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Egipto defende reforço das relações com Irão e preocupa Israel

Mohamed Morsi, defendeu um reforço das relações entre o Irão e o Egipto

 

O novo presidente egípcio, o islamita Mohamed Morsi, defendeu um reforço das relações entre o Irão e o Egipto, rompidas há mais de 30 anos, ao afirmar que vai criar um “equilíbrio estratégico” regional, numa entrevista à agência iraniana Fars.

O fortalecimento das relações entre Irão e  Egipto “criará um equilíbrio estratégico regional e faz parte do meu programa”, assegurou Morsi, na entrevista, domingo, à Fars, algumas horas antes do anúncio oficial da sua vitória na eleição presidencial.

O Irão saudou a vitória de Morsi do primeiro presidente eleito do Egipto, desde a queda de Hosni Mubarak, em Fevereiro de 2011. “A República Islâmica do Irão felicita o povo egípcio pela sua vitória nesta eleição e a presidência do Dr. Mohamed Morsi, assim como presta homenagem aos mártires do país”, declarou o ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, num comunicado divulgado pela imprensa oficial.

Teerão rompeu as suas relações diplomáticas com Cairo em 1980, após a revolução islâmica, em protesto contra a conclusão, em 1979, de um acordo de paz entre Egipto e Israel. Hosni Mubarak desconfiava muito de Teerão, que o considerava um elemento desestabilizador no Médio Oriente.

Desde a queda de antigo governo, Egipto e Irão estão engajados nos esforços de reconciliação e comprometeram-se a trabalhar no sentido de uma normalização diplomática.

O Irão apoiou os movimentos de revolta popular da “Primavera Árabe”, com excepção da Síria, seu aliado tradicional, mas regularmente denuncia as ingerências dos Estados Unidos e do Ocidente, especialmente na Líbia, assim como em Bahrain.

No entanto, os jornais israelitas expressaram, ontem, de maneira unânime, a sua inquietação com a nova situação na região, após a vitória de Mohamed Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, na eleição presidencial no Egipto, anunciou a AFP.

“Trevas no Egipto”, afirma o Yediot Aharonot, principal jornal popular, em referência a uma das 10 pragas descritas na Bíblia. “Israel inquieta-se com a chegada ao poder do Islam extremista no Egipto, apesar de Morsi ter prometido respeitar os compromissos internacionais do Egipto”, destaca o jornal.

“Perigosa vitória”, insiste o colunista Semadar Perry, antes de recordar que Morsi dirigiu, no passado, um comité que defendia “a guerra contra a empresa sionista” e que o Hamas palestiniano integra a corrente da Irmandade Muçulmana.

“Israel deve reconsiderar a sua posição e estar disposto a todas as eventualidades”, advertiu Alex Fishman, especialista em questões militares, ao mencionar um possível questionamento dos acordos de paz e dos compromissos económicos. “O temor tornou-se realidade: a Irmandade Muçulmana está no poder no Egipto”, afirma na primeira página o jornal Maariv. “O tratado de paz está em dúvida”, completa.

Pragmático, Yaakov Katz, analista militar do “Jerusalém Post”, considera que “nada vai mudar a curto prazo nas relações com o Egipto, pois Morsi enfrenta desafios muito mais urgentes que uma guerra com o Estado judeu”.

“Mas a chegada ao poder da Irmandade Muçulmana terá uma influência  sobre a ameaça terrorista crescente no Sinai. E a questão é saber se Morsi vai tomar ou não medidas para modificar esta situação”, completou.

O jornal Haaretz também dedica a primeira página à inquietação que o presidente islamita egípcio provoca em Israel. Mas o Haaretz cita uma fonte oficial segundo a qual o governo de Benjamin Netanyahu “espera de modo privado” que Morsi considere que é primordial para o Egipto recuperar a sua economia vacilante, ao invés de questionar os vínculos bilaterais.

 

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