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Cândido Coelho, ex-presidente da FMP, em entrevista ao O “País” e STV
A poucos dias de terminar o seu mandato, renunciou ao cargo de presidente da Federação Moçambicana de Patinagem (FMP). Quais foram as razões?
Bom, primeiro, explicar que, efectivamente, não pedi demissão do cargo de presidente da FMP. O meu mandato terminou no passado mês de Agosto. Eu já tinha comunicado isto há um ano atrás. Comuniquei que não me recandidataria ao cargo, de modo que, pura e simplesmente, cessei as minhas funções. Comuniquei ao presidente da mesa da Assembleia-Geral, Lucas Chachine, que pretendia terminar o mandato. Por outro lado, dei um informe aos vice-presidentes que estão a trabalhar neste momento sobre aquilo que são pendentes que havia na Federação Moçambicana de Patinagem, relativamente às dívidas contraídas aquando da nossa participação no Campeonato Mundial do Grupo A, em Vigo, Espanha...
A norma não seria continuar em exercício até à realização, em princípio, nos finais de Setembro, da Assembleia-Geral da FMP?
Não. Quer dizer, se as funções continuam, evidentemente, é para solucionar essas questões. Por outro lado, era uma questão de dar espaço à mesa da Assembleia-Geral para poder movimentar-se e criar todas as condições para que sejam apresentados os relatórios de contas a actividades.
Neste momento, é complicado estar a fazer trabalhos que, evidentemente, não vou dar continuidade. Ou seja, outra pessoa tem que fazê-lo, em função daquilo que são os compromissos da Federação Moçambicana de Patinagem relativamente à questão da movimentação da modalidade.
Quais, no fundo, foram os motivos que ditaram a sua renúncia ao cargo de presidente da FMP?
Por uma simples razão. Primeiro, já me sinto um pouco cansado. É desgastante estar a trabalhar numa federação que, efectivamente, não tem meios de trabalho. Portanto, não tem absolutamente meios nenhuns. Nós desenvolvemos o nosso trabalho com meios próprios. Os nossos carros é que são utilizados para desenvolvermos o trabalho. Nós é que fazemos de estafeta quando é para entregar e receber correspondências. É um problema muito sério estar a trabalhar numa situação como esta. Quer dizer, faltam meios e somos sujeitos a um desgaste que, se calhar, as pessoas não imaginam. De tal maneira que me sinto bastante desgastado e cansado com tudo isto, com os problemas todos que normalmente aparecem. Costuma-se a dizer que numa casa onde não têm pão, toda a gente ralha e ninguém têm razão. Isto é o que acontece relativamente a esta modalidade, de maneira que o esforço é muito grande(...). Esta situação também me retira muito tempo para estar com família. Isto não é saudável para mim e, neste momento, tenho alguns problemas de saúde.
Disse que a FMP tem algumas dívidas contraídas aquando do Mundial de Vigo, Espanha, em 2009. Podemos falar de valores?
A dívida que estamos a pagar é de 50% das passagens aéreas. Na verdade, o orçamento que tínhamos não chegava. Daí que o material que foi fornecido na Catalunha, pela federação catalã, foi pela amizade que eu tinha com eles. Eles acreditaram em mim e ofereceram-nos material. Aliás, compraram o material e entregaram-nos, porque a nossa selecção, quando chegou a Catalunha, onde ia fazer o estágio pré-competitivo, nem um stike levava, de tal forma que todo o material foi comprado lá. Portanto, é uma dívida que ficou e é preciso que a gente pague(...) .
Mas ainda não disse qual é o valor da dívida...
Estamos a falar de cerca de 8 mil e tal euros.
E como estão a pagar essa dívida?
Pedimos ao Governo e este concordou connosco. Aqui, é uma exposição de orçamento que havíamos feito para ir ao Mundial, que não chegava.
Depois, informámos que iríamos contrair algumas dívidas na perspectiva de que o orçamento deste ano tomasse isso em consideração.
Isto foi aceite. Este processo está a ser tratado com toda a seriedade, e penso que vamos concluir com sucesso.
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