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Governo equaciona introduzir exame único de admissão

Ao ensino superior no país

Mas o problema reside no facto de, actualmente, as condições de acesso ao ensino superior serem diferentes nas instituições públicas e privadas que operam no país.

O Ministério moçambicano da Educação (MINED) está a avaliar a possibilidade de introduzir, no país, um exame único de admissão ao ensino superior, colocando, desta forma, todos os estudantes neste nível de ensino em igualdade de circunstâncias.

Esta decisão saiu do Conselho Coordenador do MINED, realizado semana passada, em Chidenguele, província meridional de Gaza.

De acordo com o porta-voz deste ministério, Manuel Rego, citado pela “AIM”, o problema reside no facto de, actualmente, as condições de acesso ao ensino superior serem diferentes nas instituições públicas e privadas que operam no país.

Enquanto nas instituições públicas há obrigatoriedade de um exame de admissão, colocando milhares de candidatos a concorrer para um número limitado de vagas, o mesmo já não acontece nas privadas, em que o critério para o acesso é, geralmente, a capacidade financeira para sustentar os estudos.

“A recomendação que saiu do Conselho Coordenador é estudar a viabilidade de se introduzir uma prova única de admissão ao ensino superior, tendo em conta que só nas instituições públicas se realiza o exame e nas privadas não. Temos que fazer um estudo muito profundo, porque o assunto é complexo e leva-nos a verificar a legislação existente no país”, explicou Rego.

O estudo deverá ainda observar as implicações financeiras do exame único para o país, entre outras questões.

“O objectivo é garantir que os alunos estejam nas mesmas condições de ingresso, para além de garantir qualidade mínima de acesso ao ensino superior no país”, disse a fonte.

Apesar do ensino superior em Moçambique ter registado um crescimento assinalável nos últimos anos, o seu acesso continua a ser praticamente exclusivo.

Nas universidades públicas, a procura é maior, o que leva a que milhares de estudantes tenham que concorrer a um número muito limitado de vagas. Alguns cursos das universidades públicas chegam a oferecer apenas 14 vagas.

Nas universidades privadas, os candidatos inscrevem-se tendo opções de escolha, bastando ter capacidade para arcar com as mensalidades. Casos há em que sobram vagas.

Devido a estas e outras dificuldades associadas, alunos com potencial para ter êxito nos seus estudos acabam ficando fora do ensino superior.

Segundo Rego, para reverter esta situação, está em estudo, há já algum tempo, a política de financiamento do ensino superior, um processo que poderá estar concluído ainda este ano.

“Queremos garantir que estudantes brilhantes que não têm capacidade económica para frequentar o ensino superior continuem com os seus estudos. Existem várias bolsas de estudo geridas directamente pelo MINED e outras pelas próprias instituições. Pretende-se instituir um sistema que permita que os alunos com capacidade intelectual de frequentar o ensino superior não sejam impedidos por limitações financeiras”, disse Rego.

O ensino superior em Moçambique data desde o ano de 1962, quando foram criados os Estudos Gerais Universitários de Moçambique (EGUM), como resposta às críticas dos movimentos nacionalistas das colónias portuguesas, acusando a potência colonizadora de nada fazer pelo desenvolvimento humano e intelectual das suas colónias.

Foi assim que, através de um decreto de Dezembro de 1968, foi criada a Universidade de Lourenço Marques (ULM), mais tarde transformada em Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Enquanto isso, no ano de 1985, depois da independência nacional, era criado o Instituto Superior Pedagógico (ISP), actual Universidade Pedagógica (UP), estabelecendo-se assim a segunda universidade pública. A seguir à UP, surgiu o Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), vocacionado à formação de quadros para a área de relações internacionais e diplomacia.

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