Quantcast
Início Cultura Cultura Um olhar africano sobre... África

Um olhar africano sobre... África

TRANSLATE TRANSLATE
Um olhar africano sobre... África
Um olhar africano sobre... África

Com participação de Moreira Chonguiça

A guerra ou os diamantes de sangue saltaram para os jornais, com Naomi Campbell a trocar as passarelas pelo tribunal. É a última imagem que correu o mundo sobre África. Mas será esta a verdadeira imagem deste continente? “Mama África” procura mostrar uma outra imagem, a de pessoas que sabem viver

 

Se o Brasil é futebol, samba, amazónia e mulheres bonitas, África é conflito, fome e animais. Será? A imagem de África para os estrangeiros é absolutamente estereotipada, equivocada ou simplesmente desconhecida.” É assim que começa o texto de apresentação de “Mama África”, um documentário que abriu para os filhos deste continente o espaço para falarem dos temas quotidianos de forma livre, tratando de religião, cultura, desenvolvimento e alimentação.

Filmado em dez países por toda a África, por uma equipa brasileira, “Mama África” mostra um pouco das muitas áfricas que muitas vezes desconhecemos. O tema não é recente. África já foi “olhado pelos olhos dos outros” e a sua história toda foi reduzida a nada: é um continente sem história! “como pode ter história um continente sem escrita?” – questionavam os eurocentristas.

E os afrocentristas levantariam “barricadas intelectuais” para dizerem que a “nossa oralidade” nos dá direito de existir no passado. Mas é melhor pararmos e voltarmos à realidade actual, porque – diriam os africanos – “sabemos que já existíamos antes da escrita”.

O documentário “Mama África” é esse novo olhar de África feito pelos africanos.

É como se os filhos da terra escolhessem um ângulo para – sem deixarem de ser imparciais – observarem o quotidiano com toda a emoção reservada aos participantes dessa vida comum.

Em termos de história, essa observação é ousada. “Como se pode ser imparcial, sendo-se participante activo? Estamos a falar de cinema, e “Mama África” mostra que se pode ser um observador participante com capacidade de isenção. “Mama África” é um documentário meramente africano.

Ou pelo menos assim se pretendia, se tomarmos em conta a produção, que esteve a cargo do brasileiro Alê Braga. Mas – sem fugir a normas – não estamos na era do proteccionismos e África não se pode dar a esse luxo. Alê Braga quis perceber o continente africano e foi buscar actores principais dessa vida para contarem as suas próprias histórias, a forma como superam as barreiras quotidianas, mostrando ao mundo os respectivos países. O filme documentário não se resume simplesmente aos sucessos, apresenta as imensas dificuldades na concretização dos seus sonhos.

É com esses protagonistas que assistimos à esperança de viver num país e num mundo melhor, sem guerras nem fome. Sonham com um país que ofereça oportunidade saudável a um cidadão íntegro que quer vencer na vida sem recorrer a opções que não o dignificam.

“Mama África”, uma realização da Cine Internacional e dirigido por Mónica Monteiro, convida-nos a uma reflexão mais íntima de cada país, particularmente para Moçambique, com a história contada pelo saxofonista Moreira Chonguiça.

Para os produtores, este documentário procura mostrar uma África que muitas vezes fica encoberta pelos estereótipos que a imprensa internacional normalmente apresenta. “Queremos mostrar uma África real através dos seus próprios olhos, dos olhos dos filhos de África, em que a mudança para o melhor é uma realidade constante.

Trata-se de mostrar as suas vidas e seus valores”, explicou Mónica Monteiro, directora da Cine Internacional.

Para Alê Braga, a sinceridade e a beleza das pessoas envolvidas no projecto reflectem imagens dos variados cenários cuja certeza é de que os africanos terão direito a dias melhores.

“Foi uma experiência ímpar. Conheci inúmeras histórias de vida de crianças correndo felizes sem saber bem o porquê, de pessoas que rezam cinco vezes por dia nos seus tapetes ‘mágicos’; que oram aos domingos nos seus templos de pedra; que fazem os seus trabalhos espirituais sob embondeiros centenários; ou até que já não acreditam em mais nada nem ninguém.”

O documentário “Mama África” será exibido ao público, pela primeira vez, em Maputo, durante a quinta edição do Dockanema, festival de filme e documentário, depois, seguirá para as grandes telas do Festival de Cinema Internacional do Rio de Janeiro e do Festival de Cinema do Canadá.

Para além de Moreira Chonguiça (músico), o documentário traz um chefe de cozinha moçambicano residente há muitos anos na RSA; um fabricante e vendedor de tapetes de Marrocos; um médico tradicional da Suazilândia; um artista plástico de Cabo Verde; um jogador de futebol do Gana; uma empresária da Guiné-Bissau; um historiador antropólogo da Tanzania; um jornalista do Senegal; e uma mulher que pilota barcos de Cabo Verde.

“Mama África”, que tem duração de 70 minutos, foi rodado em 2009 e estreia às 18h00 deste sábado, 11 de Setembro, no cinema Gil Vicente. A sua projecção será repetida às 17h00 de domingo, no Centro Cultural Brasil-Moçambique.

 

Comentários


publicidade

publicidade
Faixa publicitária