
Em Moçambique.
Quase metade das crianças que contraem o HIV das suas mães morrem antes de completar dois anos. Porém, estas situações podiam ser evitadas em Moçambique se todas as mulheres grávidas seropositivas fizessem o tratamento anti-retroviral.
Em Moçambique, estima-se que 85 bebés são infectados diariamente com o vírus do HIV/SIDA pelas suas mães durante a gravidez, parto ou amamentação.
Os anti-retrovirais administrados à mulher durante a gravidez e no parto, e ao bebé imediatamente após o nascimento, provou reduzir drasticamente a probabilidade de uma mãe transmitir o HIV ao seu bebé, sendo igualmente um tratamento para a mãe.
Em 2002, o Ministério moçambicano da Saúde (MISAU) lançou o Programa Nacional de Prevenção da Transmissão Vertical.
Para assegurar que o programa abranja o maior número possível de mulheres grávidas, foi integrado nas unidades sanitárias, ligado a outros serviços, tais como serviços de nutrição, tratamento pediátrico e controlo da malária.
De acordo com a vice-ministra da Saúde, Nazira Abdula, o Governo pretende expandir os serviços de prevenção da transmissão vertical a todas as unidades sanitárias do país com cuidados pré-natais e maternidades.
A Abordagem do MISAU é testar de forma rotineira todas as mulheres grávidas e as que se revelarem positivas são submetidas ao teste de contagem das células protectoras (CD4) e depois inicia a terapia anti-retroviral, se for elegível.
Neste momento, 99 por cento das unidades sanitárias do país oferecem este serviço. Entretanto, o mesmo ainda não cobre um número satisfatório de mulheres grávidas.
Esta situação deve-se ao facto de grande parte das mulheres grávidas, sobretudo nas zonas rurais, não aderir às consultas pré-natais por razões de acessibilidade e culturais.
No país, milhares de pessoas são obrigadas a percorrer enormes distâncias para chegar a uma unidade sanitária, o que dificulta a procura de serviços convencionais de saúde, incluindo o pré-natal.
Durante o Fórum de Reflexão sobre o Programa de Transmissão Vertical do HIV realizado semana passada, em Maputo, organizado pelo Gabinete da Primeira-Dama de Moçambique, um régulo da província de Niassa referiu que na sua zona as pessoas ainda percorrem 48 a 60 quilómetros para chegar a uma unidade sanitária.
Esta situação vive-se um pouco por todo o país e para minorar o problema o MISAU está a trabalhar na formação de agentes polivalentes de saúde para trabalharem as zonas rurais.
Por outro lado, muitas mulheres, nas zonas rurais, são proibidas pelos maridos e familiares de ir às consultas pré-natais.
“Há dificuldades para ir ao pré-natal porque os nossos maridos não nos deixam. Se eles nos deixam, temos que pedir autorização às nossas sogras”, contou Ilda Beúla, líder tradicional de Niassa.
De salientar esta proibição acentua o número de partos não-institucionais e a probabilidade de transmissão do vírus de mãe para filho.
O medo de fazer o teste e assumir a situação é outro aspecto que contribui para que continuem a nascer crianças com HIV.
Na cidade da Beira, província de Sofala, no centro do país, um grupo de mulheres seropositivas, que descobriu a situação durante a gravidez, tem estado a apoiar outras mulheres a encarar a situação sem sobressaltos.
Afua Assane é líder do programa “de mãe para mãe” da província de Sofala e contou no Fórum que usam o seu resultado para encorajar outras mulheres a continuarem a viver mesmo sendo seropositivas.





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