
Manifestações nas cidades de Maputo e Matola
Ontem foi um dia ligeiramente tranquilo relativamente ao primeiro das manifestações populares. Até ao fim do dia, no centro da cidade de Maputo e seus arredores a tranquilidade havia sido restabelecida, salvo uma e outra zona dos bairros suburbanos como Xiquelene, Hulene, Ferroviário e Laulane, em que ainda eram visíveis as barricadas e os tiros da polícia eram, igualmente, audíveis.
Esta manifestação está a causar prejuízos avultados, sobretudo aos bancos e aos centros comerciais que continuaram encerrados, o que fez com que, ontem, nas zonas suburbanas não houvesse pão nem outros bens alternativos. As lojas para a aquisição de produtos alimentares estavam todas encerradas.
No primeiro dia, no Aeroporto de Maputo, os voos internacionais, particularmente, os provenientes de África do Sul, foram cancelados, tendo a situação sido normalizada no dia de ontem.
A Feira Internacional de Maputo (FACIM), embora tivesse sido aberta, andou às moscas. Os expositores acumulam prejuízos.
Os centros do ensino ao nível da cidade de Maputo não abriram.
O balanço do Governo
Os dados revelam que o primeiro dia das manifestações foi violento: seis mortos e pouco mais de uma centena de feridos, entre graves e ligeiros. A situação melhorou bastante no dia de ontem – apenas dois mortos, um no Bairro Luís cabral, por baleamento, e outro no Hospital Central de Maputo – e dezenas de feridos.
Aliás, o balanço do Conselho de Ministros, apresentado na manhã de ontem, mostrava que no primeiro dia e no princípio do segundo houvera sete mortos (subiu para oito com o morto registado no Hospital Central, ontem), 288 feridos, 23 estabelecimentos danificados e saqueados, 12 autocarros vandalizados, um dos quais totalmente destruído, dois vagões contendo milho e cimento saqueados, cinco viaturas e duas motorizadas queimadas, quatro postes de transformação de energia queimados e duas bombas de combustível também vandalizadas.
Em termos globais, estes prejuízos estimam-se em cerca de 122 milhões de meticais, montante correspondente a perda de pelo menos 3010 postos de trabalho.
“Estas perdas representam um retrocesso nos esforços que têm estado a ser empreendido pelo Governo, no âmbito da implementação da agenda nacional de luta contra a pobreza, e pela promoção do bem-estar dos moçambicanos”, disse o porta-voz
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