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Bento XVI conclui peregrinação

Bento XVI efectuou a visita durante três dias e a mesma ficou marcada pelo apoio à criação de um Estado palestiniano.

O Papa Bento XVI concluiu hoje uma peregrinação de oito dias à Terra Santa, que ficou marcada pelo apoio à criação de um Estado palestiniano, pelos apelos à paz e pela denúncia do holocausto.

Na que foi a sua primeira visita a Israel e à Palestina desde que se tornou pontífice em 2005, Bento XVI esforçou-se por encorajar israelitas e palestinianos a reconciliarem-se e trabalhar para uma solução de dois Estados.

A visita a um campo de refugiados palestinianos perto de Belém, na Cisjordânia, serviu para Bento XVI denunciar a edificação por Israel do muro de separação que considerou “trágico”.

O Papa também apelou aos jovens palestinianos para “resistirem à tentação da violência e do terrorismo”.

Na cerimónia de despedida, no aeroporto Ben Gurion, perto de Telavive, o Papa reiterou a principal mensagem política da sua visita afirmando o desejo de que “a solução de dois Estados se torne uma realidade, que não se mantenha um sonho”.

“Permitam-me que faça um apelo a todos os povos destas terras: basta de derramamento de sangue, basta de combate, basta de terrorismo, basta de guerra”, adiantou.

Sobre o tema sensível do holocausto, Bento XVI quis à última da hora rectificar a impressão de pouco empenho na condenação que tinha deixado em numerosos israelitas depois de ter visitado segunda-feira o memorial Yad Vashem e referiu “o extermínio brutal” dos judeus pelos nazis.

O Papa recordou a visita que fez segunda-feira ao memorial Yad Vashen em Jerusalém como “um dos momentos mais solenes” da estada, que lhe recordou a visita ao campo de concentração de Auschwitz três anos antes.

“Foi ali que tantos judeus foram exterminados brutalmente por um regime sem Deus, que propagou uma ideologia de anti-semitismo e de ódio. Este capítulo horroroso da história não deve nunca ser esquecido ou negado”, afirmou o Papa durante a cerimónia de despedida no aeroporto de Ben Gurion, perto de Telavive.

“O Papa está muito contente com esta viagem” que foi “um tempo de escuta muito importante” para si próprio e que lhe permite ter “a partir de agora uma visão bem mais pessoal dos problemas da região”, declarou à imprensa o padre Frederico Lombardi, porta-voz do Vaticano, sublinhando que a principal mensagem de Bento XVI durante a visita foi “a paz, a paz e ainda a paz”.

Ansioso por melhorar as relações entre cristãos e judeus - complicadas pelo levantamento da excomunhão do bispo negacionista Richard Williamson e pela vontade de beatificar Pio XII, que Israel acusa de se ter mantido em silêncio durante o holocausto -, o Papa não conseguiu preencher as expectativas dos judeus apesar de ter inserido uma prece no Muro das Lamentações, de se ter recolhido em Yad Vashem e de se ter encontrado com os dois grandes rabinos de Jerusalém.

A viagem parece, em contrapartida, ter sido frutuosa em relação à aproximação com os muçulmanos, tendo Bento XVI visitado duas importantes mesquitas, uma em Jerusalém e outra em Amã na Jordânia.

Ao apelar para a criação de um Estado palestiniano, o Papa fez sua a principal reivindicação dos palestinianos.

 

 

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