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Nunca mais, corrupção!

Crónica.

Por incrível que pareça, a condutora ora morta era esposa de Inconstante Constâncio, o agente da polícia de Tráfego que deixou passar o automobilista que acabou com vida da consorte, a sua genuína esposa.

Todos já eram corruptos ou corruptores em Fim-de-Mundo. Sim, todos já eram mais dedicados ao dinheiro ilícito, pedindo recompensas por todo o serviço a todo o cidadão, até o serviço que era do seu respectivo dever, devidamente remunerado ao final do mês.  


E, dentre os corruptos, havia Inconstante Constâncio, homem que exercia com zelo e dedicação a sua corrupta prática, conforme as hodiernas e malvadas ordens. Ele jamais defraudou expectativas dos seus apoiantes. Falo dos que com ele trabalhavam de forma abnegada para o desenvolvimento da corrupção e para o combate aos homens de excelente educação, os morigerados.


Inconstante Constâncio trabalhava para a Polícia de Tráfego de Fim-de-Mundo. Os seus deveres eram: controlar os veículos que caminhavam em excesso de velocidade e em velocidade excessiva, policiar os condutores que moviam os veículos em estado de embriaguez, entre outras ilicitudes rodoviárias. Mas, não escassas vezes, exigia outras coisas imprevistas por lei, quando a todo custo queria arrancar trocado dos automobilistas: capacete; guia de marcha; luvas de condução; e outras desnecessidades.


Certa vez, de resto, Inconstante, quando estava no seu respectivo posto de trabalho, nas bermas de qualquer estrada, interpelou uma viatura, conduzida por um automobilista em estado de embriaguez. Ademais, a viatura era demasiado pesada, imprópria para circular pelas ruas, frágeis, de Fim-de-Mundo. Sim, só devia andar a viatura numa via dura, as rodas a confrontarem-se com a rigidez do pavimento da mesma.


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