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A FACIM conseguiu reconquistar o espaço que sempre teve

O presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto de Promoção de Exportações  (IPEX), João Macaringue, fala da quadragésima oitava Feira Internacional de Maputo (FACIM) 2012, que se vai realizar de 27 de Agosto a 2 de Setembro.

Macarringue avança que graças ao apoio do Governo e de parceiros, foi possível devolver a notabilidade internacional da FACIM.

A Feira Internacional de Maputo (FACIM) foi realizada, pela primeira vez, no ano passado, fora da cidade de Maputo, ou seja, em Marracuene, actual ponto de encontro dos homens de negócios nacionais e estrangeiros. Que ganho concreto trouxe esta mudança de espaço de exposição de produtos e serviços das empresas?

A primeira questão que se pode colocar relativamente aos ganhos está ligada ao povoamento que está a ser feito, neste momento. Outro ganho é todo este fervilhar da actividade económica em torno deste recinto da FACIM; chegar aqui encontrar este espaço soberbo e imponente, com grandes áreas de lazer e recreação, para além de toda esta disposição que encontramos com melhor comodidade e melhor espaço. Trata-se de ganhos que, a meu ver, o valor é difícil de determinar, neste momento.  A maior referência da localidade de Ricatla, em tempos, era uma igreja, mas, de há um tempo para cá, tornou-se a FACIM. Não digo que tenha sido substituída a referência da igreja, mas, hoje, quando se fala de Ricatla a referência é FACIM, porque se trata de um ganho para a província de Maputo, a nível do distrito de Marracuene.

Consta que houve registo de um crescimento significativo de número de expositores nacionais e estrangeiros ano passado, comparativamente ao ano anterior, com o registo de um recorde de 600 empresas estrangeiras e 1 078 expositores nacionais. O que está por detrás deste crescimento registado na edição passada da FACIM, considerando que foi a primeira fora da cidade de Maputo?

Havia uma certa fadiga em relação à FACIM da cidade de Maputo. As pessoas não encontravam motivação para visitar, porque as edições tinham virado rotina. Portanto, ao agarrarmos o desafio de construir este novo recinto - em tempo recorde - da FACIM, acabou criando uma curiosidade nas pessoas. Então, as pessoas queriam saber se o espaço existia de facto ou não, o que constituiu a primeira grande novidade para muitos. Se quiserem lembrar do último dia, houve uma grande avalanche, porque nos dias anteriores tinha havido espectáculo, o que terá atraído mais pessoas para este espaço. Agora, com os arranjos que estamos a fazer este ano com vista a abrilhantar todos os finais de dia, acreditamos que teremos um número excessivamente grande.       

De 27 de Agosto a 02 de Setembro, realiza-se a 48ª Edição da FACIM, sendo que será a segunda vez que o certame é organizado em Marracuene. O que haverá de novo nesta edição da FACIM?

Primeiro, deixa-me destacar a qualidade das próprias infra-estruturas. Sei que esteve aqui no passado e, de facto, fizemos o que tínhamos previsto, de alguma forma, e agora melhoramos as mesmas infra-estruturas. Por outro lado, temos uma vasta gama de países que, no ano passado, vieram com alguma incerteza, mas que desta vez vêm com os pés firmes, porque já têm informação das condições existentes e de como devem organizar-se para atrair mais as outras empresas e os visitantes.

Falando de empresas estrangeiras, consta que há 16 países que confirmaram a presença nesta quadragésima oitava edição da FACIM. Estamos a apenas dois países (18) do registado no ano passado. O que está a servir de chamariz para estes países? 

A FACIM não pode ser vista como um facto isolado dentro do país, porque está inserida em tudo o que se verifica. Se formos a olhar para aquilo que é a apetência de empresas em investir no país, tende a crescer. Isso, aliado às novas descobertas de minerais, acaba sendo um conjunto de factores que tende a atrair mais países a investir no país, e a FACIM não é uma excepção à regra. Os estrangeiros vêem, também, na FACIM a maior montra do país, onde temos o que todas as províncias podem oferecer em termos de serviços e produtos. Isto também faz com que haja uma maior adesão à FACIM.  

 

Revelou que houve algum investimento adicional em infra-estruturas comparativamente ao ano passado. Em que consistiram em concreto estas obras que visam proporcionar condições condignas aos participantes na Feira?

Com os constrangimentos que tivemos no ano passado, ditados pela urgência que tínhamos em ter as coisas prontas, nós acabámos tendo todas tendas cobertas nas laterais de tenda propriamente dita, e isto não oferecia muita consistência e muita segurança. Por outro lado, aqui há um fenómeno de vento muito forte, que fazia com que as pessoas não se sentissem muito seguras, porque tínhamos as tendas e todos aqueles alumínios, muitas vezes, a balançar por causa de vento. Mas agora temos placas muito mais consistentes. Isto ajudou também na própria ornamentação. 

Que dificuldades enfrentam na organização da FACIM?

Não há nenhum trabalho que não enfrenta dificuldades. Para nós, há dificuldades ligadas às limitações de carácter financeiro. Geralmente, para se organizar uma feira desta natureza, há avultadas somas que são envolvidas, mas nós temos que nos posicionar em relação aos números que são possíveis, dentro das restrições orçamentais que o país, no seu todo, possui. Isto ditou, por exemplo, que parte das receitas captadas no passado, decorrentes da inscrição das pessoas, fosse aplicada quer na obra, quer em aspectos organizativos. Mas podem crer que, com o próprio crescimento que a FACIM está a ter e as parcerias que estamos a conseguir captar, gradualmente, vamos ultrapassar estas dificuldades. A experiência que nós temos de outros países mostram  algum apoio do Estado, mas, na globalidade, os investimentos vêm por parte das parcerias que as instituições organizadoras possuem.    

Consta que se pretende construir um recinto na FACIM que acolherá vários eventos, através de pavilhões multifuncionais, para além da tradicional feira, durante o ano. Quando é que teremos o sonho deste recinto altamente modernizado realizado?

É preciso sonhar para que as coisas possam acontecer. O que está aparentemente a atrasar este projecto é a necessidade de envolvência de vários actores. A primeira abordagem que estávamos a fazer era uma abordagem restritiva da FACIM, que incluía um pavilhão multiuso para acomodar os nossos expositores, um hotel e um shopping. Mas a orientação que tivemos do Governo é de que temos uma oportunidade ímpar de conceber uma cidadela aqui em Marracuene, concebida por nós, em que orientamos o processo de crescimento da mesma cidade. Ou seja, tem que ser o próprio Estado, através do Governo, a conceber e desenhar aquilo que é o processo de desenvolvimento, e esta oportunidade nós não queremos perder neste momento. Então, isto implicou que olhássemos não só para o recinto da FACIM, mas para toda a envolvente na zona circundante. É daí que o nosso ângulo de abrangência, que inclui esta zona de Ricatla, inclui estas parcelas que pertencem ao IAM, e toda esta área que termina no próprio distrito de Marracuene. Há zonas ocupadas, e naturalmente não vamos desalojar as pessoas, mas o que se tem de fazer é desenhar um figurino de modo a que a cidade cresça de forma harmónica. Claro que há de ser necessário persuadir as pessoas a aderirem a este projecto. Isto significa articulação com o governo da província, com o governo do distrito, a harmonização com o Ministério da Agricultura,  com o Conselho Municipal – que possui um projecto – e o próprio Ministério da Indústria e Comércio. O que queremos é quando chegar a hora de abordar a engenharia financeira necessária para o projecto estejamos todos a falar a mesma língua. Temos o  IGEPE – Instituto de Gestão das Participações do Estado – que é um dos nossos parceiros neste projecto, que nas suas deslocações tem estado a difundir e encontrar potenciais parceiros para este negócio.

Falando em parceiros, o grupo Soico é um dos parceiros do IPEX na realização desta edição da FACIM, através do programa “O País Económico”. Como é que olha para esta parceria?

Nós estamos abertos a cooperar, buscar tudo o que traga valor acrescentado à nossa organização, através da imprensa, que é a vossa área de maior domínio e especialização, para a publicitação daquilo que estamos a realizar. Não só vamos aproveitar esta janela para falar da FACIM, mas também para divulgar todo um conjunto de actividades que não são do domínio público. Daí que o suplemento económico que a Soico vai produzir é muito bem-vindo.                    

Que ganho concreto o país possui com a realização das edições da FACIM?

A nível internacional, pelo menos no ano passado, Moçambique foi falado por causa dos X Jogos africanos e da FACIM, o que significa que já estamos a ter um espaço no dicionário económico das pessoas. As pessoas começam a compreender que na mobilização de qualquer esforço de investigação para determinar o potencial dos mercados no país, uma das referências obrigatórias é a FACIM. É na FACIM onde se tem a oportunidade não só de expor aquilo que estamos à procura, mas, acima de tudo, descobrir o que temos no país. Em suma, a FACIM, através do seu mérito próprio, e com o apoio do Governo e dos seus parceiros, conseguiu conquistar o espaço que sempre teve. Se for para a história, há-de ver que, nos anos 70, quando a FACIM foi instituída, era de facto uma referência obrigatória. De facto, vinham todos os países da região.

 

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