
Líder disse que as chamadas “superpotências” sabem que não podem derrubá-lo
Muamar Kadafi afirmou, ontem, no segundo discurso emitido pela televisão estatal em menos de 24 horas, que não deixará Líbia e que morrerá no país “como um mártir”.Kadafi disse que cobardes, traidores e os inimigos do país estão a tentar manchar a imagem da nação. O líder também disse que era diferente dos líderes dos demais países árabes. “Não sou o presidente do país, sou o líder da revolução e revolução significa sacrifício até ao fim dos tempos.” “Não tenho cargo para renunciar. Tenho a minha arma, a minha espingarda para lutar pela Líbia”.
Kadafi disse que o poder, na Líbia, está com o povo, e pediu a formação de novos comités municipais em todo o país. O veterano líder afirmou que o seu país é um exemplo para o mundo. “Todas as nações africanas olham para Líbia como um exemplo; todos os líderes do mundo olham para Líbia como um exemplo”, disse.
O guia líbio acusou os manifestantes de estarem sob efeito de “drogas alucinogénicas” e de estarem ao “serviço do diabo”. Kadafi pediu que os seus partidários e simpatizantes tomem as ruas e enfrentem o que ele chamou de “gangues de baratas drogadas”.
O dirigente alertou que, se for necessário, será usada a força, porém, de acordo com a lei internacional.
Kadafi também afirmou que, a partir de hoje, a polícia vai garantir a segurança, mas que as pessoas deveriam prender e desarmar o que ele chamou de “pequeno número de terroristas” que estão a tentar transformar a Líbia em outro Afeganistão. O guia líbio disse que a pena para aqueles que querem prejudicar a Líbia ou ajudar os inimigos do país é a morte. Disse ainda que as chamadas “superpotências” sabem que não podem derrubá-lo.
Embaixador nos EUA
O embaixador líbio nos EUA, Ali Aujali, disse que não representa mais o “regime ditatorial” do seu país e pediu a saída de Kadafi. Na véspera, outros diplomatas haviam anunciado que se aliariam à oposição ao líder. Foi o caso do vice-embaixador da Líbia na ONU, Omar Al-Dabbashi, que qualificou de “genocídio” a reacção governamental aos protestos nas ruas da capital Tripoli, assim como os embaixadores líbios na Índia, Liga Árabe, China e o ministro da Justiça do país, segundo o jornal Quryna. Há relatos de deserção também entre membros das forças de segurança.
Líbia suspepensa
A Liga Árabe suspendeu, ontem, a participação da Líbia em todos os seus encontros, durante uma reunião extraordinária dos seus representantes permanentes no Cairo, Egipto.
Segundo um comunicado oficial, “está suspensa a participação das delegações governamentais da Líbia nas reuniões do Conselho da Liga Árabe e de todas as suas organizações dependentes, até que as autoridades líbias cumpram os requisitos” da organização pan-árabe. Por sua vez, o governo alemão ameaçou a Líbia com sanções, se não interromper imediatamente a violência contra a população civil.
Na sequência, ontem, o barril de petróleo atingiu a barreira de 108 dólares.
Ingerência estrangeira
O ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, denunciou na última de suas “reflexões”, publicada ontem, que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) planeia ocupar a Líbia por ordem dos EUA. “O que para mim é absolutamente evidente é que o governo dos Estados Unidos não se preocupa com a paz absoluta na Líbia e não hesitará em dar à NATO a ordem de invadir o rico país, talvez em questão de horas ou muito em breve”. A confirmar ou não a tese, verdade é que, nos corredores da diplomacia, vários embaixadores líbios estão a apelar a uma intervenção internacional.
Por sua vez, o presidente russo, Dmitri Medvedev, alertou, ontem, durante uma reunião extraordinária da comissão nacional antiterrorista, segundo as agências russas, sobre a possível desintegração dos países árabes “densamente povoados (...) em múltiplas partes” e a chegada de fanáticos ao poder, o que desembocaria em “décadas de convulsões”.
Ao contrário do Ocidente, a Rússia não condenou a repressão violenta aos protestos na Líbia.
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