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Metical ficará mais robusto, mas a economia vulnerável

Segundo especialistas do Absa Capital.

Segundo especialistas do Absa Capital, esta robustez do metical será suportada pelas medidas de política monetária levadas a cabo pelo Banco de Moçambique e pelo crescimento da produção nacional, em especial de matérias-primas. os mentores da investigação alertam que a economia é vulnerável, na medida em que cerca de 70% das exportações são matérias-primas expostas às crises da economia global.

Uma pesquisa do Barclays Capital conclui que o metical continuará forte nos próximos meses em relação às principais moedas transaccionadas no país, devendo o presente ano terminar  com a unidade do dólar fixada em 26.10 meticais. No entanto, os mentores da investigação alertam que a economia é vulnerável, na medida em que cerca de 70% das exportações provêm dos mega-projectos que produzem matérias-primas expostas às crises da economia global.

Mais, o grande défice da balança comercial continua a ser “uma razão de preocupação”, considerando que a economia moçambicana produz muito pouco e tem de importar muito do que consome.   

Investimentos suportam robustez do metical

Segundo os especialistas que apresentaram a pesquisa sobre a tendência da economia global e moçambicana, em particular, esta robustez do metical será suportada pelas medidas de política monetária levadas a cabo pelo Banco de Moçambique e pelo crescimento da produção nacional, em especial de matérias-primas.

“Espera-se que se registe um crescimento acelerado do Investimento Directo Estrangeiro no sector mineiro, associado a um crescimento da capacidade das infra-estruturas e uma apreciação do preço das matérias-primas, que deverão suportar a robustez do metical nos próximos tempos”, avançou o estratega de assuntos cambiais do Absa Capital, Mike Keenan.

Mesmo assim, o macropesquisador do Absa Capital, Jeff Gable, indica que as economias não desenvolvem pela sua capacidade de controlar a moeda, mas sim pela capacidade de tirar proveito da situação cambial em que a sua moeda se encontra em relação às outras.

“Por isso, devo dizer aos empresários aqui presentes que, mais do que se queixar da situação cambial, têm de encontrar formas desta situação tornar-se numa oportunidade de negócios e de desenvolvimento das suas empresas”, acrescentou Gable.    

Riscos provenientes da economia global prevalecem

Os pesquisadores do Absa indicam que a prolongada desaceleração da economia global, particularmente da Europa, poderá prejudicar as doacções dos Parceiros de Apoio Programático (PAP) e o fluxo do Investimento Directo Estrangeiro (IDE). É que desde 2008, as economias ainda não se recuperaram definitivamente da crise financeira internacional, havendo na Zona Euro sinais de profunda depressão. Grécia, Portugal e Irlanda são as maiores causas de alarme na zona de moeda única, no velho continente. Agora, mais do que externo, os alertas também são internos. Dados recentes indicam que 47% das exportações de Moçambique são perfeitos pelo alumínio e pouco mais de 20% são compostos pelo gás, electricidade e tabaco, o que torna a economia dependente de matérias-primas e, por isso, vulnerável a intempéries internacionais.

Com uma indústria degradada e agricultura pouco produtiva, a economia moçambicana continua dependente de importação para se prover de vários produtos essenciais. O alumínio, carvão e gás não conseguem ainda cobrir o buraco que as importações de combustíveis, equipamentos, veículos, cereais e até hortículas criam na balança comercial de Moçambique, segundo revelam os dados citados pelos especialistas do Absa Capital.

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