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Na província Zambézia
Decorre, na capital provincial da Zambézia, um processo disciplinar contra o secretário-provincial da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), por alegadamente ter recebido salários de fundos do Estado sem trabalhar, durante o ano de 2010, no Instituto Industrial e Comercial 1.º de Maio, em Quelimane.
Trata-se de Momade Juízo, que, além de ser secretário da organização juvenil do partido Frelimo naquele ponto do país, é docente contratado do Instituto Industrial e Comercial 1.º de Maio, funcionário efectivo da Direcção Provincial das Pescas e docente da Universidade Pedagógica, delegação de Quelimane, leccionando também na Universidade Mussa Bin Bique.
Segundo o processo em curso, Momade Juízo celebrou contrato com a referida escola no ano passado, depois de leccionar e abandonar as turmas em 2008. Juízo apareceu, ano passado, com uma guia passada pelo serviço distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Quelimane. Nessa altura, a direcção do Instituto Industrial e Comercial 1.º de Maio mostrou resistência em receber o professor em alusão, devido ao seu histórico pouco abonatório, porém, dada a sua insistência, coadjuvado por alguns dirigentes da escola, a instituição acabou por receber a referida guia e, de seguida, foi-lhe atribuído o horário e as turmas nas quais passaria a dar aulas.
As turmas em causa pertenciam aos dois turnos - diurno e nocturno - e leccionava as disciplinas de Contabilidade Industrial e Estatística Económica.
Pouco tempo depois, Momade Juízo abandonou os mais de 500 alunos distribuídos por sete turmas, e em nenhum momento apresentou os motivos para o abandono das turmas nem uma carta pedindo rescisão de contrato. Mesmo nos dias dedicados à planificação, normalmente aos sábados, Juízo já não comparecia.
Segundo apurou “O País”, o referido docente ficou sem dar aulas aos estudantes e, consequentemente, sem os avaliar, comprometendo o aproveitamento pedagógico dos alunos, para os quais - nos exames do ano passado - todas as matérias das disciplinas leccionadas por Juízo constituíram novidade, já que não tiveram as lições que foram alvo de avaliação.
Ademais, de acordo com uma fonte que preferiu falar em anonimato, as notas com que os estudantes foram aos exames não foram conseguidas mediante o processo normal de avaliação, mas uma “invenção” do professor para garantir que os mesmos participassem nas provas.
Distraídos no trabalho, mas atentosos nos salários
Tudo parece ter acontecido sob olhar impávido do director da escola, Eugénio Candeeiro, e o respectivo director adjunto-pedagógico, pois nada fizeram para corrigir o cenário, de modo a garantir um bom aproveitamento aos alunos. Entretanto, a administração desta instituição de ensino processava normal e regularmente o salário mensal do professor.
Numa das últimas sessões do governo provincial havidas ano passado, o governador da província de Zambézia, Francisco Itai Meque, denunciou esta situação.
Disse, na altura, que o caso fora descoberto por uma equipa de inspecção do Ministério da Educação que esteve a trabalhar naquela instituição. O governador garantiu que se trabalharia no caso, de forma a esclarecer o assunto e, consequentemente, responsabilizar os visados, em caso de se apurar o seu envolvimento.
A nossa equipa de reportagem contactou, por diversas vezes, Momade Juízo, a respeito deste caso, mas o mesmo evitou a entrevista. O mesmo aceitava a marcação do dia e da hora da entrevista, mas depois não comparecia.
Entretanto, telefonicamente, reiterava sempre a sua inocência.
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