“A fome é principalmente um problema de acesso” e não de falta de alimentos no mercado, diz o último relatório do programa das Nações Unidas para Alimentação - FAO. A fome é mais dura em África - sempre foi -, porque, dos 35 países com necessidades de ajuda alimentar, 28 se encontram neste continente.
“A fome é principalmente um problema de acesso” e não de falta de alimentos no mercado, diz o último relatório do programa das Nações Unidas para Alimentação (FAO). A fome será mais dura em África – sempre foi assim –, porque, dos 35 países com necessidade de ajuda alimentar, 28 se encontram neste continente
As reservas alimentares mundiais sobem, mas os riscos de fome persistem no continente africano e no Médio Oriente. O último relatório do programa das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) diz que as secas e ciclones resultaram na queda da produção de cereais na África Austral.
Dos 35 países com necessidade de ajuda alimentar externa, 28 encontram-se em África, sobretudo no Ocidente. Esta zona do continente continua a enfrentar “insegurança alimentar e subnutrição crescente em vários países”, devido a uma queda acentuada na produção de cereais e pastagens em 2011, combinada com os elevados preços locais dos alimentos e os conflitos civis.
“Mais uma vez, isto só serve para mostrar que, hoje em dia, a fome é principalmente um problema de acesso. Milhões de famílias pobres em todo o mundo carecem de meios para produzir os seus próprios alimentos ou de empregos e rendimentos dignos para comprarem a comida de que necessitam”, explicou Graziano da Silva. É o mais recente relatório do programa das Nações para Agricultura e Alimentação (FAO) quem o diz, acrescentando que todas as zonas do continente africano podem enfrentar a insegurança alimentar.
Intitulado perspectivas das colheitas e situação alimentar, o relatório diz que o crescente conflito no Mali, o consequente deslocamento para os países vizinhos e os surtos de gafanhoto do deserto que estão a mover-se do norte da África para o sul são outras ameaças à produção agrícola de 2012 na região do Ocidente, especialmente no Níger, Mali e Chade, afirma a FAO.
Na África Oriental, as chuvas da estação começaram tarde, encurtando o período de crescimento das culturas. Além disso, as inundações afectaram algumas áreas no Quénia, Somália, Tanzania e Uganda, ao mesmo tempo que persistem as condições de seca severa em partes dos distritos do nordeste e litoral do Quénia.
No Norte de África, espera-se que Marrocos observe quedas acentuadas na produção após chuvas “erráticas e insuficientes”, enquanto o resto da região deverá obter colheitas acima da média.
África Austral
As condições climáticas desfavoráveis em 2012, incluindo secas e ciclones, resultaram na queda da produção de cereais em partes da África Austral, enquanto os preços elevados dos alimentos no Malawi agravaram a insegurança alimentar.
No Médio Oriente, a situação de insegurança alimentar foi citada como uma grande preocupação na Síria e no Iémen, devido à agitação civil. Estima-se que 1 milhão de pessoas necessitem de assistência humanitária na Síria, devido ao impacto dos tumultos sociais contínuos sobre as famílias e os canais de distribuição alimentar em diversos mercados.
No Iémen, estima-se que cerca de cinco milhões de pessoas se encontrem em situação de insegurança alimentar grave e a precisar de assistência alimentar de emergência, devido aos altos níveis de pobreza, conflito prolongado e elevados preços dos combustíveis.
A previsão trimestral da FAO sobre a produção agrícola e segurança alimentar dá uma visão global positiva para a produção de cereais em todo o mundo, mas adverte que se espera que várias regiões do mundo tenham dificuldades devido às consequências da falta de chuva, clima adverso, conflitos armados e deslocamentos.
Preços de milho e trigo caem
O relatório prevê um aumento recorde de 3,2% na produção mundial de cereais em 2012, totalizando cerca de 2 419 milhões de toneladas, principalmente devido a um forte aumento da produção de milho nos Estados Unidos. Os preços do trigo e dos cereais para rações diminuíram em maio, principalmente durante a segunda quinzena, impulsionados pelas boas perspectivas de abastecimento.
A FAO adverte que, apesar das tendências globais positivas, os países do Sahel continuam a enfrentar sérios desafios na sua segurança alimentar, devido aos elevados preços locais dos alimentos e às guerras civis. A Síria e o Iémen também estão entre os países que enfrentam níveis crescentes de insegurança alimentar. “As situações do Iémen e da Síria demonstram a clara ligação entre a segurança alimentar e a paz. Neste caso, o conflito interno está a causar insegurança alimentar. Mas isto também funciona ao contrário. Por todo o mundo, vemos crise após crise provocadas, total ou parcialmente, pela falta de alimentos ou por disputas sobre recursos naturais, em especial o solo e a água”, afirmou o director-geral da FAO, José Graziano da Silva.
O relatório também indica 35 países com necessidade de ajuda alimentar externa, incluindo Afeganistão, República Popular Democrática da Coreia, Haiti, Iraque e Mali.
“Mais uma vez, isto só serve para mostrar que, hoje em dia, a fome é principalmente um problema de acesso. Milhões de famílias pobres em todo o mundo carecem dos meios para produzir os seus próprios alimentos ou de empregos e rendimentos dignos para comprarem a comida de que necessitam”, explicou Graziano da Silva.





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