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O Governo devia dialogar com os manifestantes, com quem agora está na rua
Neste momento o que se pode dizer em relação ao que está acontecer?
Sinto uma certa impotência porque eu gostaria de fazer um apelo, mas quem sou eu para apelar. Apelo a quem? Que está este momento vandalizando que vai me escutar a mim, que vai deixar de fazer o que está a fazer porque algém como eu, que sou um simples escritor, vai dizer alguma coisa.
Meu sentimento é de uma grande fragilidade. Eu sinto-me órfão, no sentido em que acho que quando se chega a esta situação, nós já estamos a perder. A partir do momento em que ela inrrope, tudo o que fizemos já devíamos ter feito antes. Porque é muito difícil depois fazer a coisa certa quando ela já devia ter acontecido. O que eu quero dizer quando falo neste sentimento de orfandade, neste sentimento de desamparo, é que eu precisava como cidadão, de gente que queria sair de manhã para trabalhar ter alguma instrução, alguma orientação. Que alguém viesse das forças da ordem, da autoridade e me desse alguma instrução, como disse a doutora Alice Mabote. Sinto que existe uma ausência completa como se a greve fosse da parte do próprio Governo. Não há greve, isto que está a contecer, já disse há poucos, não é uma greve, são manifestações que depois, inevitavelmente, não só em Moçambique como também em todos os outros países é apropriado por gente marginal, por gente que nem sequer paga água e luz. Quer dizer, há muitos desses que estão a reclamar aumento de preços. É gente que vive desse lado informal do mundo, da economia. Esta situação agora é no sentido defensivo, já devíamos ter feito antes.
Neste momento, qual deveria ser o papel dos órgãos de informação?
Eu quero congratualar a STV, que mais uma vez esteve no momento certo no ar e substituiu aquilo que seriam as outras vozes, vozes do Governo, de alguém que me vai dizer a mim como cidadão. O Governo devia dialogar com os manifestantes, com quem agora está na rua... Mas eu também compreendo que haja uma certa dificuldade, mas quem é a cara quem é o rosto, quem representa esses rostos. Mas o que eu não aceito é que não haja diálogo com o cidadão comum, com este trabalhador que quer saber se pode ir ou não, porque se trabalha não sabe se volta para casa, que quer que isto se faça com segurança, (...). Essa despreparação é inaceitável.
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