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Daviz Simango anuncia construção de novas sedes de bairros

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Daviz Simango anuncia construção de novas sedes de bairros
Daviz Simango anuncia construção de novas sedes de bairros

Processo arranca dentro de duas semanas

“A ideia era chamarem-nos criminosos e impedirem-nos de participar nas próximas eleições. Já entregámos as sedes, vamos construir novas e, em 2013, vamos dar-lhes uma goleada eleitoral”.

Os beirenses vão arrancar, dentro de duas semanas, com a construção de 14 novas sedes de bairros, para substituir as que foram entregues, semana passada, ao partido Frelimo, mediante uma ordem do Tribunal judicial de Sofala, num processo muito contestado pelo Conselho Municipal da Beira, desde 2003.

No último fim-de-semana, Daviz Simango, presidente do Conselho Municipal da Beira, orientou um comício popular, bastante concorrido, no populoso bairro da Munhava, convocado pela edilidade com o  propósito de explicar aos munícipes  todo o processo  que culminou com a perda das sedes a favor dos “camaradas”. Na ocasião, Simango lançou um desafio aos beirenses, para que juntos, e com recursos próprios, construam novas sedes.

“É que o CMB não tem dinheiro, neste momento, para arrancar com a construção de novas sedes de bairros para substituir as que a Frelimo nos roubou. Portanto, não podemos ficar desanimados e estagnados, só porque um grupo de pessoas, com recurso a um órgão do Estado, impôs as suas vontades. Vamos juntos erguer novas sedes. Que cada um traga o que puder para a obra, seja areia, um bloco, um saco de cimento, uma chapa de zinco… e vamos construir novas sedes”.

Dito isto, o numeroso público que acorreu ao comício ovacionou-o com palmas e vivas, em sinal de aprovação da ideia de construção de novas sedes, que segundo Daviz Simango deverá iniciar dentro de duas semanas, por razões organizacionais.

Na mesma ocasião, Simango explicou aos presentes que apelara aos beirenses para, desta vez, não impedirem a execução da decisão judicial, diferentemente do que sucedeu em Junho passado, porque, segundo suas palavras, estava informado que o contingente policial que acompanhava os mandatários da Frelimo e funcionários do Tribunal Judicial de sofala tinha ordens para disparar a matar contra a população.

“Meus irmãos, soubemos que o objectivo, desta vez, era disparar contra tudo e todos que se opusessem à execução, tal como o fizeram nas manifestações de 1 e 2 de Setembro, assim como em Montepuez e Mocímboa da Praia. A ideia era chamarem-nos criminosos e impedirem-nos de participar nas próximas eleições. Já entregámos as sedes, vamos construir novas e, em 2013, vamos dar-lhes uma goleada eleitoral. É assim que se dá troco aos opressores do povo, não entrar nas suas jogadas sujas”.

Sedes debaixo de árvores

Actualmente, as sedes de bairros estão a funcionar debaixo de árvores. Ontem, este matutino testemunhou o funcionamento de pelo menos três, das 14 sedes executadas, debaixo de árvores, nomeadamente, dos bairros Chaimite, Ponta-Gêa e Mascarenhas.

João Nhacabande, secretário do bairro da Ponta-gêa, disse à nossa reportagem que ele e os seus colegas tiveram que se movimentar cerca de 2 quilómetros do local onde funcionava a sede, no sentido de encontrar uma sombra adequada. “Veja que, devido a estas movimentações, passámos parte da manhã sem poder atender os munícipes e, como resultado, pelo menos dois funerais não serão realizados hoje (ontem) porque os familiares dos finados não conseguiram tratar toda a documentação a tempo. Um transtorno que lamentamos, e pedimos a compreensão dos munícipes”.

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