Numa cimeira extraordinária de dois dias.
O Conselho de Ministros da União Africana (UA) encontra-se reunido, em Tripoli, Líbia, numa cimeira extraordinária de dois dias, para discutir a transformação da Comissão da União Africana em “Autoridade da União Africana”.
Este pode ser considerado como um passo para a formação dos Estados Unidos de Africa.
Segundo os defensores deste projecto, a criação de um governo africano tem o potencial de conferir à Africa um maior poder negocial nos fóruns internacionais, algo que sempre foi o sonho de várias gerações de pan-africanistas.
Contudo, muitos líderes africanos ainda continuam relutantes em ceder de parte da sua soberania ao novo governo, enquanto que outros defendem o fortalecimento de instituições regionais antes de se pensar na criação de um governo único.
Falando, hoje, durante a sessão de abertura, o estadista líbio, Muhamar Kaddafi apelou para uma maior celeridade na formação de um governo africano.
“Nós não podemos criar os Estados Unidos de Africa sem um mecanismo funcional para atingir este objectivo”, disse Kaddafi aos participantes do encontro.
“Nós devemos acabar com o caos e desordem existentes, criar uma única autoridade e esquecermos o resto”, exortou.
“Não temos nenhum problema … podemos lançar facilmente este projecto histórico”, rematou.
Segundo Kaddafi, que actualmente detém a presidência rotativa da UA, explicou que “os três pilares desta autoridades já existem”.
Ele disse que o Conselho de Ministros da UA, que consiste nos ministros dos negócios estrangeiros dos 53 países membros, terá a responsabilidade da política exterior, enquanto que o Conselho de Paz e Segurança da União Africana será transformada num Ministério Africano para “Defesa e Segurança”.
Prosseguindo, Kaddafi disse que as relações económicas externas e cooperação internacional ficarão a cargo da Nova Parceria para o Desenvolvimento de Africa (NEPAD).
O projecto para a formação de um governo africano foi um dos temas mais controversos da última cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da UA, que teve lugar em Addis Abeba, em Fevereiro do corrente ano.
Kaddafi provocou acesos debates devido a sua insistência para a formação de “um governo da União” e dos Estados Unidos de Africa.
Para a sua infelicidade, a cimeira apenas conseguiu alcançar um compromisso mínimo ao decidir alterar o nome da Comissão da União Africana para “Autoridade da União”.
O movimento para a formação dos Estados Unidos de Africa é liderado por Kaddafi, que se mostra muito ansioso com a formação do novo governo, enquanto que outros líderes preferem optar pelo gradualismo.
Kaddafi, que foi eleito presidente da UA durante a última cimeira, deixou ficar bem claro que ele tenciona insistir na formação do novo governo africano, não obstante a relutância de vários líderes do continente.
Dias mais tarde, o presidente sul-africano foi reportado como tendo dito ser prematuro a criação de um governo continental, pois “seria contrário aos interesses do seu país”.
A cimeira de Addis Abeba instruiu o Conselho de Ministros a elaborar um relatório para a adopção de reformas mais profundas.
Segundo o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, que falava hoje em Tripoli, este estudo deverá ser apresentado durante a próxima Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo a ter lugar em Julho do corrente ano.
Os participantes da reunião em curso em Tripoli vão analisar as propostas relativamente “as funções e dimensão e consequenciais financeiras da criação da autoridade”, disse Ping.





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