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É inegável que Portugal e Moçambique estejam cada vez mais próximos. É certo que há vários motivos que juntem os dois países, mas, verdade seja dita, antes da reversão de Cahora Bassa nada disto seria possível.
Desde 2007 que as relações diplomáticas vão de vento em poupa e a balança comercial entre as duas nações não lhes fica atrás.
Esta terça-feira, o “O País Económico” organizou mais uma conferência, desta vez em parceria com a Câmara de Comércio Moçambique – Portugal, dedicada ao tema “Investir em Moçambique para 250 milhões de consumidores na SADC”. O assunto não podia estar mais na ordem do dia, com Portugal sufocado em medidas de austeridade e a tentar diversificar os seus mercados, e Moçambique a procurar mais investidores usando a porta de entrada na África Austral como bandeira.
Não é por acaso que o número de empresas portuguesas presentes na Feira Internacional de Maputo tenha batido o recorde este ano, ascendendo às 95 instuições. Também será de realçar que o Pavilhão de Portugal na feira não encerrou as suas portas esta semana, mesmo com os tumultos nos arredores da cidade.
A conferência “O País Económico” teve a presença de nomes que provaram a importância do tema discutido. António Fernando, ministro da Indústria e do Comércio de Moçambique, Fernando Serrasqueiro, Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor de Portugal, Lourenço Sambo, Director Geral do CPI, José Vital Morgado, administrador excutivo da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, entre outros. O evento foi iniciado com o lançamento simbólico do web-site da Camâra de Comércio Moçambique – Portugal, por Daniel David, presidente do Conselho Executivo da instituição e presidente do Conselho Administrativo da Soico (ver caixa), tendo depois começado as apresentações de cada convidado. O ministro António Fernando fez questão de realçar a importância de Moçambique, tanto como país atractivo para o investimento, assim como porta de entrada para um gigante chamado SADC, com 250 milhões de consumidores.
O ministro da Indústria e do Comércio realçou que o PIB da África Austral ascende a cerca de 400 biliões, e recordou a história da integração regional.
Em 2008, terá sido dado início a área de comércio livre, para 2011 está previsto o início da união aduaneira, em 2015, começará o mercado comum, e por fim, em 2016, prevê-se o início da união monetária.
Fernando Serrasqueiro, Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor de Portugal, disse à plateia que “é notório o interesse dos empresários portugueses por Moçambique. Em 2008, já tínhamos mais de 1300 empresas portuguesas a exportar para Moçambique, e mais de 200 empresas portugueses com investimentos neste país. No Top 100 das maiores empresas de Moçambique, 28 têm capitais portugueses”. Serrasqueiro continuou dizendo que “Moçambique é considerado um caso exemplar nas economias emergentes africanas. A SADC é uma economia com um crescimento médio anual de 7%, muito atractiva ao investimento. Mas qualquer projecto exige parcerias locais e o facto de partilharmos a cultura, a língua e a história com Moçambique faz deste país uma excelente porta de entrada para o mercado da África Austral”.
Lourenço Sambo também quis realçar Moçambique como país, e não só como porta. O primeiro argumento que apresentou está hoje um pouco desactualizado, ou pelo menos mais relativizado. Sambo elogiava a posição de Moçambique no Global Peace Index 2010, onde o país está em 3º lugar mais estável de África e 47º de mundo. Esta semana, essa calma, estabilidade e sobretudo previsibilidade parece ter desaparecido. Como o “O País Económico” realça no seu destaque desta semana, numerosos foram os empresários que viram perdidas as suas ambições para a Facim desta semana. Os prejuízos das manifestações não dizem só respeito a lojas saqueadas e autocarros incendiados, mas também ao comércio inteiro de uma cidade fechado durante dias, a transportadoras paradas á espera de passar. Mais do que tudo, o prejuízo para a imagem do país, que deixa de merecer o 3º lugar de mais estável de África quando aparecem imagens na televisão de pneus a arder, polícias a atirar e manifestantes a apedrejar carros.
É preciso, no entanto, não esquecer dois arumentos dados por Lourenço Sambo na sua intervenção. O primeiro é que Moçambique teve uma taxa média de crescimento do PIB de 7,6% na última década. E o segundo é a sua localização, e a essa não há destabilização que toque. Moçambique tem uma localização estratégica, com mais de 2700 km2 de costa, acrescentando os corredores de desenvolvimento, portos, aeroportos, linhas férreas, gazodutos e estradas que facilitam o acesso aos países do interland da SADC e do mundo.
Quase em jeito de resposta, José Vital Morgado, Administrador Excutivo do Aicep, disse que Portugal não olha para Moçambique apenas como comprador de produtos portugueses, mas também quer contribuir para o desenvolvimento do país. “Portugal é o segundo maior investidor em Moçambique, a seguir à Noruega. O Aicep vai organizar uma missão empresarial à África do Sul, o que evidencia o nosso interesse por esta região. Por outro lado, Portugal é o único país da Comunidade de Países de Língua Portuguesa que está na União Europeia, e também podemos servir de porta de entrada para a Europa”.
Vital Morgado admitiu que até agora, Portugal tem priveligiado as relações comerciais com países europeus, mas as directrizes do Governo portugueses mostram que a nova política é de diversificar os mercados.
De resto, o Aicep tem instrumentos de apoio à internacionalização das empresas portuguesas.
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