“O futebol moçambicano tem problemas de estrutura e de liderança”.O treinador da Liga Muçulmana, Artur José Semedo, diz que só quem não entende de futebol é que ficou alarmado com a derrota dos Mambas diante do Egipto, por 2-0, em desafio da primeira jornada do grupo G de qualificação para o Mundial-2014. Sem medo de ser conotado “apóstolo da desgraça”, Semedo diz ser uma miragem acreditar na qualificação dos Mambas para o Mundial-2014, até porque o “futebol moçambicano tem problemas de estrutura e de liderança”. Realista, mas nem por isso fatalista, refere que o nosso futebol carece de lideranças efectivas com competências e qualidades, para que os jogadores sintam que representam algo sério e com credibilidade.
Moçambique começou a fase de grupos de apuramento para o Mundial-2014 com uma derrota, diante do Egipto, por 2-0. Como é que analisa esta derrota dos Mambas diante dos faraós?
Contrariamente ao que muita gente possa pensar, Moçambique até fez um bom resultado. Não vejo por que as pessoas lamentam um bom resultado como este. Jogámos com um campeão africano, várias vezes campeão de África e, ainda por cima, no seu reduto. E perder com o Egipto não desilustra a ninguém. É um resultado normal. Não vejo motivos para problematizarmos esta derrota. Agora, nós temos que ser capazes de inverter o resultado aqui em casa.
Mas estamos a falar de uma selecção que partiu para esta fase ciente do valor dos seus adversários e com o objectivo de lutar pela qualificação para o Mundial...
Se calhar, aqui, o que as pessoas pensaram é que o facto de jogarmos num estádio sem público seria um atenuante. Nada disso. É normal perder com o Egipto. Não podemos ter ilusões.
Segue-se o Zimbabwe, domingo, no Estádio o Nacional do Zimpeto. E, a 23 de Março do próximo ano, os Mambas recebem a Guiné Conacri, conjunto que se qualificou para os quartos-de-final das últimas edições do CAN. Quais as possibilidades dos Mambas se qualificarem neste grupo?
Tenho muitas dúvidas de que isso possa acontecer. Sou céptico quanto a essa realidade. Não porque a gente não tenha jogadores que pudessem formar uma selecção e termos hipóteses, mas por tudo quanto anda à volta do futebol. Há problemas de natureza estrutural do nosso futebol que fazem com que a gente esteja sempre assim. E, portanto, isto põe sempre em causa as nossas qualificações. Desta vez até temos alguns jogadores numa faixa etária muito boa para podermos formar uma selecção fortíssima, mas constrangimentos de vária ordem fazem com que a gente esteja sempre em dificuldades. Repare que, agora, há problemas de premiação e de inter-relacionamento entre jogadores (...). Creio que até a própria equipa técnica deve ter problemas inerentes à gestão, e tudo isto faz com que a gente não tenha ilusões de poder ir ao Mundial. mas era bom que fôssemos.
Mas...
Era bom que o nosso futebol fosse, na verdade, dirigido de forma a podermos sonhar com a presença no Mundial. Nós temos adversários de renome e o Egipto é um candidato. Repare só: o Egipto, apesar de fazer bons campeonatos africanos, raramente vai ao Mundial. É uma das melhores selecções de África. A Guiné Conacri fez os últimos campeonatos de forma meritória, e, ainda por cima, ganhou em casa do Zimbabwe. Isto para nós são alguns handicaps. Não vejo grandes possibilidades de nos qualificarmos para o Mundial, mas, para o CAN-2013, ainda temos hipóteses.
Como é que vê o dirigismo desportivo no país?
O futebol é o parente pobre de todas as actividades que existem no país. O desporto, no geral, e o futebol, em particular, são vistos como actividades reles. É bom ter isso em mente. (O futebol) É visto como algo que é praticado por gente que não tem outras competências para desenvolver outras actividades. E estendo isto às artes, à música, por exemplo. Esquecem que estas actividades só são evoluídas em país extremamente evoluídos. É por isso que o futebol continua a “pasmaceira” que é. Enquanto os dirigentes não acordarem, isto vai continuar assim. A mesma mediocridade. E eu não sei se cada dirigente está fazer o seu trabalho. Não sei mesmo.
Moçambique começou a fase de grupos de apuramento para o Mundial-2014 com uma derrota, diante do Egipto, por 2-0. Como é que analisa esta derrota dos Mambas diante dos faraós?
Contrariamente ao que muita gente possa pensar, Moçambique até fez um bom resultado. Não vejo por que as pessoas lamentam um bom resultado como este. Jogámos com um campeão africano, várias vezes campeão de África e, ainda por cima, no seu reduto. E perder com o Egipto não desilustra a ninguém. É um resultado normal. Não vejo motivos para problematizarmos esta derrota. Agora, nós temos que ser capazes de inverter o resultado aqui em casa.
Mas estamos a falar de uma selecção que partiu para esta fase ciente do valor dos seus adversários e com o objectivo de lutar pela qualificação para o Mundial...
Se calhar, aqui, o que as pessoas pensaram é que o facto de jogarmos num estádio sem público seria um atenuante. Nada disso. É normal perder com o Egipto. Não podemos ter ilusões.
Segue-se o Zimbabwe, domingo, no Estádio o Nacional do Zimpeto. E, a 23 de Março do próximo ano, os Mambas recebem a Guiné Conacri, conjunto que se qualificou para os quartos-de-final das últimas edições do CAN. Quais as possibilidades dos Mambas se qualificarem neste grupo?
Tenho muitas dúvidas de que isso possa acontecer. Sou céptico quanto a essa realidade. Não porque a gente não tenha jogadores que pudessem formar uma selecção e termos hipóteses, mas por tudo quanto anda à volta do futebol. Há problemas de natureza estrutural do nosso futebol que fazem com que a gente esteja sempre assim. E, portanto, isto põe sempre em causa as nossas qualificações. Desta vez até temos alguns jogadores numa faixa etária muito boa para podermos formar uma selecção fortíssima, mas constrangimentos de vária ordem fazem com que a gente esteja sempre em dificuldades. Repare que, agora, há problemas de premiação e de inter-relacionamento entre jogadores (...). Creio que até a própria equipa técnica deve ter problemas inerentes à gestão, e tudo isto faz com que a gente não tenha ilusões de poder ir ao Mundial. mas era bom que fôssemos.
Mas...
Era bom que o nosso futebol fosse, na verdade, dirigido de forma a podermos sonhar com a presença no Mundial. Nós temos adversários de renome e o Egipto é um candidato. Repare só: o Egipto, apesar de fazer bons campeonatos africanos, raramente vai ao Mundial. É uma das melhores selecções de África. A Guiné Conacri fez os últimos campeonatos de forma meritória, e, ainda por cima, ganhou em casa do Zimbabwe. Isto para nós são alguns handicaps. Não vejo grandes possibilidades de nos qualificarmos para o Mundial, mas, para o CAN-2013, ainda temos hipóteses.
Como é que vê o dirigismo desportivo no país?
O futebol é o parente pobre de todas as actividades que existem no país. O desporto, no geral, e o futebol, em particular, são vistos como actividades reles. É bom ter isso em mente. (O futebol) É visto como algo que é praticado por gente que não tem outras competências para desenvolver outras actividades. E estendo isto às artes, à música, por exemplo. Esquecem que estas actividades só são evoluídas em país extremamente evoluídos. É por isso que o futebol continua a “pasmaceira” que é. Enquanto os dirigentes não acordarem, isto vai continuar assim. A mesma mediocridade. E eu não sei se cada dirigente está fazer o seu trabalho. Não sei mesmo.
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