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Óscares.
O rol de curiosidades dos Óscares pode engrossar este ano, caso “O Artista” vença a estatueta para melhor filme. Seria a primeira vez que uma produção de países onde não se fala inglês o conseguiria. O principal prémio da Academia norte-americana costuma estar blindado, destinado aos seus ou, no máximo, aos produtores de países irmãos.
Há muitos argumentos para atirar contra esta novidade: o filme de Michel Hazanavicius passa-se em Los Angeles, onde foi filmado, incluindo nos estúdios da Paramount e da Warner Brothers; parte do elenco é norte-americana; os separadores (é um filme mudo) estão escritos em inglês; é sobre uma das mais pujantes indústrias dos EUA, o cinema; e foi a distribuição e promoção da americana Weinstein Company que potenciou o seu sucesso mediático.
Os nomes que acompanham as nomeações para melhor filme são, contudo, os dos produtores e não de qualquer outro interveniente, ou outra qualquer característica. No caso de “O Artista”, a co-produção franco-belga é assinada pelo francês Thomas Langmann. Ora, nuns prémios com tantas regras e tão formalistas, esta informação deve deitar por terra o restante leque de razões (embora não encerre o debate).
Foram poucos os títulos de língua não inglesa a serem nomeados para o Óscar de melhor filme. Em 84 edições, contam-se pelos dedos das mãos: oito. O primeiro aconteceu em 1938, quando “A Grande Ilusão” de Jean Renoir foi indicada para a principal categoria dos prémios (mais por consolação do que por vontade de lhe dar a estatueta). Para a segunda nomeação (1970), foi preciso esperar mais de três décadas, até Costa-Gavras realizar “Z – A Orgia do Poder”.
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