Mandela “entregou a Mbeki um ANC vibrante e unido”
O ex-presidente da África do Sul Thabo Mbeki foi acusado pelo director de campanha do Congresso Nacional Africano (ANC) de “ter traído a herança de Nelson Mandela”.
Numa carta aberta publicada em Joanesburgo, Fikile Mbalula lança críticas e acusações ao ex-chefe de Estado e presidente do ANC (e ainda militante do partido no poder) sem precedentes na história do ex-movimento de libertação a pouco mais de uma semana das eleições legislativas sul-africanas.
Mbalula afirma que Nelson Mandela “entregou a Mbeki um ANC vibrante e unido”, que este último viria a “atirar para a beira do abismo num momento de intoxicação de poder do glorioso movimento”.
“Mbeki deixou o aparelho do Estado completamente paralisado e a estrutura de governo em absoluta desordem”, acusa o director de campanha eleitoral do ANC, aparentemente em resposta a um comunicado emitido a semana passada pelo ex-presidente, no qual se distanciava da alegada campanha que levou ao arquivamento do processo-crime contra o seu sucessor na chefia do partido, Jacob Zuma, pela Procuradoria.
Durante a Presidência de Mbeki o ANC viria a fracturar-se em duas facções, uma das quais leal ao então “vice” Jacob Zuma, que enfrentava acusações de fraude e corrupção no âmbito do concurso para re-equipar as forças armadas sul-africanas, e outra fiel a Mbeki.
Thabo Mbeki viria a demitir Zuma do cargo de Vice-Presidente em Junho de 2005, após o ex-assessor financeiro de Zuma, Schabir Shail, ter sido condenado a 15 anos de prisão por fraude e corrupção, um processo no qual Zuma era o alegado beneficiário de “luvas” pagas pela empresa francesa Thint em troca de contratos com o Estado.
Na carta aberta hoje publicada pelo chefe de campanha do ANC, Mbeki é descrito como “um líder que dirigiu o partido e o país como uma cabala destinada a impor a todos em seu redor a sua forma de pensar e visão”.





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