Estima-se que em 2009 existiam aproximadamente 430 mil casais serodiscordantes (quando um tem HIV e outro não) no país.
As conclusões são do recente estudo HIV no seio dos casais em Moçambique: estado serológico, conhecimento do estado e factores associados com a serodiscordância do HIV. A pesquisa é uma análise a partir das amostras recolhidas em cerca de 17 mil indivíduos do Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre HIV e Sida em Moçambique.
De acordo com o INSIDA 2009, como é abreviado este inquérito, 64% de todos os adultos seropositivos entre 15 e 64 anos em Moçambique estavam em união afectiva, 49% eram casados com alguém que também é portador do HIV e 51% estavam casados com alguém seronegativo.
O estudo tinha como objectivo estimar o número de casais serodiscordantes no país, fornecer o perfil desses casais e identificar os factores que poderão protege-los de novas infecções, seja para quem não tem o vírus ou para aqueles seropositivos, mas que podem vir a reinfectar-se com tipos diferentes do vírus HIV.
Desconhecimento
Entre os casais estimados serodiscordantes, metade deles nunca tinham feito o teste de HIV.
A pesquisa aponta para um outro factor preocupante: “o uso do preservativo entre os casais discordantes é baixo”.
Riscos de infecção
Especialistas explicam que é possível casais discordantes viverem juntos por vários anos sem a transmissão do vírus, mas isso depende da carga viral do HIV na pessoa infectada. Quanto menor for a quantidade de HIV no sangue, menor a chance de transmissão.
Em Moçambique, o Laboratório de Biologia Molecular, do Instituto Nacional de Saúde, realiza os exames de carga viral na rede pública. O serviço prestado pelo laboratório do Hospital Central de Maputo não está em funcionamento neste momento. Entretanto, a Comunidade de Sat’Egídio tem um laboratório que também faz essas análises gratuitamente, mas todos estão no sul do país, o que pode explicar a dificuldade para a transmissão dos resultados das análises das outras regiões do país.
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