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Chipande diz que vai aceitar novas versões sobre o autor do “primeiro tiro”

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Chipande diz que vai aceitar novas versões sobre o autor do “primeiro tiro”
Chipande diz que vai aceitar novas versões sobre o autor do “primeiro tiro”

Divergência sobre o “primeiro tiro”

“A história da Frelimo é inacabada. Ainda está a ser pesquisada, desenvolvida e escrita, de modo que vamos acolher novas versões que possam surgir dessas investigações. Nihia diz que também disparou na Zambézia e houve primeiro disparo em Tete e Niassa e... Chipande sabe disso”

O general na reserva e antigo combatente das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), Alberto Chipande, diz que está aberto a novas versões da história do país, em particular do capítulo da autoria do “primeiro tiro” que, recentemente, tem dado muito que falar por causa de novas versões apresentadas por “grandes camaradas” e que contrariam o que sempre foi ensinado e aprendido na história do país.

Com este discurso, Chipande marca o seu recuo no discurso de que ele foi o autor do famoso “primeiro tiro”, no posto administrativo de Chai, província de Cabo Delgado, às 21h00 de 25 de Setembro de 1964.

Falando sábado último, em Maputo, durante as cerimónias centrais do dia das FADM, Chipande destacou a necessidade de uma investigação séria sobre o assunto.

“A história da Frelimo é inacabada. Ainda está a ser pesquisada, desenvolvida e escrita e nós encorajamos isso, de modo que, se aparecer alguém, ou um antigo combatente a dizer que foi ele que disparou ou foi o fulano, havemos de aceitar, porquê não?”, questionou Chipande.

Chipande disse ainda que as novas versões não põem em causa a sua autoridade, muito menos a sua participação na luta que culminou com a independência do país, a 25 de Junho de 1975.

Para justificar o recuo, o também deputado da Assembleia da República disse estar convicto de que a democracia permite e deve permitir este tipo de situações.

“Nós somos um povo soberano e democrático e, por isso, aceitamos opiniões diferentes. As investigações é que vão determinar os factos”, disse.

Nihia diz que também disparou

A interrogação sobre o autor do “primeiro tiro” é, igualmente, feita pelo antigo combatente e membro do Conselho de Estado, Eduardo Nihia, para quem esta parte da história deve estar bem clara.

“O Chipande também sabe e sabe bem que a guerra não iniciou apenas em Cabo Delgado: no Niassa dispararam, na Zambézia também se disparou, em Tete idem, mas o facto é que as outras frentes fracassaram por problemas logísticos para abastecer as guerrilhas”, explicou Nihia, acrescentando que “o general Bonifácio Gruveta e eu disparámos na Zambézia, o Chipande disparou em Cabo Delgado. Porém, Chipande estava em Cabo Delgado e lá foi fácil: depois do tiro redigiu-se um comunicado e rapidamente enviou-se à nossa sede em Dar-Es-Salaam (Tanzania) e essa informação é que prevaleceu, mas não foi assim que correu a história”.

Para que o seu “primeiro tiro” não fosse divulgado, Nihia defende que “o nosso comandante é que nos traiu. Não foi capaz de dar a informação aos outros a tempo”.

Frelimo está a desviar-se do seu objectivo?

Comentando a ideia do membro sénior da Frelimo, Marcelino dos Santos, segundo a qual a Frelimo estava a desviar-se do seu objectivo, Chipande defendeu que o facto é que a Frelimo é um partido que aceita a diversidade.

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