Reedição de Rui Nogar.
Rui Nogar é o pseudónimo literário de Francisco Rui Moniz Barreto (Lourenço Marques, 1932 – Lisboa, 1993). Filho de imigrantes brancos oriundos de Goa, após a morte do pai, abandonou os estudos secundários a fim de prover o sustento da família. Considerava-se um auto-didacta, cuja formação devia tanto ao exemplo dos pais, como dos professores, exilados políticos portugueses, que lhe alertaram para as questões sociais e para a necessidade de as problematizar no contexto colonial.
Vivenciou desigualdades e injustiças, quer no subúrbio laurentino, quer no seu percurso profissional: trabalhou junto dos carregadores do cais e como praticante de escriturário nos Caminhos de Ferro de Moçambique. Posteriormente, foi “copywriter”, contabilista e redactor em diversos títulos da imprensa, como a Tribuna ou O Brado Africano.
Com Craveirinha, participou nas actividades da Associação Africana, onde se notabilizou como declamador. Foi, aliás, na sequência de uma das sessões culturais dinamizada naquela associação, em 1953, que a polícia política o deteve pela primeira vez. Os seus poemas mais antigos datam de 1954-55 e surgem em “O Brado Africano” e no “Itinerário”.
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