexa com tendências para se agravar e que requer do governo uma reflexão muito rápida e profunda sobre o que fazer.
Acho que devia haver uma intervenção do Presidente da República neste campo. Eu creio que é preciso reatar a maneira dos governantes aparecerem e falarem com o seu povo e eventualmente uma reunião do Conselho de Estado ou qualquer coisa deste género. As pessoas devem ter a capacidade de diálogo e de uma forma simples sem humilhar os outros e sem chamá-los vândalos e marginais porque pode aumentar a raiva e o ódio do lado contrário.
Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»
TRANSLATE
english
french
spanish
swahili 








Comentários