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“O combate à pobreza é uma utopia”

Refere Teodoro Waty no livro “Silêncio da Voz” .

“No livro falo principalmente das ‘moçautopias’, utopias moçambicanas, exponho o meu ponto de vista sobre alguns temas de economia. Falo do que entendo sobre a terra, no sentido de factor de riqueza, falo sobre como se pode resolver o problema da corrupção...

Escreveu e publicou as suas crónicas em alguns jornais nacionais, mas sentiu a necessidade de criar um arquivo (livro) para armazená-las. Teodoro Andrade Waty dissociou-se da política para espreitar o outro lado da composição social - a escrita. Antes de avançar para a escrita, fez uma consulta à sua falecida esposa Mónica, com quem casou e partilhou a vida por mais de 30 anos, mulher que Waty refere com orgulho ter sido sua alma gémea. “Ela foi aquela que a minha mãe não me deu, ela portou-se durante todo o tempo do nosso casamento como uma verdadeira irmã e quando iniciei este trabalho tive que consultá-la e ela disse-me que estaria comigo para me propor temas, rever os trabalhos que fizesse e que podia escrever porque é bom partilhar o pensamento”, revela Teodoro Waty. Incentivado por Mónica, Waty tomou o caminho da escrita, servindo-se do direito, sua área de formação que, aliás, sem receio, diz: “fiz Direito de forma direita”. Waty silencia a voz mas transporta-a para onde aclara a sua ideia sobre os discursos políticos. Mas não pára por aí, aprofunda os seus conhecimentos viajando pelo campo da cultura e dos comportamentos sociais, até porque algumas páginas são dedicadas à moral e à ética, onde o autor interliga os fundamentos cristãos da sua formação com o profundo conhecimento dos valores clássicos.

No livro “Silêncio da Voz”, o autor encontrou uma forma de gozar da palavra e faz questão de referir que “escrevi porque não podia falar, tenho escrito bastante sobre temas de direito, principalmente, e utilizo esses textos para conferências internacionais, seminários e anfiteatros das universidades. neste momento, entendi que devia escrever e não falar sobre esses temas. No livro falo principalmente das ‘moçautopias’, utopias moçambicanas, exponho o meu ponto de vista sobre alguns temas de economia. Falo do que entendo sobre a terra, no sentido de factor de riqueza, falo sobre como se pode resolver o problema da corrupção. Eu entendo que Moçambique não é uma terra ou um paraíso da corrupção, não há um gene moçambicano de corrupção, é preciso fazer o controlo, refiro-me a um tema que, no meu ponto de vista, é apaixonante, exponho a minha visão sobre as presidências abertas. digo, por exemplo, num dos textos, que há terriolas em que miúdos que vêem o Presidente a descer do avião podem pensar que é um marciano, porque, provavelmente, nunca tinham visto um avião na sua terra”.

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