
A proposta de Estratégia de Desenvolvimento Nacional pretende que a economia de Moçambique cresça 8.7% ao ano, nos próximos 20 anos, e aumentar em mais de dez vezes o PIB per capita (para cerca de 5 mil Mt), prevendo que nessa altura o país tenha um saldo positivo na balança comercial.
Mais um documento invade o debate público moçambicano. A proposta da Estratégia de Desenvolvimento Nacional – EDEN - apresenta metas bastante ambiciosas rumo ao desenvolvimento do país, como tal, a pobreza deverá reduzir drasticamente dos actuais 54% da população para apenas 20% em 2035. Simultaneamente, o documento propõe melhorias na esperança de vida à nascença, no peso da indústria transformadora do Produto Interno Bruto (PIB) e nos índices de Competitividade Global e de “Doing Business”.
Num intervalo de pouco mais de 20 anos, a estratégia elaborada pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD) pretende, essencialmente, garantir a melhoria da qualidade de vida dos moçambicanos, através da industrialização da economia. Do resto, a estratégia não ignora os objectivos da Agenda 2025, mas entende que, no contexto actual de crise económica e financeira internacional, é preciso adequar os objectivos à realidade no terreno.
“A visão da estratégia é que Moçambique seja um país seguro, próspero, sustentável, competitivo, assente numa economia industrializada, com um rendimento médio que garante a redistribuição da riqueza e um bem-estar social”, lê-se no documento.
A estratégia entende que o bem-estar da população deverá materializar-se com o aumento de esperança de vida da população, passando dos actuais 52 para 64 anos.
Objectivos macroeconómicos
Durante o período 2011-2035, a EDEN prevê um crescimento médio anual de cerca 8.7%. Os sectores da agro-pecuária, indústria, transportes e comunicação, construção e da electricidade e água serão os que mais contribuirão no crescimento previsto, devido aos elevados investimentos previstos para estes sectores.
Espera-se que, em 2035, o PIB per capita seja o duodécuplo do actual, passando para 5 141 dólares contra os 427 dólares de 2010. No que concerne à inflação, espera-se que esta se situe a um dígito, ficando-se em média nos 6% ao ano durante o período 2011-2035.
No sector fiscal, espera-se que as receitas do estado tenham uma tendência crescente e se situem, em média, em 20% do PIB e os recursos externos em 7% do PIB mas com tendência decrescente.
No sector externo, prevê-se que o défice da balança comercial reduza dos actuais 10% do PIB para um superávit de 6.2% do PIB em 2035.
Para conseguir realizar as metas acima arroladas, o Governo deverá continuar a mobilizar recursos financeiros para promover investimentos públicos em sectores estratégicos, sem perder de vista questões relacionadas com o “crowding out” dos investimentos privados e a sustentabilidade da divida.
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