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Decisão tomada no decurso da V sessão deste órgão
O Comité Central da Frelimo deu luz verde para o início do processo de revisão constitucional sem, no entanto, deixar claro quais as matérias que pretende ver revistas. Aliás, no seu discurso de encerramento da V sessão do Comité Central da Frelimo, que terminou na noite de sábado, o presidente desta formação política, Armando Guebuza, assumiu publicamente e pela primeira vez a necessidade de se avançar com este processo. Apesar do assunto estar na agenda política e de ser objecto de vários debates a nível da sociedade, o facto é que o presidente da Frelimo e da República, Armando Guebuza, nunca tinha feito algum comentário sobre a matéria. Mesmo quando se colocou a hipótese de que a revisão constitucional visava alargar o limite dos mandatos presidenciais. Sobre este aspecto, Guebuza sempre jogou na defensiva, tendo dito apenas que “respeita a Constituição da República”, a mesma cuja revisão defendeu no último sábado.
Guebuza defendeu a revisão constitucional e disse que este processo visava “adequá-la ao contexto político, social, cultural e económico da actualidade”. Entretanto, não avançou as matérias constantes da actual Constituição da República que estão fora do contexto.
O presidente da Frelimo prosseguiu o seu discurso, afirmando que a revisão constitucional é “um exercício que visa, igualmente, consolidar as conquistas democráticas do nosso maravilhoso povo e o aprimoramento dos mecanismos da sua realização”. Neste capítulo, a comunicação de Guebuza também não esclarece que conquistas são essas, cuja consolidação depende da revisão constitucional.
Por outro lado, Armando Guebuza disse notar com bom agrado que, desde que a Frelimo avançou com a proposta, “vários segmentos da nossa sociedade têm estado a apresentar subsídios que gostariam de ver reflectidos no novo figurino constitucional. Estas reacções testemunham, uma vez mais, que a agenda da Frelimo está sempre sincronizada com a agenda da Nação moçambicana”, disse Armando Guebuza.
Na verdade, a Frelimo ainda não avançou com nenhuma proposta de revisão constitucional. Uma proposta obriga, necessariamente, o proponente a dizer claramente quais as matérias que pretende rever e isto ainda não aconteceu. O que houve, sim, foi um anúncio de que será desencadeado um processo de revisão constitucional.
Por outro lado, a sua bancada na Assembleia da República pretende forçar a constituição de uma comissão ad-hoc para se encarregar desta matéria. Aqui também, e mesmo perante a oposição da Renamo e do MDM, a bancada da Frelimo não esclareceu as razões que a levam a pretender uma comissão ad-hoc, ao invés de uma comissão especializada da Assembleia da República, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e Legalidade.
No entanto, importa referir que, tendo a Frelimo a maioria qualificada dos 2/3 dos deputados da Assembleia da República, não precisa de nenhum acordo com as restantes bancadas da oposição para rever a Constituição. Ou seja, sozinha pode aprovar a revisão constitucional.
X Congresso marcado para 2012
O Comité Central decidiu que o X Congresso terá lugar de 23 a 28 de Setembro de 2012. A escolha de 2012 para a realização da reunião magna deste partido reside no facto de coincidir com as celebrações dos 50 anos da fundação da Frelimo. Será neste Congresso que será, oficialmente, conhecido o candidato da Frelimo às eleições presidenciais de 2014. Em outras palavras, está lançada a corrida para a lista dos candidatos presidenciáveis.
As datas do X Congresso também coincidem com as da realização, em 1962, do primeiro congresso da Frelimo, que teve lugar em Dar-es-Salaam, na Tanzania, cujo objectivo central era unir os três movimentos, nomeadamente, UDENAMO, MANU e UNAMI. Foi neste congresso que surgiu a Frelimo e Eduardo Mondlane foi eleito presidente.
Edson Macuácua, o porta-voz do encontro, disse que, tal como o I Congresso, este também se realizará sob o signo de “unidade nacional”. “Pretende-se que seja um momento de reforço da unidade nacional, exaltação das realizações e elevação da consciência patriótica”, afirmou Macuácua.
Segundo o porta-voz, com a escolha de 2012, pretende-se fazer o alinhamento do congresso com os ciclos eleitorais, pois este terá lugar um ano antes das autárquicas de 2013 e dois anos antes das eleições legislativas e presidenciais.
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