Pela terceira vez este ano.
O Banco de Moçambique voltou a reduzir as taxas de juro de referência, variáveis que definem o preço do crédito bancário no mercado. Esta é a quarta vez que o Banco Central desce as taxas de juro e a terceira vez consecutiva, tendo sido as anteriores nos meses de Dezembro de 2011, Março e Abril deste ano. O Banco Central argumenta que esta alteração vai permitir que haja espaço para que os bancos comerciais financiem o sector privado.
Assim, e com efeitos a partir de 7 de Julho próximo, a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência caiu 1%, de 13.5 para 12,5%, e o coeficiente de Reservas Obrigatórias reduziu de 8.25% para 8%.
A Facilidade Permanente de Cedência é a percentagem de dinheiro que os bancos comerciais pagam pela dívida que contraem ao Banco de Moçambique, enquanto o coeficiente de Reservas Obrigatórias é a percentagem do dinheiro que os bancos comerciais devem depositar, diariamente, no Banco Central para se prevenirem de eventuais choques. Nesta última revisão, o Banco Central mantém em 3% a Facilidade Permanente de Depósitos, que é o juro que o Banco de Moçambique paga aos bancos comerciais pelos depósitos de excedentes de liquidez.
A redução destas taxas é um sinal que o Banco de Moçambique emite aos bancos comerciais no sentido de reduzirem as taxas de juro a aplicar nas suas relações com particulares, e permitir mais financiamento ao sector privado. Por isso, um dos efeitos que se esperam desta medida é a redução da dívida de particulares junto aos bancos comerciais.
De acordo com o comunicado publicado na sua página da internet, o Banco de Moçambique explica que a redução das taxas de juro de referência justifica-se pela necessidade de continuar a acompanhar as “tendências de curto e médio prazo da inflação e de outros indicadores macroeconómicos da economia do país, e pelo facto de continuarem a existir condições propícias para manter a postura acomodativa que vem sendo adoptada, para que haja uma maior expansão do financiamento bancário ao sector privado, respeitando os objectivos finais de crescimento económico e inflação estabelecidos para 2012”.
Importa recordar que as previsões de crescimento da economia moçambicana, em 2012, apontam para 7.2% e uma inflação média anual entre 4 e 5%, de acordo com a última revisão do Banco de Moçambique.
Outro argumento apresentado pelo Banco Central para esta intervenção é assegurar que o saldo da Base Monetária (quantidade de dinheiro na economia) não ultrapasse os 36 783 milhões de meticais, fixado para o final de Junho de 2012.
Estabilidade de preços
A decisão de baixar as taxas de juro relaciona-se com a estabilidade de preços de bens e serviços, de acordo com um dos argumentos do Banco Central. De facto, durante este ano, e em termos mensais, o país conheceu uma ligeira queda de preços em Fevereiro, Abril e Maio. A tendência da inflação média anual também é de queda (ver infografia).
A propósito, o Banco de Moçambique acabou por rever em baixa a inflação para este ano. Inicialmente prevista em 7.2%, espera-se que, até ao fim deste ano, se situe entre 4 e 7%.





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