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Mineiros grevistas preferem morrer a voltar à “escravatura”

Empresa fez ultimato aos trabalhadores.

Os mineiros em greve na mina da Lonmin, em Marikana, na África do Sul, reiteram que “preferem morrer” a voltar à “escravatura”. Esta foi a resposta dos trabalhadores ao ultimato lançado este domingo pela empresa, avisando que serão despedidos se não voltarem esta segunda-feira ao trabalho. A empresa adiou, entretanto, o ultimato para esta terça-feira.

Quatro dias depois do massacre na mina de platina sul-africana, em que foram mortos a tiro pela polícia 34 mineiros e feridos 78, os ânimos ainda não acalmaram.

“Já morreram pessoas e, por isso, não temos mais nada a perder (…). Vamos continuar a lutar por aquilo que acreditamos ser uma luta legítima por ordenados que permitam viver. Preferimos morrer como os nossos companheiros a desistir”, disse o mineiro Kaizer Madiba, citado pelo jornal Times da África do Sul.

No entanto, segundo a Reuters, que cita um porta-voz da empresa, mais de um quarto dos trabalhadores da mina (27%) apresentou-se ao trabalho para o turno da manhã, esta segunda-feira. Ainda assim, “não é claro se os mineiros em greve estão a regressar”, disse a mesma fonte.

Enquanto isso, milhares de mineiros estão concentrados no exterior da mina enquanto os sindicatos decidem o que fazer perante o ultimato lançado pela empresa.

A administração recusou-se a ceder às exigências dos trabalhadores e, com base numa ordem judicial, ordenou aos trabalhadores que regressassem ao trabalho, senão seriam despedidos. De acordo com a agência de notícias AFP, na mina trabalham mais de 30 000 pessoas, das quais cerca de 3 000 aderiram à greve.

“A única coisa que pode acabar com esta greve é uma resposta positiva da administração. Ainda me pergunto por que é que a administração se recusa a negociar connosco”, disse Kaizer Madiba.

A empresa manteve, entretanto, conversações com os sindicatos. Para já, adiou o ultimato para o regresso dos trabalhadores um dia. “Depois de consultas com os vários representantes sindicais, a empresa pode anunciar que os mineiros que estão em greve ilegal e que não regressaram ao trabalho esta manhã não serão despedidos, e que lhes foi dado mais um dia, à luz das circunstâncias actuais”, disse a Lonmin, citada pela AFP.

Os mineiros cumpriram uma semana de greve que acabou na passada quinta-feira com a polícia a disparar sobre cerca de 3000 trabalhadores que se concentraram junto à mina de platina de Marikana, no noroeste do país, perto de Rustenburg, a cerca de 100 quilómetros de Joanesburgo.

Os trabalhadores exigem melhores condições de trabalho e um aumento de salário para o triplo do que ganham actualmente – cerca de 350 dólares. As imagens que correram o mundo mostram a polícia a disparar indiscriminadamente sobre os grevistas que corriam em direcção aos agentes, com paus e catanas. Segundo a polícia, os mineiros tinham também pistolas.

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