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“Acho que fui a escolha certa para Maputo”

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“Acho que fui a escolha certa para Maputo”
“Acho que fui a escolha certa para Maputo”
Em entrevista exclusiva ao “O País”, Simango faz uma avaliação dos três anos do seu mandato.

O Sr. Presidente está à frente dos destinos da cidade de Maputo há, sensivelmente, três anos. está satisfeito com o trabalho até aqui desenvolvido?

Eu penso que no geral sim, no sentido de que se está recordado, quando fui indicado como candidato, havia alguns sectores de opinião pública que defendiam que esta aposta teria problemas, mas, ao longo do tempo, algumas das previsões não se confirmaram, nomeadamente, recordo-me que uma das questões principais que se colocava, na altura, era de que os investimentos que estavam a ter lugar no nosso município poderiam vir a cessar ou a parar, mas esse prognóstico não se confirmou. Portanto, daquilo que temos estado a registar nestes três anos, podemos concluir que o município continua a caminhar dentro da normalidade.  

Entrou para substituir Eneas Comiche, um edil que deixou trabalho feito e muito respeito entre os munícipes. Acha que foi a escolha certa?

Essa pergunta acho que não devia fazer a mim (...), como sabe, eu não vim como indivíduo, fui proposto por um partido político e o meu partido continua a achar que a escolha foi certa, neste sentido digo que sim.

Acha que conseguiu fazer esquecer a governação de Eneas Comiche?

Eu não vim para fazer esquecer o presidente Comiche, vim para fazer a minha parte e, também, fazer aquilo que são os propósitos da Frelimo na sua governação autárquica e, neste sentido, estou a responder a estes dois objectivos. Tenho um manifesto que foi colocado ao dispor dos munícipes e estou a aplicá-lo através dos programas de governação e, neste sentido, estou a fazer a parte que me cabe.

Agora, se isso pode ou não fazer esquecer, quero deixar claro que essa nem é a minha meta. Não faço nada para combater o camarada Comiche.  

Era ministro da Juventude e Desportos, saiu para se candidatar a presidente do município de Maputo. Acha que foi uma decisão acertada?

Não estou arrependido do que faço. Para mim, não há tarefas pequenas nem grandes. Se tiveram oportunidade de conhecer a minha carreira podem ver: eu comecei como um simples professor; fui andando até chegar onde cheguei e os desafios que me foram colocados ao longo da carreira aceitei-os sem questionar a sua grandeza ou pequenez.

Requalificação urbana

No geral, quando falamos da requalificação, estamos a falar de colocar estradas, sistema de saneamento, iluminação, e ter a noção exacta do que é um terreno, para além de ter mobilidade e acessibilidade dentro daquela área, porque nós temos muitos dos nossos bairros, sobretudo os históricos como Mafalala, Xipamanine, Chamanculo, Maxaquene, esses bairros antigos, transformados em autênticos becos, onde não há por onde entrar nem por onde sair.

A requalificação é feita de duas maneiras, dependendo da disponibilidade de recursos do país ou do município. uma das formas é identificar-se um local livre e construir-se edifícios e dizer: estas pessoas todas aqui passam para estes edifícios. depois mete-se máquinas e coloca-se tudo abaixo. começa-se tudo do zero, mas este modelo requer custos muito elevados. Para o nosso caso, que não temos recursos, vamos por um processo de integração gradual, em que os custos são reduzidos no sentido de que transferimos menos pessoas, arrumamos as restantes e tira-se o mínimo. é este modelo que estamos a seguir para a requalificação. Começámos no Chamanculo “C” numa primeira fase, procedemos a arruamentos que não existiam. Agora, na segunda fase, financiada por uma cooperação chamada trilateral, no fundo é quadrilateral, com Brasil, Itália, Aliança das cidades e o próprio município, conseguimos mobilizar recursos para fazer uma experiência estruturada, que servirá para a nossa própria aprendizagem num bairro, em que vamos identificar, claramente, o que é que é aproveitável, o que sai e o que fica e depois abrir-se-ão as ruas, energia e saneamento. A ideia que temos é ter a experiência do Chamanculo para replicar noutros bairros, mas, enquanto isso, há um movimento de elaboração de planos parciais de toda a cidade, que não tem plano de urbanização.

O Sr. Presidente acha possível requalificar um bairro como Mafalala, Chamanculo ou mesmo Maxaquene? Como é que isso será feito ao ponto de não exigir o reassentamento dos moradores daqueles bairros?

É possível, agora, em que proporção ou que exercício podemos fazer para conseguir isso? Não somos o primeiro caso a fazer a requalificação. Nós, felizmente, já beneficiámos da experiência da Itália, da requalificação das favelas do Brasil, por isso, nesta cooperação, contamos com a colaboração de organizações tanto italianas quanto brasileiras a trabalharem connosco. O que posso garantir é que é possível requalificar sem tirar toda a gente. agora, se vai ser muita ou pouca, isso o trabalho é que vai mostrar.

Tráfego em Maputo

Passemos para uma outra questão: prometeu ordenar o trânsito na cidade de Maputo, criando parques de estacionamento e novas vias alternativas (...). Ora, o tráfego continua caótico, o número de novas vias não cresce na mesma proporção que o das viaturas. Qual é o entendimento que o presidente tem disso?

O entendimento é que a promessa que foi feita está a ser realizada, mas, também, aceito que a quantidade de veículos na cidade tem vindo a aumentar a uma velocidade que não acompanha os investimentos que estão a ser feitos. Mas, quando olhamos para a questão da mobilidade e acessibilidade, é preciso ver que não é apenas uma única medida que vai resolver o problema, mas várias que devem ser tomadas. Por exemplo, dentro do plano de Estrutura Urbana, uma das regras definidas que tem impacto no trânsito é que para todas as novas construções de edifícios, digo prédios, é obrigatório que cada flat tenha um espaço de estacionamento, esta é uma regra que não tínhamos. Hoje, o projecto não é aprovado quando não existe um número correspondente de estacionamento ao das flats que se edificam. Normalmente, os prédios antigos não exigiam esta regra, ou por razões históricas conhecemos garagens que deixaram de o ser e viraram casas, salões, escritório e etc., mas hoje temos de corrigir esta prática. Esta é uma regra que funciona de há dois anos para hoje. portanto, estas construções já obedecem a esta regra para a questão de estacionamento.

Outra medida que estimulámos como município é a construção de silos e, neste momento, posso dizer que temos uma capacidade de estacionamento de cerca de nove mil viaturas, com os silos que estão a nascer aqui na cidade de Maputo e outros que vão crescer em 2012. e esta é outra forma de contribuir para a mobilidade e estacionamento.

A terceira medida que implementamos é o que chamamos de estacionamento rotativo pago, que começou agora na baixa, mas que, de forma gradual, vai atingir toda a cidade.

Há uma quarta medida e esta é a principal, que é de olhar para as vias da nossa cidade e o que fazer delas. Nós fizemos no ano passado, com apoio da Coreia do Sul, um estudo sobre a mobilidade na nossa cidade e identificámos uma série de medidas, umas de política, outras de investimento em infra-estruturas, que visam melhorar a mobilidade na nossa cidade. Esse estudo indicou que as avenidas Eduardo Mondlane e 24 de Julho ainda podem ser alargadas, eliminando os passeios centrais e, na prática, aqueles passeios são reserva de estrada e, nalguns casos, os passeios laterais são muito grandes e podem ser reduzidos. Mas também este estudo apontou que é necessário introduzir na nossa cidade as faixas exclusivas ou dedicadas, que é a reserva de estrada para o transporte público, sejam os TPM ou os privados, pois a mobilidade tem a ver com a anarquia que há na estrada. portanto, todos metem-se basta o machimbombo parar, os que vem de trás já não podem circular. Mas se houver uma faixa dedicada só ao transporte público urbano e às outras dedicadas aos privados, isto também pode ajudar a melhorara o trânsito.

Também estamos a implementar o que chamamos de mecanismo semáforo inteligente, em que nos cruzamentos, dependendo do movimento do tráfego, o semáforo pode levar mais tempo num lado ou no outro, isto no sentido de escoar mais rapidamente o trânsito. Neste momento, temos a sala de controlo em obras já terminadas; vai seguir-se à fase do concurso para a montagem do equipamento, ou seja, concurso para a compra e montagem do equipamento na sala de controlo de trânsito na cidade. É uma medida para melhorar a questão do trânsito.

Em quinto lugar, é que a entrada para Maputo-norte é só uma e se a EN1 está bloqueada, não temos entrada nem saída, uma situação que não é boa. Neste momento, o município de Maputo, juntamente com o da Matola, está a estudar o que se chama de relação ou ligação metropolitana, porque estas cidades estão juntas e quase que vivemos o mesmo dia-a-dia, pelas relações que temos de mobilidade, tendo em conta que os munícipes da Matola, os residentes de boane e marracuene estão todo o dia em Maputo e aumentam a pressão sobre a mesma.

Por isso que entrámos na discussão de outras formas de transporte, não o tradicional carro, machimbombo, mas introduzir mais um comboio. estamos a estudar a questão do metro, temos uma proposta concreta de metro de superfície para Matola e Maputo e um pouco Marracuene.

O município fala sempre em estimular o uso do transporte público, autocarros grandes em detrimento dos de 15 lugares. Mas os TPM anunciaram que estão a ter perdas porque os seus autocarros, que como se sabe são grandes, não conseguem cumprir os horários por causa do tráfego. Como conciliar o desejo e a realidade?

Isto é que explica porque os transportes têm que estar com o município. portanto, é uma das razões do por quê da relação entre o transporte e a gestão municipal.

Vão ser criadas. Quando?

Eu não gosto de falar dos prazos, prefiro falar dos assuntos e ir trabalhando e nós e os TPM estamos em coordenação para esse aspecto.

É possível resolver os problemas do congestionamento na cidade com a estratégia de encerramento de vias e transformá-las em sentidos únicos?

Se olharmos de forma isolada não é, mas ela (a medida) tem que ser olhada de forma integrada com aquelas todas que anunciei. Os sentidos únicos, os semáforos inteligentes são formas de gestão de trânsito nas zonas ou cidades com tráfego intenso. O que posso dizer é que antes de introduzir os sentidos únicos, fizemos um estudo e, aliás, constatámos que facilitam e muito porque a máxima é que vale a pena perder dois minutos a dar a volta que 30 minutos parado (...). eu, por exemplo, para chegar à casa, tenho de dar a volta da Patrice Lumumba para a Josina Machel, para voltar à 24 de Julho e este movimento faço em dois minutos. É melhor isso que ficar 30 minutos a ver a sua casa e a não chegar, do ponto de vista da gestão do tempo. No meu entender, os sentidos únicos foram bem introduzidos e estão a dar a sua contribuição. Não estão a resolver, porque não há nenhuma medida única a resolver e sim elas combinadas com outras soluções.

O que a edilidade tem estado a fazer para resolver a problemática das estradas degradadas da capital do país? E o crónico problema da rua da Beira, até quando será atacado de frente?

Nós tomámos uma decisão ao início do nosso mandato, de além de olhar para as chamadas protocolares, que na prática são as que estão em melhores condições, olharmos para as chamadas estradas secundárias e terciárias na zona cimento. Se for a reparar, há de ver que estamos a atacar aquelas estradas que há 15 ou 20 anos não eram tocadas ou reabilitadas. estamos a fazer isso de forma estruturada para evitar pegar aqui, deixar e pegar outro sítio, estamos a pegar tudo e ir andando.

Ao longo de 2011,  posso-lhe garantir, sem margem de erro, que mais de 50 ruas foram intervencionadas. Nas zonas suburbanas, o desafio é levar estradas de asfalto ou de pavet e a experiência mostra que a solução para algumas zonas é o pavet, por isso que fizemos isso com a Milagre Mabote, Dona Alice e Nelson Mandela. vamos continuar com este tipo de intervenções, que também resolvem o problema de acessibilidade à cidade, porque “bairros” têm dificuldades de entrar na cidade. A rua da Beira é um exemplo claro, ali há um problema de natureza técnica e não se tomou a decisão na altura que se fez a rua. É que ali há uma bacia natural de retenção de água e devia ter sido trabalhada, o que não se fez, por isso que sempre que chove as águas vão parar ali. A pergunta que me faz é se há solução. Há dias, discuti com os engenheiros e há duas hipóteses de solução. estamos a discutir entre as hipóteses qual é a melhor, a menos cara em termos de solução económica.

A primeira é identificar as famílias que estão ali ao redor, estudar a transferência das mesmas e criar condições para se manter aquela bacia e elevar a estrada, isso pode ser feito.

A outra, ou melhor, a segunda, que é mais avançada, é encontrar uma conduta, ou canal que leve aquelas águas até a uma zona para fazer a descarga e, nesse caso, estava a pensar-se na zona do Aeroporto, que já temos o sistema de drenagem. Isto é fazer uma drenagem que meta as águas até à entrada do aeroporto. portanto, estamos a avaliar as duas soluções e depois vamos tomar uma decisão, porque aquilo parece uma coisa de malucos, onde quando chove tenho de mandar um camião para ir bombear, mas isso é uma solução imediata, não definitiva, porque é uma estrada muito importante e tem um trânsito muito intenso. então, é preciso fazer alguma coisa. mas, no fundo, é um problema de drenagem e tem que se resolver.

Qual é o plano do Conselho Municipal para com a avenida da marginal, que tem sido palco de mortes...

Primeiro, na Marginal vamos fazer duas intervenções de vulto: uma é a reabilitação da orla marítima, numa extensão de 13 quilómetros e meio de costa; e, segundo, é a reabilitação da estrada até ao Costa do Sol. As outras intervenções que temos vindo a fazer agora são emergenciais: agora, fizemos uma intervenção entre o viaduto até ao jardim centenário, que é para ver se isso ajuda, mas as intervenções de fundo que vamos fazer são essas.

Mas quando começam as intervenções?

2012.

Jardins

Durante a governação de Eneas Comiche, falava-se muito de parcerias público-privadas que culminaram com a reabilitação de alguns jardins, praças e até construção de parques de estacionamento (...). há quem diz que o CMCM acabou com esse modelo...

São boatos, especulações, nós nunca parámos com as parcerias público-privadas. Se estiver atento, lançámos neste mandato concurso de parcerias público-privadas, e aquelas que encontrámos continuamos. Algumas estão a ter fracasso, vamos chamar, por morte natural e não porque a actual direcção do município está contra as parcerias público-privadas.Vou-lhe dar um exemplo recente, o Jardim de destacamento feminino é uma parceria público-privada. está ali, foi reabilitado agora. é um exemplo duma parceria com sucesso, mas também há parcerias que estão a demorar para produzir resultados e a preocupação do Conselho Municipal hoje é valorizar o que foi positivo nas parcerias público-privadas; tentar corrigir o que foi de negativo e tentar melhorar isso.

Nestes entretantos, é melhor dar exemplo. Nas parcerias público-privadas não havia prazo-limite para a execução dos compromissos. Portanto, alguém ganha o concurso, elaboram-se os contratos, onde estão claras as contrapartidas das partes, o contrato é visado e depois não há prazo para implementar. É, por isso, que até hoje, e se calhar faz sentido a especulação, o jardim da liberdade (dos Madjermanes) ainda não foi reabilitado, mas não é porque o município não quer (...), há um contrato, que até é anterior à nossa chegada, mas não tem prazo de término (...). Isto no contrato não foi previsto e nós estamos a entrar nesta discussão jurídica sobre como resolver esta situação. Para o caso do Jardim da Liberdade, estamos a escrever para o concessionário a dar-lhe prazos para executar e implementar o contrato. Primeiro, disse que é por causa dos vendedores informais; retirámo-los e não aconteceu nada, até já está a crescer capim e não podemos permitir isso.

Também notificámos o concessionário da praça de Touros, que é uma concessão que vem do tempo, penso que é de 2007 ou 2008. E nos próximos contratos temos de acautelar isso. Se alguém ganha uma concessão, temos de discutir em quanto tempo essa parceria deve ser implementada. Portanto, não estamos contra as parcerias, queremos que os compromissos assumidos sejam implementados.

Um outro exemplo desse problema é a concessão, e esta nós é que fizemos, a um parceiro para a construção de sanitários públicos, mas só vedou os locais com chapas de zinco e não aconteceu nada, aquilo só criava lixo e ratos na cidade, por isso temos mesmo de corrigir. Mas também há que considerar que houve muitos casos de sucesso: o jardim do professor, o jardim dos namorados (foi concessionado no tempo do presidente Canana), o jardim Nangade.

Exemplos de que estamos a continuar são também muitos. portanto, concessionámos a praça 16 de Junho, perto do Instituto das Comunicações, está a andar; a Coca-cola teve uma parceria connosco naquela rotunda da Junta e Missão Roque, está a andar. Não há razão que justifica que já não estamos a fazer parcerias e, também, não estamos a dizer que as parcerias antigas foram mal feitas.

Outra questão que parece não ter uma resolução à vista tem a ver com a gestão dos resíduos sólidos. a cidade continua suja com montes de lixo por todo o lado. o que está sendo feito para reverter este cenário?

Primeiro, dizer que nós temos um plano-director da área dos resíduos sólidos e o mesmo defende dois princípios: um, o princípio do utilizador pagador, ou o produtor do lixo tem que participar nas despesas; e o segundo princípio é da sustentabilidade do serviço que é prestado. Estas são as duas balizas que orientam o nosso trabalho na gestão do lixo.Aplicada na realidade, os munícipes contribuem através da taxa descontada através da EDM. Segundo, nós temos de caminhar para que o lixo que é produzido, as receitas que gera, pague o serviço prestado.

O que posso dizer é que as receitas que são geradas não cobrem as despesas do serviço que é prestado. Mas para suprirmos esse défice, no âmbito do Pro-Maputo, o Banco Mundial aceitou comparticipar, mas de forma regressiva: começou com um valor alto e vai-se retirando, obrigando o município a crescer para fechar. Começámos numa relação de 70 por cento de contribuição do Banco e 30 do Município; depois desceu para 65; hoje devemos estar nos 45 por cento do banco e 55 do município, mas conseguimos isso por causa da taxa e também com o desenvolvimento que o município está a assistir, com o número de clientes da EDM, porque quando aumenta, cresce o número de contribuintes. só este ano (até Setembro de 2011) tínhamos mais 14 mil novos clientes da EDM.

Mas se estamos satisfeitos com o serviço que é prestado, a resposta é que ainda não estamos satisfeitos porque a cidade ainda não está limpa como gostaríamos que estivesse, mas também não está um caos... é que eu já conheci esta cidade em piores situações, em que tínhamos lixeiras em todos os cantos, hoje já não temos essas lixeiras, podemos ter, pontualmente, um ou outro sítio de falha.

O município rescindiu o contrato com a empresa portuguesa EGF e contratou por ajuste directo uma outra. o que pesou para estas duas decisões?

Acho que não fomos felizes na comunicação ou a imprensa não percebeu o que transmitimos. Nós não rescindimos contrato com a EGF, ela teve um contrato de três anos com o município e chegou ao fim e, naquele dia em que chegou ao fim, terminou a nossa relação com a empresa; não houve um dia a mais nem um a menos. Nós não tivemos rompimento do contrato, o mesmo foi levado até às últimas consequências.

Para a segunda parte da questão, nós lançámos um concurso para seleccionar uma empresa, que logo que terminasse o contrato com a EGF entrasse em actividade. O concurso, no qual até a EGF esteve a concorrer, foi cancelado porque os resultados estavam fora dos serviços que tanto o município quanto o banco podiam suportar, portanto os custos furaram os limites que podíamos aguentar, essa foi a razão. Contudo, como é um serviço essencial, a recolha não pode ser adiada, e a lei permite excepções. a decisão que o município e o banco tomaram conjuntamente foi de, enquanto organizam um concurso e o prazo é de seis meses, temos de encontrar uma solução e como temos um operador e era de confiança, foi consultada se estaria disponível para prestar transitoriamente estes serviços e dentro dos parâmetros aceitáveis e dos parâmetros que estavam dentro dos limites dos serviços que eram prestados pela EGF. É só imaginar se adiássemos a recolha de lixo por seis meses o que ia acontecer (...), seria um caos e nenhum munícipe ia aceitar, isso não faria sentido. Mas o concurso está em curso, para se encontrar um operador por um período de cinco anos.

Transporte público

O governo descentralizou, recentemente, a gestão do transporte público, criando empresas municipais. entretanto, a PCA da empresa TPM veio a público dizer que as receitas só cobrem 54% das despesas e a actividade de transporte gera menos de 50% das receitas. O que vai o município fazer para que esta empresa tenha receitas que cubram os custos?

Há um reconhecimento de que o serviço de transporte é um serviço social, portanto, não é ali onde vamos buscar o lucro, mas também não queremos uma empresa que morre. O que estamos a fazer e a transferência assegura isso é que a comparticipação do Estado continua. a cobertura do défice da empresa vem da contribuição do Estado e de algumas parcerias com empresas estratégicas.

No futuro, o que podemos fazer, um caminho, é o Estado continuar a subsidiar o transporte(...). o outro caminho é aquele exercício que o governo estava a fazer, de definir o subsídio a duas viagens por passageiro e as outras viagens liberalizar.

 Portanto, temos de estudar todas essas alternativas, mas, também, há questões internas que têm de ser resolvidas, porque parece que há muita gente que entra no autocarro e não paga ou paga, mas não chega à recebedoria do município, portanto, há dinheiro que não chega à caixa dos TPM.

 Muita gente interroga-se sobre como é que um município que nunca foi capaz de gerir bem o licenciamento e atribuição de rotas dos “chapas” pode gerir uma empresa de transporte público maior e deficitária. A ideia que fica no ar é de que o Governo passou ao município um problema para o qual não tinha solução...

É uma leitura muito simplista. Os TPM têm um Conselho de Administração, que, aliás, eu é que nomeei, por isso, tenho plena confiança que vai conseguir gerir a empresa.

Esta questão de capacidade e não capacidade, eu, às vezes, rio-me porque muita gente diz que alguém é competente num sítio e outras dizem que é incompetente, não sei que leitura é essa da mesma pessoa.

A leitura que transmitem é de que as pessoas são competentes ou incompetentes em função de onde estão...

Está a querer dizer que há pessoas que o acham incompetente como edil de Maputo?

Sim (...), mas como sabe, eu já fui director de educação na cidade de Maputo, vereador, governador e ministro por quatro anos e há pessoas que me achavam competente num sítio mas hoje dizem que não! Eu não comungo com esta leitura. Muitos dos meus vereadores eram directores nacionais e eram competentes, mas hoje alguém pode dizer que não são. meu vereador de finanças era director nacional de contabilidade pública, portanto a leitura não pode ser esta.

A senhora que está lá (nos TPM) estava no IGEPE e tenho provas mais do que suficientes para dizer que é capaz de gerir os TPM. Na verdade, o que mudou nos TPM é a tutela da empresa, não a própria empresa, portanto, não deixa de ser empresa, só mudou o patrão. Ela deve gerir de acordo com as condições que a empresa oferece, de acordo com o desenvolvimento do nosso município e, naturalmente, se houver necessidade, o Conselho Municipal pode injectar investimento. Não funciona esta história de que o governo atirou uma “batata quente” e não há isso porque estamos a falar de um Governo responsável. Aliás, os episódios das manifestações que tivemos aqui em Maputo, em grande parte, tiveram a ver com o transporte. sabemos que é um assunto muito sensível e não podemos tratar de forma leviana e dizer: o Governo não aguenta, então entrega a vocês município para se virarem, não concordo com esta leitura. O Governo tem as suas responsabilidades, o município também e há compromisso do Governo para com o seu povo, e do município para com os munícipes e esses compromissos serão respeitados sempre.

 Ka Tembe

Com o anúncio da construção da ponte para Ka Tembe houve uma espécie de assalto aos terrenos daquele distrito municipal. como é que está sendo gerido este problema?

Primeiro, nós fomos apanhados de surpresa, porque ainda estamos a desenvolver este projecto com o Governo e quando demos conta que o apetite estava a sair do controlo, interrompemos o processo de atribuição de terra na Ka Tembe, que é para não sair do nosso controlo, mas também para resolver os problemas ligados à ponte. Como sabe, vai haver reassentamentos, ou seja, não atribuir espaços a pessoas para voltar a indemnizar. Neste momento, estamos a elaborar o plano de desenvolvimento da Ka Tembe e queremos que nasça uma Ka Tembe ordenada e não o contrário. Quando terminarmos isso, vamos retomar o processo. Um estudo mostra que a Ka Tembe pode receber nos próximos 20 anos mais de 400 mil habitantes.

Há terra para todos?

Há muito espaço, por isso, não entendo estas correrias, porque lá a população está à volta de 20 mil habitantes, mas ainda pode crescer para 400 mil.

Como está o processo da construção da ponte Ka Tembe? Qual é a sustentabilidade deste empreendimento, em época de crise e de escassez de recursos? Como é que ela se auto-viabiliza, partindo do princípio de que será feita com recursos não concessionais?

O que posso-lhe dizer é que o projecto da ponte continua, está a ser desenvolvido. neste momento, estamos a mobilizar recursos para financiar a ponte e temos expectativa que vamos conseguir, reconhecendo as dificuldades que temos com as crises no mundo.

Sérgio Vieira diz que a construção da ponte da Ka Tembe interessa a uma elite ligada à Frelimo, que mantém uma promiscuidade com o sector imobiliário? Que comentário lhe merecem estas palavras?

Não quero comentar, respeito a opinião dele. O que posso dizer é que é um projecto para avançar e vai avançar.

Cemitério

Desde o tempo do presidente Canana que se fala em transferir o cemitério. O certo é que continua a ser usado. E agora?

Nós estamos a fazer o cemitério e a única coisa que se coloca é quando abre e esse é o único problema. A estrada já está pronta, ainda decorrem algumas obras pequenas e a nossa previsão é que até ao final do primeiro semestre terá condições essenciais para receber funerais. Enquanto isso, estamos a gerir o cemitério de Hlanguene, movimentando algumas famílias para ganhar algum espaço que ainda existe. Há dois meses conseguimos retirar 22 famílias, e continuamos a fazer esta gestão, enquanto a obra do cemitério de Michafutene não fica pronta.

Ensino sob gestão municipal

O Governo determinou que a gestão do ensino básico e da saúde passa para a gestão municipal. Foi adiando o problema para que os municípios ficassem preparados. Maputo já está? Como pensa lidar com este assunto?

Está e já estamos a gerir. Como sabe, assinámos o acordo em Dezembro de 2009 e desde 2010 começámos a tomar conta do ensino primário e de centros de saúde. como vê, ainda não houve nenhum problema por causa desta gestão, portanto, acho que está bom. Agora, é um facto que há desafios para melhorar a gestão e isso é um processo, é como a transferência dos TPM, as pessoas perguntam como vai ser a gestão e no dia seguinte estão lá, há autocarros na rua.

Planos para 2012 quais os principais planos de Maputo para 2012?

Como sabe, em 2011 começámos o PROMAPUTO II e, praticamente, este ano foi de preparação, de lançamento de concursos, assistência técnica, concurso de obras e etc., portanto, 2012 praticamente é o ano de obras, grandes obras. gostaria de assinalar a obra da Julius Nyerere como uma das nossas apostas, do destacamento feminino à praça dos combatentes. o concurso já foi feito, há um vencedor, o contrato foi assinado, a empresa já está na fase de mobilização. em finais de Janeiro e meados de Fevereiro teremos a obra a arrancar.

Lançámos ainda o concurso da protecção costeira, termina no início de Fevereiro o prazo de concurso. vamos fazer a avaliação e eu espero que consigamos apurar um vencedor e as obras iniciem ao longo de 2012.  

Falando de vias, espero que iniciem este ano. portanto, temos aqui a via do Chamanculo, a rua Marcelino dos Santos, tivemos um problema de reassentamento, felizmente, conseguimos resolver isso e vai começar uma grande intervenção.

Nesta questão dos resíduos sólidos de que falámos, espero que o concurso também termine e no primeiro trimestre de 2012 possamos ter novos operadores e tenhamos uma tranquilidade na gestão dos mesmos. Vamos fazer várias intervenções em todos os serviços sociais que são parte do nosso trabalho. portanto, os mercados, parques e jardins, incluindo o cemitério. Em termos de perspectivas de investimento em infra-estruturas, acho que vai ser um bom ano.

 

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