Segundo o ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido:
“Não devemos declarar luto nacional porque não conseguimos atingir os ODM...”
O ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido, diz que os moçambicanos não devem ficar desesperados por não se atingir as metas do Desenvolvimento do Milénio, cujo limite está previsto para 2015. Para Garrido, o mundo não termina em 2015.
“O mundo não acaba em 2015. no dia 1 de Janeiro de 2016, Moçambique continuará a existir (...). não devemos entrar em desespero se em 31 de Dezembro de 2015 não atingirmos as metas do desenvolvimento do milénio, previstas para a área de saúde. Devemos trabalhar para reduzir as taxas de mortalidade materna e infantil”, anuncio ontem, em Maputo, o titular da pasta de saúde, durante uma conferência de imprensa que tinha em vista esclarecer o caso da alegada administração de medicamentos fora do prazo pelo Sistema Nacional de Saúde, assunto publicado por um semanário do país.
Dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) definidos na “Cimeira do Milénio”, da Organização das Nações Unidas (ONU), em Setembro de 2000, coube ao sector de saúde três metas, nomeadamente, a mortalidade infantil; a saúde materna e o combate ao HIV/Sida. Os Estados signatários, incluindo Moçambique, comprometeram-se a reduzir, até 2015, dois terços da mortalidade das crianças menores de cinco anos de idade; três quartos da taxa de mortalidade materna e ainda combater o HIV/Sida, a malária e outras doenças graves.
Contudo, Garrido ressalvou que o Governo está a trabalhar no sentido de alcançar aquelas metas, até porque, disse o ministro, “seria bom se os alcançássemos. Mas não devemos declarar luto nacional porque não conseguimos chegar lá. As metas do desenvolvimento do milénio são indicadores que estimulam os países a caminharem numa determinada direcção, e é óbvio que gostaríamos de atingi-las”, afirmou Garrido.
O governante anunciou que ainda temos cinco anos para se trabalhar rumo ao alcance dos objectivos do Desenvolvimento do Milénio, assim que for possível. Sem reservas, o governante considerou que a actual tendência demonstra alguma esperança.
Mortalida de materna e infantil
No que tange à mortalidade materna e infantil, o ministro da Saúde tranquiliza a sociedade, e afirma que desde 1990, que está a reduzir, de forma significativa, sobretudo a mortalidade infantil. Em termos absolutos, o ministro considerou que em 1990 a mortalidade infantil estava acima de 180 por cada mil crianças menores de cinco anos de idade. Actualmente, os números apontam para 138 crianças que morrem em cada mil nascimentos.
Para o caso particular da cidade de Maputo, as estatísticas são bem satisfatórias e os números apontam para 108 mortes em cada mil crianças menores de cinco anos de idade.
A nível nacional, a ideia é que se atinja uma cifra que esteja abaixo de 100 mortes por cada mil nascimentos.
Relativamente à mortalidade materna, o sector da saúde registava, em 1990, um número desolador de mortes de mulheres em gestação ou durante a actividade do parto. Os números eram de mil mães que perdiam a vida em cada 100 mil bebés nascidos. Mas, actualmente, os números baixaram quase em 50 por cento, sendo que, em cada 100 mil nascimentos, 520 mães perdem a vida.
Refira-se que as Maurícias são o país que menos mortes regista, sendo que apenas 20 crianças morrem em cada mil nascimentos, e apenas 50 mulheres perdem a vida em cada 100 mil bebés nascidos.
O Níger é tido como o pior país, e os números, tanto da mortalidade infantil como da mortalidade materna, representam mais do que o dobro do que acontece em Moçambique.
“Medicamentos fora do prazo”
Reagindo a uma informação publicada num dos semanários da praça, o ministro da Saúde disse que nenhum moçambicano foi usado pelo sistema nacional de saúde como cobaia para alegado uso de medicamentos fora do prazo.
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