
Entrevista ao cartoonista Sérgio Zimba
“Mafenha” é título da obra de Sérgio Zimba que o fez conquistar vários amigos e simpatizantes, em 1999, aquando da sua primeira edição. O livro será relançado na próxima sexta-feira, na AEMO (Associação dos Escritores de Moçambique), em Maputo. Pelo segundo lançamento da sua obra, Sérgio Zimba faz-nos algumas revelações relativamente à sua escolha artística.
O “Mafenha” segue na sua segunda edição, o que terá motivado a sua reedição?
A primeira edição deste livro foi um sucesso, teve muita aceitação na sociedade, o que fez com que esgotasse por completo. Mas amigos e o público em geral continuaram a solicitar a sua recolocação no mercado. Contudo, devido à falta de recursos financeiros para a satisfação deste desejo, só agora é que se torna realidade, graças ao apoio prestado pela Tipografia CIEDIMA.
Que conteúdo a obra transporta?
O “Mafenha” é uma colectânia de vários temas sobre a vida quotidiana dos moçambicanos. Para mim, o cartoon é uma forma de retratar verdades de uma maneira satírica. Há coisas que não conseguimos dizer na vida real, mas que numa obra artística, neste caso no cartoon, conseguimos transmitir facilmente.
O cartoon parece não ter seguimento por parte da geração actual. Será esta uma arte desinteressante?
O cartoon é uma das formas de comunicação social e parte integrante do jornalismo. sendo assim, a imprensa seria a sua grande impulsionadora, mas o que acontece é que os jornais não apostam nesta arte, não dão a devida consideração, o que devia ser o contrário, porque o cartoon não está de boleia, é um dos ramos do jornalismo.
Se os jornais abrissem esse espaço para o cartoon, haveria cartoonistas suficientes para os alimentar?
O cartoon é uma área que atrai menos seguidores em Moçambique, não posso dizer que sim. O que digo é que esses poucos, se tivessem espaço para publicar as suas obras, futuros cartoonistas haviam de aparecer, seguindo o exemplo desses poucos.
No meio dessas dificuldades todas, Zimba continua no Cartoon. Por que insiste em se agarrar a esta arte?
Para além de retratar diversos temas do âmbito social, o cartoon cria um bom humor nas pessoas. Fazemos parte de uma sociedade com diversos problemas, deste modo, se aparece alguém a fazer rir, já é bom, porque o riso ajuda a abafar a tristeza. Portanto, por reconhecer a importância do cartoon na sociedade, continuo e sempre continuarei a insistir nele.
Apelaria a um investimento no cartoon, um vez que grande parte dos moçambicanos ainda tem dificuldade de leitura?
O investimento que pode ser feito não é necessariamente em dinheiro, mas sim na consciencialização dos responsáveis pelos jornais e de outras formas de comunicação social, de modo a enquadrarem o cartoon nas suas edições.
Espera lançar mais obras?
A minha próxima obra versará sobre a malária. Será uma forma de consciencialização das pessoas sobre os cuidados que devem ter para se protegerem desta doença, por entender que é uma doença que continua a plantar luto nos moçambicanos.




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